2.2 CONCEITO DE INVESTIMENTO E OS FATORES INFLUENCIADORES 13
2.2.2 INVESTIMENTO: CONCEITO E AS DIFERENTES PERSPETIVAS
De acordo com Rodrigues (1963), na literatura encontra-se uma extensa variedade de definições sobre investimento, podendo, no entanto, agrupar e distribuir por algumas classes como: definições restritas e definições extensivas; retrospetivas e prospetivas; microeconómicas e macroeconómicas.
Também Araújo (1999), afirma que não existe uma definição sobre investimento que seja consensual. Ele define-o, como toda a aplicação de fundos executada com a finalidade de obter benefícios de rendibilidade, a um prazo relativamente próximo, mas não curto, revestindo-os de uma importância capital para o futuro de uma empresa, porque permitem obter os recursos necessários à obtenção de vantagens, e criam contextos favoráveis à expensão, caso contrário, o não investimento pode apressar a queda de uma empresa.
Na visão de Marques (2014, p. 19):
“No limite e globalmente, investimento significa acumulação de possibilidades de produção, quer diretamente através de projetos produtivos, quer indiretamente através de projetos não diretamente produtivos, mas que, de uma forma ou outra, contribuem para a dinamização da atividade económica, o crescimento do emprego, da produtividade, do produto e dos rendimentos sociais e para a melhoria das condições de vida em geral. Traduz-se na aplicação de uma poupança social e constitui a mola mestra do crescimento económico sustentado, que impulsiona o desenvolvimento.”
Uma das distinções que existe no investimento é o dividi-lo em produtivo e não produtivo. O investimento produtivo para Gonçalves et al. (2013), destina-se a aquisição de equipamentos, stocks, construções de infraestruturas, que podem ser efetuadas por empresas do setor privado, investimento privado, quer por
empresas do estado, investimento público. O investimento não produtivo, destina-se por exemplo, a preservação da paisagem, instalação ou recuperação de galerias ripícolas, erradicação de espécies invasoras lenhosas, recuperação de muros de pedra posta, que com incentivos no âmbito do Programa de Desenvolvimento Regional, pretende apoiar pequenos investimentos considerados não produtivos, no plano de ações de intervenção territorial integrada, que têm como finalidade, ajudar à conservação dos espaços agroflorestais alvo das medidas agro-silvo-ambientais.
Para o Ministério da Economia (2015, p. 1) “O investimento consiste na aplicação de recursos em bens que proporcionam benefícios em períodos futuros, sendo considerado um dos maiores catalisadores do crescimento económico.”
Em termos da perspetiva económica, Barreiros (2004) afirma que o investimento, traduz na aplicação de capital com a intenção de obter algum proveito num determinado período de tempo, com níveis de retorno satisfatórios, caso o contrário, os investidores não estarão motivados para continuar a investir, para aplicar os seus capitais.
Para Bação et al. (2017, p.7) “O investimento é uma condição essencial para o crescimento económico e para o aumento da produtividade. É o investimento que introduz nas organizações as instalações, os equipamentos e os processos que incorporam o avanço do conhecimento e que permitirão utilizar de forma mais produtiva os recursos disponíveis.”
Marques (2014) afirma que, a tomada de decisão por parte dos agentes económicos, de investir ou não, advêm de distinguir as diferentes perspetivas do conceito investimento, implícitas às distintas probabilidades de avaliação de projetos. Neste contexto divide-as em: a) O investimento na perspetiva financeira – Investimento na perspetiva da empresa ou do empresário, contabilista ou financeiro, uma perspetiva microeconómica, que corresponde à aplicação de recursos financeiros próprios ou alheios, com a expetativa da recuperação do investimento, ter produtividade e o mais importante para uma empresa, obtenção de lucro; b) O investimento na perspetiva económica – Investimento na perspetiva do economista e do governo, uma perspetiva macroeconómica, que representa a afetação de recursos, criados ou adquiridos, com o objetivo de produzir resultados, com definidas e apropriadas utilidades para a sociedade, provocar uma variação positiva de capital, num determinado período, geralmente um ano, através do investimento em stocks; a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF); investimento em ativos fixos tangíveis; investimento em ativos fixos intangíveis; investimento em fundo de maneio, etc; c) O investimento na perspetiva dos agentes económicos aforrados – Investimento na perspetiva da banca e dos depositantes, que equivale por um lado, a poupança através da abstenção no presente de consumir com o objetivo de no futuro obter consumos superiores proporcionados pelo lucro ou juro, e por outro lado, a satisfação imediata das necessidades realizada pelo consumo, em troca da satisfação diferida e prolongada no tempo, que geralmente são em quantidade e qualidade superior.
Na perspetiva ou na ótica da Contabilidade Nacional, o Ministério da Economia (2015) divide o investimento em duas vertentes: a primeira vertente é relativa à aquisição de meios de produção, tais como, máquinas, equipamentos ou infraestruturas, que tem por objetivo aumentar ou restituir a capacidade produtiva, que se dá o nome de FBCF; e a outra vertente relativa à variação de existências.
direcionado para as atividades que produzem maior lucro para a empresa. Também afirma que, constitui maior risco para os investidores, internos e externos, um governo que tenha dificuldade em controlar a despesa pública e tenha um elevado endividamento público, criador de elevada possibilidade de impostos altos e com tendência a crescer.
Será analisada a percentagem do investimento na perspetiva económica através do FBCF, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), através da Figura 5 no contexto nacional neste século, e na Figura 6, Portugal em relação à zona euro, no segundo trimestre de 2018.
Figura 5 - O investimento (FBCF) em % do PIB em Portugal
Fonte: Martins (2018). Gabinete de Estratégia e Estudos, Ministério da Economia
Pelos dados da Figura 5, verifica-se que o investimento tem vindo a diminuir desde 2000, acentuando a queda entre 2011 e 2013, vindo a recuperar lentamente desde 2014, mas ainda distante dos valores do início do século.
Figura 6 - O investimento (FBCF) em % do PIB na Zona Euro no 2.º trimestre de 2018
Através da Figura 6, verificou-se que no 2.º trimestre de 2018, o investimento em Portugal encontrava-se ainda bem inferior ao da Zona Euro, 16,8% do PIB contra os 20,9% do PIB respetivamente, uma diferença negativa de 4,1%.