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2.1 A teoria de carteiras eficientes

2.1.5 Classes de ativos

2.1.5.2 Investimento no exterior

Assim como os investimentos domésticos, os investimentos no exterior podem ocorrer em ativos diretamente vinculados a economia real ou em portfólio - ativos líquidos negociados nos mercados financeiros e de capitais, tais como: títulos emitidos pelos governos, ações e títulos de renda fixa emitidos por empresas, fundos de investimentos, fundos de índices etc.

Em se tratando de investimentos em portfólio os ativos mais acessíveis disponíveis no exterior são as ações, fundos de índices e fundos de investimentos.

Há bastante tempo os investidores de países desenvolvidos alocam recursos em outros países, especialmente nos países emergentes os quais ainda oferecem uma taxa de juros bastante elevada quando comparada com aquelas praticadas nos países desenvolvidos. De acordo com BODIE at al. (2000, p. 571), em 1997 existiam mais de $ 9 bilhões de dólares alocados em fundos abertos com investimentos em países emergentes.

No Brasil, só mais recentemente os órgãos reguladores promoveram uma abertura da legislação sobre investimentos no exterior. A Comissão de Valores Mobiliários – CVM editou em 30 de março de 2007 a instrução CVM 450, promovendo mudanças na regulação dos fundos de investimentos dentre elas a que

permite a aplicação de um percentual do patrimônio líquido desses fundos em ativos emitidos no exterior, desde que negociados em bolsas brasileiras, dentre outras restrições. Até então apenas os fundos denominados de Fundos de Dívida Externa podiam aplicar parte do seu patrimônio líquido em ativos emitidos no exterior. Por outro lado, o Conselho Monetário Nacional, órgão este que regula os investimentos das entidades fechadas de previdência complementar permitia, através da resolução CMN 3.456, de 1º de junho de 2007, que essas entidades alocassem no máximo 3% dos recursos por elas administrados em fundos de investimentos em cuja política de investimentos permitia a aplicação de recursos em ativos emitidos no exterior. Em 24 de setembro de 2009 o CMN editou a resolução 3.792, ampliando esse limite para 10% e permitindo que as aplicações possam ser feitas em ativos emitidos no exterior, porém admitidos à negociação em bolsa de valores brasileira, além das aplicações através de fundos de investimentos regulados pela CVM.

Assim, a alocação de recursos no exterior por parte de investidores brasileiros ainda é pouco representativa quando comparada com a prática internacional.

Porém, com a globalização cada vez mais intensa dos mercados financeiros e de capitais associada à tendência de redução das taxas de juros reais no Brasil, os investidores locais naturalmente irão procurar outras alternativas de investimentos, dentre elas o investimento no exterior. No longo prazo, a internacionalização das carteiras, especialmente, por parte dos investidores institucionais, parece ser uma tendência natural.

Em linha com essa tendência várias instituições especializadas em gestão de recursos e em alocação no mercado internacional, já estão com suas áreas comerciais montadas no Brasil e com um intenso esforço na prospecção de clientes. Como exemplos têm-se Barclays Global Investors, Credit Suisse, Goldman Sachs, Schroders, entre outras.

O investimento no exterior seja direto ou através de portfólio, trás para o investidor local algumas dificuldades, preocupações e riscos adicionas, dentre os quais se destacam:

 O risco político associado à movimentação de capitais;  As regulamentações dos países envolvidos;

 A transparência das operações;  Os custos operacionais;

 Os critérios de precificação dos ativos; e,  Os critérios de contabilização dos ativos.

Outra dificuldade que se apresenta para o investimento no exterior diz respeito aos modelos praticados em finanças. Segundo BODIE at al. (2000, p. 577) podemos usar o modelo de precificação de ativos de capital (CAPM) ou a teoria da precificação por arbitragem (APT) para prever as taxas de retorno esperados em um equilíbrio do mercado de capital internacional, assim como para os ativos domésticos. Os modelos, porém, precisam de algumas adaptações para uso internacional.

Em que pesem as dificuldades acima apontadas, evidências empíricas mostram as vantagens na alocação de recursos no exterior. O principal responsável por essas vantagens é o efeito da diversificação, conforme apontado anteriormente nesta pesquisa.

“Para que você não pense que a análise de média-variância é muito “acadêmica”, considere a Figura 20.5, reproduzida de um trabalho no Journal

of Portfolio Management, escrito por um gestor de carteira. O artigo é

dedicado à administração do “risco para as carteiras internacionais”. Toda a análise de administração do risco é feita em termos de fronteiras eficientes de um índice de ações não-americanas, o índice EAFE.” (BODIE, at al., 2000, p.569)

Experiências empíricas mostram a baixa correlação existente entre os retornos de uma cesta de ativos internacionais. As Tabelas 22 a 27 apresentadas no Apêndice desta pesquisa apresentam essas correlações considerando ativos nacionais e estrangeiros.

Para os investimentos em ativos líquidos no exterior é possível a adoção de estratégias ativas e passivas. As estratégias passivas podem ser facilmente implementadas através dos fundos de índices largamente negociados em bolsas de valores.

Em qualquer situação a decisão de investir no exterior deve ser precedida das análises dos riscos anteriormente citados, os quais são inerentes a essa modalidade de investimentos.

Para mitigação do risco cambial é recomendada a utilização de instrumentos do mercado de derivativos, como o contrato a termo ou de futuros na moeda estrangeira. A expressão que relaciona a taxa de câmbio do mercado à vista, a taxa de câmbio dos contratos de futuros, a taxa de juros local e a taxa de juros no exterior é denominada de equação da paridade das taxas de juros entre países, conforme apresentado a seguir, adaptado de BODIE at al. (2000, p. 573), qual seja:

)

(

1

)

(

1

1 0

o

estrangeir

r

local

r

E

F

+

+

=

(22)

Onde:

F

0 é a taxa de câmbio dos contratos de futuros;

E

1 é a de

câmbio no mercado à vista;

r(local)

é a taxa de juros no país de origem dos recursos e

r(estrangeiro)

é a taxa de juros no país estrangeiro;

A utilização da expressão (22) permite ainda a realização de operações de arbitragem, especialmente nos momentos de maiores volatilidades dos mercados.

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