4. MODELOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS
4.4. IPMA COMPETENCE BASELINE (ICB)
4.4. IPMA COMPETENCE BASELINE (ICB)
É interessante também destacar que nesta metodologia cada associação nacional é responsável por estabelecer a sua própria definição de competências e documentação para certificação, a National Competence Baseline (NCB). Essas competências devem estar de acordo com o ICB e fazer adaptações de acordo com as especificidades culturais de cada país. No Brasil, o órgão que representa a IPMA é a Associação Brasileira de Gerência de Projetos (ABGP) sediada em Curitiba, Paraná.
A IPMA é uma organização sem fins lucrativos, com sede na Suíça, incumbida de promover a gestão de projetos por todo o mundo. Em 1965, a associação fundou um grupo de discussão de gerentes de projetos internacionais. Ela desenvolveu um programa de certificação em 1998 inicialmente em vários países da Europa, que posteriormente foi expandido pelo mundo. A certificação possui quatro níveis e avalia as qualificações e competências dos postulantes com relação aos critérios de conhecimento em GP, experiência profissional na área, atitude pessoal dos candidatos e suas impressões gerais.
Tal como a IPMA, a brasileira ABGP também é uma entidade sem fins lucrativos e de natureza privada voltada para desenvolver e aprimorar atividades em gerenciamento de projetos, contribuindo para a melhoria da sua prática nas organizações.
4.4.2. Conceitos Iniciais 4.4.2.1.Definindo Projetos
O ICB apresenta mais de uma definição de projeto, entretanto, de um modo geral, todas elas explicam o conceito de projeto pelas suas características diferenciadoras face às demais atividades realizadas pelas organizações, as quais são globalmente consideradas como operações de rotina. Com isso o ICB considera o projeto como um empreendimento caracterizado, principalmente, pela singularidade das condições em que é realizado, especialmente no que diz respeito ao escopo, aos prazos, aos custos, às pessoas e à qualidade. Outra definição apresentada assemelha-se ao conceito do PMBoK: projeto é uma conjugação de esforços em que recursos humanos, materiais e financeiros são organizados de forma inovadora para realizar um tipo único de trabalho, de acordo com especificações previamente definidas, com limitações de custos e de tempo, seguindo um ciclo de vida padrão e tendo em vista a obtenção de uma mudança benéfica para a organização, definida por objetivos quantitativos e qualitativos.
4.4.2.2.Divisão por Grupos de Processos
O ICB constrói sua norma com quarenta e seis elementos de competências para conhecimento e experiência em gestão de projetos (neste total vinte pertencem ao âmbito técnico, quinze ao âmbito comportamental, e onze ao âmbito contextual). O que já chama atenção, desde do início, é o destaque dado às competências do âmbito comportamental, fato que não muito explorado em outros modelos. A figura 21 apresenta os elementos/competências relacionadas ao ICB.
Figura 21: Element descriptions.
Fonte: Adaptado de ICB – IMPA Competence Baseline.
4.4.2.3.Partes Interessadas
Nessa metodologia as partes interessadas, são especificadas como pessoas, grupos de pessoas ou entidades que participam ou influem no projeto e que, direta ou indiretamente, têm interesses em sua evolução, ou que são atingidas pelos seus resultados.
De um modo geral, todos eles têm um interesse bem fundamentado tanto no sucesso do projeto (ou da organização) como no contexto em que este projeto (ou organização) se insere.
São exemplos de stakeholders os clientes, os fornecedores, os contratantes, o gerente do projeto, os membros da equipe de projeto, os usuários do produto ou serviço resultante do projeto, os facilitadores, as comunidades locais, os grupos de pressão, as famílias, a mídia, o governo e os financiadores.
4.4.3. Gerenciamento da Qualidade em Projetos
A norma ICB trata a qualidade do projeto como o grau em que um conjunto de características intrínsecas preenche os requisitos do projeto. Abrange todas as fases e componentes do projeto, desde o projeto inicial de definição, através de seus processos, até a gestão da equipe do projeto. Para ela a gestão da qualidade é baseada na participação de todos os membros da equipe e considerando o respeito à qualidade como fundação para o projeto. Com isso a norma busca garantir, a longo prazo, o sucesso empresarial através da satisfação do cliente.
A base é a qualidade das práticas de gestão da qualidade existente na organização que está envolvida no projeto e contribui para os processos e resultados. Especificamente, a organização determina a política da qualidade, objetivos e responsabilidades, e sua implementação se dá através da qualidade de planejamento, procedimentos operativos normalizados, medidas de controle, ou outros aspectos da organização relativa ao sistema gestão da qualidade. O risco de se ignorar a qualidade é o de não realizar o projeto, programa ou carteira de objetivos.
As funcionalidades do produto deverão ser validadas no decurso do projeto.
Normalmente, o cliente ou usuário será envolvido nestas revisões para garantir o cumprimento dos requisitos do produto. A validação da qualidade do projeto é realizada através de procedimentos como a garantia de qualidade (Quality Assurance), controle de qualidade (Quality Control), de projeto de produtos e de auditorias. Se for o caso, desenhos assistidos por computador, maquetas ou protótipos podem ser usados e testados para validar a concepção do produto, e para ajustá-lo para que possa satisfazer as exigências em todas as fases do projeto. Quando o produto é software, versões antigas podem ser testadas pelos usuários para detectarem falhas a serem corrigidas em versões posteriores. Quando o produto é de documentação, projetos de versões podem ser utilizados para detectar erros a corrigir em versões posteriores.
O ICB destaca a importância de se validar o projeto com suas especificações e descreve que o teste é necessário para provar que as etapas do projeto estão cumprindo a especificação original para descobrir eventuais defeitos, de forma a corrigi-las precocemente e evitar dispendiosas reformulações que pode ser necessárias se defeitos forem detectados mais tarde. Os ensaios, registros e procedimentos a serem realizados devem ser definidos no início do projeto, de preferência ao definir o contrato.
Além de reforçar a utilização das técnicas de qualidade no âmbito do gerenciamento do projeto a norma do IPMA apresenta como diferencial as principais competências a ser aplicadas:
o ter os conhecimentos necessários relativos à gestão da qualidade do projeto e aplicá-los;
o direcionar à gestão da qualidade para projetos e programas importantes dentro da organização;
o saber tratar as situações da qualidade relacionadas ao projeto, seja ele complexo ou não.