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2.3 Normas Contábeis

2.3.2 Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público

2.3.2.1 A IFAC, o IPSASB e as IPSAS

Fundada em 1977, a Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants – IFAC) é uma organização global para a profissão contábil, que tem por missão:

Servir ao interesse público, fortalecer a profissão contábil ao redor do mundo e contribuir ao desenvolvimento de economias internacionais fortes pelo estabelecimento e pela promoção da adesão a normas profissionais de alta qualidade, estimulando a convergência internacional dessas normas, e pronunciando-se sobre temas de interesse público onde o conhecimento especializado da profissão tem alto grau de relevância (CFC, 2010, P. 12).

A IFAC é de natureza não-governamental, sem fins lucrativos e não política. Está sediada em Nova York (Estados Unidos da América) e conta com a participação de 179 membros de 129 países (o Brasil está presente por meio do Instituto Brasileiro de Contadores e do Conselho Federal de Contabilidade), que representam quase 2,5 milhões de contadores (NIYAMA, 2010, p.41).

Em 2004, a IFAC substituiu o antigo Comitê do Setor Público (Public Sector Committee – PSC) pelo Conselho Internacional de Normas Contábeis do Setor Público (International Public Sector Accounting Standards Board – IPSASB).

O IPSASB é um conselho da IFAC que desenvolve, sob sua própria autoridade, temas de interesse público e normas contábeis de alta qualidade, além de outras publicações, para o uso de entidades do setor público (IPSASB, 2014). Com isso, norteia a elaboração de demonstrações contábeis, facilitando a convergência das normas nacionais às internacionais, o que melhora a qualidade e a uniformidade das demonstrações contábeis ao redor do mundo. (CFC, 2010; IPSASB, 2014).

Segundo o CFC (2010, p.20-21) e o IPSASB (2014), o IPSASB alcança seus objetivos das seguintes formas:

a) Emitindo Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público;

b) Editando Orientações Práticas Recomendadas (Recommended Practice Guidelines – RPGs) para fornecer orientações que as entidades do setor público possam seguir;

c) Prestando assessoria mediante estudos, baseando-se nas melhores práticas e nos mais eficazes métodos para relatórios financeiros do setor público;

d) Promovendo a aceitação e a convergência internacional às Normas;

e) Publicando outros documentos que ofereçam orientações sobre temas e experiências na elaboração de demonstrações contábeis no setor público. As Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público são diretrizes oficiais, normas globais de alta qualidade para a elaboração de demonstrações contábeis por entidades do setor público, diferentes de Empresas Estatais (EE). Essas normas foram desenvolvidas com a finalidade de normatizar questões que dizem respeito a demonstrações contábeis para fins gerais de todas as entidades do setor

público. O texto oficial das IPSAS e de outras publicações é escrito pelo IPSASB no idioma inglês.

O IPSASB, além de desenvolver as IPSAS, emite outras publicações não mandatórias, incluindo estudos, relatórios de pesquisas e artigos pontuais sobre temas específicos relacionados a questões que dizem respeito à elaboração das demonstrações contábeis do setor público.

A página ifac.org/publications-resources/2014 traz a edição atual do Manual Internacional de Pronunciamentos Contábeis do Setor Público - I e II (Handbook of International Public Sector Accounting Pronouncements - I and II) e inclui Diretrizes Práticas Recomendadas (Recommended Practice Guidelines – RPG), com a introdução da RPG 1 - Relatório sobre a Sustentabilidade a Longo Prazo das Finanças de uma Entidade e da RPG 2 - Discussão e Análise das Demonstrações Financeiras, ambas aprovadas em junho de 2013 e emitidas em julho de 2013. Esses manuais contêm o conjunto completo das Normas Internacionais de Contabilidade do Setor, editadas pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público, conforme estruturado na Figura 5.

Figura 5 – Processo de Elaboração de Normas do IPSASB

Fonte: STN (2012), com adaptação da autora.

O IPSASB desenvolve normas e orientações para a utilização de contabilidade por entidades do setor público. Ele recebe apoio incluindo-se financeiro, do Banco Mundial, do Banco Asiático de Desenvolvimento, dos Revisores Oficiais de Contas Profissionais do Canadá, do Conselho Sul-Africano de Normas de Contabilidade, do Canadá, da Nova Zelândia e da Suíça. As estruturas e processos que suportam as operações do IPSASB são facilitadas pela IFAC (IPSASB, 2014).

Os membros do IPSASB, incluindo o Presidente e o Vice-Presidente, são nomeados pelo Conselho da IFAC sobre a recomendação de seu Comitê de Nomeação.

No desenvolvimento das suas normas, o IPSASB, conforme o CFC (2010), busca a contribuição do seu Grupo Consultivo, e faz uso de pronunciamentos emitidos por:

a) International Accounting Standards Board, até o ponto em que se apliquem ao setor público;

b) Órgãos normalizadores nacionais, autoridades reguladoras e outros órgãos competentes;

c) Órgãos profissionais contábeis;

d) Outras organizações interessadas na elaboração de demonstrações contábeis no setor público.

O IPSASB garantirá a consistência entre seus pronunciamentos e os do IASB até o ponto em que sejam aplicáveis e apropriados para o setor público. O objetivo do Grupo Consultivo do IPSASB é poder consultar representantes com diferentes visões para obter contribuições e feedback sobre seu programa de trabalho, projetos prioritários, questões técnicas, processo legal e atividades em geral. O Grupo Consultivo não vota em questões referentes às Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público ou a outros documentos emitidos pelo IPSASB (CFC, 2010, IPSASB, 2014).

O IPSASB coopera com órgãos normalizadores nacionais na preparação e na emissão de Normas, para compartilhar recursos, minimizar a duplicação de esforços e alcançar consenso e convergência na fase inicial do desenvolvimento das referidas Normas. Também promove o endosso das IPSAS por órgãos normalizadores nacionais e outros órgãos competentes e estimula debates com usuários, inclusive representantes eleitos e nomeados, Secretarias da Fazenda, Ministérios de Finanças e órgãos competentes semelhantes e profissionais ao redor do mundo, a fim de identificar as necessidades dos usuários por novas Normas e orientações (CFC, 2010; IPSASB, 2014).

Em seu procedimento de trabalho, o IPSASB publica minutas para discussão de todas as Normas propostas para consulta pública durante um período, usualmente de quatro meses. Em alguns casos, também pode lançar uma chamada para comentários antes do desenvolvimento de uma minuta para discussão. Isso oferece uma oportunidade para que aqueles afetados pelos pronunciamentos do IPSASB

contribuam e apresentem suas perspectivas antes da finalização e da aprovação dos textos. O IPSASB considera no desenvolvimento de uma IPSAS todas as opiniões recebidas (CFC, 2010).

O quórum para cada reunião do IPSASB é de, no mínimo, 12 membros nomeados, presencialmente ou por meio de telecomunicação simultânea. Cada membro do IPSASB tem um voto. Para fins de aprovação de chamadas a comentários, minutas para discussão e IPSAS, são necessários votos a favor de pelo menos dois terços dos participantes. Um membro do IPSASB pode autorizar uma pessoa presente em uma reunião do IPSASB a votar em seu nome (CFC, 2010).

Reuniões do IPSASB com o objetivo de discutir o desenvolvimento e aprovar a emissão de Normas ou outros documentos técnicos são abertas ao público. Documentos discutidos nas reuniões, inclusive as minutas das reuniões do IPSASB, são publicados no site do IPSASB (CFC, 2010).

Conforme o CFC (2010), um relatório anual é publicado pelo IPSASB, destacando seu programa de trabalho, suas atividades e o progresso alcançado em relação aos seus objetivos para aquele ano. Conjuntamente, a cada três anos, a IFAC efetua uma revisão em relação à eficácia dos processos do IPSASB. “Órgãos membros da IFAC têm autorização para preparar, após aprovação, traduções desses pronunciamentos a custo próprio, a serem publicadas em seus respectivos países” (CFC, 2010).