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Irregularidade fundiária e de empreendimentos

Outra dificuldade que assola a APA do Sana se relaciona à irregularidade fundiária, que engloba a falta de registro ou documentação comprobatória das propriedades localizadas

naturais na APA do sana, Macaé-Rio de Janeiro, dissertação de mestrado, UFRJ, Macaé, 2015, p. 45)

48 Nos termos da ata da reunião do SANAPA realizada no dia 02/07/2015, foi discutida a questão da má utilização dos recursos hídricos, conforme se pode observar no trecho a seguir: “O Sr. Bruno informa que várias piscinas foram instaladas durante o verão e que isso acarreta ainda mais a falta d’água e diz que uma visita corpo a corpo deve ser feita para sensibilizar os moradores sobre o bom uso desse recurso. O Sr. Pablo informa que casas foram identificadas no Sana em que as bóias de controle de abastecimento estavam quebradas. Afirma que uma delas jogava 22000 litros de água fora em uma hora, o que seria suficiente para abastecer 180 pessoas, isso em uma casa apenas.”

49 Conforme ata da reunião do SANAPA realizada no dia 11/12/2014, o Sr. Pablo Caetano, diretor e representante da ESANE (atual Secretaria Adjunta de Saneamento) propõe a proposta de captação emergencial de água: “Apresenta como proposta da Esane, captar água do Córrego do Peito de Pombo, proposta antiga que não havia sido aprovada à sua época. Afirma que a solução é captar, com uma tubulação de 100 ou 150 mm, saindo das proximidades do sítio do Sr. Jamil. Afirma que precisaria de 2600m de tubos e que a Esane tem metade desse encanamento. Afirma que essa tubulação viria por dentro da mata e que teriam de ser suprimidas algumas árvores. Afirma que a água viria por gravidade e que o custo de colocação disso será de R$80.000,00, aproximadamente. Afirma que os impactos e as implicações dessa adutora, devem estar na alçada da Secretaria de Ambiente, que deve licenciar ou não a “obra”. Isso seria em caráter emergencial, aplicado em curto tempo e que não necessariamente será definitivo.”

50 Segundo ata da reunião do SANAPA realizada no dia 03/09/2015, o Sr. Pablo Caetano, representante da ESANE (atual Secretaria Adjunta de Saneamento) esclarece sobre a captação emergencial de água que: “Informa que o quadro na ESANE permanece o mesmo e que a verba para a instalação da ETA do Sana foi, realmente, devolvida. (...) Informa ainda que hoje não há alternativa para o abastecimento de água no Sana, a curto prazo, e que se a captação do Córrego do Peito de Pombo for retirada a comunidade do Sana ficará sem água.”

no distrito e o desreipeito dos proprietários ou posseiros à legislação ambiental vigente – como às Áreas de Preservação Permanente e outras faixas marginais de proteção. De igual forma, muitos dos empreendimentos comerciais que se instalam no Sana carecem de regulamentação e registro competentes para funcionar.

No tocante à irregularidade fundiária, o plano de manejo da APA do Sana já previa isso como um dos problemas da Unidade de Conservação, propondo soluções, conforme se pode observar (PMM, 2003, p. 123):

• Aumentar o conhecimento sobre a situação fundiária da unidade de conservação e definir uma estratégia para regularizá-la, eliminando conflitos e usos inadequados. Atividades:

• Levantar a situação das propriedades localizadas no interior da APA DO SANA, identificando as possíveis irregularidades;

• Buscar suporte jurídico para a melhor definição dos encaminhamentos necessários à regularização fundiária;

• Fomentar e acompanhar as iniciativas de regularização, comunicando seus progressos junto aos interessados.

Além disso, da irregularidade fundiária emana uma série de outras complicações uma vez que há dificuldade de fiscalização dessas propriedades pelos órgãos competentes. Dessa forma, muitas vezes não é possível autuar determinada infração devido ao fato da propriedade estar irregular. Por exemplo, caso seja invadida a faixa marginal de proteção ou sejam realizados eventos em propriedades de forma irregular – nesses casos a ausência de regulamentação da propriedade impede que o agente competente notifique ou autue o proprietário, dificultando, portanto, o trabalho da fiscalização e cumprimento da legislação aplicável.

Sobre as áreas construídas em áreas de Área de Preservação Permanente, o plano de manejo define como metas que se deve (PMM, 2003, p. 70):

- Intensificar o esclarecimento sobre a importância das APPs, a legislação existente e as infrações;

- Informar potenciais compradores de terrenos sobre as restrições nas APPs; - Aumentar a fiscalização;

- Assegurar o cumprimento da legislação (inclusive medidas compensatórias e ajustes de conduta);

- Recuperar as áreas degradadas.

É de fundamental importância que se respeite os limites legais referentes às Áreas de Preservação Permanente e demais faixas marginais para que os recursos hídricos sejam protegidos.

irregular, sem o necessário registro no órgão competente e sem respeitar a legislação pertinente. O plano de manejo da APA do Sana também prevê essa problemática51.

Prevê também este instrumento a solução para a falta de regularização dos empreendimentos comerciais através de metas a serem cumpridas, conforme se passa a expor (PMM, 2003, p. 72):

- Esclarecer os proprietários (e os novos empreendedores) sobre a importância da regularização, a legislação existente a as infrações;

- Incentivar e regularizar os empreendimentos econômicos no Sana (e, conseqüentemente, aumentar o recolhimento de impostos e a qualidade dos serviços oferecidos);

- Verificar enquadramentos nas posturas municipais, em especial o Alvará de Localização e Funcionamento e provas de regularidade perante autoridades ambientais, sanitárias e concessionárias de serviços públicos. Ainda são de interesse os procedimentos para situações de emergências e primeiros socorros.

- Atentar para a regularização dos campings (aparentemente, responsáveis pelo excessivo número de freqüentadores e causadores de impactos ambientais associados à quantidade de barracas e pessoas, além da destinação final dos dejetos). A SEMMA está desenvolvendo um questionário (para estudar a capacidade de suporte e as condições atuais dos campings) e, posteriormente, iniciará uma estratégia para enquadrá-los nas melhores práticas e na legislação pertinente. O Camping Club do Brasil, assim como outros campings (p.ex. em Bonito, MS), desenvolveu seu próprio regulamento de uso (anexo XVIII).

À vista disso, nesse aspecto ocorreram avanços, uma vez que há atuação efetiva da fiscalização e muitos empresários obtiveram a regularização de seus empreendimentos.

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