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ISDB Integrated Services Digital Broadcasting

4.1 O QUE É TV DIGITAL

4.1.2. Padrões de TV digital

4.1.2.1. ISDB Integrated Services Digital Broadcasting

O Japão foi o primeiro país a realizar estudos sobre a televisão de alta definição para o sistema analógico. Com o desenvolvimento da indústria microeletrônica tornou-se possível desenvolver um padrão híbrido (analógico/digital) que começou a ser testado em 1989 pela emissora japonesa NHK. Este modelo híbrido ficou conhecido como sistema MUSE (Multiple

Sub-nyquist Sampling Encoding), com transmissões via satélite. No MUSE as imagens e sons

eram processados digitalmente, o que permitia um aumento na resolução da imagem, mas a transmissão era analógica. Esta experiência teve também o envolvimento do Advanced Digital

Television Broadcasting Laboratory (ADTV-LAB) e do Digital Broadcasting Expert Group

(DIBEG).

Um dado interessante é que a indústria de eletro-eletrônico japonesa na década de 1980 vivia uma boa fase de desenvolvimento e exportação e, neste sentido, o Japão pretendia levar para a Europa e os Estados Unidos a tecnologia MUSE. Entretanto, este sistema foi recusado pelos europeus e americanos que estavam interessados em desenvolver sua própria tecnologia, de forma a fortalecer sua indústria eletrônica local e a produção de seus conteúdos culturais regionais. Além disso, não era interessante para os EUA e a Europa ficarem submetidos a uma tecnologia japonesa, pois como países de tradicional liderança mundial precisavam criar suas próprias tecnologias para disputarem o mercado internacional e não ficarem a reboque da tecnologia japonesa.

Com a recusa dos outros países em aceitar o padrão híbrido japonês, novos estudos voltaram a ser realizados no Japão, a partir de 1997, na tentativa de se criar um sistema de televisão totalmente digital que substituísse o MUSE. Em 2001 começou-se então a operar o sistema digital Integrated Services Digital Broadcasting (ISDB), inicialmente com transmissão via satélite, passando em 2003 a transmissão via terrestre sob o domínio da HDTV, com mobilidade e portabilidade, o que significa dizer que as imagens puderam ser recebidas por aparelhos móveis como, por exemplo, o telefone celular e PDA87.

A TV digital japonesa prioriza assim a oferta de serviços móveis e a HDTV, tendo como justificativa o fato de a população desse país já estar familiarizada com este formato de resolução, bastante difundido pelas emissoras de TV por satélite e a cabo. A novidade agora são os serviços móveis e interativos com o oferecimento inclusive de canal de retorno por

87 Personal digital assistants (PDAs ou Handhelds), ou Assistente Pessoal Digital, é um computador de dimensões reduzidas com grande capacidade computacional e com possibilidade de interconexão.

meio da utilização de ADSL88. O modelo de serviço adotado para a TV digital no Japão foi uma decisão político-econômica de desenvolver uma tecnologia própria, com o objetivo de incentivar o crescimento da indústria eletroeletrônica e manter-se na vanguarda mundial no setor de radiodifusão.

Apesar de a prioridade japonesa ser a alta definição, há também serviços de multiprogramação, utilizando a definição padrão (SDTV), que estão sendo oferecidos principalmente pela NHK em alguns horários para a programação educativa. Observa-se que a política pública do Japão, no Programa Sociedade da Informação89, busca promover o aparelho de televisão como um terminal doméstico integrado, o que incentiva a convergência e a difusão da nova tecnologia digital. Em função desta política pública, tanto os set top box

terminais de acesso – quanto os aparelhos de TV que já possuem o sistema digital integrado, têm um adaptador de ethernet90 para a realização de conexão ao modem ADSL.

O fato de o Japão ter desenvolvido um modelo híbrido, anterior ao digital ISDB, fez com que este país criasse seu sistema de TV digital depois de ter sido criado o padrão digital europeu e americano. Desta forma, o padrão ISDB tem muita semelhança com o Digital

Vídeo Broadcasting (DVB) europeu. Contudo, o ISDB foi pensado como intuído de ser uma

plataforma de multiaplicações para a radiodifusão, semelhante ao ISDN - Integrated Services

Digital Network, outra plataforma desenvolvida pelas companhias de telecomunicações

estatais.

A ISDN também denominada de RDSI – Rede Digital de Serviços Integrados – ficou

conhecida popularmente por Linha Dedicada. Trata-se de uma linha que não é compartilhada por múltiplos usuários como são as linhas discadas. A linha dedicada fica disponível em tempo integral para um indivíduo ou empresa. Porém, a RDSI é mais que isso; trata-se de uma rede concebida na década de 1980 pelas operadoras de telecomunicações (na sua maioria, ainda monopólios estatais), como uma evolução das redes de telecomunicações analógicas e fragmentadas (telefonia, telex, vídeo, dados em baixa velocidade). A idéia era a de se aproveitar a digitalização do sistema para: (i) integrar todos os serviços em uma única rede e (ii) introduzir melhorias. Por exemplo, o acesso básico RDSI seria de 144 kbit/s para cada

88 Asymmetric Digital Subscriber Line – tecnologia usada para transmitir informações digitais em alta velocidade utilizando a banda larga em linhas telefônicas.

89 Este programa começou a ser desenvolvido globalmente na década de 1990 pelos governos de diversos países, tendo como “principais eixos a economia, a tecnologia e a infra-estrutura, o governo eletrônico, a educação, a cultura e a cidadania, a pesquisa e o desenvolvimento, alguns priorizando algumas áreas, outros outras.” (BONILLA, 2005, p. 40). Como parte do Programa Sociedade da Informação cada país tinha que elaborar seu

Livro Verde contendo a descrição detalhada dos eixos acima citados.

usuário (residencial), ao contrário da taxa de 9,6 kbit/s obtido com um modem analógico. Esse esforço resultou em uma série de novas tecnologias em cada uma das partes de um sistema de telecomunicações tais como: acesso digital (DSL, HDSL e ADSL), comutação de alta velocidade (ATM), redes de longa distância de maior capacidade (SDH). Entretanto, a idéia da RDSI sucumbiu junto com a privatização/liberalização e fragmentação desse mercado, tendo sido substituído, na prática e na funcionalidade, pela internet (TCP/IP). A escolha do nome “ISDB” não é casual: os japoneses a conceberam como a versão

broadcasting do ISDN.

Apesar do desenvolvimento tecnológico do Japão, a implantação da TV digital naquele país, comparado com outros países desenvolvidos, está relativamente atrasada, pois a televisão digital chegou aos lares japoneses apenas em 2003. A data provável para o desligamento do sistema analógico está prevista para 2011.

A plataforma ISDB é composta de ISDB-T (terrestre), ISDB-S (satélite), ISDB-C (cabo). Atualmente, os terminais produzidos no Japão já dispõem da tecnologia all-in-on; isso significa dizer que uma mesma URD contém sintonizadores para todas as plataformas de TV digital (terrestre, cabo e satélite). Contudo, isso aumenta o custo dos receptores digitais que ficaram mais caros que os receptores usados no padrão europeu.

A fim de contornar este problema, o governo japonês tem tido uma grande influência na implantação do sistema de TV digital viabilizando, por meio de financiamentos a juros baixos, a compra de equipamentos e implantação de infra-estrutura, para a difusão da plataforma digital terrestre. Dessa forma esta plataforma poderá explorar serviços interativos, oferecendo imagens com alta definição e recepção móvel. Resumidamente, a TV digital japonesa possui as seguintes especificações, conforme observamos no quadro 3:

Quadro 3 – Sistema Japonês de TV digital

Padrão de transmissão ISDB-T

Codificação de vídeos MPEG-2

Codificação de áudio MPEG-2 AAC

Middleware ARIB BML

Largura da banda de canais 6MHz

Qualidade da imagem HDTV

Mobilidade e portabilidade Sim, no modo LDTV.

Serviços complementares Sim, datacasting e serviços interativos Fonte: Baseada em dados do CPqD, 2002.