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Ituiutaba demarcada no Estado de Minas Gerais

INOVAÇÃO E LUTAS FRENTE A UMA SOCIEDADE CONSERVADORA (1954-1958)

Mapa 1 Ituiutaba demarcada no Estado de Minas Gerais

Mas notamos que os primeiros espíritas, também, instalaram-se na cidade já no início do século XX, precedendo às instituições. Encontramos o depoimento do senhor Vicente Alves do Prado, nascido em 13 de julho de 1897, onde relata que, ao vir estudar na cidade de Ituiutaba, lia O evangelho segundo o Espiritismo para sua avó, tornando-se espírita desde muito novo, aproximadamente na década de 1920 (MALUF, 1992). Outro espírita importante desse período foi o capitão Jeronymo Martins de Andrade, nascido em Goiás, em 23 de dezembro de 1842. (...) muito influenciou na formação do município. Sua personalidade

elevou-o à liderança da população que o amava e respeitava. Foi um dos agentes executivos da então Sesmaria às margens do Tijuco (MALUF, 1992, p. 54). Capitão Jerônimo havia

convivido com Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento, do qual era discípulo na divulgação do Espiritismo e também do receituário homeopático, auxiliando no processo contra Barsanulfo, colhendo assinaturas em Ituiutaba para sua defesa. Esses relatos nos confirmam que, mesmo a cidade não possuindo nenhum centro espírita, o Espiritismo já se encontrava entre algumas famílias no começo do século XX, embora de maneira muito acanhada ante a predominância católica.

Entre 1935 e 1945, houve um expressivo ciclo de garimpo de diamantes, e a cidade ficou conhecida como a “capital do diamante” do Triângulo Mineiro. Embora o garimpo fosse efêmero, firmando-se apenas por um período aproximado de dez anos, conseguiu reunir um número aproximado de dez mil garimpeiros vindos de todo o país, mas com ênfase em garimpeiros nordestinos, o que ocasionou o início de uma grande época social e econômica. Em 1941, as pedras preciosas tiveram receita de mais de 3 mil contos. Mas, com o declínio do garimpo, em 1945, os migrantes nordestinos se incorporaram ao contingente de trabalhadores rurais do município, pois a pecuária delineou-se no cenário econômico. E foi nesse período, entre a 1ª e a 2ª Grande Guerra, período entre o ciclo do diamante e a pecuária, na pequena Ituiutaba, que começou a abertura de estradas, a corrida migratória, a interiorização das indústrias de transformação, como charqueadas e máquinas de beneficiar arroz e feijão, motivos esses que auxiliaram o início da derrubada das matas na região, embora sem uma precisão cronológica rígida. E um novo ciclo, agora agropecuário, instalou-se em Ituiutaba, caracterizando a cidade pela monocultura do arroz sobretudo (CHAVES, 1985).

No campo econômico, em 1954, ano de início da construção do prédio do Educandário, Ituiutaba já ostentava o título de “capital do arroz” do Brasil, pela forte produção de grãos, que abastecia grande parte dos celeiros nacionais, não só com o arroz, mas também com milho, feijão e algodão. O progresso foi grafado nas páginas da Enciclopédia de

A principal atividade do município é a agricultura. As terras de Ituiutaba e do ex-distrito de Capinópolis são reputadas entre as mais ferazes do mundo, comparadas segundo Humboldt, Saint-Hilaire18 e Edward Miliward, às da Ucrânia, na Rússia, e às do Vale do São Lourenço, no Canadá. O cultivo em toda a zona obedece a um alto nível de mecanização, possuindo Ituiutaba mais de meio milhar de tratores, bem como numerosas colhedeiras de arroz, o que lhe vale o título de “capital do arroz” (1959, p. 306).

A riqueza da terra fez próspera a cidade no estado de Minas Gerais, atraindo estudiosos do solo para pesquisas, como os citados acima. O crescimento nesse período foi acentuado em diversas áreas, pois, em decorrência da expansão agrícola, a pecuária e a indústria desenharam-se a partir de meados dos anos de 1950. A atividade agrícola e a industrial iniciante representaram significativo aumento no crescimento econômico da cidade, principalmente com relação a empregos oferecidos. Mesmo não indo ao encontro do desenvolvimentismo brasileiro promovido pelo governo Kubitschek, que visava à industrialização do país, Ituiutaba caminhava em franco desenvolvimento agrícola, o que perduraria até os primórdios da década de 1970, assegurando um dos períodos mais ricos que a cidade ostentou.

Para introduzirmos os valores estatísticos econômicos da cidade e suas respectivas análises, há necessidade de reconhecermos, primeiramente, os valores do recenseamento para, então, trabalharmos os índices econômicos e educacionais.

Recenseamento Número de habitantes Data Recenseamento Geral (Ituiutaba e seus

distritos)

52.472 1950 Departamento Estadual de Estatística de

Minas Gerais (Ituiutaba sem o distrito de Capinópolis)

37.245 1955

Quadro 1 - Número de habitantes na década de 1950

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. 1959. p. 305.

Percebemos significativo decréscimo na segunda contagem feita no município, durante a mesma década. Isso se deve ao desmembramento da cidade de Capinópolis, ocorrido logo

18 Sobre esse naturalista, encontramos: “Entre os naturalistas estrangeiros, é importante mencionar aqui o francês

Auguste de Saint-Hilaire. Saint-Hilaire viajou alguns anos pelo Brasil, entre 1816 e 1822, tendo escrito importantes livros sobre os costumes e paisagens brasileiros do século XIX. Durante sete anos percorreu o Sul, o Sudeste e o Centro-oeste do Brasil, em viagens muito penosas. Visitou os atuais estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Colecionou cerca de sete mil plantas, dois mil pássaros e seis mil insetos. Em todos os locais visitados, recolhia informações sobre o uso de plantas na medicina, na alimentação e na indústria.” (FELIPPE, Gil; MACEDO, Maria do Carmo Duarte.

depois de 1950. Quanto ao caráter econômico da cidade, podemos observar, pelo quadro abaixo, a porcentagem da população distribuída nos principais ramos de atividades:

Ramos de Atividade População presente de 10 anos e mais.

Homens Mulheres Números

Absolutos % sobre o total geral Atividades domésticas, não

remuneradas e atividades escolares discentes

1.365 15.021 16.386 45,46

Agricultura, pecuária e silvicultura 13.016 141 13.157 37,26

Prestação de serviços 516 802 1.318 3,73 Indústria de transformação 922 21 943 2,67 Comércio de mercadorias (...) 503 28 531 1,50 Transportes, comunicações e armazenagens 333 4 337 0,95 Atividades sociais 77 93 170 0,48 Profissões liberais 72 5 77 0,21 Comércio de imóveis 69 2 71 0,20

Administração pública, legislativo e

justiça 43 8 51 0,14

Indústrias extrativas 26 - 26 0,07

Defesa nacional e segurança pública 16 - 16 0,04

Condições inativas 1.398 825 2.223 6,29

TOTAL 18.356 16.950 35.306 100,0