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3.3.4 – PLANOS DE FOMENTO

3.3.4.5 – IV P LANO DE F OMENTO

Nos trabalhos preparatórios do IV Plano de Fomento foram discutidas a situação presente do sistema portuário nacional, as tendências de evolução do sector e as perspectivas que deveriam enquadrar a política portuária do novo plano.

Mais uma vez, era destacada a posição primordial dos portos na vida económica do país, no sentido em que a capacidade concorrencial das exportações e a estabilidade dos preços das matérias-primas importadas eram condicionadas pelas tarifas e qualidade do serviço portuários, reflectindo-se, deste modo, em todos os sectores económicos.

Defendia-se aí que as perspectivas de evolução do sector portuário se encontravam intimamente associadas aos acréscimos de tráfegos previsíveis e à evolução da tecnologia do transporte marítimo (aumento da dimensão dos navios e capacidades acrescidas de transporte). Estes expressavam-se numa cada vez maior concentração dos fluxos de tráfego, e consequentemente da procura de serviços, num número reduzido de portos de grande capacidade, os quais deviam dispor de meios - cais, armazéns, terraplenos, conexões rodo-ferroviárias com o hinterland e equipamentos de elevada produtividade - que permitissem uma rotação rápida dos navios e das respectivas mercadorias.

O IV Plano de Fomento devia atender, particularmente, ao potencial das áreas portuárias como zonas preferenciais de localização industrial, tendo em vista a redução dos custos de transporte das matérias-primas e a proximidade aos grandes mercados de consumo, de modo que “O planeamento portuário não poderá deixar de

considerar, por consequência, uma situação que tem tendência para se acentuar a longo prazo e que define as potencialidades de um porto em função não só da sua capacidade de garantir eficaz conexão entre os transportes marítimos e terrestres, como também das disponibilidades de áreas adequadas à implantação de novas áreas industriais”. (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO:1972, p. 23)

Esta ideia encontra a sua máxima expressão no projecto portuário e industrial de Sines, definido no âmbito do IV Plano de Fomento. Este porto era integrado no sistema portuário principal, constituído também pelos complexos portuários de

Leixões–Aveiro e de Lisboa-Setúbal, os quais eram entendidos como zona portuária integrada, de modo que os futuros investimentos deveriam visar a complementaridade e a especialização das respectivas funções.

A classificação do porto de Sines como porto principal obrigava à definição precisa dos domínios de expansão de cada unidade portuária – “a exploração, em termos

economicamente aceitáveis, do transporte marítimo, exige tráfegos orientados para um número muito reduzido de grandes portos”, justificando a prática de uma política de concentração dos investimentos.” (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO:1972, p.27)

No porto de Sines, para além das funções específicas de terminal de petróleo e minérios, a futura existência de um complexo industrial diversificado implicaria, a médio prazo, o apetrechamento do porto para o tratamento de carga geral e, em especial, dos contentores - “O dimensionamento destas infraestruturas depende, aliás,

da possibilidade de Sines vir, no futuro, a funcionar como centro de grupagem e distribuição de contentores interessando áreas geográficas mais alargadas que a do país.” (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO:1972, p.29)

Em Leixões, salientava-se a necessidade de estudar as possibilidades de ampliação do terminal de petróleo, de modo a provi-lo da capacidade de recepção dos novos petroleiros da frota nacional, e de estabelecimento de um terminal de minérios adaptado a navios de grande tonelagem.

Em Lisboa, deveria proceder-se ao estudo da viabilidade técnica e económica de dragagem da barra do Tejo e do canal de acesso à Siderurgia Nacional, que condicionavam em grande medida o esquema de funcionamento da unidade industrial. Simultaneamente, nos portos que integravam o sistema portuário secundário, deveriam limitar-se, preferencialmente, a assegurar a conexão entre os transportes marítimos de pequeno calado e os transportes terrestres.

Era colocada a questão da preservação da concorrência estrangeira, menos gravosa dada a situação geográfica do Continente, mas eram, salientadas as facilidades acrescidas do transporte terrestre que tornavam Vigo um concorrente de Leixões e, a

nível mais geral, as funções desempenhadas por Cadiz no transporte oceânico de contentores que poderiam ter sido desempenhadas por Lisboa.

A concorrência estrangeira estendia-se a outros domínios, nomeadamente à utilização de áreas portuárias pela indústria internacional, interessando, não só a disponibilidade de áreas portuárias para aquele fim, como também a qualidade dos acessos terrestres, rodo-ferroviários, na ligação com o hinterland e a Europa.

O IV Plano de Fomento (1974-1979), que acabaria por não ser implementado, colocava, sem prejuízo para o papel desempenhado pelo Estado na oferta de infraestruturas, um especial ênfase na participação do sector privado, como representado pelo projecto principal do IV Plano de Fomento - o Pólo urbano-industrial de Sines – cuja importância dos investimentos privados se encontrava orçada em 17 680 milhares de contos.

Especificamente no sector dos portos, o Gabinete da Área de Sines79, tinha por

objectivo "Promover a criação de uma área de implantação concentrada de indústria

de base e de um terminal oceânico, dotados das adequadas infraestruturas e dos necessários serviços de apoio" (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO:1974, p.247).

QUADRO 37–INVESTIMENTO DO SECTOR PRIVADO NO COMPLEXO DE SINES

Estimativa dos investimentos

106 Esc. Milhares de Euros

Refinaria de petróleo bruto,

com capacidade para 10 000 000 toneladas 6.830 34.068 Complexo petroquímico de olefinas 9.500 47.386

Unidade de produção de cloro 400 1.995

Fábricas de explosivos e material de guerra 200 998

Unidades metalo-mecânicas 750 3.740

Total 17.680 88.187

Fonte: Adaptado de PRESIDÊNCIA DO CONSELHO (1974).

No resumo dos investimentos públicos previstos na área de Sines no triénio de 1974- 1976, é possível constatar-se a importância do porto naquele projecto, já que aquele devia receber 3 947 milhares de contos de investimento público, correspondentes a mais de 50% do montante total previsto, para aquele mesmo período, para a área de Sines.

QUADRO 38–RESUMO DOS INVESTIMENTOS PÚBLICOS PREVISTOS NA ÁREA DE SINES NO

TRIÉNIO DE 1974-1976

Investimento Público

106 Esc. Milhares de Euros

Estudo, projecto e fiscalização 65 324

Construção civil 2.712 13.527

Equipamento 430 2.145

Apetrechamento portuário 360 1.796

Terminal petrolífero (tracagem) 330 1.646

Terminal mineraleiro (equipamento) 50 249

Porto 3.947 19.688

Total Complexo Sines 7.798 38.896

Fonte: Adaptado de PRESIDÊNCIA DO CONSELHO (1974).

A proposta do porto de Sines atendia ao desenvolvimento esperado para aquela área e às evoluções do transporte marítimo, dos navios e dos portos, de modo que numa 1ª fase (correspondente ao 1º triénio do IV Plano de Fomento) incluía:

- Molhe oeste;

- Três postos de acostagem para petroleiros; - Terminal para produtos refinados;

- Porto de construção e pesca; - Sector de carga geral;

- Molhe sul destinado a terminal mineraleiro.

Ainda no 1º triénio do IV Plano de Fomento encontrava-se já previsto um Terminal LPG (Liquified Petroleum Gas) e o abrigo e prolongamento do molhe sul, enquanto para o 2º triénio (1977-1979) estava prevista a expansão da zona de carga geral, do terminal mineraleiro e do terminal petrolífero.

As orientações do IV Plano de Fomento para o sector portuário deveriam ser concretizadas por medidas de política, que assegurassem a:

a) Descentralização administrativa, na forma de empresas públicas, consagrando o princípio da unidade e complementaridade de exploração dos portos de Lisboa- Setúbal e Leixões-Viana do Castelo-Aveiro.

b) Ampliação dos regimes de concessões para a construção e exploração de instalações e serviços especializados.

c) "Actualização das tarifas portuárias, com vista à gradual eliminação das taxas ad valorem, para que, tendo em conta a evolução do custo dos serviços prestados, permita, margens razoáveis de autofinanciamento dos investimentos".

d) "Melhoria dos dispositivos de coordenação dos grandes investimentos e da política

tarifária, ao nível das diferentes administrações portuárias e das empresas de transporte marítimo" (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO:1974, p.471).