DO V OUGA F ERMENTELOS E SPINHEL Á GUEDA T ROFA
J ULHO 2010 6.5.DESENVOLVIMENTO REGIONAL E LOCAL
É indiscutível a preponderância do sector industrial no passado, presente e futuro do Município de Águeda. Afirmando-se como um dos concelhos mais industrializados da região, e mesmo do país, as estratégias da revisão do PDM de Águeda não poderiam passar indiferentes aos novos desafios da sociedade e da globalidade, bem como às necessidades das empresas/indústrias e da sociedade civil. Contudo, o desenvolvimento local e regional não se esgota na dimensão económica, pelo que serão avaliados os seguintes critérios:
Competitividade e dinâmica empresarial; Desenvolvimento humano;
Dinâmica turística.
IMPACTES POSITIVOS/OPORTUNIDADES
Águeda é um município caracterizado pelo empreendedorismo da malha industrial, que as estratégias da revisão do PDM pretendem potenciar. A este nível, surgem oportunidades em temáticas como a inovação do produto e a exploração de novos mercados emergentes, com impactes positivos ao nível do crescimento do tecido industrial e da economia.
(Quadro 63 – continuação)
Requalificação e estrutura florestal do Concelho
Positivos, permanentes, com impactes significativos a médio e longo prazos ao nível de
Flora, Solo, Água, Paisagem, Factores climáticos, População e Bens materiais
Positivos, permanentes, com impactes pouco significativos a médio e longo prazos ao nível de
Biodiversidade e Fauna
Diminuir o número de ignições e área ardida
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Bens materiais, Flora, Solo, Água, Paisagem, Factores climáticos, Atmosfera e Biodiversidade
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Surge assim potencial para a geração de emprego, nomeadamente procura de mão-de-obra qualificada dentro e fora do Município, ou mesmo a aposta na formação dos quadros das empresas, e também dos operários. A instalação de empresas de base tecnológica ou com tecnologias mais avançadas implicará necessariamente mais formação da classe operária, bem como dos quadros médios e superiores, sendo esta uma oportunidade para aproximar, ainda mais, as instituições de ensino superior (como a ESTGA e a Universidade de Aveiro) e profissionais do tecido empresarial, fomentando cursos relacionados com as competências necessárias ao tecido empresarial, ou com a reconversão de competências. Por outro lado, uma maior exigência de qualificação poderá igualmente implicar melhores salários e regalias para os trabalhadores, assim como o aparecimento de empresas de formação no Concelho, com o objectivo de proporcionar formação complementar.
A qualificação industrial, juntamente com a reestruturação do modelo de ordenamento, combina sinergias para a fixação de mais habitantes no Concelho. Na realidade, a instalação de novas empresas e a consolidação e expansão das existentes revelam-se como aspectos fundamentais para a geração de mais emprego, permitindo uma redução efectiva da taxa de desemprego e a melhoria das condições sociais.
Prevêem-se oportunidades para a renovação da população, que apresenta uma tendência de envelhecimento, com acréscimo da população em idade activa. Este potencial contribuirá igualmente para gerar dinâmicas importantes ao nível da instalação de equipamentos de utilização colectiva, inclusive nas áreas mais interiores do Concelho, fruto do aumento populacional, esbatendo assimetrias.
Com a qualificação e aumento de atractividade do Concelho, estão ainda criadas oportunidades ao nível do sector turístico, onde se prevê um aumento do investimento no sector, quer por operadores turísticos, quer pelo aumento do número de visitantes. O elevado número de habitações e núcleos urbanos com potencial para Turismo em Espaço Rural (TER) e potencial natural, paisagístico e cultural poderão gerar uma dinâmica turística positiva. Assim, a expansão destas iniciativas será geradora de oportunidades de exploração económica e ambiental dos espaços rurais. Acresce referir neste ponto que as estratégias do Plano vão de encontro às estratégias de instrumentos de ordem superior como o QREN e o PNOT para a redução de assimetrias, representando uma oportunidade para a implementação dos projectos de dinamização e valorização do meio rural.
Impactes negativos/Constrangimentos
A crise económica global sentida actualmente poderá constituir um constrangimento ao desenvolvimento económico esperado, onde poderão ser os sectores tradicionais os mais afectados. Ainda nesta óptica, poder-se-ão sentir constrangimentos ao nível do investimento a realizar para a recuperação dos núcleos com potencial turístico.
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O processo de litoralização, bem como o envelhecimento da população, conduzem ao abandono das zonas serranas e rurais, bem como à perda da identidade e da riqueza cultural destes espaços. Aliás, a perda de identidade/cidadania da população aguedense para com a sua terra poderá ser um factor difícil de reverter, sobretudo enquanto os concelhos vizinhos de Águeda forem mais atractivos. Os baixos níveis de qualificação da população, sobretudo ao nível da formação de quadros superiores, que abandonam o Concelho para estudar e depois não regressam, poderão dificultar a incorporação dos mesmos no mercado de trabalho e geração de emprego concelhios.
No quadro 64 são sistematizados os impactes onde, para este FCD, se preconiza uma leitura específica dos impactes cumulativos sobre os FA.
Quadro 64 – Sistematização de impactes no FCD Desenvolvimento regional e local
FCD OBJECTIVOS DE
SUSTENTABILIDADE
NATUREZA DOS
IMPACTES IMPACTES CUMULATIVOS
D ES EN VOLV IM EN TO R EGI O N A L E LOC A L Promover a inovação Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
Bens materiais e População
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Bens materiais e Paisagem
Positivos, permanentes, com impactes significativos a médio e longo prazos ao nível de
Património cultural e Saúde humana
Positivos, permanentes e/ou temporários com impactes pouco significativos a médio e longo prazos ao nível de
Biodiversidade, Fauna, Flora, Solo, Água, Atmosfera e Factores climáticos
Impactes negativos, temporários a curto e médio prazo ao nível de
População, Bens materiais e Património cultural, Solo, Paisagem, Atmosfera
Promover o crescimento do tecido empresarial do Concelho
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
Bens materiais e População
Positivos, permanentes e/ou temporários com impactes pouco significativos, indirecto a médio e longo prazos ao nível de
Património cultural e Saúde humana
Qualificar os recursos humanos
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População e Saúde humana
Criar emprego
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Bens materiais e Saúde humana
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7. RECOMENDAÇÕES
Baseada no princípio da precaução, a AAE de um plano exige que seja garantido um acompanhamento permanente da sua implementação e desenvolvimento. Tal permite prever e/ou identificar impactes possíveis e efeitos desfavoráveis, possibilitando uma devida actuação sobre cada questão ou respectiva origem, com a maior brevidade possível.
No seguimento dos aspectos abordados anteriormente e que permitiram conhecer a situação actual do Município nas diferentes temáticas estratégicas, apresentou-se a evolução tendencial sem a implementação do Plano e os
(Quadro 64 - continuação)
Reforçar a coesão social
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Saúde humana e Bens materiais
Criar condições de apoio e suporte à prática turística aumentando o número de visitantes
Positivos, permanentes, com impactes significativos a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Bens materiais, Património cultural
Positivos, permanentes e/ou temporário com impactes indirectos a médio e longo prazos ao nível de
Biodiversidade, Fauna, Flora e Solo, Água
Melhorar a atractividade turística no Concelho
Positivo, permanente, com impacte significativo a curto, médio e longo prazos ao nível de
População, Bens materiais, Património cultural e Biodiversidade
Positivo, permanente, com impacte significativo a médio e longo prazos ao nível de
Solo, Fauna, Flora, Água, Atmosfera e Factores climáticos, Saúde humana e Paisagem
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resultados que se prevê poderem advir da implementação do mesmo. Desta forma, sistematizam-se de seguida as recomendações que deverão assegurar uma adequada implementação do Plano, no alcance dos respectivos objectivos ambientais e de sustentabilidade.
Pretende-se que estas recomendações sejam “medidas destinadas a prevenir, reduzir e, tanto quanto possível, eliminar quaisquer efeitos adversos significativos no ambiente resultantes da aplicação do plano”, conforme a alínea f), do artigo 6º, do D.L. n.º 232/2007, de 15 de Junho. As recomendações aqui apresentadas deverão ser tidas em linha de conta no acompanhamento/monitorização permanente da implementação e desenvolvimento do Plano, considerando, mesmo assim, que são isso mesmo, recomendações, que poderão ser ajustadas, conforme a avaliação que se for realizando ao longo da implementação do Plano.
RECOMENDAÇÕES
A par com a criação dos parques empresariais de génese municipal, incentivar a deslocalização de unidades industriais localizadas em áreas urbanas e florestais para áreas industriais devidamente adequadas à actividade;
Promover o desenvolvimento de programas e projectos como o RICÁgueda e alguns projectos no âmbito do programa europeu URBACT, entre outros que já decorrem em Águeda, que promovam a inovação e a lógica de disseminação do conhecimento e da transferência de saber entre as entidades, agentes e empresas existentes no Município, fomentado a criação de redes formais e informais a este nível; Adequar a dinamização de cursos de formação profissional e tecnológica às tipologias económicas emergentes no Município;
Incentivar a gestão florestal com o aumento da capacidade de sumidouro de carbono dos sistemas naturais presentes, reajustando o coberto florestal no sentido de criarem-se núcleos de espécies arbóreas autóctones;
Reforçar a rede de vigilância e prevenção de acidentes naturais, promovendo a partilha de informação e meios de prevenção e combate a incêndios na floresta e cheias, entre as entidades com responsabilidades específicas;
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Reforçar a rede de transportes públicos, bem como a rede de pistas cicláveis e pedonais, aumentando a oportunidade de utilização de outros meios de transporte, desincentivando a utilização frequente do meio de transporte privado e movido a partir de combustíveis fósseis;
Criar acções incentivadoras da recuperação, regeneração e ocupação de construções abandonadas e/ou degradadas nos núcleos históricos;
Implementar acções de revitalização e protecção de património edificado e dos recursos naturais, promoção, entre outros, da recuperação gradual das linhas de água e das faixas ripícolas contíguas; Definir critérios para o desenvolvimento de actividades e equipamentos turísticos em áreas sensíveis (como os espaços Rede Natura), de forma a assegurar a integridade biofísica e paisagística dos ecossistemas; Desenvolver e implementar acções de protecção e conservação da biodiversidade concelhia de espaços naturais não classificados;
Promover o reordenamento cinegético no Concelho;
Requalificar espaços verdes e de utilização colectiva, em termos de estrutura verde (promovendo a gestão eco-sustentável, através da aplicação de boas práticas ambientais, a adopção de redes secundárias de rega) e de mobiliário urbano para utilização comunitária, em momentos de lazer e convívio;
Fomentar a dinamização de actividades ligadas ao rio, criando ainda espaços qualificados que funcionem como âncoras junto à frente ribeirinha;
Assegurar a continuidade dos corredores ecológicos até ao rio, dinamizando espaços de acesso e fruição sustentável do mesmo;
Incentivar o desenvolvimento de actividades típicas no meio rural, apostando na preservação de tradições, métodos de cultivo e culturas tradicionais, visando a criação de “produtos” turísticos atractivos nestes espaços;
Promover o potencial agrícola concelhio, através de sessões de esclarecimento e da realização de formação específica em termos de técnicas, práticas e rentabilidade das culturas, com vista na revitalização e melhoramento da actividade agrícola concelhia, nomeadamente da agricultura biológica; Desenvolver e implementar um programa municipal de acompanhamento e gestão ambiental das actividades agrícolas, de modo a contribuir para a redução da contaminação do solo e aquíferos;
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Evitar a programação de infra-estruturas em leito de cheia que possam ser susceptíveis de degradação e/ou impacte ao nível do escoamento da água aquando de inundação;
Avaliar e promover o potencial de aproveitamento de recursos endógenos de energias renováveis, nomeadamente de origem eólica, hídrica, solar e florestal;
Promover a certificação energética de edifícios (residenciais, turísticos e industriais), bem como implementar sistemas de iluminação pública mais eficiente do ponto de vista energético;
Implementar o Plano de Desenvolvimento da Sustentabilidade Energética do Concelho; Dinamizar e promover a utilização da Linha do Vouga em alternativa ao automóvel; Implementar medidas relacionadas com a redução do ruído;
Promover e divulgar formas de minimização, valorização e reciclagem, bem como adequar o sistema de gestão de RSU às necessidades concelhias;
Concluir a cobertura do Concelho no que diz respeito a infra-estruturas, incentivando a efectiva ligação de edifícios à rede de saneamento e tratamento de águas residuais e de abastecimento de água;
Desenvolver no Concelho factores de atractividade para as gerações mais jovens, incentivando a sua participação activa e sentido de identidade pelo Município;
Desenvolver e promover as actividades e produtos tradicionais/típicos do Município;
Valorizar o capital humano, através da criação de mecanismos de participação e discussão pública de assuntos e temáticas importantes para o Município;
Criar e/ou reforçar redes sociais intra-concelhias e inter-freguesias, no combate a desigualdades e assimetrias de oportunidades, em áreas sociais de apoio à criança, ao idoso, ao deficiente, áreas de desenvolvimento como desportivas e culturais, bem como de educação e saúde;
Desenvolver Guias de Boas Práticas para a implementação das estratégias aos níveis agrícola e silvícola.
Identificar eventuais impactes cumulativos negativos e procurar promover a mitigação dos seus efeitos sobre os factores ambientais.
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