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5 PROVÍNCIAS DIAMANTÍFERAS DE MINAS GERAIS

Foto 12: Jigue em funcionamento na parte interna da balsa de garimpo.

No seu médio curso recebe contribuição importante do córrego Buritis, de onde é captada a água de abastecimento público da cidade, e o córrego Coromandel que drena o centro urbano. No baixo curso recebe ainda a contribuição dos córregos da Fábrica, do Barbeiro e do Riacho, desaguando diretamente no rio Paranaíba. O acesso ao alto curso do rio Santo Inácio dá-se a partir da estrada que liga Coromandel a Patrocínio, tomando-se a esquerda na altura do km-30 dessa rodovia. Aí existem alguns garimpos importantes no

contexto local, alguns manuais e outros serviços mecânicos. Jigues e garimpos manuais convivem lado a lado, destacando-se no alto curso serviços com jigues, que executam trabalhos de grande porte, com remoção de cascalho com equipamentos pesados, transporte até o jigue e apuração(Fundação João Pinheiro 2002).

Os garimpos da Fazenda Vargem e, principalmente, o da “Charneca” quando em atividade, produzem regularmente uma boa quantidade de pedras, mas os teores são mal conhecidos (em média, devem estar abaixo de 0,1 ct/m3). Grandes diamantes já foram descobertos no rio Santo Inácio.

O rio Douradinho nasce na porção sul do município de Coromandel e corre sobre micaxistos (Grupo Araxá), a sudoeste da área, formou aluviões de pequeno porte, estreitos e descontínuos. Este rio é tradicional na exploração de diamantes, guardando muitos garimpos ao longo do seu curso. Especialmente em seu médio e baixo curso, concentram-se os maiores garimpos da bacia, como os de Dr. Petrônio, Chagas, Douradinho, Vicente Borges, Zé Marianinho, Zé Caetano e Varjão. Nas proximidades da vila de Douradinho, já foi encontrada uma pedra com 407,6 ct (“Presidente Dutra”). Os acompanhantes do diamante neste rio, são: perovskita, piropo, zircão, ilmenita, “favas” fosfatadas e titanadas, safira, rutilo, estaurolita, magnetita e cianita (Barbosa et al. 1970), sendo que ilmenita (magnesiana) e piropo podem ter relação com chaminés kimberlíticas.

Outro importante rio diamantífero do Distrito de Coromandel é o Santo Antônio do Bonito de onde saíram os maiores diamantes brasileiros, dentre eles o “Presidente Vargas”, na época o quarto maior do mundo (Reis 1959). Este rio tem suas cabeceiras localizadas na Chapada dos Araújos, situada a leste do município. Suas principais drenagens formadoras correspondem aos ribeirões Santo Antônio das Minas Vermelhas, Santo Antônio e Lajes. Existem muitos garimpos e minas na bacia, famosa pela ocorrência de grandes diamantes, sendo o Getúlio Vargas, o maior de todos, com 712ct. Os garimpos nessa bacia desenvolvem intervenções sobre grandes áreas, de cascalho profundo, observam-se tanto garimpos manuais como jigues.

O local denominado Santo Antônio das Minas Vermelhas caracteriza-se por um garimpo manual e uma grande intervenção de extração e lavagem de cascalho por jigue. A atividade é realizada com máquinas e equipamentos pesados, por 3 pessoas. O jigue tem capacidade para lavar 65 m3/dia de cascalho, o que impõe 13 viagens/dia de caminhão de 5 m3 (Fundação João Pinheiro 2002).

A bacia do rio Preto se localiza a oeste do território municipal, drenando diretamente no rio Dourado. O rio Dourado nasce em Patrocínio, a sul do município de

Coromandel, correndo no sentido sul/oeste/norte. Nessa bacia, existem garimpos manuais e jigues. O garimpo do Açafrão, artesanal, situa-se em ambas as margens do rio Preto e trabalhos com jigue vêm se implantando na bacia. Merecem destaque o tamanho das áreas de intervenção – grandes áreas, a lavagem de grandes volumes de cascalho. O rio da Forca drena diretamente para o rio Dourados, na porção oeste do município, onde são encontrados pequenos garimpos manuais e transitórios, assim como garimpos maiores e serviços implementados utilizando jigues.

O rio Paranaíba, que recebe as águas de todos os rios anteriormente descritos é também diamantífero, mas muito pouco trabalhado devido ao maior volume de suas águas. Os principais garimpos, Gamela e Figueira, estão a jusante das barras dos rios Santo Inácio e Santo Antônio das Minas Vermelhas, respectivamente. O córrego do Bonito, que corre a nordeste da área e não corta a sequência cretácica, segundo os garimpeiros não é diamantífero.

5.3.3 - Aspectos Econômicos

Dezenas de corpos kimberlíticos foram pesquisados e considerados estéreis, ou com resultados não divulgados até então. Os conglomerados do Cretáceo Superior (Grupo Mata da Corda), são compostos por clastos metassedimentares e material piroclástico com abundantes fases minerais, incluindo os diamantes. O principal local onde tais sedimentos foram lavrados é a Mina de Romaria, atualmente abandonada, próxima ao município de Romaria, com teores médios de 0,30 ct/m3. Na região de Coromandel, a maioria dos garimpos desenvolve-se nas planícies aluvionares dos rios e córregos, atuais ou em antigos leitos. Os conglomerados correlatos são lavrados em diversos locais, mas devido aos baixos teores e falta de água (estão localizados em porções de planaltos elevadas) são decrescentes os serviços.

O município de Coromandel é drenado pelos rios Douradinho, Santo Inácio, Santo Antônio do Bonito, Preto, da Estiva, da Forca e Verde. Os primeiro, o quarto e o sexto são afluentes do rio Dourados, os demais, do rio Paranaíba, do qual o rio Dourados também é contribuinte. Com abundância de leitos de rios, ribeirões e córregos, o garimpo de diamantes é atividade de destaque, que emprega uma boa parcela da população estimada em torno de 3.000 garimpeiros atuando no mercado de trabalho informal. Segundo informações da Prefeitura: “Não existe como realizar um levantamento de dados de produção desta atividade em razão de sua informalidade e da evasão de divisas. A venda de diamantes é realizada sem

controle. O reflexo dessa produção se vê, em alguns casos, na aquisição de bens imóveis e na construção civil. As pedras normalmente são vendidas para compradores de outras localidades e até do exterior. Muitas vezes, intermediários ficam com boa parte do lucro”.

Depósitos aluviais recentes são restritos a drenagens de maior porte, como as dos rios Paranaíba, Bagagem, Santo Inácio, Santo Antônio e Douradinho, todos extensivamente lavrados desde o início do século retrasado. Os depósitos fanglomeráticos atualmente lavrados localizados em entorno de vales e de grandes drenagens, são compostos por detritos angulosos, cascalhos de granulação grossa com matriz argilosa, onde os grandes cristais de diamantes são relatados. Estimativas oficiosas indicam que a região já foi responsável por uma produção de 5.000 ct de diamantes por ano, no Distrito de Coromandel, aproximadamente igual a produção do Distrito de Romaria-Estrela do Sul. Atualmente toda a produção é proveniente de garimpos ou de pequenas lavras em depósitos coluvionares e aluvionares recentes, quase sempre clandestinos.

Segundo dados da Fundação João Pinheiro (2002), de um total de 218 entrevistados sobre o achado de pedras na região de Coromandel, 35,3% (77 garimpeiros) não forneceram a informação; 14,6% (32 garimpeiros) não acharam nenhuma pedra; e 52,3% (114 garimpeiros) acharam pedras e informaram os seus achados. Foi informado um total de 315 pedras, de tamanhos variados. A bacia hidrográfica mais produtiva foi a do rio Douradinho. A maior relação de pedras/garimpeiro-informante foi na bacia do rio Paranaíba, onde 16 informantes acharam 75 pedras, numa relação de 4,68 pedras/garimpeiro-informante. A relação geral da pesquisa é de 2,76 pedras/garimpeiro-informante.

Observa-se que, conforme as informações colhidas, na região de Coromandel o garimpo é uma atividade contínua, que se estende por todo o ano. O período aparentemente mais produtivo foi o inverno – junho, julho e agosto. Porém, muitas descobertas foram descritas sem especificar a época em que ocorreram. De toda forma, foram informados, na maioria dos casos, os tamanhos das pedras achadas. Ocorreram grandes diamantes no Santo Inácio na primavera (100 ct), no Douradinho no outono (42 ct) e no Paranaíba, em período não definido (80 ct). Observa-se que é constante o achado de pedras, mesmo que de tamanhos pequenos – “xibiu”, no jargão do garimpo – durante o ano todo. Perguntou-se então ao garimpeiro se ele já “bamburrou”. Esse termo corresponde ao achado de uma pedra de grande valor e, dos 218 entrevistados, 13 (6%) já teriam “bamburrado”. Como se estes tivessem ganhado a loteria. Novamente as bacias do Paranaíba e Santo Inácio foram as mais produtivas, acompanhadas da bacia do Santo Antônio (Fundação João Pinheiro 2002).

(COOPERGAC) foi reativada. Essa cooperativa já havia sido ativada há alguns anos e não logrou êxitos, tendo gerado desconfianças em torno da utilização de recursos arrecadados. Essa cooperativa se tornou, em dezembro de 2008, a primeira cooperativa do setor legalizada do Estado. A regularização junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), vinculado ao Ministério das Minas e Energia, e a CODEMIG, fez com que a cooperativa se tornasse apta a exportar diamantes. Após a emissão do CPK, a primeira exportação, no valor de US$ 350 mil, foi realizada no fim de 2008, para a Bélgica, país que mais importa diamantes brasileiros. Até então acreditava-se que uma cooperativa de garimpeiros jamais seria capaz de tal façanha, contudo, atualmente existem boas expectativas em torno do assunto.