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4. ANÁLISE DOS IMPACTOS DA INDÚSTRIA 0 NA LOGÍSTICA

4.1 LOGÍSTICA 4.0

4.1.1 JIT e JIS na Logística 4.0

O Just-in-Time (JIT) é um conceito proeminente e amplamente aceito em produção e logística, principalmente na indústria automotiva. O JIT possui uma abordagem simples e é estritamente orientada, o que significa que a produção só ocorra em caso de uma demanda real, onde o principal foco do JIT é a relação entre fornecedor e comprador e seu principal objetivo é obter um sistema de fornecimento com estoque zero ou muito baixo (FRASSON et al., 2015).

Schwerdfeger, Boysen e Brikskorn (2017) discorrem que o JIT tem como finalidade aumentar de maneira geral a flexibilidade e a agilidade da cadeia de suprimentos, no entanto a implementação de sistemas JIT possui algumas dificuldades para ser atingida:

 O planejamento da produção precisa ser alinhado com precisão de acordo com a demanda;

 Um alto nível de integração em relação ao material e a informação dos fluxos precisam ser estabelecidos aliados a um ERP5 robusto, já que nenhum ou muito pouco material é mantido no inventário, além de uma estreita coordenação entre fornecedor e comprador;

 O conceito JIT hoje é mais adequado em casos de produtos de alto valor agregado e que são consumidos de maneira constante e previsível.

O JIT necessita que o material recebido para a produção seja fornecido no momento certo, quantidade certa e lugar certo, com isso, o conceito Just-in-Sequence (JIS) vai um passo adiante garantindo também que o material chegue na sequência correta, podendo ser considerado até um aprimoramento do JIT, porém de acordo com a teoria, a realização destes conceitos está muito distante da prática (WAGNER; SILVEIRA-CARMAGOS, 2011).

Aponta ainda Wagner e Silveira-Carmagos (2011) que o sistema JIS deve possuir um sistema de informação que integre todos os envolvidos na cadeia de produção, com o objetivo de fornecer informações relativas a demanda, para que o fornecedor consiga executar sua produção diariamente, permitindo assim, programar a produção semanal.

5 ERP (Enterprise Resource Planning) ou SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial) são sistemas de informação que integram todos os dados e processos de uma organização em um único sistema.

Os sistemas JIT e JIS passam geralmente pelas seguintes etapas de processos e atividades:  Planejamento da produção;  Ordem de produção;  Disposição e produção;  Entrega.

O quadro 3 mostra de acordo com Hofmann e Rüsch (2016) como os sistemas JIT e JIS podem ser afetados pela Indústria 4.0, evidenciando a necessidade particular no planejamento preciso, informações claras e processos de transporte bem coordenados.

Quadro 3 - JIT e JIS na Logística 4.0. JIT/JIS Cenário da Indústria 4.0

Características e componentes da Indústria 4.0

1. Planejamento da produção

Planejamento preciso da produção baseado em previsões de demanda futura.

Com a capacidade de rastrea- bilidade dos materiais através das tecnologias da Indústria 4.0, o planejamento da produção pode ser cada vez mais preciso, uma vez que o fluxo de materiais pode ser rastreado em tempo real, per- mitindo a dedução precisa dos padrões de demanda. O plane- jamento da produção determinista pode se tornar obsoleta quando todos os players relevantes a esta cadeia de suprimentos puderem ser notificados da venda de um produto, podendo assim ajustar sua produção em tempo real, evitando e mitigando os efeitos chicote.

 Sistemas integrados de informação móvel;

 Fluxos integrados de materiais e informação;

 Reflexo digital das atividades da cadeia de suprimentos.

JIT/JIS Cenário da Indústria 4.0

Características e componentes da Indústria 4.0

2. Ordem de produção

Com base no planejamento de produção, onde o comprador envia uma ordem ao fornecedor, solicitando a quantidade exata de material necessário.

A Indústria 4.0 promete fluxos de informação e de materiais altamen- te integrados, resultando em siste- mas JIT/JIS mais eficientes, onde a informação do consumo de produ- tos em tempo real desencadeia au- tomaticamente pedidos de forneci- mento, dessa forma as ordens de produção ficam alinhadas com o consumo real. A troca de infor- mações em toda a cadeia de suprimentos poderia ser realizada através de um sistema ERP em nuvem ou um sistema ledger6 distribuído, que integra toda a cadeia de suprimentos e seus atores, assim quando surgir um ponto particular em algum ponto da cadeia de suprimentos, todos os fornecedores podem obter uma ordem imediata de produção dos itens corretos.

 Reflexo digital das atividades e processos da cadeia de suprimentos;  Fluxos integrados de materiais e informação;  Integração da cadeia de suprimentos através da tecnologia de armazenamento de informações em nuvem ou da tecnologia blockchain7. 3. Disposição e produção

O consumo de material (pelo comprador) é informado em tempo real, implicando na produção do fornecedor.

Os fornecedores recebem infor- mações em tempo real do consumo do comprador, sendo assim ca- pazes de melhorar o planejamento de produção de ambas as partes. Como resultado os fornecedores ganham flexibilidade (vantagem de tempo) e o tempo de ciclo do JIT e JIS podem ser reduzidos.

 Descentralização da tomada de decisão e da auto- regulação;  Sistemas ciber-físicos (CPS);  Plantas e instalações de produção conectadas. 6

Utilizado para calcular os custos reais dos produtos para cada material no final do período.

7 Tecnologia que permite através de técnicas criptográficas, aumentar a velocidade de transações complexas.

JIT/JIS Cenário da Indústria 4.0

Características e componentes da Indústria 4.0

4. Entrega

O fornecedor compromete-se a entregar o material correto no lugar certo, e no caso do sistema JIS, na sequência correta, no que diz respeito ao processamento posterior do material.

Os sistemas de roteirização inteligentes tem um grande potencial em relação ao sistema JIT. A capacidade de obter informações em tempo real sobre a localização da carga, condições atmosféricas (pressão do ar, temperatura, clima), condições de tráfego podem aconselhar o transportador para uma possível alteração de rota. No caso de cadeias de suprimentos totalmente integradas a otimização pode ocorrer em toda sua extensão, com a utilização de ferramentas de simulação para calcular a melhor rota possível atendendo os requisitos de cada pedido, dessa forma os processos de transporte podem ser planejados de forma integrada do início ao fim e não mais planejados individualmente. A longo prazo, o processo de coleta e entrega poderá ser realizada por meios autônomos e autodirigidos.

 Condição de

monitoramento e simulação dos processos integrados da cadeia de suprimentos

 Sistemas integrados de informação móvel

Fonte: Adaptado de Hofmann e Rüsch (2016).

O aumento no uso de tecnologias de informação que o novo modelo de produção propõe, tem potencial para tornar o JIT e o JIS cada vez mais eficazes e próximos do que é proposto na teoria (Figura 10). A coordenação entre os atores da cadeia de suprimentos, aliado a tecnologia de registro em nuvem pode permitir a criação de um sistema ERP virtual para toda a cadeia se suprimentos, para que todos os envolvidos possam compartilhar e agir sobre a mesma informação (GNOMI, TORNESE; ANTE, 2017).

Figura 10 - JIT e JIS de acordo com o cenário da Logística 4.0.

Fonte: Adaptado de Hofmann e Rüsch (2016).

A capacidade do recebimento e envio de informações em toda a cadeia de suprimentos possui um grande potencial para quantificar e facilitar o planejamento de produção em tempo real. Com relação aos atores envolvidos na cadeia de suprimentos, a capacidade do registro de informação em nuvem permite a criação de um sistema ERP virtual para toda a cadeia, assim mitigando ou até evitando o efeito chicote8 nas etapas 2 e 3 (Figura 10). Além disso, o processo de transporte é crucial para o funcionamento dos sistemas JIT e JIS, garantindo a entrega no momento correto, permitindo a coordenação de toda a cadeia de suprimentos. O modelo de produção proposto pela Indústria 4.0 oferece uma oportunidade para melhor os sistemas JIT e JIS, permitindo que se consiga realizar o que é pretendido na teoria (HOFMANN; RÜSCH, 2016).

8 Tendência dinâmica de aumento na demanda pelo consumo de um material ou produto com baixa disponibilidade, fazendo com que os produtores comprem mais do que precisam num futuro próximo.

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