É curioso observarmos que tamanha liberação obtida durante o período da Antiguidade, com todas as contribuições que os gregos tiveram para com o amor entre homens — apesar de todas as normas que deveriam ser seguidas pelos aphrodisia
— notarmos que, com o avançar dos anos e, consequentemente, da sociedade ocidental, o comportamento social mudou consideravelmente em relação à homossexualidade.
Em decorrência disso, é conhecido que os gregos possuíam uma crença politeísta e, basicamente, um deus diferente para cada tipo de credo que lhes convinha, a fim de justificar o que o conhecimento científico da época ainda não era capaz de explicar. Entretanto, com o avanço dos períodos históricos o monoteísmo passou a predominar. O Cristianismo veio a ser — e ainda o é — a doutrina religiosa que passou a ditar como as sociedades do ocidente deveriam agir em vários aspectos socioculturais, entre eles, obviamente, a sexualidade.
Concomitante a isso, vemos que não há como ignorar a questão do poder que está por trás — ou escancarada em nossa frente — de toda essa resistência e atraso em aceitarmos o que não for heteronormativo. Essa questão do poder é tão presente que o próprio Michel Foucault a mencionou em seus estudos, como é possível vermos a seguir:
O poder está em toda parte; não porque englobe tudo e sim porque provém de todos os lugares [...] o poder não é uma instituição e nem uma estrutura, não é uma certa potência de que alguns sejam dotados: é o nome dado a uma situação estratégica complexa numa sociedade determinada (FOUCAULT, 1988, p. 89).
De fato, é possível identificarmos as múltiplas facetas em que o poder se ancorou durante esses séculos, seja por meio de influências culturais, sociais, religiosas, sistemas econômicos, entre outros. Diante disso, ainda em seus estudos sobre a sexualidade, Foucault fez um compilado de como se dava essa relação poder-sexo na seguinte passagem:
[...] relações entre o poder e o sexo.
[...]
— A relação negativa. Com respeito ao sexo, o poder jamais estabelece relação que não seja de modo negativo: rejeição, exclusão, recusa, barragem ou, ainda, ocultação e mascaramento.
[...]
— A instância da regra. O poder seria, essencialmente, aquilo que dita a lei, no que diz respeito ao sexo. O que significa, em primeiro lugar, que o sexo fica reduzido, por ele, a regime binário: lícito e ilícito, permitido e proibido.
[...]
— O ciclo da interdição: não te aproximes, não toques, não consumas, não tenhas prazer, não fales, não apareças; em última instância não existirás, a não ser na sombra e no segredo. Sobre o sexo, o poder só faria funcionar uma lei de proibição. Seu objetivo: que o sexo renunciasse a si mesmo.
[...]
— A lógica da censura. Supõe-se que essa interdição tome três formas;
afirmar que não é permitido, impedir que se diga, negar que exista.
[...]
— A unidade do dispositivo. O poder sobre o sexo se exerceria do mesmo modo a todos os níveis. De alto a baixo, em suas decisões globais como em sua intervenções capilares, não importando os aparelhos ou instituições em que se apóie, agiria de maneira uniforme e maciça; funcionaria de acordo com as engrenagens simples e infinitamente reproduzidas da lei, da interdição e da censura (FOUCAULT, 1988, p. 81-82, grifo do autor).
Diante dessas múltiplas relações entre poder e sexo, cada sociedade, conforme suas respectivas instituições de poder que as governavam, ia moldando e impondo seu controle sobre a maneira como seus cidadãos deveriam lidar com sua própria sexualidade e, principalmente, com a do outro. Assim, não é nenhuma novidade mencionar que as religiões abraâmicas, como o Judaísmo, Islamismo e o Cristianismo têm uma certa resistência em aceitar quaisquer sexualidades que divergem da heterossexual — e sentimos partes dessa resistência até hoje. Assim como também é bastante óbvio ver que partes da restrição em relação à homossexualidade se encaixa nessa citação anterior.
Em contrapartida, religiões como algumas vertentes do Espiritismo e do Budismo se mostram bastantes flexíveis em relação à homossexualidade, preferindo focar em outros aspectos que julgam ser mais pertinentes.
Dessa forma, desde que o Cristianismo alcançou a preponderância no Ocidente, durante séculos o poder permaneceu nas mãos da Igreja que, como a instituição mais poderosa e influente, encarregou-se de ditar as regras segundo as quais seus fiéis — uma vez que a religião passou a ser obrigatória durante meados da Idade Média — deveriam se portar e, de certa forma, condenar a prática sexual que não fosse única e exclusivamente para a procriação.
Logo, numa esfera em que o sexo tinha o objetivo de reprodução, aqueles que tinham tendências homossexuais eram cruelmente condenados e vistos como abominações perante a ideologia em vigor, uma vez que dois iguais não reproduzem, sendo essa tendência, portanto, antinatural.
A Igreja Católica passou a chamar os homens que mantinham relações sexuais entre si, pejorativamente de sodomitas, baseando-se em uma interpretação do livro Gênesis em que, numa rápida contextualização, dois anjos foram enviados por Deus a Sodoma a fim de observarem os crimes que ali estavam sendo cometidos. Os cidadãos ao saberem dos novos visitantes foram à casa de Ló em que os anjos estavam hospedados. Eis a passagem em questão:
E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.
Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si, E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;
Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado. Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta. Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta;
E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta (Gênesis, 19:6-11, grifo nosso).
Entretanto, a passagem anterior traz, até hoje, um forte debate acerca da interpretação, que, como muitas passagens da Bíblia, pode apresentar uma certa ambiguidade devido ao alto lirismo de seus escritos. Eis que há quem interprete que o verbo conhecer pode implicar uma conotação de relação sexual forçada dos cidadãos de Sodoma para com os hóspedes, assim como também pode indicar uma resistência comum dos moradores para com os de fora, tendo em vista que eram igualmente conhecidos pela hostilidade e falta de hospitalidade.
Foram procuradas várias versões de traduções do versículo em questão e, de fato, há poucas versões em que o verbo conhecer fora substituído por abusar, levando assim, à interpretação de que os habitantes de Sodoma praticavam sexo entre homens. Vigora, porém, a interpretação mais adequada, a saber, a da falta de hospitalidade devido à verossimilhança apresentada até a passagem em questão.
Independentemente da versão analisada, a questão está centrada no poder da Igreja Católica em fazer com que uma passagem de um texto sagrado possa ser seletivamente interpretada segundo seus interesses para justificar a exclusão, desumanização, criminalização e patologização de uma sexualidade que ia à margem da heterossexualidade.
A Igreja, durante a Idade Média, ao criar a Inquisição para manter os seus valores e normas, expandiu a caça às bruxas e condenou vários homens que foram julgados como sodomitas queimando-os em fogueira nas praças públicas.
Uma vez condenados, toda a sua história era queimada também, todos os registros, documentos ou qualquer indício que pudesse ser associado ao sodomita eram apagados, uma vez que “essa ação possibilitava o esquecimento da família e da sociedade, pois a família não podia velá-los ou enterrá-los, aos sodomitas era negado um túmulo para repouso do corpo (FIGARI apud DA SILVA OLIVEIRA;
SIMÕES, 2018). Em seguida, o autor ainda complementa: “na França e em outros países europeus, os autos do processo eram queimados junto com eles(as), perdendo-se inclusive o registro de execução” (FIGARI apud DA SILVA OLIVEIRA;
SIMÕES, 2018, p.61).
Reduzida às cinzas a homossexualidade, os homossexuais não tinham outra alternativa a não ser permanecer à margem da sociedade por alguns séculos para não serem condenados pela Lei da Sodomia ou Leis Anti-LGBTQIA+ pois, segundo dados da Folha de São Paulo (MANTOVANI, 2020), as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo ainda são criminalizadas em cerca de 70 países pelo mundo, abrangendo a maioria dos continentes com habitantes fixos, com excessão da Europa que é o único continente sem leis anti-LGBTQIA+.
Tamanha malevolência se contrapõe, de forma até antagônica, com a sociedade grega antiga, configurando-se como retrógrada, uma vez que antigamente não havia a necessidade de esconder o amor entre homens. Com o passar dos tempos a impressão que temos é de retrocesso. E seguindo os princípios familiares cristãos, a sexualidade, que em outras sociedades passadas mantinha uma liberação sobre os prazeres amorosos, passou a prendê-los, restringí-los, mantendo-os dentro de casa, lugar onde podia ser contida, observada, censurada e limitada à função de reprodução da espécie:
A sexualidade é, então, cuidadosamente encerrada. Muda-se para dentro de casa. A família conjugal a confisca. E absorve-a, inteiramente, na seriedade da função de reproduzir. Em torno do sexo, se cala. O casal, legítimo e procriador, dita a lei. Impõe-se como modelo, faz reinar a norma, detém a verdade, guarda o direito de falar, reservando-se o princípio do segredo. No espaço social, como no coração de cada moradia, um único lugar de sexualidade reconhecida, mas utilitário e fecundo: o quarto dos pais (FOUCAULT, 1988, p. 9-10).
Diante disso, fica mais fácil compreender a associação do sexo ilegítimo com o pecado, uma vez que, historicamente, antes houvera uma permissão, depois uma restrição, proibição e, então, condenação. A sexualidade, de uma forma generalizada, passou a ser reprimida ao ponto de tornar-se um tabu, assunto proibido, censurado, digno de vergonha, mesmo que tudo isso fosse coberto sob um manto de hipocrisia.
Tal hipocrisia se deve ao fato de a proibição gerar atração e, mesmo confinada, a não-heterossexualidade era tirada ocasionalmente do armário com o propósito de manter vivas as discussões que a tangenciavam. Além de atrair, o proibido também gera curiosidade e, partindo dessa premissa, veio também a necessidade de tentar entender e, porque não, “explicar” essa sexualidade invertida, uma vez que ela ainda se fazia presente.
Concomitante a isso, algumas coisas passaram a mudar com o advento da Modernidade, mas o cenário de exclusão perdurou. A marginalização ainda era uma sombra que acompanhava os sodomitas e, acrescentada à criminalização, veio a patologização.
Como se não bastasse serem condenados à morte por crimes de sodomia, os homens que apresentavam inclinação sexual-afetiva por seus semelhantes de gênero, ainda tiveram que lidar com o fato de que tinham tal comportamento devido a um tipo de distúrbio mental.
Isso só alimentou todo o preconceito que estava sendo fortemente repercutido séculos a fio. A partir do século XVIII, foram iniciados os primeiros estudos sobre essa sexualidade divergente, que passou a ser designada por um novo adjetivo: invertidos.
Igualmente pejorativo, uma vez que a etimologia assume um caráter de disparidade em relação à heterossexualidade, mantendo o seu já habitual papel de marginalidade.
Nesse mesmo período, a sociedade europeia passou a questionar o modelo, até então vigente, do one-sex model e, diante de toda a influência decorrente da Revolução Francesa, veio o two-sex model — teoria também cunhada por Thomas W.
Laqueur (1992) —, em que a mulher não era mais vista como uma versão invertida do
homem e sim, como um segundo gênero com sua independência e particularidades e que, tal como os homens, mereciam ter os mesmos direitos. Com isso, os estudos científicos e sociais passaram a olhar para o sujeito mulher e essas sexualidades divergentes.
Outro ponto importante para os estudos da sexualidade nesse período foi a criação dos termos “heterossexual” e “homossexual”, cunhados por Karl-Maria Kertbeny (apud HERZER, 1986) em meados de 1869, com o intuito de substituir o termo “pederasta” — também pejorativo por fazer alusão à pedofilia —, que deslegitimava a homossexualidade e a assemelhava a um crime hediondo.
Nessa época, a homossexualidade ainda não era vista como uma sexualidade diferente e sim como uma inversão da heterossexualidade e os estudos psico-científicos sobre o tema foram cunhados sob toda a esfera de preconceito em que estava inserida, além de ser vista como um distúrbio mental que fora assemelhado ao crime de pedofilia. Daí surgiria outra terminologia: homossexualismo, palavra em que o sufixo “-ismo” remete a doença.
Mas esse período não foi de todo sombrio e nem foi o único responsável pela criação de vários termos que hoje são considerados como bastante ofensivos.
Também foram feitos alguns estudos importantes para a área. Freud, através de sua teoria psicanalítica, fez grandes considerações sobre os “invertidos” (FREUD, 2002[1856-1939]).
O psicanalista menciona que há três tipos de invertidos: 1) os absolutos, que em outras palavras, eram os homens que sentiam desejo apenas por outros homens, sem indícios de atração pelo gênero oposto; 2) anfígenos, ou os hermafroditas7 sexuais — nome que era dado aos bissexuais —, como eram chamados à época, aqueles que sentiam atração afetiva-sexual tanto por seu próprio gênero, mas, também pelo gênero oposto, sem o caráter de exclusividade do anterior; por fim, 3) os ocasionais, que, dependendo de certas circunstâncias externas podiam sentir atrações ocasionais tanto pelo gênero “normal” quanto pelo mesmo sexo (FREUD, 2002[1856-1939]).
7 Hoje, o termo “hermafrodita” é considerado pejorativo, logo, o mais adequado é “intersexual”
para se referir às pessoas que nasceram com características corporais biológicas dos gêneros masculino e feminino.
Tais estudos foram importantes para que, já no século XIX, se passasse a ver e entender a homossexualidade por outras vertentes da Ciência, não se limitando apenas aos conhecimentos populares, sociais ou religiosos.
Por seu caráter pioneiro, esses estudos são, por assim dizer, responsáveis para que já se pensasse numa possível visão de normalidade da homossexualidade, tendo em vista que, naquele mesmo período, ela passou a ser encarada como uma doença mental.
Sigmund Freud, com seus trabalhos, fora um dos primeiros a defender que a homossexualidade não era uma doença ou transtorno mental. Decerto, a sexualidade não era vista por Freud como uma opção de comportamento, de influência ou de qualquer outro meio que implique que fora adquirida em algum momento da vida do sujeito e, dessa forma, que ele pudesse reverter tal aquisição como se fosse uma moeda de troca. Freud a considerava como uma parte inata do sujeito. Ele reforça tal inerência da sexualidade no seguinte excerto:
Como é compreensível, o caráter inato só é alegado no tocante à primeira e mais extrema classe dos invertidos, e na verdade com base na asseveração dessas pessoas de que em nenhum momento de sua vida mostrou-se a elas outra orientação de sua pulsão sexual. Já a existência das duas outras classes, especialmente da terceira [os invertidos “ocasionais”], dificilmente se compatibiliza com a concepção de um caráter inato. Por isso os que sustentam essa opinião tendem a separar o grupo dos invertidos absolutos de todos os demais, o que tem como consequência a renúncia a uma concepção universalmente válida da inversão. Assim, a inversão teria um caráter inato numa série de casos, enquanto noutros poderia ter-se originado de outra maneira (FREUD, 2002[1856-1939], p.18).
Com essa mesma atenção para os diferentes aspectos da homossexualidade, Freud também defende que os mamíferos e os humanos, como os únicos seres racionais desta classe, são bissexuais, e que, pelo menos em algum momento da vida, irão demonstrar certo tipo de interesse, o mais breve que possa ser, por seu semelhante de mesmo sexo. Apesar de defender isso, Freud também reforça que, conforme vamos amadurecendo, as nossas preferências sexuais ficam mais claras, assim fazendo do sujeito homo, bi ou heterossexual. Segundo ele, na puberdade, com frequência, tanto os meninos quanto as meninas mostram claros indícios da existência de uma inclinação para pessoas do mesmo sexo (FREUD, 2002[1856-1939]).
Dessa forma, a homossexualidade passou a ser vista de uma maneira, nos atrevemos a dizer, completamente inovadora. O estigma que essa sexualidade carregava até aquele momento era de completo preconceito, marginalização,
criminalização e patologia. Até ali foram usadas as mais variadas formas de poder para que a homossexualidade se mantivesse desvalidada e as descobertas de Freud pareciam, desde o início, negar esse posicionamento.
Mesmo com essa contribuição da psicanálise já bastante difundida, surge um dos episódios mais importantes para a homossexualidade no século XX, ocorrido nos Estados Unidos. Por volta das décadas de 1950 e 1960, o país enfrentava um estado de agitação após a Segunda Guerra Mundial e, temendo as mudanças que isso poderia acarretar e na tentativa de manter o decoro social — sempre mencionado como uma das preocupações maiores desde a Idade Antiga —, foram realizadas algumas audiências impulsionadas pelo anticomunismo nacional, na tentativa de identificar possíveis comunistas nas instituições do governo. Isso desencadeou uma espécie de paranoia entre os estadunidenses e, em todo o país, o Macarthismo8 passou a designar várias categorias de pessoas consideradas como uma espécie de risco para a segurança nacional. Entre essas categorias havia aqueles que eram tidos como “não americanos” e os “subversivos”.
Não é tão difícil imaginar que os homossexuais foram rapidamente classificados como pessoas subversivas, acusação que permaneceu por décadas, inclusive, como se veria anos depois, no episódio de Stonewall, em Nova York. A partir de então as pessoas GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) passaram a ser perseguidas, literalmente caçadas. Havia listas de pessoas que eram conhecidas amplamente como gays. Tais listas se estendiam para seus familiares e amigos próximos. Após a perseguição, se encontradas, essas pessoas eram presas e tinham suas respectivas identidades expostas em escala nacional, gerando uma atmosfera de humilhação e maior marginalização, uma vez que o homossexualismo era um crime nos EUA.
A preocupação em limpar essas pessoas das ruas norte-americanas teve proporções e consequências marcantes. Com a exposição, vários homossexuais foram demitidos de seus empregos, proibidos de usarem roupas que socialmente não condiziam com seu gênero biológico, encarcerados e até internados forçadamente em clínicas psiquiátricas com a falsa premissa de “cura gay”.
8 Termo usado para se referir à prática de acusar alguém de traição ou de subversão, que ficou mais conhecido durante o período da Segunda Ameaça Vermelha, na História dos Estados Unidos, que durou de 1950 a 1957. O Senador republicano Joseph McCarthy promoveu patrulhas anticomunistas durante esse período, surgindo então, o termo "Macarthismo" como referência às propostas desse político.
Essa atmosfera teve seu estopim no final dos anos 1960, no bar Stonewall Inn, hoje mundialmente conhecido. Originalmente um restaurante para heterossexuais, fora reformado por uma família da máfia para ser um bar gay que tinha a sua abertura graças ao pagamento constante a um policial para evitar problemas maiores — mais um episódio de hipocrisia relacionada àqueles que detêm o poder para com a sexualidade.
Durante alguns anos, o bar veio a se tornar uma das principais atrações dos homens gays que queriam se refugiar em um ambiente livre de toda a pressão social em que estavam vivendo. Como pertencia à máfia, o bar também era usado para transações financeiras e vendia bebida alcoólica ilegalmente, pois também não era permitida a venda.
Como o poder nessa época pertencia ao Estado e não mais à Igreja, como nos séculos passados, era comum a Polícia ir com certa frequência a esses bares fazer a vistoria. Quando havia homens visivelmente efeminados ou drag queens, eram levados à prisão e fisicamente agredidos, com excesso de força. Assim agia a “polícia do sexo: isto é, necessidade de regular o sexo por meio de discursos úteis e públicos e não pelo rigor de uma proibição” (FOUCAULT, 1988, p. 28).
Isso perdurou até 1969 quando em mais uma vistoria rotineira, os clientes predominantemente gays decidiram, pela primeira vez, resistir às prisões, às violências e às humilhações.
Rapidamente iniciou-se um motim e várias pessoas foram gravemente agredidas, porém, o que não era esperado era que a população também se rebelasse contra a violência dos policiais. Isso agravou ainda mais e se transformou no que hoje conhecemos como a Rebelião de Stonewall. A rebelião perdurou por alguns dias e as
Rapidamente iniciou-se um motim e várias pessoas foram gravemente agredidas, porém, o que não era esperado era que a população também se rebelasse contra a violência dos policiais. Isso agravou ainda mais e se transformou no que hoje conhecemos como a Rebelião de Stonewall. A rebelião perdurou por alguns dias e as