2. ALIANÇAS ESTRATÉGICAS E JOINT VENTURES
2.2. J OINT V ENTURES
2.2.5 Joint Venture e Transferência de Tecnologia
A busca de tecnologia é o ponto chave deste estudo, por isso é tratada aqui como essencial para a formação da joint venture. Com base em Barbieri (1990, p.20), podemos entender a tecnologia como um conjunto de conhecimentos variados, aplicados na produção de bens e serviços, envolvendo não apenas máquinas e equipamentos, mas também know-how, experiência, mão-de-obra qualificada e até mesmo capacidade administrativa.
O parceiro, normalmente estrangeiro, em troca do conhecimento que a empresa nacional tem do mercado, da cultura, dos canais de distribuição já
estruturados, utiliza sua tecnologia como investimento total ou parcial, resultando em desenvolvimento para todos os parceiros.
É muito importante estabelecer que tecnologia cada parte irá dispor, no caso de uma futura separação, cada uma saber o que é de quem.
O fornecimento de tecnologia se dá através de contrato, podendo ser por licença de patente, transferência de conhecimento, treinamento de mão-de-obra, construção de unidades de produção.
A transferência de tecnologia não deve ser confundida com uma mera assimilação do funcionamento de um ativo adquirido de outra empresa para a produção, como um manual de funcionamento, e sim adquirir uma tecnologia, uma nova maneira, normalmente mais eficiente, de produzir algo.
Barreto (1992, p.13)diz que “O termo transferência de tecnologia só deve
ser empregado quando se verificar a transferência do conhecimento associado ao funcionamento e geração do produto ou processo, criando, assim, a possibilidade de (re)gerar nova tecnologia ou adaptá-la às condições do contexto.”
O desenvolvimento de novas tecnologias é um processo demorado e caro, e a aquisição de tecnologia pode representar para a empresa evitar perdas de tempo e recursos exigidos em um processo onde resultados positivos não são certos.
A transferência de tecnologia pode se dar de forma direta ou indireta. Será direta quando se tratar de direitos de propriedade industrial, como marcas, patentes, know-how (fórmulas, desenhos, metodologias, engenharia de processo), e serviços técnicos (estudo de viabilidade, inspeção, treinamento). Como forma indireta consideramos a tecnologia que vem incorporada ao bem físico, como máquinas, instrumentos, insumos e até mesmo a instalação de uma fábrica inteira. Normalmente a transferência de tecnologia se dá sob a forma de pacotes, incluindo transferências diretas e indiretas, como por exemplo no caso em que uma licença de utilização de uma marca vem acompanhada com o equipamento necessário à produção do bem em questão. Barbiere (1990, p.133) menciona que “ocorre com freqüência a combinação de diversas formas de comércio direto e indireto numa negociação envolvendo tecnologia.”
Mas a transferência de tecnologia pode não se dar apenas de maneira comercial, mas também através de espionagem industrial, análise de produtos, contratação de técnicos de outras empresas e outros meios similares.
A empresa que repassa a tecnologia tem o poder de determinar o seu preço de venda, de barganhar, principalmente nos casos em que somente ela a possui. É válido lembrar que o preço de venda não significa apenas dinheiro, mas também posições estratégicas no mercado da empresa adquirente, obrigar a receptora adquirir seus insumos, limitar volume de produção, impedir exportações e outras.
Por tudo isto, as empresas que cedem a tecnologia farão de tudo para dificultar o domínio da tecnologia pela empresa receptora, com receio de não serem mais necessárias e assim postas de lado. Este fator é um dos pontos mais delicados e difíceis de lidar na formação de qualquer tipo de aliança. A confiança necessária para a efetivação da aliança estratégica é muito difícil de ser alcançada, pois não há garantias de que a empresa receptora mantenha seu vínculo após o domínio da tecnologia, tão pouco garante que a empresa cedente repasse realmente a tecnologia e conhecimento necessários, e se livre da receptora após se posicionar estrategicamente no mercado.
A fim de proteger seus interesses econômicos, cada país cria seus próprios instrumentos legais para eliminar práticas restritivas e danosas no processo de comércio de tecnologia. No Brasil, as transferências de tecnologia são regidos pelo Ato Normativo INPI nº 120/3, de 17 de dezembro de 1993, que trata dos contratos que incluam transferência de tecnologia, licenciamento de marcas ou patentes, programas de pesquisa e desenvolvimento compartilhados, franquias e assistências técnica e científica.
É exigido o contrato de transferência de tecnologia para a dedutibilidade fiscal nas remessas ao exterior de pagamentos do contrato. Estes contratos devem especificar os objetos e direitos de propriedade industrial envolvidos e o processo de transferência.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Acordos internacionais: http://www.mre.gov.br), os contratos devem indicar:
as condições de exploração comercial a ser utilizada de patentes e marcas regularmente requeridas, depositadas e concedidas no Brasil; a aquisição de know-how e tecnologia sem proteção dos direitos de propriedade industrial, e a obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, pesquisas, estudos e projetos para execução ou prestação de serviços especializados.
Os contratos referentes à exploração comercial de patente e licenciamento de marca devem também indicar se são de caráter exclusivo, e se a subcontratação é permitida, sendo a vigência do mesmo limitada até a data de validade do registro da marca ou patente. Os contratos de transferência de tecnologia podem conter cláusulas relativas a confidencialidade e indisponibilidade da tecnologia a ser transferida, e devem conter cláusulas que disponham sobre a responsabilidade das partes no que tange às obrigações fiscais oriundas da transferência. Já os contratos de assistência técnica e científica devem constar o tempo estipulado para a prestação destes serviços, programas de treinamento, número de técnicos envolvidos e a sua remuneração.
O valor do pagamento relativo à transferência da tecnologia deverá ser pré- fixado a um valor previamente determinado pelas partes, ou porcentagem dos lucros ou porcentagem do preço de venda líquido, deduzidos os impostos, taxas e outras despesas. O pedido de aprovação deverá ser apresentado ao INPI - Instituto Nacional da Propriedade Intelectual - junto com o contrato original, e será concedido no prazo de 10, 20 ou 45 dias, dependendo do valor do contrato.
O INPI pode exigir documentação complementar, que deve ser enviada em até 12 meses, sob pena de arquivamento do processo. Os prazos para análise serão os mesmos anteriormente mencionados.
Se o pedido não for examinado dentro dos prazos previstos, o contrato será considerado aprovado, onde as partes deverão enviar um termo de responsabilidade assinado por elas ou seus representantes legais.
O processo de transferência de tecnologia poderá ser acompanhado ou não pelo INPI, de acordo exclusivamente com seus critérios.