TÓPICO 1 – CULTURA MULTIFACETADA
2.2 JORGE LUIS BORGES E A ARGENTINA
Jorge Luís Borges nasceu na Argentina, passou o começo da sua infância no Bairro de Palermo em Buenos Aires, até sua família se mudar para Genebra na Suíça para tratar uma doença de seu pai. Na Suíça, ele foi para a escola e teve contato com diferentes escritores e em diferentes línguas, como o francês e o alemão. Depois, se mudou a Espanha, onde teve também contato com a cultura e a literatura do local. Ao retornar a Buenos Aires, em 1921, redescobriu seu amor por sua cidade e isto está bem marcado e indissociável em suas obras. Muitas de suas obras levam seu amor e admiração por Buenos Aires, de maneira que podemos viajar à capital argentina através de sua literatura.
Lourenço e Makowiecky (2011, p. 2745) descrevem que Borges se referia a Buenos Aires não como uma cidade, mas como um país, pois:
devido à hibridização causada pela imigração, é composta por bairros que mais parecem pequenas cidades por possuírem características próprias; falar em Buenos Aires é falar de San Telmo, Palermo, La Boca, Recoleta, Retiro e Porto Madero.
Enquanto caminha pelas ruas da capital argentina, o poeta vai visitando memórias e trazendo, em suas obras, a cidade onde viveu. Assim, é notável a carga cultural que Borges traz em suas obras. Muitos elementos da sociedade portenha são refletidos nos seus trabalhos de maneira que se converte a um recurso muito rico quando trabalhado em aula de língua estrangeira, já que os alunos além de estarem em contato com questões linguísticas da língua espanhola, estão em contato também, com uma cultura e uma visão sobre ela, que não poderiam ter, visto que não são nativos ou moradores da cidade de Buenos Aires. Dessa forma, os textos contribuem para a formação cultural do aluno.
Borges retoma e antecipa temas que fizeram parte de seu universo literário como “[...] as lembranças, e a intertextualidade que a literatura tem com textos emblemáticos e precursores como Don Quijote” (ASSUNÇÃO, 2003, p. 233). É concretizada a importância da obra de Cervantes na cultura hispânica, visto que a cultura interfere na literatura de modo que a literatura se torna parte cultura.
A seguir, o poema Fundación Mítica de Buenos Aires de Jorge Luís Borges que demonstra um pouco do que tratamos anteriormente. Tente perceber e
TÓPICO 1 | CULTURA MULTIFACETADA
FUNDACIÓN MÍTICA DE BUENOS AIRES Y fue por este río de sueñera y de barro que las proas vinieron a fundarme una patria?
Irían a los tumbos los barquitos pintados entre los camalotes de la corriente zaina.
Pensando bien la cosa, supondremos que el río era azulejo entonces como oriundo del cielo
con su estrellita roja para marcar el sitio en que ayunó Juan Díaz y los indios comieron.
Lo cierto es que mil hombres y otros mil arribaron por un mar que tenía cinco lunas de anchura
y aún estaba poblado de sirenas y endriagos y de pedras imanes que enloquecen la brújula.
Prendieron unos ranchos trémulos en la costa, durmieron extrañados. Dicen que en el Riachuelo,
pero son embelecos fraguados en la Boca.
Fue una manzana entera y en bi barrio: en Palermo.
Una manzana entera pero en mità del campo expuesta a las auroras y lluvias y suestadas.
La manzana pareja que persiste en mi barrio:
Guatemala, Serrano, Paraguay y Gurruchaga.
Un almacén rosado como revés de naipe brilló y en la trastienda conversaron un truco;
el almacén rosado floreció en un compadre, ya patrón de la esquina, ya resentido y duro.
El primer organito salvaba el horizonte con su achacoso porte, su habanera y su gringo.
El corralón seguro ya opinaba YRIGOYEN, algún piano mandaba tangos de Saborido.
Una cigarrería sahumó como una rosa el desierto. La tarde se había ahondado en ayeres,
los hombres compartieron un pasado ilusorio.
Sólo faltó una cosa: la vereda de enfrente.
UNIDADE 3 | CULTURA, PRESERVAÇÃO E ENSINO
3 ARQUITETURA
A arquitetura é a arte de construir e de edificar, é uma expressão artística.
Está ligada com a história e com a cultura de um povo, já que nela podemos encontrar manifestações de cunho político, social, econômico e intelectual.
Você já se perguntou qual a forma mais fácil de conhecer a cultura de um lugar? É a partir da observação de sua arquitetura que podemos responder muitas perguntas sobre determinado local e sobre sua sociedade. A expressão arquitetônica é umas das linguagens que o ser humano tem desenvolvido para se comunicar com o meio físico e social no qual se instaura (ROA, 1972, p. 177).
Os gregos atribuíam grande importância à arquitetura de suas cidades pois compreendiam que através delas podiam transmitir conhecimento. A presença de monumentos espalhados pelas cidades tinha a função não só comemorativa, mas também educativa contando para todos qual era a história do local.
NOTA
As criações arquitetônicas também são resultadas das necessidades do homem em cada momento histórico. No período neolítico, o homem deixou de construir unicamente pela necessidade de se proteger e passou a construir com finalidade religiosa como: monumentos religiosos, templos, palácios, entre outros.
Na época que os europeus chegaram na América não havia arquitetura, existiam construções indígenas. Por conta disso que os países de língua hispânica, e mais precisamente os da América Latina, tiveram um processo de sobreposições de elementos culturais por conta da mistura de culturas que se instauraram.
Uma base indígena de povos que já habitavam essa região e uma parte vinda dos colonizadores europeus, além de outras singulares intervenções de grupos migratórios que chegaram em cada região. Todo esse contexto histórico e político foi, de alguma forma, refletido na arquitetura dos países. Dessa forma, pela concreticidade dos monumentos e construções arquitetônicas passaram a ganhar grande visibilidade cultural nas cidades. Sendo a arquitetura um "bem de cal e pedra" é um meio dentro da cultura no qual o patrimônio material se manifesta.
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No próximo tópico, você estudará mais sobre patrimônios materiais.
ESTUDOS FUTUROS