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6 A JORNADA DE TRABALHO NA DOUTRINA JURÍDICO TRABALHISTA

6.2.2 A jornada de trabalho na obra de Manuel Carlos Palomeque Lopez e Manuel Alvarez de

O estudo da jornada de trabalho na obra dos autores tem início com a exposição dos objetivos essenciais de sua limitação, que são a proteção da saúde e segurança dos trabalhadores e também a fixação da quantidade de trabalho que deve ser prestada. Nessa segunda perspectiva, a questão da duração do trabalho é vista como um ingrediente da política de emprego, na medida em que uma maior quantidade de postos de trabalho guarda relação com a capacidade de adaptação das disposições a respeito da jornada. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 847)

Há três fontes de regulação da jornada de trabalho: a intervenção normativa do Estado, os convênios coletivos e a vontade das partes, que evoluíram na intenção de reduzir a diminuição da jornada – e atualmente, de melhorar a sua distribuição – porque agem diretamente sobre o poder diretivo do empregador, fixando o tempo necessário para que se leve adiante o sistema de produção de bens e serviços que se quer colocar no mercado. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 847)

O ordenamento espanhol atribui importante papel às negociações coletivas a respeito da jornada, que tem como função fixar a distribuição das horas de trabalho ao longo do ano, e atuam no sentido de dar aos trabalhadores um maior controle do trabalho efetivo. E em caso de conflito entre a vontade individual das partes e o pactuado em convenio coletivo, deve prevalecer a vontade coletiva sobre a individual, que não pode estabelecer condições inferiores à lei ou convenio. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 848)

Quanto à duração máxima da jornada de trabalho, explicam as normas contidas no

estatuto del trabajador, que estabelece que

A jornada fixa de quarenta horas por semana tem a característica de ser considerada como a máxima ordinária. Quem trabalha mais horas para um empregador irá fazê-lo em caráter extraordinário e, portanto, deve ser remunerado. Trabalhar menos horas tem, por sua vez, uma modalidade dupla de tratamento legal: o jornada mais curta é o produto de um pacto individual ou coletivo (jornada pactuada, portanto, ordinária para o trabalhador, empresa ou setor a que se refere o pacto) ou, o módulo aplicável é o máximo legal e trabalhar menos significa, simplesmente, receber um salário mais baixo (trabalho a tempo parcial). (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997, P.851 tradução da autora)

Quanto ao conceito de tempo de trabalho efetivo, os autores recorrem ao inscrito no art. 34 do estatuto de los trabajadores, assim considerando o tempo em que desde o início ao término da jornada o empregado se encontre em seu posto de trabalho. O tempo de sobreaviso, além de não ser computado como hora extra, também não pode ser considerado como tempo efetivo. O tempo à disposição, chamado de tempo de presencia, é aquele em que o trabalhador está à disposição do empregador, sem prestar trabalho efetivo, assim como no ordenamento brasileiro. No caso espanhol, o tempo à disposição não poderá exceder 20 horas semanais no período de um mês. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p.852-853)

Há também limitações de jornada em razão da atividade, fundamentadas na tutela da integridade física do trabalhador, que recaem sobre os empregos que envolvam riscos ambientais individualmente nocivos, circunstancias excepcionais de penosidade, perigo, insalubridade ou toxicidade que não possam ser eliminadas pelo uso do equipamento de proteção individual. ( LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p.854)

Também estão previstas no ordenamento espanhol hipóteses de redução da jornada em virtude de circunstancias pessoais do trabalhador, como é o caso da diminuição de jornada por lactação de um filho menor de 9 meses e da redução por guarda legal de menor ou deficiente físico ou psíquico. No caso da mulher trabalhadora, ela pode usufruir de um repouso de 1 hora durante a jornada ou reduzi-la em meia hora, sem redução salarial. Nas hipóteses de guarda

legal, a redução do tempo de trabalho vem acompanhada pela redução proporcional do salário. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 855-856)

Quanto ao trabalho noturno, considerado pelo Estatuto de los trabajadores como aquele realizado entre as 22h às 6h, quer integralmente ou por pelo menos 3 horas, reforçam a proibição desse tipo de jornada para os menores de 18 anos e para as mulheres em período de lactação, em virtude de ser mais gravoso à sua saúde e ressaltam o dever de comunicação do empregador às autoridades competentes em matéria de trabalho, quando necessite utilizar regularmente esse tipo de trabalho.

Ao tratar do trabalho em turnos, reproduzem a definição legal que está prevista no

Estatuto, que elenca três aspectos que tornam o trabalho em turnos peculiar: a) a organização

do trabalho do trabalho por equipes; b) ritmo sucessivo ou rotação dos trabalhadores em um mesmo posto de trabalho e; e c) prestação de serviço em horas diferentes no período determinado de uma semana. Como se pode perceber, é uma definição muito semelhante à experiência brasileira com o trabalho em turnos de revezamento.

A respeito das horas extraordinárias, explicam a que quando se fixa uma jornada diária, pode aparecer a prestação habitual de horas suplementares como forma de burlar essa limitação. O conceito de horas extra trazido por eles é o mesmo do estatuto de los trabajadores, que considera como extraordinárias as horas trabalhadas além da duração normal estabelecida em lei ou convenio coletivo. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 862)

Ressaltam a existência de três limites indisponíveis quando se trata da prestação de horas extra, que são: a) a proibição da prestação de trabalho extraordinário aos menores de 18 anos; b) a proibição da realização de horas extra pelos trabalhadores noturnos e c) a quantidade máxima anual de 80 horas extra, observadas as prescrições legais. De acordo com eles

O parâmetro para contar horas extras é a determinação da jornada ordinária. Para o cálculo do número de horas extras, não se consideram aquelas que foram compensados por meio de descanso dentro dos quatro meses seguintes à sua realização. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997, P.863 tradução da autora).

Por fim, explicam a dinâmica dos períodos de descanso diário, semanal e anual na Espanha. O descanso diário pode ser concedido dentro do horário de trabalho ou entre um dia de trabalho e outro. Deve haver um intervalo de no mínimo doze horas entre uma jornada e outra. O descanso semanal, em regra geral compreenderá a tarde do sábado, todo o domingo e a manhã da segunda feira, e tem a duração de um dia e meio. Pode ser acumulado pelo período

de até 14 dias, caso haja previsão em contrato individual ou convenio coletivo de trabalho. (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997. p. 865)

Quanto ao direito à férias anuais,

Todo trabalhador tem direito a trinta dias de férias anuais remuneradas. São dias naturais, não excluindo do seu cálculo os domingos e feriados que podem entrar. É um direito anual e para ser detentor dele é necessário, portanto, ter trabalhado por um ano; o gozo se dá dentro de cada ano natural e se foi trabalhado menos tempo, as férias serão gozadas proporcionalmente ao tempo trabalhado; (LOPEZ; DE LA ROSA, 1997, P.851)