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mesmo, criei de uns tempos pra cá que foi quando melhorei da depressão e depois que vim pra Terapia Comunitária.

Venho pro CAPS nas segundas e quartas, mas gosto mais é da Terapia Comunitária por causa dos temas que saem de lá, que são sempre temas diferentes [...] cada um traz seu problema, cada um conta a sua dificuldade (pausa pensativa), seu sofrimento, eu gosto! Mas o que mais me preocupa é minha mãe e meu pai, porque eles querem que eu venha e fique boa logo, de uma hora pra outra [...] então devagarzinho eu vou ficando, mas eles querem mais ligeireza de minha parte, não têm paciência [...] e queriam até que eu parasse de tomar meu remédio, mas não posso parar porque é controlado. Como tenho esse problema na cabeça, eles ficam perguntando se vou tomar esse remédio o resto da vida ou se é até quando terminar minha depressão, mas o médico deu o laudo que é pro resto da vida. Enquanto eu estiver vivendo, vou ter que tomar o medicamento. Meus familiares ficam sempre perguntando como estou aqui no CAPS, porque só querem ver minha melhora, querem só ver o resultado, mas ninguém quer se envolver com meu problema [...] então quando venho pra Terapia Comunitária e falo das minhas tristezas saio leve, saio melhor!

A Terapia Comunitária me ajudou também porque era difícil demais eu sair de casa, não saía com ninguém, só queria ficar deitada [...] e agora saio, converso com as pessoas, com os amigos e

com minha família. Antes eu era “trancada”. Agora não! Sei que preciso vir pra Terapia

Comunitária, reconheço isso, porque ela me ajudou principalmente a tomar meus remédios. Antes não tomava [...] ficava mal, sentia uma angústia, ficava querendo me matar. Não dava importância ao principal de tudo. Agora não! Agora eu tomo os remédios! Tomo tudo certinho e nunca mais me internei.

Acho muito bom participar da Terapia Comunitária porque não fico em casa sozinha e como não quero ficar sem fazer nada, venho para a Terapia porque é sempre bom ficar escutando os problemas de várias pessoas, já que a gente sabe que problemas todo mundo tem, então fico mais confortada. Quando penso em não vir lembro do que aprendo aqui, lembro que vou escutar Fulano, Cicrano e em casa não vou escutar ninguém, então é melhor vir, porque se eu ficar ataca mais ainda minha depressão. Gosto também porque perco mais a minha tristeza, pois quando penso em ficar só me dá aquela angústia, aquele mal-estar.

Ouvindo as histórias das outras pessoas na Terapia Comunitária aprendi que o importante “é você ser você mesmo”, além de fazer amizades porque as pessoas lá fora quando descobrem que

fazemos tratamento no CAPS, que a gente é do jeito que é, que somos doentes mentais, não querem

“se chegar muito”. Por conta disso tudo, minhas amizades são poucas. Minha amizade maior é com

esse grupo da Terapia. O que aprendi também foi a obediência que devo ter com meus pais [...] porque sempre meu pai fica falando da minha doença, fica cobrando porque sou usuária de medicamento controlado, então eu ficava muito chateada [...] e hoje já aceito melhor isso e tenho dado mais atenção aos conselhos deles. Sei também aguentar o preconceito das pessoas, eu nem ligo [...] conto pra todo mundo que tomo remédio controlado, conto tudinho! E muita gente tem preconceito, mas não ligo! (expressão de pouco-caso). Me aceito assim e me orgulho de quem sou! Não dou importância [...] eu ficando boa, é o que importa!

Paraibano guerreiro, Allan é um homem sábio e muito eloquente. É psicopedagogo e participa da Terapia Comunitária há mais de três anos. Gosta de falar nas rodas e está sempre perguntando a opinião dos terapeutas comunitários sobre os problemas apresentados e as problemáticas sociais. Usuário engajado, tem se mostrado parceiro na luta pela melhoria do cuidado no CAPS.

Tom vital: Melhorei de forma espetacular!

Minha vinda pra Terapia Comunitária me ajudou muito. Antes de participar , eu tinha muita oscilação de humor, tinha palpitações, ia ao hospital todos os dias [...] e depois que passei a vir pra Terapia, junto com a medicação, tudo mudou [...] porque se trata de uma junção [...] é a Terapia Comunitária, o medicamento e a participação da família que vejo como o fator principal dentro desse processo [...] então é um conjunto, é a minha participação na Terapia Comunitária, a parte medicamentosa com o psiquiatra, o acompanhamento com os outros terapeutas e com a participação de minha esposa sempre que é chamada pra participar das reuniões com a família e diante desse trabalho, tive uma melhora significativa. Antes de vir pra Terapia Comunitária eu era muito agressivo, brigava muito dentro de casa, só falava gritando [...] e depois que vim pra cá, acabou-se a agressividade, estou bem mais estável, melhorei de forma espetacular!

Na Terapia Comunitária aprendi que é importante que a família participe, porque na verdade quem vai lidar com o usuário em casa é ela [...] então eles precisam entender o problema da gente. Acho que a família precisa estar presente e se a participação dela não é efetiva, fica muito complicado [...] tenho dito sempre ao terapeuta comunitário pra ele conver sar com a equipe pra que eles valorizem essa questão. É importante ter uma equipe pra visitar algumas casas em casos mais graves [...] não necessariamente só o assistente social, mas uma equipe multiprofissional, que tenha uma enfermeira junto com uma assistente social, junto com uma psicóloga, junto com uma terapeuta, junto com o terapeuta comunitário [...] então tenho aprendido muita coisa a partir de minha participação na Terapia Comunitária.

Percebo que a Terapia Comunitária é importante não apenas para mim, mas para os outros usuários também [...] e assim ela tem me ajudado. Como tenho vinte e três anos de serviço na prefeitura do município e sou psicopedagogo, tenho uma vasta experiência com essas questões sociais, então os problemas que escuto na Terapia Comunitária não me surpreendem, tenho que ser sincero. Como já sou uma pessoa muito vivida, amadurecida e por meu trabalho sempre ter sido

Allan

“O homem é uma vontade, uma

força e um conhecimento que

tendem para o infinito”.

(Giambattista Vico)