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JOVENS EGRESSOS DO PROGRAMA PROJOVEM URBANO:

No documento marciaaparecidabatistaferreira (páginas 88-200)

Nessa parte do trabalho pretendemos mostrar os achados da nossa pesquisa e o que o estudo permitiu perceber com relação a uma política voltada para os jovens excluídos da vida escolar na idade própria.

Os dados coletados no questionário aplicado permitem traçar o perfil desses jovens que concluíram o programa no município de Juiz de Fora, buscando identificar quem são eles, onde vivem, quais são suas trajetórias de vida, quais as contribuições do Projovem Urbano em suas vidas e suas expectativas de futuro.

Num segundo momento, traremos as contribuições das entrevistas realizadas com os concluintes, professores e coordenadores do programa que nos permitiram analisar com mais profundidade os achados obtidos através do questionário.

No item a seguir, apresentaremos dados nacionais sobre o Programa e nos deteremos em analisar os achados, através do questionário aplicado aos jovens que foram matriculados em 2012, com conclusão em 2013, no Município de Juiz de Fora.

4.1-Perfil dos Jovens Egressos do Projovem Urbano de Juiz de Fora

Na análise do Projovem Urbano no Município de Juiz de Fora, tivemos como referência de comparação os Cadernos Temáticos realizados com base em dados nacionais sob a coordenação do GT de Avaliação do Programa, em 2011. Tal avaliação foi desenvolvida sobre a responsabilidade do Sistema de Monitoramento e Avaliação (SMA), cuja base de dados é operacionalizada pela Coordenação de Avaliação do Projovem Urbano

(COAP), vinculada à UFPR15. Assim, o Caderno Survey II Alunos (2011a) teve como objetivo:

identificar o perfil do alunado em indicadores de gênero, etnia, faixa etária, trajetória escolar e profissional; identificar a avaliação que o estudante faz em relação ao material didático do Programa, sua linguagem e utilização, além de tópicos de avaliação do programa relativos à infraestrutura, funcionamento, proposta pedagógica, entre outros elementos. (BRASIL, 2011, p. 13)

Esses dados serviram para instigar nosso olhar na análise, em relação à semelhanças ou diferenças encontradas. Nossa pesquisa traz, ainda, dados que vão além do que foi analisado neste relatório.

Na pesquisa realizada com a turma do Projovem Urbano de Juiz de Fora ano 2012/2013, conseguimos atingir um público de 52 jovens entre os 85 formandos. Conforme apontado anteriormente, devido à infrequência houve dificuldade de encontrar todos os alunos, por isso alcançamos percentual de 61,1% de jovens concluintes. Todos os gráficos apresentados nesta parte do trabalho referem-se às informações obtidas através dos questionários respondidos por esse grupo. Os dados quantitativos demonstraram que, dentre o público do Programa em Juiz de Fora, 61,5% são do sexo feminino, conforme mostra o Gráfico 1. As diversas pesquisas demonstraram que, no perfil do alunado, predomina um público feminino, pardo e negro. O público feminino representa um percentual de 69% e o masculino 31%. O relatório Survey II Alunos (2011) mostrou que esse indicador nos revela que as mulheres se dedicam mais à qualificação profissional do que os homens. Dada à necessidade de independência financeira, ou, ainda, por interromperem os estudos por motivo de gravidez, veem no Projovem uma oportunidade de retorno aos bancos escolares. Em Juiz de Fora, a gravidez não foi um empecilho, visto que poucas jovens tiveram filho no período da adolescência. Assunção (2010) em sua pesquisa, também percebeu em sua amostra, a predominância do sexo feminino, representado por 87,2% dos entrevistados. Esse é um indicador de que o programa tem atraído mais as mulheres, pois os dados da Pesquisa

15 Neste mesmo ano foram publicados vários Cadernos Temáticos do Projovem Urbano, entre eles havia um com

o nome Survey II Alunos; Desempenho e Proficiência dos Alunos do Projovem Urbano; Dimensão Práticas Docentes; Relatório Pesquisa com Egressos; Gt Avaliação Pesquisa Telefônica com Evadidos; Survey II- Educadores Perspectiva Comparativa entre as 1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 6ª entradas no Projovem Urbano.

Nacional Sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros 201316 (BRASIL, 2014) mostrou que a proporção de homens e mulheres é equilibrada no segmento juvenil brasileiro, confirmando o apontado pelo Censo de 2010: 49,6% de homens e 50,5% de mulheres. Esse é um ponto que merece ser aprofundado em novos estudos.

Gráfico 1: Sexo declarado pelos jovens

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 1- Sexo

De acordo com a pesquisa citada, no que se refere à configuração familiar, a maior parte dos jovens são solteiros (66%) e 32% são casados e moram com seus cônjuges. Em nossa pesquisa observamos, também, no que se refere ao estado civil, que há uma predominância de jovens solteiros, com um percentual de 71,2%. Entre os que responderam, 25% eram casados e 3,8% separados, conforme mostra o gráfico 2. A pesquisa de Blanco (2009) em sua amostra quantitativa, também, observou que a maioria dos jovens era de solteiros que moravam com os pais, representando 64% das respostas.

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De responsabilidade da SNJ, da Secretaria Geral da Presidência da República, com o apoio da Unesco. Atividade do Observatório Participativo da Juventude. Pesquisa aplicada entre abril e maio de 2013, sob a coordenação geral de Gustavo Venturi.

Gráfico 2: Estado civil

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 5- Atualmente você é?

Ao buscar traçar o perfil dos estudantes do programa, buscamos identificar a faixa etária destes no ano pesquisado e observamos algumas semelhanças com dados emergentes de outros estudos. Os dados nacionais, realizados pelo SMA do Projovem, mostraram que a faixa etária atendida se distribui entre alunos de 19 a 30 anos. A pesquisa de Andrade, Esteves, Oliveira (2009) mostrou que o público mais representativo está na faixa etária de 25 anos ou mais, compreendendo 38% das respostas. Os dados apresentados por Assunção (2010) demostram que 35,9% estavam entre a faixa etária dos 19 aos 22 anos de idade, enquanto 30,8% entre 27 e 29 anos. No que se refere às idades dos jovens pesquisados, nossa pesquisa, mostrou que há uma predominância de idades entre os 19 a 27 anos, conforme apresentado pelo Gráfico 3.

Gráfico 3: Faixa etária (%)

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013.

Questão 2- Qual a sua idade?

Outra pesquisa em nível nacional indicou que os evadidos e os desistentes são em sua maioria, um público mais jovem. Parece que o programa é mais atrativo e capaz de manter alunos mais velhos, devido, possivelmente, à necessidade de se inserir na vida profissional e consequentemente, de maior escolaridade. (BRASIL, 2011d) Essa pesquisa permitiu perceber que a trajetória escolar dos evadidos apresenta caminhos mais acidentados. No que diz respeito aos arranjos familiares o perfil dos alunos não parece diferir de maneira significativa daquele dos alunos egressos. Não é objetivo deste trabalho, fazer uma análise da trajetória dos jovens que evadiram. No entanto, os resultados sugerem que a diferença de perfil dos alunos não parece ser um ponto crucial para compreender o abandono do Programa.

Outro ponto que procuramos tratar é com relação à cor declarada pelos participantes. A pesquisa em Juiz de Fora confirma que a maioria dos jovens do Programa são negros e pardos, totalizando 71,1% sendo que 23,1% declaram-se brancos, como representado no Gráfico 4.

A pesquisa em âmbito nacional também demonstrou a predominância de pardos e pretos17: 49% e 19% respectivamente, correspondendo a 68% no somatório. Esse índice foi ultrapassado em Juiz de Fora por 3,1%, já que 71,1% estavam nesta condição. O Censo de 2010 mostrou que a população neste segmento etário distribui-se entre: 7,9% de

pretos, 45,9% de pardos e 44,7% brancos. Isso indica que os negros são ainda os mais afetados pela exclusão social no Brasil como tem apresentado os indicadores sociais.

Gráfico 4: Cor declarada

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 3- Você se considera?

No que diz respeito à escolarização dos pais dos jovens em nossa pesquisa, observou-se que mais da metade das mães possuía apenas o ensino fundamental incompleto, representando 65,4%, enquanto 11,5% tinham o ensino fundamental completo, 11,5% o ensino médio completo e ainda, 1,9% disseram ter o ensino superior incompleto. Com relação aos pais, 46,2% possuíam o ensino fundamental incompleto, 11,5% fundamental completo, 11,5%, ensino médio completo, 3,8% ensino médio incompleto. Entre os pais observamos também a presença de 5,8% que possuem o ensino superior completo e 1,9% com o ensino superior incompleto. Ainda tivemos um percentual que não respondeu esta questão (19,2%), conforme mostra os gráficos 5 e 6.

Gráfico 5: Escolaridade das mães

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 9- Nível de instrução da sua mãe?

Gráfico 6: Escolaridade dos pais

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 11- Nível de instrução do seu pai?

Assim, em nossa amostra, a escolaridade predominante dos pais foi de ensino fundamental incompleto. Esse índice mostra que a conclusão do ensino fundamental ainda é um desafio a ser consolidado no Brasil. Por outro lado, a Pesquisa Nacional Sobre Perfil e

Opinião dos Jovens (BRASIL, 2014) mostrou que o ganho de escolaridade na nova geração tem aumentado. A mesma pesquisa mostrou ainda que 50% conseguiram chegar ao Ensino Médio, enquanto um quarto dos seus pais atingiu esta mesma escolaridade. Tais resultados são semelhantes aos demonstrados no último censo demográfico (2010) e confirmam uma tendência apresentada pela PNAD 2012.

Procuramos saber, se os jovens tinham filhos, conforme mostra o Gráfico 7. Destes, 63,5% não possuíam filhos, 19,2% possuíam um filho, 13,5% dois filhos e 1,9% constituem família com 3 filhos. Isso mostra que os jovens da nossa pesquisa, apresenta um perfil de jovens solteiros e sem filhos.

Gráfico 7: Número de filhos

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 6- Você tem filhos?

Nosso estudo também procurou investigar o número de pessoas que residem na casa do jovem. Os dados mostraram que 40,4% residem com duas ou três pessoas, 19,2% com três a quatro pessoas, 23,1% com quatro a seis pessoas, 13,5% moravam com mais de seis e 3,8% moram sozinhos, conforme mostra o Gráfico 8. Esses dados confirmam o que a pesquisa nacional mostrou. Quanto ao tamanho da família pouco mais da metade dos alunos são membros de famílias pouco numerosas, sendo que 31% residem com até 3 pessoas e 24% com até 4 pessoas. Os dados nacionais mostraram ainda, que o percentual de 30,16% moravam com até 3 pessoas, sendo que, 23,37% residiam em famílias com até 4 integrantes.

Os dados mostram uma predominância de estudantes de famílias pouco numerosas e que nos levam a supor que possivelmente são famílias nucleadas por mãe/pai e filho, ou mãe e filho.

Gráfico 8: Número de pessoas que residem na casa

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 8- Quantas pessoas residem na sua casa?

Preocupamo-nos em saber, ainda, qual a renda familiar dos jovens. Como ilustra o Gráfico 9, constatamos que quase a metade vive com um ou dois salários mínimos, representando 42,2%; com menos de um salário mínimo 32,7% e 7,7% contam com uma renda familiar de dois a cinco salários mínimos. Importante destacar que 3,8% informaram ter uma renda de cinco a dez salários. A pesquisa de Assunção (2010) apontou que 41,% das famílias dos usuários tinham como renda até um salário mínimo e 30,8% tinham um rendimento entre um a um e meio. Outra pesquisa (SOARES, 2013) apontou que 33% declararam ter uma renda mensal entre meio e um salário mínimo, 17% entre um e dois salários mínimos e 10% dos entrevistados declararam ter renda até meio salário. O estudo mostrou ainda que, cerca de 80% dos egressos tinham no máximo uma renda de até um salário mínimo. Nossos dados, bem como esses estudos apresentados, indicam uma vulnerabilidade social do público a quem se destina o programa e a vida precária em que muitos estão inseridos.

Gráfico 9: Renda Familiar

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 13- A renda da sua família é?

Sobre a participação do jovem na renda familiar, o Gráfico 10 mostra que 44,2% indicaram contribuir com menos da metade do que ganham, 13,5% contribuem com metade, 15,4% contribuem com mais da metade e 11% afirmaram ser os únicos que possuem renda na família e, ainda, 15,4% não responderam a esse item.

Gráfico 10: Contribuição do jovem na renda familiar

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 14- Com quanto você contribui nesta renda familiar?

Quanto à representatividade da bolsa para o jovem, enquanto uma renda fixa, o Gráfico a seguir demonstra que 28,8% confirmou que a bolsa representa toda a renda do aluno, 11,5% disseram que é quase toda a renda, 11,5% menos da metade de sua renda, 3,8% cerca da metade da renda e 34,6% responderam ser uma pequena parte de sua renda. Considerando o gráfico anterior que mostra quase todos afirmando contribuir para a renda familiar e que a bolsa representa para 40,3% toda ou quase toda a renda, significa que esta é um instrumento importante para possibilitar o reingresso deste na vida escolar e ainda, para subsidiar o seu sustento.

Gráfico 11: Quanto representa a Bolsa do Projovem

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 15: Quanto representa a bolsa-auxílio do Projovem na sua Renda?

Em síntese, os jovens não possuem condições muito diferentes das encontradas em nível nacional. Os dados quantitativos obtidos nessa pesquisa demonstraram que, dentre o público do Programa local, a maioria é do sexo feminino, com idades entre 19 a 27 anos, preta e parda, solteira e mais da metade não possui filhos. Um terço sobrevive com menos de um salário mínimo e mais de um terço entre um a dois salários mínimos. Do total, 40,4% contribuem com metade ou menos de sua renda mensal em casa e, para 28,8% a bolsa constitui a única fonte financeira. Esses dados confirmam uma situação vulnerável do público atendido e a importância da bolsa para esse grupo.

4.1.1- Escolaridade

Procuramos saber, também, o passado escolar destes jovens, para podermos compreender sua trajetória escolar. Dos jovens pesquisados, 61,5% iniciaram sua vida escolar aos 6 anos ou menos, 21,2% aos 7 anos, 5,8% aos 8 anos, 1,9% aos 9 anos e 7,7% aos 10 anos, conforme mostra o Gráfico 12. Como a maioria iniciou sua vida escolar aos 6 anos, ou menos, a possível experiência de ter passado pela educação infantil é sugerida, o que todavia não representou um diferencial na sua escolaridade, visto que tiveram trajetórias de interrupção e de reprovação escolar. Por outro lado, temos ainda 36,6% que não passaram por este nível de ensino e ingressaram direto no Ensino Fundamental.

Gráfico 12: Idade que começou a estudar

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 17: Com quantos anos você entrou na escola?

Os dados coletados indicam que 25% dos jovens abandonaram a escola quando tinham 17 anos; 21,2% aos 16 anos, 25% abandonaram aos 15 anos e 13,5% abandonaram aos 12 anos ou menos. O gráfico 13 traz a compilação dessas informações, indicando que houve permanência do aluno, enquanto foi possível, no sistema escolar. Importante destacar que a maioria o abandona em idade em que deveria estar frequentando o Ensino Médio. Isso mostra a dificuldade da escola em fazer com que os alunos tenham trajetórias sem reprovações, conseguindo concluir o ensino fundamental na idade certa, 14 anos.

O estudo de Blanco (2009) também mostrou que o abandono da escola é um fato recorrente dos que participam do programa, já que sua pesquisa apontou que 16,2% abandonaram a escola entre 12 e 13 anos e 32,4% entre os 14 e 15 anos. Pinto (2012) também procurou saber a idade com que os jovens que participaram da pesquisa interromperam os estudos e percebeu que varia entre os 10 e 16 anos, sendo que a maior parte deles saiu da escola por volta dos 14 anos.

Gráfico 13: Idade que tinha quando parou de estudar

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão18-Que idade tinha quando parou de estudar?

Em relação às idas e vindas ao sistema escolar e nas entradas e desistências em busca de continuidade de sua escolaridade, o Gráfico 14 indica que 25% dos jovens, ou seja, um quarto do grupo, nunca evadiu, 23,1% deixaram o sistema escolar apenas uma vez, 32,7% evadiram-se duas vezes, 7,7% pararam 3 vezes e 5,8% deixaram a escola cerca de quatro a cinco vezes e uma pequena parcela, representando 1,9% saiu da escola mais de quatro vezes. Isso é um indicador importante, pois demonstra como o sistema escolar regular não conseguiu oferecer a esses jovens condições de concluírem o ensino fundamental, apesar das várias tentativas.

A Pesquisa Nacional Sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros (BRASIL, 2014) tentou investigar os motivos que levaram os jovens a evadir da escola. Dentre as principais motivações foram apontados os fatores econômicos representando 26%, motivações pessoais com 22% e razões familiares com 21%.

Gráfico 14: Número de vezes que começou a estudar e parou

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013.

Questão 19- Quantas vezes você começou a estudar e parou antes do final do ano?

Em nossa pesquisa buscamos compreender os motivos que levaram esses jovens a interromperem sua trajetória em algum momento da sua vida. A principal causa relacionada foi a dificuldade de aprender, com 25%. Entre as demais, 19,2% pela incompatibilidade com trabalho ou ocupação, 15,4% interromperam os estudos pelo desinteresse pelos conteúdos, 11,5% mencionaram problemas de relacionamentos na escola, 9,6% necessidade de tomar conta de filhos e 7,7% relacionaram com o fato de ter engravidado. (Gráfico 15). O principal empecilho dos jovens para se manter dentro de uma escola está relacionado à dificuldade de aprender e parece indicar a ausência de ações na escola regular para atender aos alunos nessa condição. Esta, somada ao desinteresse pelos conteúdos, os problemas de relacionamentos e o apoio para as mães em relação aos filhos têm sido tratados de forma diferenciada pelo Projovem, tentando não “excluí-los” mais uma vez do sistema escolar. O que parece não ocorrer na escola regular.

Gráfico 15: Principal motivo que o levou a parar de estudar

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013.

Questão 20-Caso tenha parado de estudar algum momento, qual o PRINCIPAL que o levou a isto?

Os jovens do Programa de Juiz de Fora, assim como os participantes em outras cidades, são jovens que sofreram muitas reprovações ao longo do ensino regular. Procuramos identificar o número de reprovações e percebe-se que esse tem sido um problema histórico da educação pública no Brasil, pensando a defasagem idade/série. O Gráfico 16 mostra que 23,1% desses jovens não tiveram nenhuma reprovação escolar. Entre os pesquisados, 75% sofreram reprovações, sendo que 25% apresentaram 1 reprovação, 10% dos jovens disseram ter tido 2 reprovações, 13% foram reprovados 3 vezes, 12% 4 vezes, e 15% afirmaram ter sofrido cinco ou mais reprovações. Observa-se que com as reprovações os jovens percebem que não se adaptam a esse modelo de escola, abandonando o sistema escolar. Os dados nacionais são muito semelhantes aos do município de Juiz de Fora. Estes, também, apontaram que a trajetória escolar dos alunos do Projovem é marcada por reprovações: 29% nunca sofreram reprovações, mas 23% dos jovens foram reprovados uma vez, 23% duas vezes, 14% três vezes, 5% quatro vezes, 5% tiveram cinco ou mais reprovações e 1% não respondeu.

Gráfico 16: Frequência de reprovações

Fonte: Pesquisa realizada pela autora em outubro de 2013. Questão 21- Quantas vezes você foi reprovado?

Os dados sobre escolaridade nos mostram que mais da metade dos respondentes ao questionário abandonaram a escola uma ou duas vezes e que os motivos que os levaram a interromper sua trajetória escolar têm como causas principais às dificuldades de aprender, o desinteresse pelos conteúdos e pela incompatibilidade com o trabalho. É marcante na vida desses alunos a reprovação, visto que, 75% deles a sofreram em sua vida escolar. São filhos de pais que possuem baixa escolaridade, em sua maioria, possuem o ensino fundamental incompleto. Assim, podemos dizer que a trajetória escolar dos jovens é marcada por entradas e abandonos na instituição escola. Outras pesquisas sobre o Projovem também demonstram as dificuldades de permanência do jovem nos bancos escolares. Dessa forma, a oportunidade encontrada por eles, via Projovem Urbano, propicia a retomada de sua escolaridade e os colocam novamente diante dessa relação “mal resolvida” entre eles e a vida escolar.

4.1.2-Trabalho e Renda

Segundo o Censo 2010, há no Brasil 51,3 jovens de 15 a 29 anos de idade, o que equivale a um quarto da população do país. As trajetórias da juventude são “relativamente longas, intermitentes e muitas vezes não lineares de formação, inclusão e desenvolvimento da autonomia.” (BRASIL, 2014, p.16)

A Pesquisa Nacional Sobre Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros (BRASIL, 2014) mostrou que os dados variam de acordo com a idade. Os adolescentes de 15 a 17 anos que estavam apenas estudando representa 65% e 16% trabalhando. Na faixa etária dos 25 a 29 anos os dados se invertem: mais de 70% estavam trabalhando ou procurando emprego e 12% não estudavam. Estes dados são semelhantes aos que foram levantados pelo Censo em 2010 que mostra que 53,5% dos jovens de 15 a 29 anos estão trabalhando, 36% estudando e 22,8%

No documento marciaaparecidabatistaferreira (páginas 88-200)

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