POLONIA SEMPER FIDELIS
JUBILEU FRANCISCANO
Para uma melhor compreensão dessa comemoração dos frades franciscanos, apresento um pouco de história. Eis que no dia 18 de janeiro de 1975, no navio comercial Norwid, veio ao Rio de Janeiro o primeiro grupo dos padres franciscanos conventuais poloneses com o objetivo de se dedicarem ao apostolado na Igreja do Brasil. Ao me enviar o convite para a mencionada dupla comemoração em Águas Lindas, no estado de Goiás, o padre aniversariante Francisco Kramek OFMConv falou da história da sua aventura evangélica franciscana na Terra do Cruzeiro do Sul. Gostaria aqui de citar algumas frases do Frei Francisco na carta a mim enviada: “[...] Na abertura dessa missão teve grandes méritos o Pe. Paulo Piotrowski, na época reitor da Missão Católica Polonesa no Brasil. Em maio de 1973, o Provincial Frei Mariusz Paczóski (meu colega de curso), por intermédio do secretário- geral Frei Filipe Blaine, contatou-se oficialmente com o Pe. Piotrowski. O Pe. Paulo concordou em prestar ajuda na missão dos franciscanos poloneses no Brasil. Essa ajuda do Pe. Paulo mostrou-se eficaz.
Dessa forma, no dia 17 de setembro de 1973 o provincial frei Mariusz Paczóski informou por carta ao Pe. Paulo Piotrowski que o primeiro grupo dos missionários poloneses seria composto de cinco pessoas e que o superior desse grupo seria o Frei Agostinho Januszewicz.
E assim, graças ao Pe. Paulo Piotrowski, no dia 18 de janeiro de 1975, viajando no navio mercante Norwid, aportamos no Rio de janeiro. No dia 20 de janeiro fizemos os cinco uma visita ao Pe. Piotrowski para lhe agradecer pela ajuda na abertura da nossa missão no Brasil. E eis um trecho da crônica: ‘Um outro fato muito importante foi o primeiro encontro em terra brasileira (1975). O grupo recebeu a visita do Pe. Paulo Piotrowski, reitor das comunidades polonesas no Brasil. Às 19h, o grupo de seis pessoas se encontrou para vivenciar a tradicional ceia natalina. A solenidade da Missa natalina foi presidida pelo frei Marcos, e a homilia foi pronunciada pelo Pe. Paulo Piotrowski’”.
No dia 12 de janeiro de 2015, na cidade de Águas Lindas, no estado de Goiás, os franciscanos conventuais poloneses comemoraram solenemente
os 40 anos do seu ministério apostólico no Brasil. A Missa solene, na igreja dos franciscanos de S. Maximiliano Maria Kolbe, foi presidida pelo bispo Dom João Wilk OFMConv − ordinário da diocese de Anápolis, no estado de Goiás. Concelebraram também: o bispo Dom José da Silva Gomes, da diocese de Uruaçu (atualmente hierarca emérito, que há 40 anos acolheu na sua diocese os primeiros missionários franciscanos poloneses), bem como o bispo Dom Afonso Fioreze OP − ordinário da diocese de Luziânia, na qual também trabalham os franciscanos poloneses, bem como sacerdotes diocesanos da Polônia.
A mencionada diocese de Luziânia foi instituída no dia 29 de março de 1999 pelo papa João Paulo II. O seu primeiro ordinário foi o bispo Dom Agostinho Estêvão Januszewicz OFMConv. Em razão da idade, ele se aposentou no dia 15 de setembro de 2004 e assumiu o ministério de missionário na Amazônia. Faleceu no dia 20 de março de 2011 em Juruá, onde trabalhou com dedicação aos fiéis locais.
Concelebraram mais de vinte sacerdotes. Entre os franciscanos poloneses e brasileiros, havia também missionários poloneses, tendo à frente o monsenhor Ceslau Rostkowski, da paróquia de S. Judas Tadeu em Brasília. Além do mencionado jubileu do trabalho pastoral dos franciscanos poloneses na Terra do Cruzeiro do Sul, o Frei Francisco Kramek OFMConv celebrou também os 80 anos da sua rica e espiritualmente devotada vida missionária.
Prestigiou a solenidade, com a sua presença, o embaixador da Polônia Sr. André Braiter, acompanhado de sua esposa.
Durante a Missa celebrada, não faltaram acentos poloneses, que foram muitos, mas para estes não há aqui espaço para serem mencionados.
É preciso reconhecer que os paroquianos brasileiros foram capazes não somente de tornar memoráveis os 40 anos do trabalho dos franciscanos poloneses, mas também de enriquecer a liturgia com muitos elementos que familiarizaram os participantes da Eucaristia com a Polônia e a sua Igreja, que é capaz de partilhar a riqueza da sua fé e cultura com outras nações. Neste caso, com a Igreja e a nação brasileira.
Na ocasião, um eloquente sermão sobre a espiritualidade de S. Maximiliano M. Kolbe foi pronunciado pelo bispo Dom José da Silva Chaves,
que há 40 anos recebeu em sua diocese os missionários franciscanos poloneses. O bispo falou também da grande contribuição deles para as comunidades paroquiais onde exercem o ministério pastoral.
Chamou a minha atenção a presença, na Missa jubilar, da numerosa juventude local, o grande grupo dos ministros extraordinários da S. Comunhão e dos coroinhas.
Admirei não apenas a seriedade dos fiéis, mas também a sua espontaneidade e alegria. Há ainda o simpático sinal da unidade dos missionários poloneses, que aqui eu gostaria de enfatizar.
Participei − mais uma vez − de uma solenidade onde encontrei um grupo dos nossos valorosos missionários diocesanos e religiosos. Alegra muito um coração polonês a visão dos nossos missionários que, tendo tantas obrigações em suas comunidades paroquiais e − por vezes − apesar das grandes distâncias, são capazes de demonstrar a sua identidade nacional em terra brasileira.
Após a longa, sublime mas não cansativa celebração no santuário, realizou- se o solene jantar no salão paroquial adequadamente decorado, onde igualmente podiam ser percebidos os elementos polono-brasileiros.
Para quem chegou de Curitiba, foi uma simpática visão de uma peculiar simbiose, que se manifesta onde trabalham os nossos missionários. Os nossos fiéis brasileiros são capazes não apenas de perceber a nossa origem polonesa, mas de adequadamente expressá-la na decoração e nas suas palavras. São capazes de ser cordiais, gratos pelo ministério dos missionários vindos de um “país distante”...
Uma prova “material” e perceptível de gratidão eram as palavras inscritas no cartaz que se encontrava na parede da entrada do santuário. E o elemento polonês era o fundo branco e as letras vermelhas. Não será isso uma alusão às cores nacionais polonesas? Eis o conteúdo do texto: “Frei Francisco e Frei Eusébio, nós paroquianos Os acolhemos de joelhos e de braços abertos! Somos gratos a Deus pela Sua dedicação e por todo o trabalho em nossa comunidade”.
Já não vou me estender a respeito do lauto e saboroso jantar preparado com muita dedicação e benevolência em relação aos convidados. Em meio
aos saborosos pratos típicos brasileiros não faltaram também alguns petiscos poloneses. Nisso já se pode perceber a influência dos nossos missionários sobre as cozinheiras brasileiras.
Voltei com o monsenhor Rostkowski já altas horas da noite de Águas Lindas a Brasília. Na nossa conversa, rememoramos não somente os momentos espirituais vivenciados, os encontros com os missionários compatriotas, mas também o grande trabalho apostólico dos missionários poloneses diocesanos e religiosos, e de maneira especial o dos caros frades franciscanos, que festejavam os 40 anos do seu ministério em terra brasileira.
Polônia − Pátria e Igreja nas margens do Vístula: será que percebes lá além das montanhas, da grande água, em algum lugar no “fim do mundo” o esforço dos Teus filhos, que juntamente com o Evangelho de Cristo levam a outras nações a cultura, a instrução, e que com a sua postura dão um bom testemunho de Ti? Ao participar de comemorações de missionários e missionárias poloneses aqui, em diversas regiões do Brasil, essa reflexão me vem à mente... Olha para o retrato do Pe. Slawomir Gagacki − pároco na paróquia de S. Pedro Apóstolo na cidade de Águas Lindas, no estado de Goiás, e nota como ele se mostra alegre e feliz pelo seu ministério tão longe da Pátria, realizando-se como o semeador da Verdade e sendo um exemplo vivo de entrega da vida pelos bem dos outros... Não faltam tais apóstolos poloneses entre os brasileiros. Oxalá o seu número aumente...