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3 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE

3.4 RECURSOS

3.4.1 Junta Administrativa de Recursos e Infrações

Em se tratando de penalidade aplicada pela autoridade de trânsito competente no processo de suspensão do direito de dirigir, após ofertada a defesa pelo infrator, o recurso será interposto perante a Junta Administrativa de Recursos e Infrações que atuar junto ao respectivo órgão de trânsito, considerada como 1ª instância administrativa.

Como visto o recurso em primeira instância será dirigido à JARI respectiva do órgão, cuja autoridade de trânsito aplicou a penalidade, após decisão definitiva desta, observando-se que, nos termos do artigo 285 e seu §2º, será interposto perante essa mesma autoridade, que deverá remetê-lo à JARI, dentro de 10 (dez) dias úteis subsequentes à sua apresentação (BRASIL, 1997).

O prazo para interposição está previsto no §4º do artigo 282 do CTB e no artigo 9º, §5º da Deliberação n. 163 de 2017. Ambos os textos preveem que a

interposição do recurso deve dar-se até a data do término do prazo constante na notificação, que não será inferior a trinta dias (BRASIL, 1997, 2017).

Contudo, Maggio (2007, p.102) assevera quanto ao que tem sido aplicado na prática, explicando que “oficialmente este prazo tem sido de 30 (trinta) dias contados da data do recebimento da notificação”.

Julgado o recurso é obrigação do órgão de trânsito, dar conhecimento do conteúdo decisório ao recorrente, com vistas a garantir o exercício do contraditório e da ampla defesa, conforme estabelecido no artigo 288 do CTB (BRASIL, 1997).

O mesmo artigo 288 do CTB dispõe que da decisão da JARI cabe recurso a ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação ou da notificação da decisão (BRASIL, 1997)

Relacionada a forma como a decisão é notificada ou publicada, Maggio (2007, p.106) instrui que “a maioria dos órgãos de trânsito tem notificado o recorrente através dos correios da decisão do julgamento do recurso. O que é coerente, mais seguro e condizente com o que estabelece o art. 288 do CTB”.

Quanto à legitimidade para interpor recurso contra a decisão da JARI, é possível pelo recorrente, por motivo de seu não provimento, ou seja, acaso lhe seja desfavorável. Ainda, pode ser interposto pela autoridade que impôs a penalidade, quando o recurso for decidido a favor do recorrente, nos ditames do §1º do artigo 288 do CTB (BRASIL, 1997).

3.4.2 Conselho Estadual de Trânsito

Poderá ocorrer a interposição de recurso ao Conselho Estadual de Trânsito, neste caso, quando se tratar de penalidade imposta pelo órgão ou entidade estadual ou municipal, conforme previsto no artigo 289, II, do CTB.

O recurso interposto ao CETRAN deverá observar o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do recurso em 1ª instância, o qual é emitido pela JARI (BRASIL, 1997).

A contagem do prazo é direta, ou seja, abrange os sábados, domingos e feriados até completar 30 dias. Deve ser excluído o dia da ciência da decisão, começando a contar no dia seguinte e finalizar em dia útil (BRASIL, 2005).

Quanto à autoridade a quem é dirigida o recurso administrativo nessa hipótese, Maggio esclarece (2007, p.101) que “os recursos de 2ª instância dirigidos ao CETRAN são destinados ao seu presidente”.

O recorrente dará entrada e protocolará o recurso para a 2ª instância administrativa, onde deu entrada e protocolou o recurso para ser julgado na 1ª instância pela JARI respectiva (BRASIL 1997).

Realizada a verificação e análise do recurso, a autoridade decidirá. Assim ao realizar o julgamento deverá comunicar o interessado de sua decisão, conforme estabelecido no artigo 3º, II da Lei 9.784/99 (BRASIL, 1999).

Quanto à forma de notificação do interessado nessa fase recursal, Maggio (2007, p.111) destaca:

Ocorre o resultado de recurso pelo órgão de 2ª instância por ser ato de órgão público é publicado em Diário Oficial. Assim, no do Estado, quando o órgão é de âmbito estadual – Cetran e, no do Distrito Federal quando o órgão contra o qual se recorre é de âmbito do Distrito Federal – Contradife, e no da União, quando for o caso do Cotran. Cuja forma se torna difícil para o recorrente tomar conhecimento, uma vez que este normalmente não tem condições de fazer acompanhamento da publicação pelo Diário Oficial. E, eventual publicação através da internet nem sempre é possível conseguir- se.

O mesmo autor (MAGGIO, 2007, p.112) ainda ensina quanto as outras maneiras de tomar conhecimento do resultado deste recurso:

Sendo recurso interposto contra decisão de órgão de 1ª instância (JARI), após a apreciação e decisão do órgão de 2ª instância, este deverá dar oficialmente conhecimento do resultado da decisão do recurso ao órgão de 1ª instância e, assim o órgão de primeira instância também poderá dar ciência da decisão ao recorrente da segunda decisão. Assim, tendo em vista a forma que se vem usado, conforme mencionamos acima, restará ao próprio interessado ou seu procurador que não tiver conhecimento do resultado da decisão de 2ª instância, conforme foi dito acima, procurar obtê- lo diretamente do órgão que apreciou e decidiu o recurso, através de pedido por escrito ou, através de telefone ou pessoalmente.

Embora não seja viável ao recorrente, em caso de não provimento do recurso, interpor recurso da decisão de 2ª instância, é possível que ele faça pedido de reconsideração da decisão administrativa, visto que o direito se encontra previsto no artigo 65 de Lei 9.784/99.

Contudo, existe vedação legal à interposição de recurso de dec isão de segunda instância nos casos de suspensão de dirigir, visto que o artigo 290 do CTB estabeleceu que com a apreciação do recurso de 2ª instância encerra-se essa possibilidade. Devendo as penalidades aplicada serem cadastradas no RENACH (BRASIL, 1997).

3.4.3 Motivo

Quanto à parte da decisão que pode ser revista pelos órgãos revisores, Mazza explica que:

Todas as decisões adotadas em processos administrativos podem ser objeto de recurso quanto a questões de legalidade e de mérito, devendo o recurso ser dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar o encaminhará à autoridade superior. (MAZZA, 2013, p.590) O artigo 64 da Lei n. 9.784/99 assevera que “o órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência”.

Desse modo, pode-se constatar que o dispositivo não proíbe a reformatio in pejus nos processos administrativos, isto é, não há impedimento a que a decisão do recurso agrave a situação do recorrente, exigindo-se apenas que ele seja cientificado para que formule suas alegações antes da decisão (MAZZA, 2013, p.589).

Quanto às razões para interpor recurso para 2ª instância, Maggio (2007, p.108) destaca que:

O motivo para o recorrente interpor recurso para 2ª instância (Cetran, Contradife e Contran) se dá quando a autoridade de trânsito estadual (Ciretran ou Div. De Habilitação de Condutores do Detran) não acatou a defesa inicialmente apresentada pelo defendente e o recurso interposto para a JARI (1ª instância) também não foi deferido, fazendo resultar na discordância do recorrente das decisões até então proferidas contra seus argumentos de defesa e as provas apresentadas a seu favor.

Desta forma, restam claros os motivos para o interessado interpor recurso nos procedimentos de suspensão do direito de dirigir.

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