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5 CONCLUSÃO

5.2 Juntando as peças

Uma forma de unificar as teorias expostas é pensar em uma situação semelhante àquela descrita por Brandom (cf. BRANDOM, 1998. p.190-191), exceto que estará implícito que os agentes serão contadores de escores uns dos outros.

Usando os recursos de modelagem vistos, temos um debate na forma , possuindo os agentes , onde ( ( )) em que é o conjunto de asserções. é um conjunto das inferências preservadoras de compromisso do debate, descrito na forma de cláusulas de Horn, tal que, dado agente é representado por um banco , em que A são os estados doxásticos e T as crenças fundamentais, onde é o conjunto de inferências preservadoras de compromisso que conhece, tal que e . O conjunto é o conjunto de inferências preservadoras de autorização, igualmente na forma de cláusulas Horn e o conjunto que descreve os conjuntos de incompatibilidade. Deste modo, os agentes instanciam, por meio da estrutura , um conjunto inicial de asserções A, dois conjuntos de regras de inferência material (de autorização e de compromisso) e , respectivamente. Dois tipos de operações distintas: revisão e contração sobre regras ( ) (via AGM); inserção e deleção sobre estados doxásticos ( ) (via Araújo) e um conjunto de relações de incompatibilidade .

Contudo, nem sempre é o caso que as incompatibilidades e as inferências de autorização e compromisso serão seguidas sem engano, pois algum dos agentes pode não reconhecer dada situação e * + . Esta situação de impasse leva o sujeito a atualizar suas crenças fundamentais, no nosso caso, suas regras de inferência de compromisso, uma vez que consideraremos e fixados.

(Ex.53) Assim, podemos exemplificar do seguinte modo: existe uma inferência em que asserir que Sávio é bom e justo me compromete com Sávio ser santo. O sujeito S1, asseriu que Sávio é santo e também conduziu alguém ao céu, portanto está comprometido com Sávio ser bom e justo e está autorizado a asserir que Sávio é iluminado. O sujeito S2, pretende conhecer que Sávio é santo (portanto, tomar tal asserção por verdadeira e justificada), mas o sujeito S2 não possui nenhuma regra que justifica que asserir que Sávio é bom e justo, implica que Sávio seja santo. (exceto a autorização de endosso sobre a expressão „Sávio é santo e também

conduziu alguém ao céu‟, justificada pelo status de S1). Assim, antes de conhecer que Sávio é santo (embora já endosse isto como verdadeiro), S2 pede à S1 pela justificação sobre Sávio ser santo. S1, portanto, descreve a regra que o autoriza ao compromisso de Sávio ser santo em função de ele ser bom e justo.

Assim, seja S2 = , tal que A= ({ ̅, ̅, ̅}, ̅ , ̅, ̅ , * ̅ ̅ ̅+ , * ̅ ̅+ , * ̅ ̅+ , * ̅+ *+ *( ̅ ̅)+ *( ̅ ̅)+ ), T = { ( ( ) ( ) ( )) ( ( ) ( ) ( ) ( )) (cláusulas de Horn) e e uma assinatura S: R = „x gosta de y‟; C = „x é caridoso‟, B = „x é bom‟, J = x é justo, S = x é santo, E = x conduz y ao céu, I = x é iluminado, a = André, l = Luiz, s = Sávio.

No primeiro momento, a investigação das regras por S2 o leva à operação de revisão (expansão) * ( ) ( ) ( )+, tal que, { ( ( ) ( ) ( )) ( ( ) ( ) ( )) ( ( ) ( ) ( ))} o que nos termos do inferencialismo pragmático, significa a expansão de uma regra de inferência material. Assim, S2 internaliza a regra de inferência material atualizando seu conjunto T, i.e. ganha informação sobre as regras do jogo, sobre o que ele pode se comprometer em função das autorizações contidas no conjunto e junto com isto, ele adquire um novo conjunto de inferências, tanto em A, quanto em T.

Com a adição desta regra, S2 não ganha informação sobre Sávio, mas sobre os compromissos contidos em asserir que determinados indivíduos são santos e mais que isto, ele percebe agora que, se está autorizado a asserir que dado indivíduo é santo e que este indivíduo já tenha conduzido alguém ao céu, então S2 está autorizado a afirmar que tal indivíduo é iluminado, isto é, se S2 compromete-se com a asserção de que Sávio é iluminado, S2 está comprometido com uma cadeia de outros predicados pressupostos para a asserção de que Sávio é iluminado. Visto que, (tratado a partir do método proposto para converter sentenças da LPO temporariamente em LP), após a operação de expansão, pode ser expresso do seguinte modo: * ( ( )) ( ) ( ), ( ) ( ) ( ) ( ) ( ( )) ( )+.

Com esta modelagem, podemos avaliar o ganho de nova informação sobre as regras. Pois, em função da regra 2 de dedução sobre cláusulas de Horn, temos que ( ) ( ( )) ( ) ( ) ( ( )) ( ). Portanto, S2 adquiriu

novos modos de empregar seus conceitos e regras. O que não é o caso antes da introdução da nova regra ( ( )).

Agora, em posse desta nova regra, S2 pode realizar as mudanças necessárias em seu banco de dados para asserir justificadamente que Sávio é santo e, além disso, que é iluminado.

Este exemplo nos permite dizer que em posse de uma equação que avalie tanto as operações em A, quanto em T, é possível dizer se houve, de fato, ganho no âmbito das inferências formais e materiais, habilitando-nos a expressar e quantificar sobre qualquer outra asserção que S2 tenha feito antes da revisão da regra ou que venha a fazer recordando-se do estado antes da revisão, desta maneira sabendo se seria mais fácil de ser compreendido antes ou depois da revisão e, também, fazer um mapeamento do aprendizado de S2 sobre o conhecimento que ele adquiriu ao longo de certo intervalo de tempo. Esta sugestão de cálculo nos permitirá representar as mudanças de dado conteúdo conceitual em posse de dado agente, em face da mudança (revisão ou contração) de alguma regra material que oriente suas inferências.

Como isto se relaciona com o escândalo da dedução? Uma vez que o problema é provar que as deduções são informativas, agora estando em posse de argumentos suficientes, posso dizer que a dedução fornece informação por dois caminhos: 1) no trabalho de manipulação do conjunto de estados doxásticos de determinado sujeito, com a finalidade de alcançar determinado estado doxástico (informação epistêmica) e 2) no potencial de emprego das regras que medeiam nossas práticas linguísticas, na medida em que, as operações nos habilitam a elaborar e proferir novos tipos de compromissos e autorizações, além de nos permitir reconhecer novos encadeamentos inferenciais e reconhecer aqueles que são inválidos (informação meta-epistêmica e ontológica). Ao segundo caminho pertencem as sentenças analíticas, visto que elas contribuem para a delimitação dos parâmetros de nossa prática de produzir e consumir conceitos, como tivemos a oportunidade de discutir desde a primeira crítica à primeira teoria da informação semântica.