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3.3 O PROCESSO ELEITORAL DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

3.3.5 Fases do processo eleitoral

3.3.5.2 Votação

3.3.5.2.2 Juntas eleitorais

As Juntas Eleitorais são órgãos da Justiça Eleitoral (art. 118, IV, CF). Sua organização é regulamentada pelos artigos 36 a 41, do CE. “Juntas Eleitorais são órgãos mistos (colegiados) que atuam nas fases da votação e apuração dos votos. Sua finalidade básica é decidir as questões sobre a validade ou nulidade dos votos”34.

Este órgão é composto pelo presidente, que será um Juiz de Direito, e de dois ou quatro cidadãos de idoneidade moral (art. 36, caput, CE). Há a possibilidade de impugnação da indicação da composição da Junta por parte dos partidos políticos, que deverá interpô-la dentro de três dias após a publicação do edital (art. 36, § 2º, CE).

Os candidatos, seus parentes até 2º grau e o cônjuge, os membros dos diretórios dos partidos políticos, autoridades, agentes policiais ou funcionários de confiança do Poder Executivo e os servidores da justiça eleitoral não poderão compor a Junta (art. 36, § 3º, I, II, III, IV, CE).

Dentro da mesma Zona Eleitoral poderá existir mais de uma junta, desde

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que a Zona disponha de número suficiente de Juízes de Direito (art. 37, caput, CE). O presidente da Junta poderá nomear escrutinadores e auxiliares em número suficiente para atender à obrigação imposta. A nomeação será obrigatória se houver mais de dez urnas a apurar (art. 38, § 1º, CE).

A Junta Eleitoral é competente para apurar as eleições, resolver as impugnações durante a apuração dos votos, expedir os boletins de apuração, dentre outras (art. 40, I, II, III, CE).

3.3.5.2.3 Seções eleitorais

É competência privativa do TRE dividir sua circunscrição em Zonas Eleitorais, mediante aprovação do TSE (art. 30, IV, c/c 23, VIII, CE). A cada Juiz Eleitoral será atribuída uma Zona Eleitoral, e cabe àquele dividir a zona em Seções Eleitorais (art. 35, X, CE). “As seções são apenas os locais de votação onde estão localizadas as urnas eletrônicas”35.

A seção eleitoral terá uma mesa receptora de votos (art. 119, CE). A mesa é constituída de um presidente, dois mesários, dois secretários e um suplente. O Juiz Eleitoral deverá nomeá-los sessenta dias antes da eleição (art. 120, caput, CE). Aos que não puderem compor a Junta Eleitoral, também não lhes será permitida a condição de mesário.

Os partidos políticos poderão reclamar da nomeação ao Juiz Eleitoral, dentro de dois dias da publicação da nomeação da mesa receptora. A decisão do juiz poderá ser alvo de recurso, que deverá ser interposto em até três dias, dirigido ao TRE (art. 121, § 1º, CE).

Caberá o arbitramento de multa ao membro faltante da mesa receptora (art. 124, caput, CE). Os partidos políticos, através de seus delegados e fiscais, poderão fiscalizar as mesas receptoras no dia da votação (art. 65, caput, LE).

Nesse caso, o TSE elaborou o Manual do Mesário, que instrui sobre o funcionamento da mesa receptora, a função de cada componente, a organização da seção etc.36

35 RAMAYANA, 2004b, p. 101.

3.3.5.2.4 Votação

No dia das eleições, os membros da mesa receptora iniciarão seus trabalhos às 7h, verificando o material de votação encaminhado pelo Juiz Eleitoral (art. 38, Res. 23.218/10)37. O presidente da mesa emitirá relatório zerésima da urna, devendo ser assinado por ele e pelo secretário, e, caso queiram, pelos fiscais e pelos delegados dos partidos (art. 39, Res. 23.218/10).

O período para o exercício do voto é das 8h às 17h. Caso haja fila, após o horário de encerramento, o presidente da seção distribuirá senha aos presentes (art. 144 c/c 153, CE).

Os membros da mesa receptora, fiscais e delegados dos partidos políticos deverão votar no decorrer da votação, já que não existe mais o voto em separado38. Os candidatos, juízes, auxiliares do serviço eleitoral, Promotor Eleitoral, policiais militares em serviço e os maiores de sessenta anos terão preferência na hora de votar (art. 46, § 2º, Res. 23.218/10).

Só poderão votar os eleitores que estiverem incluídos no caderno de votação e no cadastro de eleitores da seção (art. 47, caput, Res. 23.218/10). O eleitor deverá apresentar documento oficial com foto que comprove sua identidade.

No caso das eleições presidenciais, a votação será feita pelo número do candidato, sendo este o mesmo do partido ao qual é filiado (art. 53, caput, Res. 23.218/10 c/c 15, I, LE). Na urna eletrônica aparecerão primeiro os candidatos às eleições proporcionais, em seguida os da majoritária, sendo a última votação ao cargo de Presidente e Vice-Presidente (art. 53, § 1º, Res. 23.218/10).

O eleitor comparecerá na seção eleitoral e deverá aguardar na fila para ser recepcionado pela mesa receptora. Após sua admissão, os membros da mesa receptora analisarão o título de eleitor e o documento oficial, podendo haver a fiscalização dos delegados dos partidos políticos. O membro da mesa localizará o nome do eleitor no cadastro. Após a confirmação, o eleitor deverá assinar o caderno

<http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/mesarios2010/arquivos/PDF_para_visualizacao/CMYK_Car tilha_Mesarios_A4_v.2.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2011.

37 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resolução n. 23.218, de 2 de março de 2010. Dispõe sobre

os atos preparatórios das eleições de 2010, a recepção de votos, as garantias eleitorais, a

justificativa eleitoral, a totalização e a proclamação dos resultados, e a diplomação. Disponível em: <http://www.tre-rs.gov.br/arquivos/Resolucao_TSE_23218.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2011.

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de votação, sendo autorizado o voto pelo Presidente da Mesa. Na cabine, o eleitor concretizará seu voto na urna eletrônica. Por fim, pegará o recibo de votação na mesa receptora (art. 55, incisos I ao VII, Res. 23.218/10).

Quando ocorrer falha de alguma urna eletrônica, esta será substituída. Persistindo o problema, a votação será realizada pelas cédulas oficiais (art. 56,

caput, c/c art. 57, caput, Res. 23.218/10).

A votação será encerrada às 17h, caso não haja presentes (art. 153, CE).

3.3.5.2.5 Totalização e apuração

Findo o período de votação, inicia-se a fase de apuração dos votos, que serão contados eletronicamente nas seções eleitorais pelo sistema de votação da urna (art. 98, caput, Res. 23.218/10).

A urna eletrônica emitirá boletins de votação que conterão a data do pleito; a identificação do Município, da Zona Eleitoral e da seção, a data e o horário de encerramento da votação; o código de identificação da urna; o nº de eleitores aptos; a votação individual de cada candidato; os votos da legenda partidária; os votos nulos e brancos; e, por fim a soma geral dos votos (art. 100, inciso I ao XI, Res. 23.218/10).

Em caso de apuração da votação por meio de cédula, será iniciada a totalização pela Junta Eleitoral após o fim da votação, que terá o prazo máximo de cinco dias para a conclusão (art. 111, Res. 23.218/10). O boletim de urna faz prova do resultado apurado, mas pode ser atacado por recurso dirigido à Junta Eleitoral (art. 101, Res. 23.218/10).

O Presidente de cada mesa receptora remeterá à Junta Eleitoral a mídia gravada pela urna (art. 43, XI, Res. 23.218/10). A Junta Eleitoral irá apurar os votos da Zona Eleitoral de sua jurisdição (art. 88, I, Res. 23.218/10) e publicará o relatório de resultado que substituirá os mapas de apuração (art. 126, § único, Res. 23.218/10).

Após o recebimento do Resultado da Junta Eleitoral no TRE, incumbirá a este a apuração parcial da eleição presidencial (art. 127, V, Res. 23.218/10). O responsável pela área de tecnologia e informação do TRE providenciará a emissão

do Relatório de Totalização, que será encaminhado à Comissão Apuradora (art. 128,

caput, Res. 23.218/10).

A Comissão Apuradora é formada por três membros do TRE e deve ser presidida por um deles (art. 129, Res. 23.218/10). A Comissão deverá apresentar ao TRE o Relatório Geral de Apuração (art. 131, caput, Res. 23.218/10).

O resultado do Relatório Geral de Apuração poderá ser alvo de reclamações pelas coligações e partidos políticos, que deverão ser julgadas pelo TRE (art. 132, §§ 1º 2º, Res. 23.218/10). Após o julgamento das reclamações, o TRE fornecerá a Ata Geral das Eleições (art. 133, caput, Res. 23.218/10).

Caberá ao TSE a totalização final das eleições presidenciais através dos resultados verificados em cada Estado da Federação (art. 135, caput, Res. 23.218/10). Antes da eleição, o TSE sorteará, entre seus membros, o relator de cada Estado da Federação, que receberá os documentos relativos às eleições. Referido órgão da JE emitirá Relatório da Totalização da eleição presidencial, que substituirá as folhas de apuração parcial (art. 136, Res. 23.218/10).

Cada relator apresentará relatório, em cinco dias, sobre a circunscrição atribuída (art. 137, caput, Res. 23.218/10). Os relatórios serão publicados na secretaria, impugnáveis pelas coligações, pelos partidos políticos e pelos candidatos (art. 138, Res. 23.218/10).

Após a aprovação do relatório final, será proclamado o resultado. Havendo segundo turno, este deverá ser anunciado no relatório provisório, iniciando- se os trabalhos do segundo turno, procedendo-se nos termos supra mencionados (art. 141 e 142, Res. 23.218/10).

3.3.5.2.6 Diplomação

A diplomação é a última fase do processo da eleição presidencial:

Trata-se de ato formal, pelo qual os eleitos são oficialmente credenciados e habilitados a se investirem nos mandatos político-eletivos para os quais foram escolhidos. A posse e o exercício nos cargos se dão posteriormente, fugindo da alçada da Justiça Eleitoral39.

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Entretanto, anterior à diplomação é a proclamação dos eleitos. O candidato ao cargo de Presidente da República será eleito se obtiver a maioria absoluta dos votos válidos, não computados os votos brancos e nulos (art. 166,

caput, Res. 23.218/10). Caberá ao TSE proclamar o candidato eleito da eleição presidencial (art. 169, I, Res. 23.218/10).

Ainda caberá ao TSE a diplomação do candidato eleito ao cargo de Presidente da República, que deverá ser assinada pelo presidente e pelos ministros do referido tribunal e pelo Procurador-Geral Eleitoral. O diploma conterá o nome do candidato, a coligação da qual faz parte e o cargo ao qual foi eleito (art. 170, Res. 23.218/10).

A expedição do diploma poderá ser objeto de recurso (art. 174, caput, Res. 23.218/10). O mandato eletivo também poderá ser impugnado através de ação própria (art. 14, § 10º, CF).

O Presidente e Vice-Presidente da República eleitos tomarão posse em sessão do Congresso Nacional, prestando o compromisso de cumprir as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, dentre outras, sendo que essa posse será realizada no dia 1º de janeiro, do ano seguinte ao da eleição (art. 78, caput, e 82, CF).

3.4 CONDIÇÕES DE ELEGIBILIDADE

O ordenamento jurídico brasileiro, mais precisamente no art. 14, § 3º, da CF, dispõe sobre as condições de elegibilidade. Elegibilidade diz respeito à capacidade de ser eleito:

O substantivo feminino elegibilidade retrata as ideias de cidadania passiva e capacidade eleitoral passiva. Conforme o sufixo da palavra indica, é a aptidão de ser eleito ou elegido. Elegível é o cidadão apto a receber votos em um certame, que pode ser escolhido para ocupar cargos políticos- eletivos. Exercer a capacidade eleitoral passiva significa candidatar-se a tais cargos. Para isso, devem ser atendidas algumas condições previstas na Constituição Federal, denominadas condições de elegibilidade. Em suma, é o direito público subjetivo atribuído ao cidadão de disputar cargos público- eletivos40.

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São condições de elegibilidade para o cargo de Presidente e Vice- presidente da República o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação partidária e a idade mínima de trinta e cinco anos (art. 14, § 3º, II a VI, alínea “a”, CF). Além disso, o cargo presidencial é exclusivo de brasileiro nato (art. 12, § 3º, I, CF).

Portanto, somente o brasileiro nato, com trinta e cinco anos na data da posse (art. 11, § 2º, LE), alistado, com domicílio eleitoral no país, em pleno exercício dos direitos políticos e filiado a algum partido político poderá ocupar o cargo máximo do Executivo Federal.

3.5 CAUSAS DE INELEGIBILIDADE

Além das causas de elegibilidade, o ordenamento jurídico brasileiro também instituiu as causas de inelegibilidade através da CF e LC 64/90:

Denomina-se inelegibilidade ou elegibilidade o impedimento ao exercício da cidadania passiva, de maneira que o cidadão fica impossibilidade de ser escolhido para ocupar cargo político efetivo. Em outros termos, trata-se de fator negativo cuja presença obstrui ou subtrai a capacidade eleitoral passiva do nacional, tornando-o inapto para receber votos e, pois, exercer mandato representativo. Tal impedimento é provocado pela ocorrência de determinados fatos previstos na Constituição ou em lei complementar41.

As causas expostas na CF são direcionadas aos analfabetos e inalistáveis, ao cônjuge e aos parentes consanguíneos, até segundo grau do Presidente e Vice-presidente. Além disso, a Carta Magna dispõe que a lei complementar estabelecerá as causas de inelegibilidade (art. 14, §§§ 4º, 7º, 9º, CF). Os concorrentes a qualquer cargo se tornarão inelegíveis se houver contra si representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, que já tenha transitada em julgado, em processo de apuração sobre abuso de poder político e econômico para as eleições que se realizarem nos próximos oito anos (art. 1º, I, “d”, LC 64/90)42.

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GOMES, 2008, p. 137.

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BRASIL. Lei complementar n. 64, de 18 de maio de 1990. Estabelece, de acordo com o art. 14, § 9º da CF, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina outras providências.

Os que forem condenados: pela prática de crimes contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público ou privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e por crimes previstos na lei que regula a falência, o meio ambiente e a saúde pública, crimes eleitorais que admitem a pena privativa de liberdade, abuso de autoridade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, qualquer crime hediondo, de redução à condição análoga a escravo e praticados por organização criminosa, não poderão concorrer às eleições pelo prazo de oito anos após o cumprimento da pena. (art. 1º, “e”, LC 64/90).

Além disso, também não concorrerão: os indignos ou incompatíveis com o oficialato, pelo prazo de oito anos (art. 1º, “f”, LC 64/90), os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, pelo menos prazo da hipótese anterior (art. 1º, “g”, LC 64/90). Seguem outros casos.

Os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros pelo abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado, para as eleições que concorrerem e aquelas que serão realizadas nos próximos oito anos (art. 1º, “h”, LC 64/90).

Aqueles que, em estabelecimentos de crédito tenham sido ou estejam sendo objeto de processo de liquidação judicial ou extrajudicial, hajam exercido, nos doze meses anteriores à respectiva decretação, cargo ou função de direção, administração ou representação, enquanto não forem exonerados de qualquer responsabilidade (art. 1º, “i”, LC 64/90).

Os nacionais condenados pela Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de oito anos a contar da eleição (art. 1º, “j”, LC 64/90).

O Presidente da República que renunciar a seu mandato desde o oferecimento de representação por infringência ao dispositivo da Constituição Federal, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos oito anos subsequentes (art. 1º, “k”, LC 64/90).

improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de oito anos após o cumprimento da pena (art. 1º, “l”, LC 64/90).

Os excluídos do exercício da profissão, por decisão do órgão profissional, em decorrência de infração ético-profissional, pelo prazo de oito anos, entretanto, a decisão poderá ser anulada pelo Poder Judiciário (art. 1º, “m”, LC 64/90). Aqueles condenados em razão de terem simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, por oito anos após a decisão que reconhecer a fraude (art. 1º, “n”, LC 64/90).

Os que forem demitidos do serviço público pelo prazo de oito anos da demissão, salvo se o ato for anulado pelo Poder Judiciário (art. 1º, “o”, LC 64/90). Os doadores eleitorais ilegais pelo prazo de oito anos da decisão (art. 1º, “p”, LC 64/90). Os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente, pelo prazo de 8 (oito) anos (art. 1º, “q”, LC 64/90).

Para o cargo de Presidente e Vice-presidente da República, até seis meses depois, aqueles que foram afastados definitivamente do cargo em função. São eles: os Ministros de Estado, os chefes dos órgãos de assessoramento direto, civil e militar, da Presidência da República, o chefe do órgão de assessoramento de informações da Presidência da República, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o Advogado-Geral da União e o Consultor-Geral da República, os chefes do Estado-Maior da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, os Magistrados, os Presidentes, Diretores e Superintendentes de autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas e as mantidas pelo poder público; os Governadores de Estado, do Distrito Federal e de Territórios, os Interventores Federais; os Secretários de Estado, os Prefeitos Municipais, os membros do Tribunal de Contas da União, dos Estados e do Distrito Federal, o Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal, os Secretários-Gerais, os Secretários-Executivos, os Secretários Nacionais, os Secretários Federais dos Ministérios e as pessoas que ocupem cargos equivalentes (art. 1º, II, “a”, LC 64/90).

Os detentores de cargo comissionado nomeados pelo Presidente da República sujeito à aprovação do Senado Federal, nos 6 (seis) meses anteriores à eleição, nos Estados e no Distrito Federal (art. 1º, II, “b”, LC 64/90). Aqueles que tiverem competência ou interesse, direta, indireta ou eventual, no lançamento,

arrecadação ou fiscalização de impostos, taxas e contribuições de caráter obrigatório, inclusive parafiscais, ou para aplicar multas relacionadas com essas atividades, até seis meses antes do pleito (art. 1º, II, “d”, LC 64/90).

O nacional que, dentro dos quatro meses anteriores da eleição, tenha ocupado cargo ou função de direção, administração ou representação em entidades representativas de classe, mantidas, total ou parcialmente, por contribuições impostas pelo poder Público ou com recursos arrecadados e repassados pela Previdência Social (art. 1º, II, “g”, LC 64/90).

Os que, até seis meses depois de afastados das funções, tenham exercido cargo de Presidente, Diretor ou Superintendente de sociedades com objetivos exclusivos de operações financeiras (art. 1º, II, “h”, LC 64/90). Aqueles que dentro de seis meses anteriores ao pleito, hajam exercido cargo ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes (art. 1º, II, “i”, LC 64/90).

Os membros do Ministério Público que não se tenham afastado das suas funções até seis meses anteriores ao pleito (art. 1º, II, “j”, LC 64/90). Os servidores públicos, estatutários ou não, dos órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos Territórios, inclusive das fundações mantidas pelo Poder Público, não se afastarem até 3 (três) meses anteriores ao pleito, garantido o direito à percepção dos seus vencimentos integrais (art. 1º, II, “l”, LC 64/90).

Essas são as causas de inelegibilidade, e compete ao TSE decidir sobre a arguição de inelegibilidade contra o Presidente e Vice-presidente da República (art. 2º, § único, II, LC 64/90). Os principais instrumentos para arguir a inelegibilidade são: Ação de Impugnação de Registro de Candidato – AIRC (art. 3º, LC 64/90), Ação de Investigação Judicial Eleitoral AIJE (arts. 19 a 22, LC 64/90) e Recurso Contra Expedição de Diploma (art. 262, I, CE)43.

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4 PODER POLÍTICO E ECONÔMICO NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2010

Todos os candidatos à eleição presidencial de 2010 foram considerados aptos pela Justiça Eleitoral para concorrerem ao pleito1. Eles utilizaram todos os mecanismos admitidos em lei para divulgar as propostas de governo ao eleitorado, garantindo a legitimidade da eleição.

Referida eleição correu dentro dos parâmetros legais. Não foi conhecida nenhuma irregularidade que a prejudicasse. No caso de irregularidade, caberia a Justiça Eleitoral apurar sua incidência. Exemplificando, haveria irregularidade nos casos de abuso do poder político ou econômico.

O ordenamento jurídico brasileiro reprime o abuso do poder político ou econômico no período de campanha eleitoral. Veja-se o art. 1º, I, “d”, LC 64/90:

os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes2.

Citada norma visa a aprimorar o exercício da democracia, entretanto, o próprio ordenamento jurídico brasileiro contraria o ideal democrático quando possibilita a diferença desproporcional das condições da campanha entre os candidatos. Neste capítulo, serão abordadas as condições de campanha eleitoral dos candidatos na eleição presidencial de 2010, bem como as disposições legais e omissões das instituições democráticas que, de certo modo, igualam o eleitor e diferenciam o candidato.

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