COMANDANTE DO EXÉRCITO
DESPACHO DECISÓRIO Nº 075/2014. Em 5 de junho de 2014. PROCESSO: PO nº 1403036/14-A2/GCEx EB: 64536.013323/2014-10ASSUNTO: pedido de reconsideração de ato de movimentação em grau de recurso 1º Sgt Mus (072468034-3) CLAUDIOSVALDO FRANCISCO DA SILVA
1. Processo originário do DIEx nº 133 - CONT/DIR/DCEM, de 25 ABR 14, da Diretoria de Controle de Efetivos e Movimentações - DCEM (Brasília-DF), encaminhando requerimento, datado de 14 MAR 14, por meio do qual o 1º Sgt Mus (072468034-3) CLAUDIOSVALDO FRANCISCO DA SILVA, servindo atualmente no 44º Batalhão de Infantaria Motorizado - 44º BI Mtz (Cuiabá-MT), solicita ao Comandante do Exército, em grau de recurso, a reconsideração do ato que o movimentou do 15º Batalhão de Infantaria Motorizado 15º BI Mtz (João PessoaPB) para o 44º Batalhão de Infantaria Motorizado -44º BI Mtz (Cuiabá-MT), pleiteando a sua permanência na Organização Militar (OM) de origem ou reverter a movimentação para as Guarnições de Jaboatão dos Guararapes-PE, Natal-RN ou Garanhuns-PE, pelas razões que especifica.
2. Verifica-se, preliminarmente, que:
a. em 2012, o Recorrente foi movimentado ex officio para a Gu de Cuiabá-MT, visando o preenchimento de claro da Carteira de Músico habilitado no instrumento “clarineta” da Banda de Música do 44º BI Mtz. Naquela ocasião, ingressou com pedido de reconsideração de ato de movimentação, objetivando permanecer na OM de origem ou reverter sua movimentação para as Guarnições de Jaboatão dos Guararapes-PE, Natal-RN ou Garanhuns-PE;
b. alegou, à época, que servia há um longo período na Guarnição de João Pessoa-PB, para assistir sua dependente (genitora); que, em 30 OUT 12, a sua mãe faleceu; com o óbito, o motivo de permanecer na Guarnição deixou de subsistir e o militar foi movimentado, ex officio, no mesmo ano; que, durante o período em que serviu na Guarnição, a sua esposa constituiu uma empresa para atuar no setor educacional e que a empresária encontra-se impossibilitada financeiramente de rescindir os contratos trabalhistas dos empregados; que, à época, o seu filho cursava faculdade e tinha previsão de conclusão em 2013; que possui sob os seus cuidados o genitor de 79 (setenta e nove) anos de idade; que o ascendente é portador de glaucoma avançado, hipertensão e impossibilitado de realizar as funções básicas do cotidiano; que a confirmação da movimentação causará prejuízos nos campos social, econômico, psicológico e familiar; e que é portador da síndrome do pânico há mais de 5 (cinco) anos;
c. por não ter sido possível conciliar o interesse do serviço com o pleito do militar, o Chefe do Departamento-Geral do Pessoal indeferiu o requerimento de reconsideração de ato de movimentação, conforme publicado no Adt DCEM 6A ao Bol DGP nº 017, de 26 FEV 14;
d. inconformado com a decisão adotada por aquele ODS, interpôs o presente recurso administrativo ao Comandante do Exército, objetivando permanecer servindo na Guarnição de João Pessoa-PB ou reverter a sua movimentação para a Guarnição de Jaboatão dos Guararapes-PE, Natal-RN ou Garanhuns-PE, sob os mesmos argumentos anteriormente apresentados ao DGP;
e. o militar serviu na Guarnição de João Pessoa-PB por mais de 17 (dezessete) anos consecutivos; e
f. considerando que não há efeito suspensivo no presente recurso, nos termos do artigo 101, das Instruções Reguladoras para Aplicação das IG 10-02, Movimentação de Oficiais e Praças do Exército (EB 30-IR-40.001), aprovadas pela Portaria nº 47-DGP, de 30 de março de 2012, do Departamento-Geral do Pessoal, o militar foi desligado da OM de origem em 17 MAR 14.
3. No mérito:
a. inicialmente, cumpre ressaltar que a decisão ora recorrida foi publicada no Adt DCEM 6A ao Bol DGP nº 017, de 26 FEV 14, razão pela qual o presente recurso revela-se tempestivo à luz da legislação pertinente, podendo ser admitido e apreciado quanto ao mérito da matéria nele exposta;
b. é importante observar que todos aqueles que ingressam no serviço militar têm ciência das peculiaridades afetas à carreira - que submetem o profissional a exigências não impostas aos demais segmentos da sociedade - conforme estatuído na Lei nº 6.880, de 9 DEZ 1980 (Estatuto dos Militares), em decorrência da destinação constitucional das Forças Armadas, ínsita no art. 142 da Constituição da República de 1988;
c. consoante o Regulamento de Movimentação para Oficiais e Praças do Exército (R-50), aprovado com o Decreto nº 2.040, de 21 OUT 1996, a movimentação indica a “denominação genérica do ato administrativo realizado para atender às necessidades do serviço, com vista a assegurar a presença do efetivo necessário à eficiência operacional e administrativa das OM”;
d. com efeito, as Instruções Gerais para Movimentação de Oficiais e Praças do Exército (IG 10-02), aprovadas com a Portaria nº 325, de 6 JUL 00, do Comandante do Exército, dispõem que o processo de movimentação pode ser ex officio ou ser iniciado a partir de requerimento ou proposta;
e. cabe registrar que as movimentações para preenchimento de cargos do Quadro de Cargos Previstos (QCP) das Organizações Militares (OM) ocorrem por decisão da Alta Administração de Pessoal do Exército, considerando-se sempre os interesses maiores da Instituição, com suas reais necessidades, conduzindo-os sem qualquer sentido de particularização, no contexto do cumprimento de uma Política de Pessoal determinada pelo Comandante da Força Terrestre;
f. ademais, nas movimentações, diversos aspectos são observados pelo Órgão Movimentador, cabendo destacar, dentre outros: a existência de vaga a ser ocupada; o preenchimento dos requisitos e especialidades exigidas na legislação para o exercício do cargo; os efetivos previstos e necessários à eficiência operacional e administrativa das diversas Organizações Militares (OM);
g. neste contexto, é importante destacar que, em face das suas peculiaridades e qualidade de vida, a capital do Estado da Paraíba, João Pessoa, é uma das guarnições do Exército Brasileiro mais requisitadas pelos militares que se inscrevem nos planos de movimentações; nessa senda, cabe à Administração Militar proporcionar a rotatividade, nos termos da legislação vigente, para que outros militares tenham a oportunidade de servir naquela Guarnição;
h. conforme informações do O Mov, o Recorrente serviu na Guarnição de João Pessoa - PB por mais de 17 (dezessete) anos consecutivos, preenchendo o requisito do tempo mínimo previsto na legislação castrense de permanência na Guarnição de origem para ser transferido;
i. anota-se, por oportuno, que o O Mov sempre verifica a possibilidade de atender às pretensões de cunho particular do militar, respeitados os requisitos de habilitação para o exercício do cargo, o efetivo previsto para a OM, a classificação obtida no plano de movimentação e o interesse do serviço; porém, com base no princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, o interesse do serviço deverá prevalecer sobre qualquer outro;
j. ademais, não se pode olvidar que a D Sau é o órgão de apoio setorial, técnico-normativo e gerencial incumbido do planejamento, coordenação, controle, supervisão e avaliação das atividades relativas à saúde, no âmbito do Exército Brasileiro, cabendo homologar, ou não, em última instância, as perícias médicas realizadas pelos Agentes Médicos Peritos - AMP, indicando, quando for o caso, as sedes mais adequadas ao tratamento de saúde do militar ou de seu dependente, conforme as prescrições constantes das Instruções Reguladoras para aplicação das IG 10-02, Movimentação de Oficiais e Praças do Exército (EB 30-IR-40.001), aprovadas pela Portaria 47-DGP, de 30 MAR 12;
k. nessa senda, é importante registrar que o Recorrente alegou como sendo um dos motivos supostamente impeditivos de sua movimentação problemas de saúde própria e de dependente (genitora), que posteriormente veio a falecer, mas não apresentou documentação nosológica expedida pelo Agente Médico Pericial da Guarnição que indicasse recomendação para o atendimento do seu pleito, por motivo de saúde;
l. já em relação à alegação de que o Recorrente assiste o seu genitor, de 79 (setenta e nove) anos de idade, possuidor de glaucoma e com necessidade de acompanhamento regular de oftalmologista, também não se vislumbra ser suficiente para ensejar a modificação do ato movimentador, tendo em vista que, conforme o próprio Interessado afirma, o seu genitor não é seu dependente legal perante o Exército Brasileiro;
m. além disso, não há sequer comprovação de que o genitor do Recorrente necessita de cuidados especiais e permanentes de sua parte, devido a problemas de saúde, já que não há nos autos do processo em análise documento expedido pelo Agente Médico Pericial da Guarnição que indique ser essa medida necessária;
n. assim sendo, com base na legislação vigente e visando satisfazer o interesse do serviço, o O Mov manteve a transferência do Recorrente, considerando a inexistência de manifestação do Agente Médico Pericial da Guarnição contraindicando a movimentação em questão, em razão de questão de saúde;
o. verifica-se, pois, que com tal medida o interesse do serviço foi integralmente atendido e, apesar do interesse individual ter sido contrariado, a decisão administrativa não impôs prejuízo ao tratamento de saúde do Recorrente, de sua dependente (genitora), até a data de seu óbito, ou de seu genitor, que sequer é seu dependente legal;
p. quanto ao argumento apresentado pelo Recorrente sobre o seu desejo de permanecer na Guarnição de João Pessoa - PB, a fim de preservar sua união estável, uma vez que sua companheira não poderá acompanhá-lo na transferência, em razão de ser ela sócia-proprietária da empresa EXATUS SISTEMA DE ENSINO LTDA - ME, na cidade de Santa Rita-PB, e não ter condições financeiras de arcar com o custo que será gerado pelo encerramento da empresa, especialmente em virtude de pagamento de direitos trabalhistas e de custos relativos ao descumprimento contratual em relação aos alunos nela matriculados, embora caracterizem situação social relevante, não é suficiente para dar ensejo à revisão ou modificação do ato administrativo praticado pelo O Mov, devendo a referida questão ser dirimida na esfera dos particulares envolvidos;
q. verifica-se, ainda, que a movimentação do Interessado para a Guarnição de Cuiabá-MT, teve por objetivo suprir a necessidade de recompletamento de militar habilitado no instrumento “clarineta” no efetivo da Banda de Música do 44º BI Mtz, ou seja, o que motivou sua transferência foi o interesse público existente no âmbito do Exército Brasileiro em manter equilibrado o efetivo das diversas Organizações Militares;
r. nesse sentido, é interessante registrar que todos os motivos alegados pelo Recorrente para permanecer na Guarnição de João Pessoa-PB, além de não serem suficientes para justificar a modificação do ato administrativo que o transferiu, revestem-se, pela sua própria natureza, de caráter permanente, o que inviabiliza toda e qualquer tentativa da Administração Militar conciliar o interesse pessoal com a necessidade do serviço;
s. desta maneira, ao O Mov não restou outra alternativa, senão a de manter o ato administrativo que transferiu o Recorrente da Guarnição de João Pessoa-PB para a Guarnição de Cuiabá-MT, o que caracteriza uma das particularidades da profissão militar, a mobilidade em todo o território nacional, ou até mesmo no exterior, visando atender às necessidades do serviço afeto à Força Terrestre;
t. o pedido formulado pelo Deputado Federal Luiz Alberto Couto, do PT/PB, por meio do Ofício nº 138/2014 - GAB/LAC-vmf, de 18 MAR 14, ao Ministro de Estado da Defesa, no sentido de que o pedido de reconsideração de ato fosse atendido por ter o Interessado, na sua opinião, apresentado
“convincente exposição de motivos para justificar o seu pedido”, não trouxe nenhum fato novo à análise já realizada no âmbito do DGP; e
u. por fim, não se configurando nenhuma das hipóteses estabelecidas na legislação pertinente que enseje a retificação da movimentação em comento e não tendo sido demonstrado qualquer vício no ato praticado pela Administração Militar, deverá prevalecer o interesse do serviço, o que orienta no sentido de manter o ato de movimentação.
4. Conclusão:
Dessa forma, à vista dos elementos constantes do processo, conclui-se que o ato administrativo que envolveu a movimentação em análise foi praticado em conformidade com os preceitos legais e regulamentares pertinentes, não incidindo em nenhuma das situações autorizadoras previstas no art. 10 das IG 10-02, pelo que dou, concordando com o Departamento-Geral do Pessoal, o seguinte
DESPACHO
a. INDEFERIDO. Mantenho a decisão exarada pelo DGP, publicada no Aditamento DCEM 6A ao Bol DGP nº 017, de 26 FEV 14, em face das razões de fato e de direito anteriormente expendidas.
b. Publique-se o presente despacho em Boletim do Exército e informe-se ao Departamento-Geral do Pessoal, ao Comando Militar do Oeste e à Organização Militar do Interessado, para conhecimento e adoção das providências decorrentes.
c. Arquive-se o processo neste Gabinete.
Gen Bda LUIZ CARLOS PEREIRA GOMES