EQUAÇÃO 14 – FORMAÇÃO VLR FUTURO BASE EBITDA/RECEITA – 13 SEGMENTOS
2.5 CONCLUSÕES DA SEÇÃO
2.5.1 Justificativa da Escolha do Modelo a ser Utilizado no Estudo
Apesar dos distintos objetivos entre o sistema financeiro e as atividades de inovação por parte dos empresários, os mesmos são completares e fundamentais
para o crescimento econômico, bem como para a geração dos ciclos econômicos.
Como explica Carlota Perez:
“Capital de produção é o agente para a acumulação de riqueza, seu horizonte natural é a longo prazo e permanece atado a sua expertise. Capital financeiro é o agente de realocação de riqueza para constantemente maximizar retornos a curto prazo. Capital de produção, portanto, é “path-dependent”, enquanto o capital financeiro é, fundamentalmente, independente e flexível.”
(PEREZ, 2011, p. 18)
Desta maneira, deve ser considerado que inovação é uma forma de investimento das empresas, porque requer investimento de capital de produção;
portanto deve ser medida. Ainda assim, o processo que baseia-se na criatividade, descoberta e aprendizagem por definição não tem bem definido o seu ponto final, é ambíguo por natureza e de alto risco. Em outras palavras, muitos aspectos da inovação são intangíveis e como tal são difíceis de avaliar. Não significa necessariamente que não são propensos a medição, mas exigem a escolha cuidadosa dos métodos e tolerância a sua aproximação ao invés de valores definitivos.
Dentre as métricas encontradas na literatura foi possível observar alguma preocupação com o retorno da inovação. Sem definir métrica, ou um conjunto de, Anthony, Fransblow e Wunker (2009) citam a necessidade de se preocupar com o Retorno sobre o investimento (ROI) da inovação, indicando que o mesmo (ROI) não deve ser utilizado isoladamente, pois pode forçar os inovadores a priorizar as decisões que prometem modesto retorno ao invés de proposições mais arriscadas, mas potencialmente mais lucrativas. Por sua vez, (MULLER, VÄLIKANGAS e MERLYN, 2005) sugerem, às empresas que estão apenas começando a desenvolver uma capacidade de inovação, a se concentrar na definição e comunicação de metas quantitativas de inovação a serem atingidas em determinado prazos, tais como receitas e ROI. Também, Adams, Bessant e Phelps (2006) ressaltam que a importância da gestão de portfólio de inovação de produtos de sucesso surgiu recentemente como um tema fundamental na literatura. Sugerem eles, que devido à rapidez com que os recursos são consumidos no processo de inovação e a necessidade de serem gerenciados, o processo de seleção de projetos de inovação requer avaliação e alocação de recursos em condições de incerteza, no qual o retorno nem sempre é analisado e medido. Wallin, Larsson A., Isaksson e Larsson T. (2011) demonstram a preocupação e a necessidade de se acompanhar o ROI em projetos
de inovação, perguntando: - Quanto a empresa ganha de dinheiro nas suas soluções (no caso específico, PSS)?
Todos os autores elencados demonstram alguma preocupação com o retorno, porém, com um foco específico ou no projeto, ou na inovação em si. Por outro lado, Jane Linder (2006) sugere um modelo, que aparenta ser mais completo, abrangente, e que pode ser aplicado dentro da indústria ou entre indústrias, pois classifica a empresa em relação a seus pares; lançando uma visão sobre o passado e sobre o futuro, focando no crescimento lucrativo como o resultado sumário de todos os tipos de inovação.
Medidas externas fazem suposições implícitas. Elas tratam as indústrias como homogêneas, os investidores como prescientes e a qualidade dos resultados relatados publicamente como idênticos. Isto contrasta com o apregoado por Penrose (2006), e citado anteriormente nesta tese, de que não há duas empresas iguais, já que os conhecimentos que as empresas possuem são diferentes e o rendimento que obtém de seus recursos também é diferente. Assim, sempre haverá dúvidas sobre se empresas de mesmo nível são verdadeiramente comparáveis.
Não necessariamente as empresas na extremidade superior da escala possuem as maiores taxas de crescimento de ganhos; ao medi-las pelo crescimento relativo ao mesmo nível dos lucros, elas cairiam no meio da escala. É claro que estas organizações têm buscado uma maneira de encontrar um equilíbrio eficaz entre o atual crescimento dos lucros e o investimento em oportunidades futuras. Da mesma maneira, a outra extremidade da escala pode, também, guardar surpresas adicionais.
As empresas não estão apenas interessadas na inovação por si só. O que eles querem é crescimento lucrativo — um equilíbrio eficaz entre o compromisso com os clientes e as empresas existentes e o investimento adequado em renovação. A escala de crescimento lucrativo proposta por Linder auxilia a alcançar esse equilíbrio.
Outros modelos também se propõem a medir retorno do investimento, como por exemplo Muller, Välikangas e Merlyn (2005), entretanto, diferentemente de Linder, não se preocupam com a visão temporal do crescimento rentável, efetuando apenas um “snapshot”, uma imagem do momento atual. Entretanto, como todo modelo, esse requer atenção porque é um trabalho de pesquisa que resultou em modelo
"comercial". Seu uso vem sendo objeto de exploração econômica. Essa característica pode ser considerada uma limitação à sua aplicação acadêmica.
Outra situação que, além das demais aqui expostas, justifica a escolha do modelo de Linder, é quanto à disponibilidade de variáveis e indicadores, bem como quanto à relativa facilidade na sua obtenção, dentro do escopo sugerido nesta tese.
O levantamento das maiores empresas inovadoras do Brasil com capital aberto e a separação das empresas congêneres pode ser obtido junto à ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e à BM&FBOVESPA. O EBITDA – bem como as variáveis necessárias para seu cálculo, a receita, os ativos médios, as taxas médias de crescimento dos últimos três anos dos três indicadores citados por Linder (2006) - crescimento nos lucros, crescimento das receitas e crescimento em valor futuro, e as médias da indústria de cada empresa podem ser obtidos via BM&FBOVESPA ou, mais facilmente ainda, via Terminal Bloomberg – ferramenta de pesquisa que é um sistema de computador fornecido pela empresa Bloomberg L.P., o qual permite que profissionais de finanças e outras indústrias acessem o serviço Bloomberg Professional através do qual os usuários podem monitorar e analisar os dados das empresas e do mercado financeiro em tempo real.
Diante do exposto, optou-se pelo modelo proposto por Linder (2006), porque ao sugerir relacionar a escala de crescimento rentável com inovação, correlaciona a capacidade de inovação diretamente com desempenho, no tempo e alinhado com os objetivos da empresa de gerar e acumular capital e com isto se perpetuar.
3 METODOLOGIA
Neste capítulo estão apresentados os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa. Apresenta a especificação do problema de pesquisa; os objetivos gerais e específicos da pesquisa; o desenho da pesquisa; as definições das categorias de análise; o delineamento da pesquisa; os critérios de seleção dos casos; as fontes de coleta e tratamentos dos dados e o resumo da metodologia.