SUMÁRIO
1.1 JUSTIFICATIVAS E RELEVÂNCIA DO TEMA
O ambiente empresarial a nível global encontra-se inserido em um cenário cada vez mais competitivo, tornando a inovação um fator crítico de sucesso para as organizações (CHENG et al., 2010).
É fácil perceber essa tendência de competição em qualquer setor da organização, intervindo nas mais diferentes unidades administrativas. Neste caminho, as empresas buscam seu lugar no mercado e, em meio a tantas opções, uma maneira efetiva de obter sucesso é investindo na geração de produtos e serviços que façam diferença na rotina do consumidor, entregando-lhes além da funcionalidade, agregação de valor.
A informação, um importante ativo estratégico da organização, transcorre por todo o processo de inovação, seja pelos níveis hierárquicos que ela influencia - e que agem
conjuntamente para a geração de inovações - ou pelas fases do processo de inovação aos quais ela perpassa, podendo contribuir com este contexto inovativo.
No que tange aos níveis, a informação para a inovação está presente no nível estratégico, responsável pela tomada de decisões na organização; no tático, considerado nível intermediário, no qual têm lugar as decisões táticas e que exigem informação pormenorizada; e no nível operacional, representado pelas decisões operacionais, com base em problemas acentuados, sendo necessárias informações bem definidas, provenientes essencialmente do sistema interno, com vista a ações imediatas (ANTHONY, 1965).
No processo de inovação as ideias representam um embrião de invenção, reveladas por meio de uma opinião, um ponto de vista ou conhecimento para representar a concepção intelectual, individual ou coletiva, de alguma coisa concreta ou abstrata (BARBIERI; ÁLVARES; CAJAZEIRA, 2009). Tais ideias nascem e se aperfeiçoam durante todo o processo de inovação a partir da informação advinda do ambiente interno e externo (TIDD e BESSANT, 2015) cuja gestão, muitas vezes inexistente ou informal em empresas de pequeno porte (SOLOMON, 1986; LEONE, 1991; GONÇALVES; KOPROWSKI, 1995; LEONE, 1999), tende a se adequar às especificidades de cada cenário.
Neste contexto de gestão da informação o fluxo informacional, a sua razão de ser (BARRETO, 1999), é intermediado por pessoas e muitas vezes por tecnologias, de modo a facilitar a circulação e uso estratégico da informação pela organização. Seja documental, digital ou mesmo pessoal, o fluxo informacional alimenta e renova o conhecimento organizacional e fornece insumos tanto para a tomada de decisões quanto para a realização de atividades-meio e atividades-fim. Por meio do fluxo informacional mais conhecimento (e informação) é gerado, possibilitando às organizações o pleno desenvolvimento de suas operações, inclusive no processo de inovação (BEAL, 2012).
O elemento humano ganha, no âmbito da gestão da informação, um destaque não só especial como indispensável, na medida em que atua como um fator decisivo nas teorias e práticas de gestão da informação. Ademais, as pessoas não somente são as consumidoras de informação, mas também produtoras e veiculadoras (MARTINS, 2014; BEAL, 2012).
Ao mesmo tempo, observando-se os estudos acerca das etapas do fluxo informacional, bem como a sua dinâmica na organização, nota-se que a etapa de distribuição e disseminação da informação é a mais mencionada nos modelos de gestão da informação.
Pode-se entender que a distribuição e disseminação dependem predominantemente das tecnologias de informação e comunicação e também dos sistemas de informação, motivo pelo qual estas ferramentas mantêm uma grande parcela de importância neste cenário ora citado.
Do ponto de vista teórico, analisar como as MPES gerenciam a informação para o processo de inovação, tendo em vista a concepção integrativa, que estuda as etapas do ciclo de vida da informação (Fluxo Informacional), as tecnologias envolvidas (Softwares sociais/Ferramentas colaborativas) e as pessoas (Colaboração) que afetam este processo, é tema que incita investigação, na medida em que possibilita um encontro e discussão de duas áreas do conhecimento que, embora distintas, são complementares, emergindo daí novos saberes, bem como o aprofundamento das peculiaridades de cada campo.
Em revisão de literatura, algumas informações relevantes foram encontradas: i) ainda não há pesquisa cuja proposta metodológica seja semelhante à do presente projeto; ii) algumas pesquisas, têm uma proposta que perpassa pelas temáticas de que trata esta tese (informação e inovação), mas focam em temas como gestão da informação para a otimização do processo decisório, para o planejamento e execução da estratégia organizacional ou para o aumento da competitividade (TORRES; NEVES, 2008; GREEF; FREITAS, 2012), o que, embora convirja, não se torna um sinônimo do que se pretende aqui pesquisar: entender como micro e pequenas empresas de serviços de tecnologia gerenciam a informação, sob a ótica da abordagem integrativa, para o processo de inovação, abarcando, para isso, os elementos Processo (Fluxo Informacional), Ferramentas (Softwares sociais e ferramentas colaborativas), e Pessoas (Colaboração) para o processo de inovação; iii) há um direcionamento dos autores de alguns artigos e teses (TORRES; NEVES, 2008) que pesquisaram em áreas semelhantes apontando para o desenvolvimento de pesquisas mais profundas sobre estas temáticas por entenderem serem cruciais para o desenvolvimento das organizações; iv) há pesquisas (com tendência crescente) tanto brasileiras quanto americanas que tratam dos temas informação e inovação de forma prática e teórica, porém convergindo para o tratamento conjunto (especialmente no exterior) dos ―Sistemas de Informação‖ e a inovação para a promoção de vantagem competitiva, trazendo, ao mesmo tempo, recomendações de utilização de outros objetos de pesquisa para busca de resultados alinhados aos temas propostos (PEREIRA et al., 2016); e v) os recortes aqui realizados dentro da abordagem integrativa da gestão da informação são potencialmente identificados como demandas de investigação futura em pesquisas atuais de outros autores sobre este tema alinhado ao processo de inovação. (ROHMANN; HEUSCHNEIDER; SCHUMANN, 2014 e 2015; ZANINELLI, 2013; CORREIA NETO; DORNELAS, 2015; CHAVES; VERONESE, 2014; DECOSTER, 2015).
Vale destacar que, em pesquisa bibliográfica sobre os temas deste trabalho, foram encontrados, dentre livros, artigos e dissertações/teses, cerca de 30 materiais relacionados à palavra de pesquisa ―informação‖ (informação/fluxo da informação/gestão estratégica da
informação/ ciclo de vida da informação/gestão da informação/fluxo informacional), cerca de 51 materiais relacionados à palavra de pesquisa ―inovação‖ (gestão da inovação/modelos de gestão da inovação) e cerca de 90 materiais relacionados às palavras/combinação de pesquisa ―informação e inovação‖, o que demonstra relevância em pesquisa nesta área.
Do ponto de vista prático, tal pesquisa pode ajudar os gestores, especialmente de MPES, a potencializar a inovação na organização por meio do melhor gerenciamento da informação, viabilizado a partir do reconhecimento do seu fluxo informacional, da participação colaborativa das pessoas que compõem a organização, e das tecnologias de informação e comunicação, utilizadas ou em potencial, para a criação e disseminação das informações neste contexto inovador.