Diagrama construído pela autora
No diagrama acima, faço algumas relações sobre o que é ser jovem para os participantes dos GFs e, nesse sentido, surge uma categoria à qual intitulo Juventude: um estado de espírito, pois, segundo os participantes, eles não se veem presos a um recorte temporal de idade, ao contrário, para eles ser jovem está muito mais ligado ao estado de espírito e ao pensamento do que à própria idade, como já dito em outro momento, em
Juventude:
um estado de
espírito
-
Juventude não tem a ver com aidade, mas entender que temos
muito a aprender o tempo todo, é acreditar que se está fazendo e
mesmo não dando certo tem ainda inúmeras possibilidades!
(Aluna P7, 15 anos, campus X)
- Eu sou um jovem que procuro me atualizar, que a gente não fica
estagnado no tempo, aí o termo está ficando velho começa a bater
nesse tempo [...] a pessoa pode envelhecer, a gente envelhece no
corpo, mas não na cabeça, no espírito!
( Aluno P18, 54 anos, Campus Z)
Ser jovem é sempre buscar conhecimento, ser jovem não é só
de idade, é ser jovem na mente.!
(Aluna P7,16 anos, campus Z) - Ser jovem é estado de espírito
sabe! Tu pode ser jovem independente da sua idade, tu pode ser bem mais velho e ter um
espírito jovem, é muito mais um estado de espírito do que uma fase da vida. É se movimentar de fato e fazer o que se tem vontade
independente da idade. (Aluna P6, 15 anos, campus X)
- É importante se manter jovem
toda vida!
consonância com o pensamento de Dayrell e Carrano (2014), que não reduzem a compreensão de Juventude a uma definição etária ou a uma idade cronológica. Para eles,
A categoria juventude é parte de um processo de crescimento totalizante, que ganha contornos específicos no conjunto das experiências vivenciadas pelos indivíduos no seu contexto social. Isso significa entender a juventude mais amplamente e não como uma etapa com um fim predeterminado e muito menos como um momento de preparação que será superado quando se entrar na vida adulta. (DAYRELL; CARRANO, 2014, p.110)
É preciso, por um lado, como afirmam os autores, pensar a Juventude, não como um momento passageiro, de transição, mas contextualizá-la socialmente por meio das culturas juvenis de um determinado contexto.
Pais (2005) entende que assistimos a um enfraquecimento da idade como categoria etária, tudo isso, deve-se ao fato de “a noção de cultura juvenil como parte da cultura de uma sociedade” ir se desenvolvendo “na medida em que as juventudes passaram a ser vistas como uma categoria social e geracional específica” (WELLER, 2011, p. 13).
A composição da identidade juvenil, para Stecanela (2004), é construída em sua relação com o social através da multiplicidade de experiências significativas e de suas culturas juvenis, que os levam a fazer escolhas, como se fosse um jogo de experimentação que se pode ganhar ou perder.
Além disso, as culturas juvenis criam características próprias de sua juventude, específica daquele tempo e espaço, de suas experiências, que criam outras relações sociais, pois os jovens vivenciam uma outra era; para Sales (2014), uma ecologia digital em que novas subjetividades fabricadas nas relações sociais estão sendo estabelecidas por meio das tecnologias digitais.
A juventude é um ícone nesse processo, pois ela interage crescentemente com as tecnologias e, assim, se produz, orienta seu comportamento, conduz a própria existência. As tecnologias digitais são, pois, um importante elemento constitutivo da cultura
juvenil, afinal, esse grupo está cada dia mais ciborguizado26. (SALES, 2014, p. 234)
Símbolos compartilhados no ciberespaço geram significados e referenciam atitudes e posturas das pessoas tanto quanto sinais e gestos do encontro físico. Poderíamos dizer que os jovens de hoje são nativos digitais, uma geração nascida na era da internet. (SALES, 2014, p. 234)
Nos excertos acima, percebo uma juventude calcada por elementos tecnológicos, cada vez mais presentes nos contextos escolares, mergulhados em sua cultura, e vejo os meios de comunicação rapidamente transformando atitudes e comportamentos. Para Melucci (1997), o crescimento na quantidade de informação que eles mandam e recebem está em um ritmo sem precedentes. Para o sociólogo italiano,
Os meios de comunicação, o ambiente educacional ou de trabalho, relações interpessoais, lazer e tempo de consumo geram mensagens para os indivíduos que por sua vez são chamados a recebê-las e a respondê-las com outras mensagens [...]. A possibilidade de definir uma biografia contínua torna-se cada vez mais incerta. (MELUCCI, 1996, p. 8)
Com o passar do tempo, os jovens têm-se feito ouvir e ver de várias maneiras, com atitudes e hábitos diferentes, mostrando que a sua forma de desfrutar é pessoal, que difere não somente dos desfrutes, mas também por estarem em outro tempo. Os espaços de interatividade, os meios de comunicação rapidamente transformados, indicam a necessidade da compreensão dos diferentes domínios e do impacto deles no presente.
Nessa lógica, de acordo com os estudos de alguns autores, como Hernández (2011) e Toledo (2012), os nascidos a partir da década de noventa ora fazem parte da Geração Y, ora fazem parte da Geração Z, pois a inserção desses indivíduos em uma geração ou outra depende da literatura consultada.
Segundo Toledo (2012, p. 3), “É necessário para essa geração que as informações sejam atuais, acontecimentos recentes, pois, há uma relação
26 A “confusão” de limites entre organismo/máquina, natural/artificial, natureza/cultura se combina na configuração do ciborgue.
com a informação que inclui muitas coisas e de forma mais abrangente, pois, querem resultados imediato”.
Pelas narrativas analisadas dos participantes nos GFs e o pensamento de Sales (2014) e Toledo (2012), identifiquei uma geração que defini como hiperconectada, conforme apresento no Diagrama 3.