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5 Construção da base de dados

K EOB Excedente

Operacional Bruto Lucros distribuidos pagos pelo ROW HH Remuneração do trabalho doméstico Lucros distribuídos T ransferências do governo às famílias T ransferências do ROW às famílias GO V Tributos sobre faturamento e valor adicionado T ributos sobre vendas e importações T ributos sobre renda das famílias e lucro das empresas RO W Importações Remuneração do trabalho paga ao ROW Remessas de dividendos e royalties T ransferências das empresas ao ROW T ransferências do governo ao ROW C on ta ca pi ta l ag re ga da CAP Poupança das famílias e empresas Poupança do governo em conta corrente Poupança do setor externo F at or es C on ta -c o rr en te d os a g en te s

Produção Fatores Conta capital

agregada Conta-corrente dos agentes

Pr

od

IFSFL, as transferências das empresas para as famílias, as transferências do governo para as famílias e as transferências correntes pagas pelo ROW. As despesas das famílias são constituídas pelo consumo final das famílias e das IFSFL, somado às rendas das propriedades pagas pelas famílias e pelas IFSFL, e à poupança bruta das famílias e das IFSFL.

O agente econômico “empresas” engloba as empresas financeiras, as empresas não financeiras e, por hipótese, parte da administração pública relacionada às atividades de empresas estatais. As receitas desse agente são compostas pelo excedente operacional bruto e rendas das propriedades das empresas financeiras, não financeiras e administração pública, somadas às transferências do governo para as empresas. Os pagamentos das empresas são constituídos pelas rendas das propriedades pagas pelas empresas financeiras, não financeiras e administração pública, pelas transferências das empresas para as famílias, como, por exemplo, indenização de seguros, pelos tributos pagos pelas empresas, como, por exemplo, o imposto de renda de pessoa jurídica, pelas transferências das empresas para o ROW e pela poupança bruta das empresas.

O agente governo, por hipótese aqui adotada, apenas recebe impostos e os transfere. As receitas do governo são constituídas pelo IRPJ- imposto de renda de pessoa jurídica, IRPF- imposto de renda de pessoa física, contribuições sociais, impostos sobre bens e serviços, impostos sobre a produção, subsídios para a produção e transferências das famílias para o governo. Os pagamentos do governo são a soma do consumo da administração pública com a transferência do governo para as famílias, as transferências do governo para empresas, as transferências do governo para o ROW, como cooperação internacional e outras transferências, e a poupança bruta da administração pública. Em diversos anos a poupança pública da administração se apresenta negativa, indicando que o governo tomou empréstimos.

O agente resto do mundo, aqui designado como ROW- Rest of World, representa as contas do Brasil com o exterior, como se este fosse um único agente. As receitas do ROW são compostas pela importação de bens e serviços, pela remuneração de empregados recebido pelo ROW, pela renda de propriedades recebida pelo ROW, pelas transferências de empresas para o ROW e pelas transferências do governo para o ROW, à guisa de cooperação internacional. Os pagamentos do ROW correspondem às exportação de bens e serviços, ao pagamento do ROW por trabalho doméstico, às rendas de propriedades pagas pelo ROW, às outras transferências correntes pagos pelo ROW e ao saldo externo corrente

do ROW. Todas as operações do setor institucional ROW constam na CEI, sendo algumas delas também apresentadas na TRU.

O último setor abordado na SAM é a conta de capital agregada. A receita do capital agregado é a poupança bruta das famílias e das IFSFL, somada à poupança bruta das empresas financeiras e empresas não financeiras, à poupança bruta da administração pública, e ao saldo externo corrente com o ROW. Os pagamentos do capital agregado são compostos pela FBCF- Formação bruta de capital fixo mais a variação de estoques.

Na SAM é possível calcular o PIB – Produto Interno Bruto, pelas óticas da demanda, do produto e da renda. O PIB calculado pela ótica da demanda é a soma do consumo das famílias com o consumo do governo, os investimentos e as exportações, subtraindo a importação de bens e serviços. O PIB calculado pela ótica da renda é a soma das remunerações com o excedente operacional bruto, impostos sobre o faturamento e valor adicionado, e impostos sobre vendas e importações. O PIB calculado pela ótica do produto é a soma das vendas domésticas com as exportações de bens e serviços, e os impostos sobre vendas e importações, subtraindo o consumo intermediário.

É necessário trabalhar com a SAM balanceada, o que significa que as receitas de cada setor devem igualar as suas despesas. O cálculo do PIB, pelas diversas óticas, na SAM, pode ser usado como uma verificação.

A Tabela 5.3 apresenta uma das SAM’s elaboradas neste trabalho, a SAM do Brasil de 2013, onde se considerou uma variável de ajuste no setor doméstico para o balanceamento da SAM, conforme procedimento adotado por Fontana et al. (2005).

Para este trabalho construiu-se uma série histórica das SAM’s do Brasil para os anos de 2000 a 2013, utilizando uma agregação de 9 setores econômicos, conforme pode ser visto no Anexo E. No Anexo F são descritas as células da SAM com suas origem nos dados da CEI e da TRU.

Essa série de SAMs é utilizada para a obtenção de uma SAM média, que dará origem aos valores iniciais empregados nos cenários contra fatuais (choques) do modelo de equilíbrio geral, conforme detalhado a seguir.

Tabela 5.3: SAM do Brasil de 2013, em milhões de R$ correntes

Produção Valor adicionado Conta corrente dos agentes Conta capital agregada De Atividades Produtos Trabalho Capital Famílias Empresas Governo Exterior

Para A P L K HH ENT GOV ROW CAP

A 8470357 620077 P 4551838 3276050 1007780 1155332 L 2307327 1284 K 2171851 21933 HH 2308433 1250297 - 18588 366265 12726 ENT 856224 - - 41366 GOV 59418 777859 310361 249407 - ROW 742784 178 87263 3678 1850 CAP 369898 625917 -20216 179733

Fonte: Elaboração própria

A partir dessa série de SAMs de valores monetários, obtém-se outra série com participações percentuais no PIB, ou seja, considerando o percentual de cada valor monetário da SAM no PIB daquele ano.

Dessa segunda série é obtida, então, uma SAM percentual média da série, apresentada na Tabela 5.4. Através de projeções do PIB nos cenários econômicos escolhidos, BAU – Business As Usual e Alt – Alternativo, aplicadas a essa SAM média, obtêm-se as SAMs projetadas correspondentes.

Tabela 5.4: Matriz de Contabilidade Social média em percentual do PIB. SAM

Média Produção Valor adicionado Conta corrente dos agentes capital Conta agregada De Atividades Produtos Trabalho Capital Famílias Empresas Governo Exterior

Para A P L K HH ENT GOV ROW CAP

A 159,82% 12,96%

P 87,14% 60,72% 19,55% 19,17%

L 41,69% 0,03%

K 42,81% 0,58%

HH 41,71% 23,16% 0,28% 7,73% 0,34%

ENT 17,22% Var. Ajuste

GOV 1,15% 14,35% 6,80% 5,32%

ROW 12,40% 0,01% 3,01% 0,06% 0,02%

CAP 5,69% 13,28% -1,39% 1,59%

Fonte: Elaboração própria

Assim, para cada SAM projetada, os componentes do PIB podem ser utilizados como valores iniciais tendenciais macroeconomicamente consistentes para cada

experimento contra fatual do modelo de equilíbrio geral. Tanto os componentes do PIB sob a ótica da renda, que são os valores de trabalho, capital e impostos, como também os componentes do PIB sob a ótica da demanda que são valores de consumo das famílias, governo, investimentos, exportação e importação podem ser usados nos valores iniciais.

Ressalte-se que a consistência macroeconômica dos resultados de equilíbrio obtidos em cada experimento contrafactual é garantida pela construção do modelo, que espelha os fluxos econômicos da TRU, e também pela restrição adicional à renda do consumidor representativo introduzida no modelo46, que impõe a implementação do valor projetado do PIB sob a ótica da renda ajustando a remuneração do capital aos valores inicialmente fixados das quantidades de trabalho e capital, tendo em vista que, como numerário, a remuneração do trabalho é fixada em valor unitário.

Observe que, a partir desses valores iniciais, sendo a metodologia de complementaridade a resolução de um problema de otimização, os valores de níveis de operação das atividades artificiais que representam a demanda final e seus respectivos preços serão ajustados para soluções ótimas, acomodando, inclusive, eventuais alterações contrafactuais em impostos ou nos coeficientes tecnológicos das atividades de produção.

5.6 – Síntese

A utilização de uma base de dados confiável é necessária para detectar tendências, analisar indicadores, projetar demandas e também confere maior precisão e confiabilidade em modelos em geral. Foram elaboradas, nesta tese, compatibilizações de bases de dados do MME e do SCN que permitiram criar uma única base de dados para análise de aspectos energéticos. Desenvolveu-se aqui uma base de dados que, seguindo a classificação adotada pelo projeto Eficind, contém importantes variáveis para a realização de projeções da demanda energética do setor industrial no Brasil de uma forma desagregada.

A compatibilização das principais classificações econômico-energéticas utilizadas no país possibilita a atualização da base de dados única estabelecida na tese, incluindo dados econômicos e energéticos a serem divulgados futuramente pelo IBGE e MME. Tal

base de dados permite diversos outros tipos de análises econômico-energéticas em trabalhos futuros.

A elaboração da série de SAMs do Brasil permite trabalhar com dados confiáveis e com consistência macroeconômica, pois existe um fechamento das contas de todos os setores brasileiros, e também das contas do Brasil com o resto do mundo (ROW). As projeções das SAMs são realizadas através de uma matriz de participação dos componentes dos SAM’s no PIB. Isto assegura que as variáveis que compõem a SAM variem de forma consistente com o PIB.

O modelo integrado de equilíbrio geral e desagregação estrutural (MEG-DES), apresentado no capítulo 4, necessita de uma base de dados econômica e energética consistente e confiável para ser utilizado em simulações. Os choques realizados no módulo de equilíbrio geral, que implementam os cenários assumidos, são baseados nas matrizes de contabilidade social projetadas. Os resultados da utilização desta base de dados no modelo MEG-DES são apresentados no capítulo 6.