CAPÍTULO 1 A IMIGRAÇÃO JAPONESA PARA O BRASIL:
1.6 Kimiko e Ichiro: o descentramento do sujeito do Iluminismo
Kimiko sempre aceitou as verdades impostas pela sua família sem questionar, porque sempre acreditou nas origens fixas, puras e homogêneas de seus ancestrais; entrementes, a obediência e reverência sem contestação fazia parte de seu repertório de respeito como a passagem em que é intimada a retornar para casa:
“Kimiko
Venha para casa no feriado. Ordem de papai. A Terê pode Ficar se tiver provas na faculdade. Kunio”
30A fisionomia do japonês, e dos asiáticos em geral, tem sido um grande obstáculo para sua luta pela etnicidade.
Ao contrário de outros imigrantes ocidentais, tais como italianos, espanhóis, e mesmo os sírio-libaneses, a simples troca de nome não lhes permitiam transformar-se imediatamente em brasileiros. Mesmo falando o português, ou frequentando uma universidade, sua aparência era de um japonês (LESSER, 2001, p. 135).
31Resolvi manter em japonês o eufemismo usado para designar o estrangeiro ou alienígena, segundo o Dicionário Prático de Japonês-Português Michaellis (2007). Onde nasci, interior de São Paulo, cresci ouvindo gaijin como uma referência àqueles com descendência outra da japonesa. A conotação do vocábulo sempre foi
57 O bilhete de meu irmão mais velho era breve e impessoal, mas não precisava pensar duas vezes, porque, se havia duas pessoas no mundo a quem eu devia obediência e de quem tinha até um certo medo, essas pessoas eram papai e Kunio (HONDA-HASEGAWA, 1991, p.23).
Ao descrever as características do sujeito do Iluminismo32, o teórico Stuart Hall abre
um parênteses para observar o uso do pronome possessivo dele – a identidade dele – para designar este sujeito como sendo usualmente descrito como masculino (HALL, 2006, p. 11). Nesse sentido, explica-se a tentativa de aplicar as teorias de Rousseau sobre Emílio em Ichiro Terada, personagem masculino de Brazil-Maru. Ao transportar essa teoria “masculina” para Sonhos bloqueados, há uma certa tentação de transformar esse personagem masculino em feminino sob a pele da protagonista Kimiko. Essa tendência pode ser justificada pelo simples fato da personagem feminina ter sido “moldada” conforme os interesses de sua família, ou seja, a sua identidade sempre foi construída através das teorias patriarcais de seu pai e não de acordo com suas próprias vontades e habilidades.
― Na verdade, mandei a Kimiko mais para acompanhar a caçula que estuda na faculdade ― interrompeu papai naquele jeito autoritário e determinado. ― A Teresa é estudiosa, inteligente e vai ser farmacêutica; agora, a Kimiko é muito caseira, gosta de cozinhar, costurar...- e continuou enumerando todas as tarefas domésticas que eu sabia executar (HONDA-HASEGAWA, 1991, p. 24-25).
A suposta resignação ou conformidade com os clichês patriarcais é acompanhada por questionamentos que a protagonista prefere manter para si mesma. Mesmo o pai enumerando as qualidades domésticas da filha, ela sabe que não se resumem à lista do pai. Kimiko conseguiu encontrar uma saída profissional quando foi para São Paulo acompanhar a irmã; ser cabeleireira era sua nova aptidão. Porém, ela deixa de lado suas vontades para fazer as vontades do pai e do irmão mais velho. As regras e os princípios morais passados pela mãe foram basilares para que Kimiko aceitasse resignadamente as ordens do pai. O ponto negativo das práticas culturais e princípios morais passados de geração à geração fundamentados no
32 O sujeito do Iluminismo, o mesmo apregoado por Rousseau, concebia o indivíduo como centrado, unificado e
acima de tudo individualista; o sujeito sociológico era aquele indivíduo formado na interação entre o eu e a sociedade; e, por último, o sujeito pós-moderno cuja identidade é descentrada, fragmentada e móvel.
58 patriarcalismo, é que o leque de opões para as mulheres é praticamente restrito às atividades domésticas.
Dessa forma, cabe à Kimiko seguir o modelo de sua mãe ou seguir seus próprios instintos. “Pela primeira vez na vida, eu havia entrado no banho antes de todo mundo” (HONDA-HASEGAWA, 1991, p. 27). O banho pode parecer uma atitude espontânea e sem regras, mas, na cultura japonesa é bem diferente. Tempos outrora, o povo japonês tinha o costume de preparar o ofurô, uma banheira japonesa que consistia em encher uma tina com água, a qual era esquentada. Para entrar no ofurô havia uma regra: primeiro o pai, os filhos e por último a mãe. Assim, a sensação de quebrar a regra para Kimiko foi uma experiência única.
Já no romance Brazil-Maru, esse simples ato de violar as regras debilita o conceito de sujeito racional constituído por uma identidade fixa e unificada. Apesar de a identidade de Kimiko ter sido construída sobre as bases patriarcais, sua identidade não é fixa. Ela permanece em processo de andamento e construção, buscando a identidade para os diversos eus existentes em uma unidade.
Emiru33 foi o apelido que Ichiro Terada recebeu por ser um dos escolhidos para a experiência de “Emílio”, na nova empreitada da comunidade Esperança, em Brazil-Maru. Mizuoka seria o mentor dos jovens, e, segundo ele, a criação da nova civilização deveria ser eregida sobre o cultivo da mente e do espírito. Os jovens de Esperança começaram a estudar sobre as diversas áreas do conhecimento, tais como, literatura, filosofia, história, além das aulas de pintura e leituras de poemas japoneses. Mizuoka conseguiu construir uma vasta biblioteca com um acervo de obras em diversas línguas, cujas traduções e interpretações eram elaboradas por ele mesmo.
Ichiro acreditava que a educação formal e a base das ideias de Kantaro eram frutos das longas conversas que ele teve com o mestre Mizuoka. A extrema admiração por Kantaro fazia com que Ichiro seguisse os ensinamentos com muita dedicação; a devoção de Ichiro por Kantaro foi germinada durante a viagem do Japão para o Brasil por causa da câmera fotográfica Carl Zeiss e solidificada pela imagem do cowboy: “Para minha mente infantil,
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Devido à dificuldade dos japoneses pronunciarem o fonema “l”, o nome “Emile” acaba sendo pronunciado como “Emiru”.
59 Kantaro Uno era um herói fantástico no cavalo branco, e parecia impossível alguém resistir a tão maravilhosa imagem”34 (YAMASHITA, 1992, p. 33).
O mito americano do herói, o cowboy, no século XX tem sido perpetuado desde as interpretações do ator estadunidense John Wayne, que imortalizou a figura do cowboy nas telas do cinema. Daí, a imagem estereotipada desse herói americano passou a ter um perfil incontestável e invejável, principalmente para os olhos de uma criança:
[...] ele é alto, forte, tem as pernas arcadas de montar a cavalo, seu rosto é queimado do sol, as rugas em torno dos olhos comprovam seu estilo de vida, constantemente exposto às intempéries. Ele é um homem que só se sente à vontade ao ar livre [...]. Como também se sabe, um caubói e seu cavalo são inseparáveis, sendo que o último possui inteligência quase humana (TORRES, 2007, p. 98-99).
A excessiva admiração de Ichiro por Kantaro contribuía para aumentar os ciúmes e indignação de seu melhor amigo Saburo Uno, o qual sempre foi um pouco irônico ao tecer comentários sobre o irmão mais velho. Opostamente a Ichiro, Saburo era contrário às atitudes e ideias excêntricas de Kantaro. O sonho de Saburo era poder algum dia sair de Esperança para conhecer o Brasil de verdade. O país, segundo ele, era muito grande e deveria ser explorado ao máximo. Esperança era apenas um pequeno ponto escuro num vasto território. Saburo desejava conhecer o resto do Brasil, e Ichiro não conseguia entender este significado: “Eu não entendia o que Saburo queria dizer sobre o resto do Brasil”35 (YAMASHITA, 1992,
p. 69).
A comunidade Esperança, como muitas outras, fechava-se em imaginárias fronteiras que eram atravessadas apenas por alguns. Para aqueles que se mantinham confinados a comunicação com outras comunidades era esporádica; a cidade mais próxima era Santa Cruz d‟Azedinha, a qual só era visitada para compras de medicamentos e suprimentos diversos, mas também, muito ocasionalmente, já que tinham tudo que precisavam em Esperança. A língua falada era o japonês; como a maioria não tinha contato com os nativos brasileiros, não sentiam a necessidade de aprender o português, e assim, ignoravam o resto do Brasil. Este
34To my boyish mind, Kantaro Uno was a marvelous hero on a white horse, and it seemed impossible that
anyone could resist that wonderful image.
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60 mundo criado pela comunidade japonesa era o suficiente para muitos como Ichiro, mas, para Saburo não.
O encontro de etnias, de povos e, sobretudo, de culturas diferentes, implica um processo de transição que necessita fazer o “luto de origem”36, ou seja, o desligamento da
língua materna como uma forma de possibilitar o acesso a uma língua desconhecida . Esse “luto de origem”, necessidade de todo imigrante, deverá ser concebido como um ponto de partida, e não como um voltar-se para dentro; uma origem foi negada, mas tal atitude possibilitará novos recomeços e novas apropriações culturais. E, como todo processo de recomeço, há perdas, mas não perdas absolutas, já que há trocas entre os distintos interlocutores. O trabalho do luto de origem é um dos eixos que marcam a construção identitária das Américas; outro fator significante é “a tentativa de reinvenção de outras matrizes identitárias e culturais” (BERND, 2003, p. 24). Dessa forma, os sujeitos diaspóricos podem se libertar do passado e recomeçar a reconstruir sua história e cultura.
Nesse sentido, Saburo que era um explorador por excelência, não se contentava em permanecer fechado nas terras de Esperança e ser um sedentário; ao contrário, ele sentia a necessidade constante de partir em busca de novos territórios , como uma forma de conhecer a si mesmo. Assim, Saburo, disposto a embarcar nessa nova aventura transcultural, decide ir para Palma, onde vive uma comunidade formada por imigrantes vindos da Letônia.
Conforme Ichiro, a empreitada de Saburo satisfazia ambas as partes; de um lado, Kantaro incentivou o irmão a seguir viagem, pois Saburo atrapalhava seus “negócios” em Esperança com seus questionamentos que culminavam em dúvidas entre os colonos sobre a sua liderança; por outro lado, Saburo estava realizando seu sonho de atravessar as fronteiras de Esperança e ter a oportunidade de saber e conhecer “o resto do Brasil”. Na visão de Saburo, era um desperdício passar toda a vida sedentarizado na comunidade como se ali fosse o único lugar habitável.
Kiyoshi Terada consegue, por sua vez, desconstruir a imagem de pertencer a uma comunidade fechada e isolada ao servir-se como uma ponte hídrida, um intérprete, entre os brasileiros e os japoneses. Sem sair do seu próprio espaço geográfico, Kiyoshi consegue valorizar a mistura cultural possibilitada pela sua popularização de “médico”. Com conhecimentos em farmácia e mesmo alertando a todos que não era um doutor de profissão,
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61 os colonos japoneses e os brasileiros de toda a região vinham à procura de suas orientações médicas. Entre os brasileiros, Kiyoshi era conhecido como o “Doutor Terra”, um trocadilho linguístico com seu sobrenome Terada. Popularizado e famoso por não cobrar nada, principalmente de famílias pobres, pelas “consultas” e medicamentos, Kiyoshi era pago com serviços voluntários em suas terras e presenteado com diversos produtos alimentícios.
Além desse trabalho voluntário e inconsciente de transculturação, Kiyoshi sempre se conscientizou da importância do relacionamento social com os brasileiros fora da comunidade. Na sua visão, o Brasil, devido à sua fusão racial, era imaginado como um espaço que possibilitava maior tolerância, pluralidade e aceitação das diferenças em todos os sentidos: etnia, religião, classe social, cultura, entre outros. Assim, Ichiro, incentivado pelo pai, começa também a escolarizar-se em português, aprende a ler e a escrever em língua portuguesa. A alfabetização bilíngue – português e japonês – possibilita o trânsito confortável de Ichiro nas duas culturas; fato que lhe garante um grande respaldo perante os demais colonos que apenas sabiam o japonês.
Nas palavras de um Ichiro adulto, ele agradece e reconhece, enfim, o significado das palavras de seu pai:
[...] Sou grato ao meu pai por isso. Ele me incentivou a adquirir as ferramentas para se viver num novo país, um país o qual ele sempre soube e eu passei a perceber seria o único lugar que chamaria de lar. “O Brasil é um rico, maravilhoso lugar para construir um lar”, ele diria. “ Nós somos afortunados por sermos recebidos em tal país. É de nossa responsabilidade dar algo em troca.” Quando reflito sobre estas coisas agora, percebo que meu pai enxergava além de Esperança, que me parecia ser o mundo todo37
(YAMASHITA, 1992, p. 71).
Aos dezenove anos Ichiro perde o seu pai, morto numa queda de cavalo. A presença de diversas famílias brasileiras que vieram de toda região prestar sua última homenagem a Kiyoshi Terada causou surpresa aos colonos de Esperança. Muitos nem imaginavam o quanto ele havia feito não só por Esperança, mas pelos brasileiros de toda a região. Nem mesmo Ichiro imaginava que seu pai tinha realizado tanto trabalho durante todos esses anos no Brasil.
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I am grateful to my father for this. He urged me to get the tools to live in a new country, a country which he knew and I began to realize would be the only place I would ever call home. “Brazil is a rich, wonderful place to make a home,” he would say. “We are very afortunate to be welcome in such a country. It is our responsability to give it something in return.” When I reflect upon these things now, I realize that my father saw beyond Esperança, which seemed to me to be entire world.
62 Imaturo e inexperiente, Ichiro não soube lidar com a nova realidade: dar continuidade aos negócios da família e assumir o papel de responsável pela casa. Mesmo sendo cobrado a assumir a responsabilidade de cuidar da mãe e dos irmãos, Ichiro decide se refugiar no rancho de Kantaro Uno. Segundo Ichiro, ele ainda era jovem demais para compreender toda a situação e tomar as responsabilidades de sua família.
O conceito do sujeito do Iluminismo que sustenta uma identidade fixa e estável é descentrado, dando lugar a um sujeito com uma identidade instável, inacabada e fragmentada. O resultado desse descentramento é a fragmentação do sujeito, ou seja, sua identidade inacabada abala as estruturas do seu mundo social. Nesse sentido, Ichiro não consegue assumir as suas responsabilidades como filho mais velho, preferindo se esconder sob as asas de Kantaro. O sujeito do Iluminismo permanece racional e estável até o inevitável surgimento do sujeito pós-moderno. Ao contrário do que parece, o descentramento do sujeito tem características positivas, uma vez que desarticula as identidades fixas e, em seguida, possibilita a articulação de novas identidades.
A necessidade de preencher a lacuna do natural é percebida na teoria de Rousseau, no momento em que Ichiro não consegue tomar o lugar do pai e dar sequência ao seu trabalho. A sua educação sempre foi teórica, conforme as leis da natureza e da razão. Ele jamais precisou agir ou tomar qualquer decisão; o desconhecido é algo que Ichiro prefere evitar e não confrontar. A iniciativa de ir para junto de Kantaro, apenas reforça que o experimento de Rousseau não condiz com a realidade social.
A devoção incondicional e admiração irracional depositadas em Kantaro não permite que Ichiro enxergue as artimanhas e o despotismo dele. O amigo Saburo Uno é quem o alerta sobre Kantaro: “Emiru,” Saburo ironizou, “Onde você tem estado? Fora, tentando fazer dinheiro para que Kantaro possa gastar nos seus sonhos pessoais? Quando você vai aprender?”38(YAMASHITA, 1992, p. 176). Saburo alerta Ichiro para partir de Esperança e
sair de perto de Kantaro, que sempre usou do seu carisma para persuadir a todos com trabalhos extenuantes em Esperança. Ichiro mesmo trabalhava noite e dia como motorista, levando mercadorias para São Paulo, além do próprio Kantaro que sempre estava viajando para aquela cidade.
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“Emiru,”Saburo chuckled, “where have you been? Out trying to make money so that Kantaro can spend it on his personal dream? When will you ever learn?”
63 Saburo revela a verdade sobre Akiko, por quem Ichiro havia se apaixonado. Ela também era uma vítima nas mãos de Kantaro. Ele planejou enviar Akiko para São Paulo com o pretexto de ela ser governanta da casa mantida por ele, mas, a verdade era que Kantaro a engravidara. Natsuko, amante de Kantaro, conhecia alguém que poderia realizar o aborto:
“Akiko, Akiko, “ Saburo repetiu. “Esqueça Akiko”.
“Eu não me importo com o que dizem. Eu vou levá-la comigo.”
Saburo começou a rir. “Emiru. Abra seus olhos. Todos sabem menos você.” “Sabe o quê?”
“Ela pertence à Kantaro. Foi por isso que ela partiu para São Paulo. Provavelmente aquela Natsuko conhecia alguém...para fazer o aborto.”39(YAMASHITA, 1992, p. 177).
Akiko foi apenas uma entre outras vítimas que Kantaro fez em Esperança, e pela primeira vez Ichiro começou a perceber a vida ilusória na qual tentou acreditar como sendo a melhor. Não era apenas por causa de Akiko, mas por ter perdido a fé em Kantaro que Ichiro passou a enxergar a vida de forma diferente.
Jean-Jacques Rousseau na sua obra Emílio ou Da Educação (1995) parte do princípio de que “todo homem é bom por natureza”; nesse sentido a sua proposta educativa é permitir que esse homem natural conviva com a sociedade corrupta. Embora convivendo com Kantaro, Ichiro não se deixa contaminar pelas tiranias e egoísmo dele. O lado natural e bom de Ichiro também é percebido por Haru:
Tsuruta foi pegar, mas Befu correu em volta da mesa, empinando o calhamaço como uma criança irritante com uma bola. Todos estavam rindo. Befu jogou o calhamaço para outro que por sua vez o jogou para outro. Tsuruta correu feito bobo atrás do calhamaço até que caiu nas mãos de Ichiro Terada. Os olhos tristes de Tsuruta imploraram. Eu pude perceber uma onda de vergonha invadir Ichiro, que segurou o calhamaço até Tsuruta pegá-lo agradecido. Todos zombaram e bateram nas orelhas de Ichiro, mas eu o agradeci silenciosamente. Desde então, eu tenho apreciado aquele garoto. Bem, Ichiro não é mais um garoto40 (YAMASHITA, 1992, p. 85).
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“Akiko, Akiko,” Saburo repeated. “Forget Akiko.” “I don‟t care what they say. I‟m going to take her away with me.” Saburo began to laugh. “Emiru. Open your eyes. Everyone knows but you.” “Knows what?” “ She belongs to Kantaro. That‟s why she went to São Paulo. Probably that Natsuko knew someone...to do the abortion.”
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Tsuruta came forward, but Befu ran around the table, prancing about with the binder like a teasing child with a ball. Everyone was laughing. Befu tossed the binder to another who in turn tossed it away to someone else.
64 As atitudes de Ichiro Terada sempre o revelavam como uma pessoa de caráter bom, parecendo muitas vezes ser inocente demais. Após a morte de Saburo, Ichiro descobre o desvio de dinheiro realizado por Kantaro todos aqueles anos, culminando na falência e na segregação dos colonos de Esperança. A partir daí, Kantaro é obrigado a deixar a comunidade, levando consigo mais de cem pessoas.