1994 1997 fase crônica indeterminada
4 LABQUEST – LABTEST
na janela paresternal esquerda, corte apical cinco câmaras, pelo Doppler da via de saída do ventrículo esquerdo. O diâmetro da aorta e do átrio esquerdo foram mensurados no modo bidimensional, na janela paresternal direita, eixo transversal, plano dos vasos da base, e posteriormente foi calculada a relação átrio esquerdo/aorta.
Por meio da ecocardiografia Doppler, foram identificados os fluxos sangüíneos no coração, grandes vasos e quantificados quanto à direção, velocidade e turbulência, estabelecendo a presença ou ausência de insuficiência valvar decorrente de regurgitações (MÖISE, 1988, 1994; BOND, 1991; HENIK, 1995; KIENLE & THOMAS, 1995).
A função diastólica do miocárdio foi analisada pelos parâmetros ecocardiográficos de TRIV, relação das ondas E/A do fluxo mitral e observação dos padrões de relaxamento miocárdico.
2.7- Forma de análise dos resultados
As variáveis temporais eletrocardiográficas convencionais e hematimétricas foram submetidas à análise de variância (ANOVA), e suas médias anuais, comparadas, entre os anos de 1997 a 2004, pelo teste de Tukey, com 95% de probabilidade.
Os resultados obtidos estão apresentados sob as formas dissertativas, gráficas e tabelas, com a finalidade de demonstrar a evolução da Doença de Chagas, com base nas variáveis analisadas.
As análises eletrocardiográfica dinâmica (sistema Holter), bioquímico–séricas e ecodopplercardiográfica foram realizadas utilizando as médias dos 7 animais
sobreviventes, em um único período (2004), sob a forma descritiva, buscando caracterizar sob esses aspectos a cardiomiopatia chagásica crônica.
O programa utilizado para análise estatística foi o Graphpad Instat® versão 3.05
para Windows 95/NT, desenvolvido pela Graphpad Software®, San Diego, Califórnia
(2000).
3.0- RESULTADOS
Os resultados obtidos no presente ensaio estão apresentados distintamente em duas partes. A primeira refere-se aos parâmetros eletrocardiográficos e hematimétricos avaliados durante o período de 1997 a 2004. A segunda parte engloba os achados ecodopplercardiográficos, eletrocardiográficos dinâmicos (sistema Holter) e bioquímico- séricos, dos 7 cães portadores da cardiomiopatia chagásica crônica, em um único período, correspondente a 10 anos pós-infecção experimental (2004).
3.1- Avaliação da evolução dos parâmetros eletrocardiográficos e
hematiméricos (1997/2004)
3.1.1- Eletrocardiografia
As variáveis eletrocardiográficas avaliadas e que incluíram amplitude de onda P (PmV), duração da onda P (Pseg), intervalo PR (PR), intervalo QT (QT), amplitude do complexo QRS (QRSmV), duração do complexo QRS (QRSseg), freqüência cardíaca
(FC) e eixo ventricular médio estão representadas na Tabela 1, com respectiva análise comparativa entre os anos, utilizando-se do teste de Tukey, com 95% de confiabilidade. Os ritmos observados durante o período de avaliação foram organizados em tabela, contendo o número total e percentual de ocorrência, assim como retratados descritivamente.
Tabela 1: Médias dos valores eletrocardiográficos amplitude de onda P (PmV), duração da onda P (Pseg), intervalo PR (PR), intervalo QT (QT), amplitude do complexo QRS (QRSmV), duração do complexo QRS (QRSseg), freqüência cardíaca (FC) e eixo ventricular médio (eixo), obtidas de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada, ao longo dos anos de 1997 a 2004. Jaboticabal-SP, 2006.
Ano P mV Pseg PR QRSmV QRSseg QT FC Eixo
1997 0,1692de 0,0356a 0,0997bc 0,9810ab 0,0526ab 0,1860a 127a 50,5286cb 1998 0,1911bcd 0,0374a 0,1016abc 0,9294b 0,0513ab 0,1885a 123a 50,8729b 1999 0,1748cde 0,0366a 0,0974c 0,8924cb 0,0516ab 0,1868a 129a 49,1121cb 2000 0,2245 a 0,0357a 0,1027abc 1,1347a 0,0503ab 0,1929a 119a 47,7817cb 2001 0,1812bcde 0,0365a 0,1038abc 0,7432c 0,0555a 0,1943a 125a 36,9675c 2002 0,1625e 0,0361a 0,1069a 0,7426c 0,0514ab 0,1895a 122a 49,1714cb 2003 0,2015abc 0,0346a 0,1062ab 1,1000a 0,0488bc 0,1861a 120a 55,4833ab 2004 0,2071ab 0,0357a 0,1071a 1,0429ab 0,0429c 0,1929a 131a 66,1429a Média 0,1879 0,0362 0,1025 0,9252 0,0517 0,1897 124 47,9262 CV (%) 20,60 13,73 9,06 24,04 16,67 7,40 14,77 40,54
Letras minúsculas: comparação entre médias da mesma coluna. Quando seguidas de mesma letra, não diferem pelo teste de Tukey, a 95% de probabilidade; CV - coeficiente de variação.
3.1.1.1- Amplitude da onda P (PmV)
Os valores médios da amplitude da onda P, obtidos de cães chagásicos crônicos, explicitados na Tabela 1 e representados na Figura 2, não apresentaram diferença estatística significativa entre os anos de 1997 a 1999 (p ≥ 0,05). Aumento significativo desta variável foi observado no ano de 2000, em relação aos três anos iniciais (p ≤ 0,05), descendendo até seu valor médio mínimo (0,1625mV), no segundo
ano subseqüente (2002).
Novo incremento, nos valores médios da milivoltagem da onda P dos cães chagásicos crônicos, foi observado em 2003 e 2004, de forma semelhante ao ano de 2000 (p ≤ 0,05). O teste F da análise de variância demonstrou interação cão*ano (p ≤
0,05) em relação à variável analisada, mostrando que o comportamento da mesma, ao longo do tempo, é dependente do cão.
Amplitude da onda P 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) m V
Figura 2. Representação gráfica dos valores médios da amplitude da onda P (PmV), em milivolts (mV), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada.Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.1.2- Duração da onda P (Pseg)
O teste de Tukey não detectou diferença estatística significativa na duração média da onda P de cães portadores crônicos de cardiomiopatia chagásica, nos anos de 1997 a 2004 (p ≥ 0,05); entretanto, diferença foi apontada pelo teste F da Anova (P ≤ 0,05). Os valores médios da duração da onda P estão na Tabela 1 e representados na Figura 3. (s )
Duração da onda P
0 0,01 0,02 0,03 0,04 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos)Figura 3. Representação gráfica dos valores médios da duração da onda P (Pseg), em segundos (s), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.1.3- Intervalo PR
A análise estatística empregada demonstrou pequenas diferenças entre os intervalos PR anuais médios dos cães chagásicos crônicos, durante o período experimental, com maior discrepância entre os anos de 1999 e os anos de 2002 a 2004 (P ≤ 0,05). O intervalo PR médio 0,0974 seg, obtido dos referidos cães no ano de 1999, foi o menor entre os registrados, porém apenas diferente estatisticamente dos valores obtidos dos mesmos animais nos anos de 2002, 2003 e 2004, cujos valores médios foram 0,1068; 0,1062 e 0,1071 seg, respectivamente. Os anos de 2002 e 2004 também diferiram do ano de 1997 no que concerne às médias anuais dos intervalos PR de cães chagásicos crônicos, com 95% de confiabilidade no teste de Tukey. Os valores médios dos intervalos PR estão ilustrados na Tabela 1 e representados graficamente na Figura 4.
Figura 4. Representação gráfica dos valores médios do intervalo PR, em segundos (s), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal- SP, 2006. Intervalo PR 0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (s )
3.1.1.4- Amplitude do complexo QRS (QRSmV)
Não foi detectada diferença estatística, pelo teste de Tukey, nos três primeiros anos de avaliação, na amplitude média dos complexos QRS (p ≥ 0,05), adquiridos de cães com cardiomiopatia chagásica, em sua fase indeterminada. No ano de 2000, foi registrado o maior valor médio dessa variável, a qual diferiu dos anos de 1998, 1999, 2001 e 2002 (P ≤ 0,05). As amplitudes anuais médias dos complexos QRS, nos anos de 2001 e 2002, destacaram-se por serem estatisticamente iguais (p ≥ 0,05) e inferiores aos demais anos (P ≤ 0,05), exceto 1999. Os valores anuais médios estão exibidos na Tabela 1 e representados graficamente na Figura 5.
Entretanto, mesmo com as médias anuais dentro dos padrões de normalidade para a espécie, é importante relatar a prevalência individual de supressão de milivoltagem da onda R (figura 8A). Dois animais (15,4%) apresentaram valores anuais médios inferiores a 0,5mV, nos anos de 1997 a 2000. Nos dois anos subseqüentes, três animais obtiveram a mesma anormalidade, perfazendo percentual de 23% e 27,3% nos anos de 2001 e 2002, correspondentes. A prevalência deste achado eletrocardiográfico foi menor nos anos de 2003 e 2004, correspondendo, respectivamente, a 10% e 14,3%.
Figura 5. Representação gráfica dos valores médios da amplitude dos complexos QRS, em milivoltagem (mV), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal- SP, 2006. Amplitude do complexo QRS 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (m V )
3.1.1.5- Duração do complexo QRS (QRS seg)
Os valores médios anuais das durações dos complexos QRS, obtidos de cães com cardiomiopatia chagásica crônica em fase indeterminada, não apresentaram diferença estatística significativa quando foram comparados os anos de 1997 a 2002 (p ≥ 0,05). Entretanto, no ano subseqüente (2003), o valor médio dessa variável, obtido dos mesmos animais, destoou de forma inferior, apenas do ano de 2001 (P ≤ 0,05), sem diferença estatística dos valores obtidos nos demais anos avaliados (p ≥ 0,05). No último ano (2004), o valor médio da duração dos complexos QRS foi inferior aos anos de 1997 a 2002 (p ≥ 0,05), não diferindo apenas do ano de 2003.
Os valores anuais médios da duração dos complexos QRS, registrados de cães com cardiomiopatia chagásica crônica em fase indeterminada, e representação gráfica estão expostos na Tabela 1 e Figura 6, respectivamente.
Duração do complexo QRS 0 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (s )
Figura 6. Representação gráfica dos valores médios da duração dos complexos QRS, em segundos (s), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.1.6- Intervalo QT (QT)
Durante o período de 1997 a 2004, não foram registradas diferenças estatísticas entre os valores médios anuais dos intervalos QT, adquiridos de cães cronicamente infectados pelo T. Cruzi, pelo teste de Tukey, com 95% de confiança. As médias anuais dos intervalos QT variaram de 0,1860 a 0,1943 segundos (tabela 1). A representação gráfica dos valores anuais médios, ao longo do tempo, está exposta na Figura 7.
Intervalo QT 0 0,05 0,1 0,15 0,2 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (s )
Figura 7. Representação gráfica dos valores médios da duração intervalos QT, em segundos (s), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.1.7- Freqüência Cardíaca (FC)
As freqüências cardíacas médias, dos cães chagásicos crônicos mantiveram-se constantes durante os anos de 1997 a 2004, quando comparadas pelo teste de Tukey, com 95% de probabilidade. Os valores anuais médios máximos e mínimos correspondentes a 119 e 131 batimentos por minuto foram obtidos, respectivamente, nos anos de 2000 e 2004 (Tabela 1 e Figura 8).
Freqüência cardíaca (FC) 0 50 100 150 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) b p m
Figura 8. Representação gráfica dos valores médios de freqüência cardíaca, em batimentos por minuto (bpm), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.1.8- Eixo ventricular médio (Eixo)
A avaliação dos eixos ventriculares médios de cães com cardiomiopatia chagásica crônica, obtidas ao longo do tempo, demonstrou valores constantes até o ano de 2001, onde foi observado desvio do eixo para a esquerda em relação aos anos de 1998, 2003 e 2004 (P ≤ 0,05). No ano de 2004, o eixo ventricular médio desses cães estava desviado para a direita quando comparado aos demais anos, exceto ao ano de 2003, que obteve valor equiparado, quando analisado estatisticamente (Tabela 1).
3.1.1.9- Ritmos
Na avaliação dos ritmos cardíacos, observou-se predominância de arritmia sinusal respiratória (ASR) dos cães em todos os anos avaliados, com percentagem de ocorrência oscilando de 49,5% a 67% (Figura 9A). O número e a percentagem de ocorrência dos ritmos cardíacos estão dispostos sob a forma de tabela (Tabela 2).
No ano de 1997, 49,5% das observações eletrocardiográficas dos cães chagásios crônicos foram caracterizadas por ASR e apenas 14,3% por ritmo sinusal normal (RSN). Neste mesmo ano, 16 registros eletrocardiográficos (17,6%) apresentavam taquicardia sinusal (TS).
Em 1998, a alta incidência de ASR (53,7%) se manteve, enquanto diminuição na ocorrência de RSN (7,2%) foi observada no eletrocardiograma dos cães infectados cronicamente com T. cruzi. Proporção semelhante ao ano anterior foi percebida quanto à TS (12,6%), entretanto as primeiras ocorrências de contrações ventriculares (5,4%) e atriais (0,6%) prematuras isoladas foram registradas. Marcapasso migratório (MM) esteve presente em 14,5% das observações neste ano de avaliação.
No ano de 1999, os ritmos cardíacos dos cães avaliados mantiveram-se estáveis, porém sem a presença de contrações atriais prematuras e com decréscimo de RSN (3,8%). Um eletrocardiograma (0,7%) registrou bloqueio atrioventricular (BAV) de primeiro grau, pela primeira vez neste estudo.
No ano seguinte (2000), incidência crescente de BAV de primeiro grau foi demonstrada (3,7%) em relação ao ano anterior. Redução na ocorrência de contrações ventriculares prematuras (1,2%) e primeiro registro de um caso de sinus arrest (0,6%),
neste experimento, foram observados nos eletrocardiogramas dos cães. Os demais ritmos não apresentaram importante variação no referido ano de avaliação.
A crescente incidência de BAV de primeiro grau (4,4%) também foi notada em 2001. Neste ano, um caso de BAV de segundo grau, Mobtiz tipo I e um Mobtiz tipo II foram observados de forma única durante o período experimental, representando apenas 0,7% dos registros, individualmente. Não ocorreram CVP nos eletrocardiogramas dos cães chagásicos crônicos, no ano de 2001.
Consistente incremento nas observações de BAV de primeiro grau foi facilmente perceptível em 2002. No mesmo período, alto valor percentual de ASR (67%) foi constatado. Em 2003, o BAV de primeiro grau teve seu maior valor percentual registrado (8,3%), entre os anos de 1997 a 2003.
No ano de 2004, 57,1% dos eletrocardiogramas registraram ASR e 28,6% de TS, sem observação de outro tipo de ritmo.
3.1.1.10-Distúrbios de condução elétrica do coração (DCEC)
O principal distúrbio de condução elétrica do coração, registrado nos eletrocardiogramas dos cães com cardiomiopatia chagásica crônica, foi o bloqueio de ramo direito (BRD), ilustrado na Figura 9B. Em menores proporções, ocorreram distúrbios de condução ventricular (Figura 9D), principalmente nos anos de 2001 a 2003, onde as prevalências deste achado, nos eletrocardiogramas dos cães, foram 3,1%, 2,9%, 2,6% e 7%, respectivamente (Tabela 2).
A prevalência de BRD, obtida a partir de eletrocardiogramas de cães com cardiomiopatia chagásica em fase crônica indeterminada, manteve-se constante entre os anos de 1997 a 2001, variando apenas de 7,7% a 13%. Entretanto, baixa incidência de tal parâmetro foi registrada no ano de 2002 (1,7%), com ausência de ocorrência em cães submetidos à eletrocardiografia, nos anos de 2003 e 2004.
Tabela 2: Número (n) e percentagem de ritmos e distúrbios de condução elétrica do coração, registrados em eletrocardiograma de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos cronicamente infectados, durante o período de oito anos (1997-2004). Jaboticabal-SP, 2006
RSN – ritmo sinusal normal; ASR – arritmia sinusal respiratória; MM – marcapasso migratório; BRD – bloqueio de ramo direito; BAV 1° - bloqueio atrioventricular de primeiro grau; BAV 2° I - bloqueio atrioventricular de segundo grau mobitz tipo I; BAV 2° II - bloqueio atrioventricular de segundo grau mobitz tipo II; TS – taquicardia sinusal; DCV – distúrbio de condução ventricular; CPA – contração prematura atrial; CPV – contração prematura ventricular; SA – sinus arrest; DCEC – distúrbios de condução elétrica do coração.
1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Ritmo n % n % n % n % n % n % n % n % RSN 13 14.3 12 7.2 5 3.8 12 7.5 6 4.4 11 9.3 4 5.6 0 0 ASR 45 49.5 89 53.7 74 54.8 102 63.4 75 54.3 79 67 45 62.5 4 57.1 MM 9 9.8 24 14.5 14 10.3 13 8.1 10 7.2 6 5 5 7 0 0 BAV 1° 0 0 0 0 1 0.7 6 3.7 6 4.4 7 6 6 8.3 1 14.3 BAV 2° I 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0.7 0 0 0 0 0 0 BAV 2° II 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0.7 0 0 0 0 0 0 TS 16 17.6 21 12.6 25 18.5 11 6.8 17 12.4 8 6.8 6 8.3 2 28.6 CPA 0 0 1 0.6 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 CPV 0 0 9 5.4 6 4.4 2 1.2 0 0 1 0.8 1 1.3 0 0 SA 0 0 0 0 0 0 1 0.6 0 0 1 0.8 0 0 0 0 DCEC BRD 7 7.7 10 6 10 7.5 9 5.6 18 13 2 1.7 0 0 0 0 DCV 1 1.1 0 0 0 0 5 3.1 4 2.9 3 2.6 5 7 0 0 31
Figura 9. Eletrocardiogramas obtidos a partir de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. A, demonstra supressão de amplitude da onda R (setas), arritmia sinusal respiratória e bloqueio atrioventricular de primeiro grau (barras). B, mostra bloqueio de ramo direito. C, apresenta contração ventricular prematura (seta). D, chama a atenção para presença de distúrbio de condução ventricular e supressão de milivoltagem (setas). Jaboticabal-SP, 2006.
DII, velocidade 50 mm/s, sensibilidade N
DII, velocidade 50 mm/s, sensibilidade N
DII, velocidade 50 mm/s, sensibilidade N
DII, velocidade 50 mm/s, sensibilidade N
A
B
C
3.1.2- Hematimetria
As variáveis heritrocitárias avaliadas, Incluindo hematócrito, hemoglobina e hemácias, bem como as variáveis leucócitárias de leucócitos, linfócitos, neutrófilos (segmentados e bastonetes), eosinófilos, basófilos e monócitos estão representadas nas Tabelas 3 e 4, com respectiva análise comparativa entre os anos, utilizando-se do teste de Tukey, com 95% de probabilidade.
3.1.2.1- Eritrograma
Os parâmetros eritrométricos foram avaliados periodicamente, dentre os quais o hematócrito (%), hemoglobina (g/dL) e contagem de hemácias (106/µL). Desta forma, os valores médios anuais foram obtidos e comparados ao longo do tempo, por meio do teste de Tukey, ao nível de 5% de significância, os quais se acham explicitados na Tabela 3.
Tabela 3. Valores médios de Hematócrito (Ht), do teor de hemoglobina (Hb) e contagem de Hemácias (He) de treze cães adultos, fêmeas, portadores de Cardiomiopatia Chagásica Crônica em sua fase indeterminada, no período de 1997 a 2004. Jaboticabal-SP, 2006.
Letras minúsculas: comparação entre médias da mesma coluna. Quando seguidas de mesma letra, não diferem pelo teste de Tukey, a 95% de probabilidade; CV - coeficiente de variação. Hb e Ht foram transformadas pela expressão x+0,5
Ano Ht (%) Hb (g/dL) He (106/µL) 1997 42,5824b 15,8967abc 7485,9341ab 1998 44,8269b 16,4390ab 7206,2581abc 1999 46,4406b 15,6580abcd 7054,6154bcd 2000 45,4430b 15,0873bcd 6713,0282cd 2001 44,8903b 14,7150cd 6606,2903d 2002 43,5373b 14,3845d 6484,7273d 2003 45,4314b 15,0431cd 6708,6275cd 2004 51,5286a 16,6857a 7674,2857a Média geral 44,8970 15,3914 6912,0413 CV (%) 6,2257 6,0437 12,2748 34
3.1.2.1.1- Hematócrito
Os valores anuais médios de hematócrito, obtido das amostras sangüíneas de cães com cardiomiopatia chagásica, em sua fase crônica indeterminada, registrados neste experimento, variaram de 42,5824% no ano de 1997 a 51,5286% no ano de 2004 (Tabela 3 e Figura 10). Entretanto, apenas em 2004 foi percebido aumento significativo dos valores médios dessa variável em relação aos demais anos de avaliação (P≤0,05).
Figura 10. Representação gráfica dos valores médios de hematócrito, em percentagem (%), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
Hematócrito
0
10
20
30
40
50
60
1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
Tempo (anos)%
3.1.2.1.2- Hemoglobina
Os valores médios anuais de hemoglobina, obtidos de cães com cardiomiopatia chagásica crônica, mantiveram-se estatisticamente iguais no período de 1997 a 2000 (Tabela 3 e Figura 11). Nos anos de 2001 e 2003, as médias dos cães foram semelhantes para a variável em questão, porém inferiores aos anos de 1998 e 2004 (P≤0,05). Durante o ano de 2002, as análises sangüíneas resultaram no menor valor médio de hemoglobina, diferindo apenas dos anos de 1997, 1998 e 2004 (P≤0,05). No último ano de avaliação experimental, foi observado o maior valor neste parâmetro analisado, não distinguível aos três primeiros anos (P≥0,05), e superior aos demais anos (P≤0,05). Hemoglobina (Hb) 13 14 15 16 17 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (g /d L )
Figura 11. Representação gráfica dos valores médios de hemoglobina, em gramas por decilitros (g/dL), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal- SP, 2006.
3.1.2.1.3- Hemácias
Os valores anuais médios das contagens de hemácias (106/µL) de cães
cronicamente portadores de cardiomiopatia chagásica apresentaram padrão oscilante decrescente e crescente, facilmente observado na Figura 12 e Tabela 3. Assim, no ano de 1997, a contagem de hemácia dos cães foi de 7485,9341 x 106/µL, decrescendo de forma constante até se tornar estatisticamente diferente no ano de 2000 (P≤0,05).
Em 2001 e 2002, não houve diferença significativa na contagem de hemácias, assim como nos anos de 1999, 2000 e 2003 (P≥0,05), formando um platô inferior aos demais valores médios obtidos nos outros períodos de avaliação (P≤0,05). Nova ascensão é observada no ano 2003, e confirmada em 2004 onde, neste último, foi detectada a maior contagem de hemácia, à semelhança do ano de 1997 (P≤0,05).
Hemácias 5500 6000 6500 7000 7500 8000 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (1 06 /µ L )
Figura 12. Representação gráfica dos valores médios da contagem de hemácia (106/µL), durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.2.2- Leucograma
Os parâmetros leucométricos dos cães com cardiomiopatia chagásica experimental, em sua fase crônica indeterminada, foram avaliados no período de oito anos (1997 – 2004), cujos resultados revelaram valores anuais médios, passíveis de comparação pelo teste de Tukey, a 95% de confiança. Desta forma, os valores médios de leucócitos totais, linfócitos, neutrófilos segmentados e bastonetes, eosinófilos, basófilos e monócitos, assim como a comparação entre diferentes anos, estão apresentados na Tabela 4 e individualmente representados graficamente.
Tabela 4. Valores médios das contagens de Leucócitos totais, e dos percentuais de Basófilos (BAS), Eosinófilos (EOS), Neutrófilos bastonetes (NB), Neutrófilos segmentados (NS), Linfócitos (LINF) e Monócitos (MON) de treze cães adultos, fêmeas, portadores de Cardiomiopatia Chagásica Crônica em sua fase indeterminada, no período de 1997 a 2004. Jaboticabal-SP, 2006.
Letras minúsculas: comparação entre médias da mesma coluna. Quando seguidas de mesma letra, não diferem pelo teste de Tukey, a 95% de probabilidade; CV - coeficiente de variação. As variáveis LINF, NS, NB, EOS, BAS e MON foram transformadas pela expressão x+0,5
Ano Leucócitos (por µL) LINF NS NB EOS BAS MON
1997 11566,4835a 30,0440a 61,4835b 0,1868d 7,1758a 0,1429a 0,9341c 1998 10544,1935a 28,2244ab 63,6282b 0,4872cd 6,4167ab 0,0897a 1,3077bc 1999 9274,1958b 28,8112a 63,8252b 1,0000bcd 5,4685ab 0,0629a 0,7972c 2000 9510,5634b 23,1690bc 68,0141ab 1,8582abc 5,3169ab 0,0070a 1,5986bc 2001 12250,0000a 20,5968c 72,2258a 1,4758abc 4,1935b 0,0565a 1,5000bc 2002 9348,1818b 20,7364c 72,0545a 1,0909bc 4,0545b 0,0909a 1,9364ab 2003 9341,1765b 23,5490bc 66,0392ab 1,7843ab 5,7843ab 0,0000a 2,7843a 2004 12014,2857a 18,5714c 70,7143a 2,2857a 5,4286ab 0,1429a 2,8571a Média geral 10293,3293 25,1371 66,8095 1,1033 5,4490 0,0667 1,4454 CV (%) 26,3473 14,9537 7,2542 47,8500 33,8373 19,5624 39,6604 39
3.1.2.2.1- Leucócitos totais
O comportamento temporal da variável em questão pôde ser observado e caracterizado por dois momentos de queda em suas médias anuais (Tabela 4 e Figura 13). Tal descrição foi demonstrada em 1999, 2000, 2002 e 2003, não diferindo em suas médias, porém inferiores aos demais anos de experimentação (P≤0,05). Os períodos de 1997,1998, 2001 e 2004 não apresentaram diferença estatística significativa, ao teste empregado (P≥0,05). Leucócitos Totais 0 5000 10000 15000 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (/ µ L )
Figura 13. Representação gráfica dos valores médios de Leucócitos totais, em cada microlitro, durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.2.2.2- Linfócitos
As médias anuais dos três primeiros anos de avaliação, para os percentuais de linfócitos dos cães experimentais, não foram distinguíveis estatisticamente (P≥0,05). Decréscimo dessas médias pôde ser notado nos demais anos de avaliação, com especial importância nos anos de 2001, 2002 e 2004, quando comparado aos anos iniciais (P≤0,05). Os períodos de 2000 e 2003 tiveram valores intermediários e inferiores apenas aos anos de 1997 e 1999 (P≤0,05). A representação gráfica e tabulada pode ser conferida na Figura 14 e Tabela 4.
Linfócitos 0 10 20 30 40 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (% )
Figura 14. Representação gráfica dos valores médios da percentagem de linfócitos, durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.
3.1.2.2.3- Neutrófilos segmentados
O perfil crescente da percentagem de neutrófilos segmentados, obtida da análise de treze cães com cardiomiopatia chagásica crônica, teve início no ano 2000, após três médias anuais indiferenciadas (Tabela 4 e Figura 15). De forma consistente, novo incremento foi constatado em 2001, mantendo-se até 2002 e divergindo dos valores obtidos em 1997, 1998 e 1999 (P≤0,05). O platô de valores anuais médios, portanto, foi estabelecido entre o período de 2000 a 2004, equiparando-se ao período inicial de análise (1997 a 1999) somente nos anos de 2000 e 2003 (P≤0,05).
Neutrófilos Segmentados 20 30 40 50 60 70 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Tempo (anos) (% )
Figura 15. Representação gráfica dos valores médios da percentagem de neutrófilos segmentados, durante os anos de 1997 a 2004, obtidos de treze cães adultos, fêmeas, chagásicos crônicos em sua fase indeterminada. Jaboticabal-SP, 2006.