3.6 Processo produtivo e arranjo físico
3.6.2 Layout proposto
Observando o processo produtivo da empresa pensou-se em elaborar uma proposta de layout cujo fluxo pudesse, além de atender a produção atual, incluir um outro produto para manter a empresa ativa durante todo ano. Para tanto seria necessário investir em infraestrutura e máquinas de produção.
A proposta é incluir um buffet colonial com máquina de café expresso e chocolate quente para acompanhar a venda de produtos coloniais comprados diretamente da origem, sempre de acordo com a demanda.
A proposta do novo layout visa a facilitar o processo produtivo da empresa, a fim de que haja um fluxo harmonioso no local, que traga produtividade, principalmente quanto à concentração das áreas por segmentos. Com isso, a matéria prima seria processada seguindo um fluxo produtivo, o que garante boa movimentação no setor de produção.
A Figura 18, a seguir, apresenta esta nova proposta de layout do setor de produção e estoque de matéria prima.
Figura 18. Layout da produção e estoque de matéria prima
Fonte: elaboração conjunta com Edimar, acadêmico da Engenharia Mecânica (2017).
O layout da produção e estoque da matéria prima apresenta a área de produção, estoque, área de limpeza e cura. Toda a matéria prima entra pela parte de trás da empresa, onde está armazenado o estoque. Propôs-se que o escritório esteja junto a esta área, pois o controle de matéria prima na entrada permite registrar e controlar todo o material de entrada, buscando controlar os gastos de matéria prima na produção.
Outra sugestão de alteração no layout refere-se à organização das máquinas para que estejam concentradas num fluxo harmonioso sequencial de produção. Com vistas à aplicação do sistema just in time removeu-se para venda aquelas máquinas que não estavam em atividade, o que aumentará o espaço no setor. O just in time só poderá ser implantado na empresa em produtos sob encomenda, o que permitirá um melhor controle no estoque de material. A venda dos produtos no local ocorre pelo sistema “empurrado”, por isso deve-se manter o estoque de matéria prima na empresa.
A sequência de produção ficou da seguinte maneira: a matéria prima é desembarcada no estoque, e verificado via sistema o pedido do produto (sorvete ou picolé) com respectivo sabor. O responsável administrativo controla os casos em que o produto é sob encomenda ou se é para produção interna. Quando para encomenda a empresa produz somente o necessário para atender o pedido; caso seja para venda interna no local passa a haver o controle de produtos fabricados, ou seja, é necessário saber se o produto existe em estoque e em que quantidade. Se a quantia estocada é mínima é preciso encaminhar pedido de produção, em que o responsável pela produção recebe o pedido e o encaminha à produção, seguindo a determinação dos sabores. Na sequência o responsável organiza as matérias primas que serão utilizadas, colocando os principais ingredientes no pasteurizador, onde permanecem em mistura durante 2h30min e, após, vão para a tina de maturação, lá permanecendo por cerca de 12 a 24 horas. Depois disso define-se a produção de acordo com o pedido, ou seja, se for produzido na máquina de sorvete descontínua ou na continua. No primeiro caso é necessário que o produto siga da tina de maturação até o liquidificador para misturar os sabores, enquanto na contínua o processo é realizado junto na máquina. Após esse processo o produto sorvete é colocado no balde ou na embalagem identificada com a data de validade no estoque. Esse processo segue conforme o pedido, que também define se o produto vai para câmara fria ou se continua na produção de picolés. Se o pedido solicitar a produção de picolés, o sorvete líquido vai para a picolezeira e é colocado nas formas e depois congelado. Após o tempo determinado, retira-se os picolés que vão para embaladora, e depois para o estoque na câmara fria.
Para a área de câmara fria propôs-se uma alteração com a intenção de facilitar o embarque e o desembarque dos produtos, principalmente na entrada e saída do local. No atual sistema a entrada e saída no ambiente são mais frequentes, enquanto que a nova proposta de layout sugere portas mais largas a fim de melhor controlar os produtos. A intenção é adaptar um sistema controlado via computador, em que os sabores são separados cada um em seu devido local. A forma de movimentação é automatizada, ou seja, o produto que for selecionado no sistema é o que sairá pela porta, o que reduz a entrada e saída no ambiente gelado, bem como reduz o espaço físico e melhora o carregamento no caminhão.
O produto que sai para venda interna deverá ser controlado em um local específico definido para dar baixa no sistema. Para a limpeza e organização dos baldes usados sugere-se uma peça específica somente para esta função, o que permitirá a sua aproximação com as demais áreas e facilitará o fluxo de pessoas.
A Figura 19, a seguir, apresenta uma proposta de layout do local de venda dos produtos ao consumidor.
Figura 19. Layout da recepção local de venda com proposta
Fonte: elaboração conjunta com Edimar, acadêmico da Engenharia Mecânica (2017).
A proposta do novo layout visa fazer melhorias na área de recepção e vendas. Como no atual sistema a produção se encerra no inverno, a intenção é manter a empresa aberta durante todo o ano. Para tanto, o consumo de sorvete e picolé pode ser substituído pelo buffet colonial, com café expresso e chocolate quente em suas diversas modalidades.
3.6.3 Ergonomia
A visita in loco realizada à empresa também permitiu observar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como roupas de frio, jalecos, luvas, botas isolantes e touca, os quais devem ser usados pelos trabalhadores no local.
A exposição ao ambiente gelado costuma ser de, no máximo, 15 minutos, porém não se observou a existência de alarmes ou sistema comunicação no interior das câmaras frias, tampouco a indicação de tempo máximo de permanência no ambiente. Naquele local a temperatura costuma ser de -20°C.
A norma NR-36 (ABNT, 2003), no item 36.2.10.1, especifica que as câmaras frias devem possuir dispositivo que possibilite a abertura das portas pelo interior sem muito esforço, e alarme ou outro sistema de comunicação que possa ser acionado pelo interior, em caso de emergência. Ademais, o item 36.2.10.1.1 especifica que as câmaras frias cuja temperatura for igual ou inferior a -18º C devem possuir indicação do tempo máximo de permanência no local.
Já a NR-17 (ABNT, 2007), item 17.5.1, especifica que as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado.
Observa-se, ainda, a movimentação da organização da empresa quanto à instalação de máquinas e fluxo produtivo. Quanto ao estoque de matéria prima, embarque e desembarque no transporte, a norma NR-36 (ABNT, 2013), no item 36.2.5, especifica que as dimensões dos espaços de trabalho devem ser suficientes para que o trabalhador possa movimentar os segmentos corporais livremente, de forma segura, de maneira a facilitar o trabalho, reduzir o esforço do trabalhador e não exigir a adoção de posturas extremas ou nocivas.
A norma NR-12 (ABNT, 2015), no item 12.8.2, especifica que as áreas de circulação e armazenamento de materiais e os espaços em torno de máquinas devem ser projetados, dimensionados e mantidos de forma que trabalhadores e transportadores de materiais, mecanizados e manuais, movimentem-se com segurança.
E, finalmente, a norma NR-36 (ABNT, 2013), no item 36.4.1, especifica que o empregador deve adotar meios técnicos e organizacionais para reduzir os esforços nas atividades de manuseio de produtos.
Observando as normas especificadas anteriormente, pode-se concluir que uma empresa precisa estar sempre em melhoria contínua, buscando continuamente a melhor forma para facilitar o trabalho e as condições do colaborador. Assim, sempre que possível é preciso realizar melhorias que possam ser adaptadas ao processo.