3 CURRÍCULO
4.7 O lazer e o método Problem-Based Leaning
Seguimos nosso viajem pelo universo do lazer. Agora iremos visualizá-lo pela ótica do método Problem-Based Learning (PBL), em português, Aprendizagem Baseada em Problemas/ Projetos. Esse método vem conquistando espaço no campo acadêmico, sendo que um número significativo de instituições de ensino superior já adotou como método de ensino. A ideia nesse ponto é relacionar o PBL com as pesquisas sobre lazer, ou seja, o que esse método tem a nos oferecer no que tange o lazer.
O PBL refere-se basicamente em propor um problema, traçar objetivos, impulsionar os alunos a irem à busca das soluções para esses problemas e para os objetivos que foram traçados. Nessa busca pode emergir respostas, ou melhor, soluções, para isso recorrem às diversas fontes; o professor lhes fornece uma parte da literatura, mas nesse método o aluno é livre para ir além da literatura que o professor lhes apresenta. Outro ponto importante, os alunos são divididos em grupos, nesses grupos são escolhidos um coordenador e um relator, além de um orientador, que é o professor. A função deste último é avaliar cada aluno, bem como tirar alguma dúvida que tenha ficado durante a pesquisa que os alunos fizeram. O coordenador é responsável por organizar o debate no encontro final. Este encontro acontece no encerramento de um prazo estipulado, por exemplo, ao final de uma semana. O primeiro encontro acontece para que os alunos falem sobre o tema. É também função do coordenador fazer com que todos os indivíduos participem do debate, uma vez que este é o momento que o orientador irá avaliar cada um deles. O relator tem a função de registrar tudo, como foi o debate etc. Em consonância com nossas palavras, Uvinha (2010) nos apresenta três características sobre o PBL:
1-Aprendizado: baseado na resolução de problemas, reais ou hipotéticos, apresentados antes de qualquer preparação ou conhecimento técnico- acadêmico. 2- Aluno, ensino centrado no aluno, em que novas informações são adquiridas a partir do aprendizado que ocorre em pequenos grupos. 3- professor, atua como tutor e avaliando no fiel cumprimentos dos objetivos e do cronograma de metas e ações (UVINHA, 2010, p.185).
Em síntese, nesse processo o principal agente é o aluno, sendo o professor um mediador e não o centro do processo de ensino. Quando mergulhamos na história iremos perceber que práticas semelhantes a essa que já eram sinalizadas por grandes nomes da teoria educacional como Piaget, Dewey e Brune (URVINHA, 2010). Estes autores sinalizaram que a aprendizagem partisse de situações vindas do dia-a-dia dos alunos, o que permitiria aos alunos estabelecerem e alcançarem seus próprios objetivos. Esses aspectos em um primeiro momento soam estranho para o aluno, apresentando-se como algo novo, visto que em sua trajetória estudantil geralmente não tenham sido apresentados a tal método.
Chagamos num ponto importante do PBL, os pequenos grupos. A ideia é que dentro desses grupos os alunos trabalhem juntos e de modo cooperativo na busca pelas soluções dos problemas que lhes foram apresentados, que sejam capazes de refletirem criticamente sobre os problemas, agindo respeitosamente entre os membros dos grupos, bem como com o professor. O estudante deve buscar o material que lhes fornecerão as respostas. Não iremos esmiuçar o PBL em si, queremos verificar, no entanto, o que emerge desse método no que tange o lazer. Desse ponto em diante concentraremos nossos esforços em elucidar esses aspectos.
Uvinha (2010) destaca a ligação do PBL com as ciências da saúde, em especial, a medicina, mas outros campos do conhecimento também vêm aderindo ao PBL. No que concerne o lazer, nosso objeto primordial de estudo neste trabalho monográfico, Uvinha (2010) escreve que há escassez de trabalhos quando pensamos no PBL. “Vê-se a menção indireta em que trabalhos que se propõe a abordar a educação, a geografia, as ciências sociais, mas de forma tangencial e pouco articulada com a produção do conhecimento no lazer” (URVINHA, 2010, p.191). O autor aponta o ano de 2005 como início das produções do PBL sobre lazer. Isso se deve ao fato de o curso de bacharelado em lazer e turismo da USP ter incorporado o referido método por meio de duas disciplinas, a saber, Práticas I e II. Disso emergiu uma série de trabalhos. Desse modo, Uvinha (2010) nos informa que 1,020 alunos entravam por ano em dez cursos superiores. Estes eram espalhados em 80 grupos, de 12 alunos, nada mais que isso. Estes grupos ainda aliavam-se a outros grupos de outros quatro cursos, totalizando 60 alunos. Estes se correlacionavam interdisciplinarmente com outros alunos. Desse modo, a problemática que na qual debruçavam podia emergir de fatos
cotidianos, como uma reportagem publicada em uma revista, ou poderia ser criada artificialmente. Assim,
A partir de tais temas gerais, diversos problemas foram debatidos no âmbito dos estudos do lazer desde a criação da unidade, investigando-se a relevância de tal esfera social articulada a assuntos como: públicos com necessidades especiais; Transportes públicos nas metrópoles; índices de violência nos bairros mais carentes; equipamentos de lazer; entre vários outros (URVINHA, 2010, p. 195).
Portanto, pensando o lazer na sociedade atual e também numa nova exigência de um profissional que trabalhe sobre o prisma de ser capaz de apresentar soluções a problemas de ordem cada vez mais complexas, enxerga-se no PBL um meio pelo qual esse profissional pode ser formado. No que concerne o lazer, não enxergamos contribuições significativas desse método, porém, destacamos que desde 2005, quando foi incorporado pela USP no curso de bacharelado em lazer e turismo, emergiram contribuições, ainda pequenas, mas, que são seus primeiros passos. Desse modo, enxergamos que a essência desse método pode nos premiar com discussões importantes para o campo do lazer, uma vez que os alunos não terão, pelo menos a princípio, pré-julgamentos sobre lazer que os faça olhar para este fenômeno sob um único modo de analisar e pensar o lazer, sendo este um fenômeno tão rico e carregado de subjetividade e que seus agentes lhes conferem uma gama de significados e representações.