2. O MUNDO RURAL
2.3. Programas Comunitários
2.3.1. LEADER
Para ter uma perceção das bases subjacentes ao trabalho desenvolvido pela ADRITEM, concentrar-nos-emos no segundo pilar, políticas de desenvolvimento rural, realizando uma análise à iniciativa comunitária LEADER. Este conceito significa Ligação Entre Ações de Desenvolvimento e Economia Rural e foi criada em 1991 pela Comissão Europeia, cujo objetivo era o combate aos problemas que surgiam nas áreas rurais, tendo sempre em vista os princípios do desenvolvimento local (Carneiro, 2004, p. 26). Sendo parte integrante na PAC (Jornal “Pessoas e Lugares”, Julho 2011, p. 4), o LEADER pretendia ser inovador, numa altura em que a preocupação com o rural surgia de forma mais intensa, apoiando-se numa perspetiva agregada, de forma a não excluir vertentes como a demografia, a sociedade, a economia e o ambiente. Esta abordagem permite uma descentralização, uma vez que as suas ações são orientadas pelos Grupos de Ação Local que possuem uma constituição formal e jurídica, mas principalmente por serem estes, as entidades que mais próximas estão dos problemas das áreas rurais circundantes (Figueiredo, 2003, p. 248), tornando-se nos melhores atores para aplicar as medidas de desenvolvimento rural mais adequadas.
O mundo rural possui características particulares, estruturais e naturais (ProDeR, 2010, p. 3) que o tornam, uma área a desenvolver e com enorme potencial. De forma a abandonar a conceção de que o mundo rural se encontra “abandonado”, a Iniciativa LEADER, de forma a proteger a identidade do rural e das pessoas que lá habitam, deve desenvolver iniciativas como (1) o apoio técnico ao desenvolvimento nas áreas rurais; (2) a formação adequada aos profissionais que desenvolvam este tipo de funções para que conheçam bem as necessidades da área envolvente e (3) a diversificação das atividades económicas, sendo importante que as produções agrícolas sejam comercializadas e o fator meio ambiental estimado (Figueiredo, 2003, p. 248).
A iniciativa comunitária LEADER, segundo a Federação Minha Terra, para atingir o fim para o qual foi proposta apresenta alguns princípios, considerados como os pilares fundamentas da sua estratégia:
• Abordagem territorial, com a criação de um GAL na respetiva área de intervenção, para que este grupo consiga percecionar quais os problemas a que deve dar resposta;
• Parcerias locais, orientadas pelo GAL, podendo estas serem entre entidades públicas ou privadas, locais ou setoriais, cujo objetivo é a “partilha dos poderes e dos saberes, a coordenação e a concertação”;
• Estratégia Local de Desenvolvimento, com uma abordagem plurissetorial, onde deve existir uma complementaridade na definição dos eixos prioritários de intervenção;
• Abordagem integrada, englobando todos os atores, assente numa transferência de conhecimentos e no trabalho em rede;
• Cofinanciamento, este é garantido por fundos da Comissão Europeia, mas também Estados Membros que financiam o programa LEADER;
• Gestão descentralizada, para além do GAL, também as respetivas populações têm a responsabilidade na identificação de problemas e soluções, pois como estamos perante uma abordagem local, são estes agentes os mais próximos para conduzirem este processo de desenvolvimento.
A abordagem LEADER foi uma iniciativa nova, considerada como o único programa onde o desenvolvimento rural era o ponto central (DGDR, 1997, p. 43). A principal meta era a inovação a diversificação de atividades e o desenvolvimento rural, com uma maior intervenção dos agentes locais como os GAL (Pais e Gomes, 2008, p. 14). No entanto, autores mais críticos consideram que o LEADER é um “instrumento limitado” (Cancela, Alvarez e Crecente, 2001, p. 5), devido aos seus pressupostos que
eram considerados escassos. Mas após a sua criação em 1991, no ano de 1994, foi aprovada a continuação da iniciativa comunitária para LEADER II, que generaliza o desenvolvimento rural iniciado pelo LEADER I (Cardoso, 2011, p. 31). Segundo Pais e Gomes (2008, p. 18), estas abordagens possuíram um “efeito catalisador”, pois surgiram mais iniciativas com objetivos idênticos, sendo que existiu uma consolidação dos GAL e um aumento das suas áreas de intervenção. Em 2000, após as iniciativas LEADER I e II, surge o LEADER+, que permitia a “aplicação de estratégias originais de desenvolvimento sustentável integradas e de grande qualidade, cujo objeto seja a experimentação de novas formas de reforço do ambiente económico, no sentido de contribuir para a criação de postos de trabalho” (LEADER Magazine, Out. de 2008, p. 2). Como princípios básicos, o LEADER+ auxiliava (1) a valorização do património natural e cultural; (2) o reforço do ambiente económico, no sentido de contribuir para a criação de postos de trabalho e (3) a melhoria da capacidade organizacional das respetivas comunidades (Figueiredo, 2003, p. 248). Com estes prepósitos, esta iniciativa era considerada uma abordagem mais ambiciosa que as anteriores, englobando estratégias de alta qualidade mas também devido ao facto de integrar uma maior cooperação entre o mundo rural e entre os próprios países (Cardoso, 2011, p. 44). Deste modo, podemos articular o programa LEADER+ em três aspetos. No primeiro, a abordagem LEADER+ apoia estratégias de desenvolvimento territorial integradas, de carácter inovador. É importante que o GAL tenha um caráter experimental nas medidas que utiliza, para que sejam fortalecidas as políticas de desenvolvimento rural. O segundo retrata o apoio à cooperação entre territórios rurais, onde com a criação de projetos, se pode verificar os seus pontos fortes e fracos, tornando-o numa possível estratégia comum entre Estados Membros ou mesmo fora da União Europeia. Por último, o terceiro aspeto continha a defesa da criação de redes que permitiriam mais e melhores conhecimentos sobre as ELD realizadas pelos Estados Membros, sendo também um reforço do segundo aspeto (Carneiro, 2004, p. 30). Com o LEADER+, foi possível alargar o espaço de intervenção das políticas de desenvolvimento rural, não apenas para zonas rurais extremamente desfavorecidas mas também para potenciar o caminho daquelas que, por si só têm o empenho para atingir meios que possam levar a uma melhoria das condições das populações rurais.
Em suma, a abordagem LEADER é um importante marco na história das políticas de desenvolvimento rural. O LEADER contribuiu para uma aproximação das populações e para o conhecimento destas sobre os problemas que as áreas rurais enfrentam, para que em conjunto com diversos atores, seja possível solucioná-lo.
Após a iniciativa LEADER, surge a referência essencial ao ProDeR, para que se perceba mais à frente a atuação do Organismo de Acolhimento.