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2 – LEGISLAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR: BIBLIOTECA

No documento ADMINISTRAÇÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO (páginas 120-123)

Ana Beatriz de Azevedo Hernampérez Ursula Blattmann

2 – LEGISLAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR: BIBLIOTECA

Com a expansão do ensino superior no Brasil, o MEC necessitava garantir ensino de qualidade por meio de mecanismos de avaliação institucional.

Antes da década de 1990, a avaliação do MEC, em uma instituição de ensino superior era somente feita em locais que ofereciam programas de pesquisa e/ou pós-graduação. E como as instituições particulares ofereciam somente o curso de graduação, não passavam pela avaliação.

No começo da década de 1990, o Sistema Nacional de Auto-avaliação foi criado pelo MEC, intitulado Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB). Tratava-se de uma avaliação voluntária, que a própria instituição desenvolvia.

A partir de 1995, as IES no Brasil passaram por avaliação com critérios e padrões estabelecidos pelo MEC para o seu funcionamento. Tais critérios tinham como finalidade estabelecer padrões de qualidade oferecida à sociedade.

Depois da criação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 –, que estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional, a educação brasileira passou por diversas alterações.

De acordo com o artigo 43 desta Lei, a educação superior tem por finalidade:

I – estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; [...]

[...] III – incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;

técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; [...]

Para melhor funcionamento das instituições superiores, a LDB vinculou avaliações periódicas para credenciar ou suspender o funcionamento até que se regularize a situação. Conforme:

[...] Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação.

§ 1˚ Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento.

Para o cumprimento da LDB, o MEC passou a avaliar constantemente os cursos de graduação. Com isso, a responsabilidade pela organização e execução da avaliação foi transferida do âmbito da Secretaria de Educação Superior (SESu), no ano de 2001, criado pelo decreto n. 3.860 (BRASIL, 2001) passando à responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). A implementação desse processo desencadeou um instrumento próprio de avaliação pela comissão de especialistas de ensino por área e aplicado

in loco por comissões de avaliação nomeadas periodicamente pelo MEC. Portanto, desde 1990, o processo de avaliação passou por diversas modificações, que pretendem chegar a um padrão de qualidade no ensino superior do Brasil e fazer com que as IES tenham uma preocupação contínua na busca da qualidade no processo de ensino e aprendizado.

O INEP, conforme o decreto n. 5.773 (BRASIL, 2006), na verificação in loco, irá avaliar as três dimensões: o corpo docente, a

organização didático-pedagógica e as instalações da instituição, concedendo conceitos e classificações a cada dimensão, segundo o desempenho do curso e sua posição em relação aos demais cursos da área.

A dimensão Instalaçõesse divide em três categorias de análise: instalações gerais; biblioteca; instalações e laboratórios específicos. Cada uma dessas categorias terá os indicadores de aspectos quantitativos e qualitativos para que a comissão verificadora faça a avaliação.

A categoria de análise biblioteca se subdivide em espaço físico, acervo e serviços.

Não basta apenas autorizar os cursos das IES; se faz necessário investimento para avaliar continuamente o processo e implementar melhorias dos serviços e processos. Apesar da lei existir, há lacunas nas autorizações e nos reconhecimentos de cursos superiores e no próprio credenciamento das IES. As lacunas são percebidas no decorrer do processo de avaliação, quando determinados indicadores não estejam contemplados. Assim, o MEC edita portarias ou decretos para melhorar os critérios de avaliação.

Com a contínua busca pela qualidade, o MEC criou em 14 de abril de 2004, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior

(SINAES), por meio da Lei n. 10.861. Esse novo sistema tem por objetivo assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes.

A mesma lei fomenta a melhoria da qualidade da educação superior conforme os princípios fundamentais do SINAES, ou seja:

 responsabilidade social com a qualidade da educação superior;

 reconhecimento da diversidade do sistema;

 respeito à identidade, à missão e à história das instituições;  globalidade, isto é, compreensão de que a instituição deve

ser avaliada a partir de um conjunto significativo de indicadores de qualidade, vistos em sua relação orgânica e não de forma isolada; e

 continuidade do processo avaliativo.

Esse novo sistema visa à transparência da IES, fazendo com que todas as informações sejam claras para que a sociedade as conheça.

Com a busca constante para obter uma avaliação de excelência foi criado o Decreto n. 5.773, de 9 de maio de 2006, que

Dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino. Foram revogadas conforme o Art. 79. os Decretos nº 1.845, de 28 de março de 1996 , 3.860, de 9 de julho de 2001, 3.864, de 11 de julho de 2001, 3.908, de 4 de setembro de 2001, e 5.225, de 1º de outubro de 2004.

Este decreto agrupou os diversos documentos e, assim, facilitou o direcionamento para o processo de credenciamento,

recredenciamento da instituição e autorização e reconhecimento de cursos superiores.

No documento ADMINISTRAÇÃO DE UNIDADES DE INFORMAÇÃO (páginas 120-123)