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Legislação urbana

No documento CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ (páginas 61-65)

deslocamentos no território causado pela pandemia de Covid-19.

Gráfico 6 – Sinistros de trânsito envolvendo ciclistas em Campos.

Fonte: HFM e CBMERJ, 2021 (adaptado pelo autor).

O inciso V do Artigo 86, que trata da acessibilidade universal, prevê a produção de um Plano Cicloviário, que deve contemplar uma rede de ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e sinalização específica. Outros pontos do plano definem como ação ou diretriz o incentivo ao uso da bicicleta, ampliação da malha cicloviária e implantação de estacionamentos para bicicletas. O Quadro 11 apresenta uma síntese do que o Plano Diretor prevê em termos de política cicloviária num horizonte de dez anos.

Quadro 11 – A bicicleta no Plano Diretor de Campos.

Artigo Inciso

Art. 82 Para a regulação e ampliação do transporte público serão executadas as seguintes ações e medidas de planejamento:

VIII. Implantar estacionamentos públicos para bicicletas e ciclomotores em áreas apropriadas e com adequado dimensionamento;

Art. 86 Para prover a acessibilidade universal no Município, serão executadas as seguintes ações e medidas de planejamento:

V. Implementar o Plano de Mobilidade sustentável, articulado com o Plano Cicloviário e com o Plano de Acessibilidade Universal – PLAU, contemplando rede de ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e sinalização específica.

Art. 144 A função social da propriedade urbana, elemento constitutivo do direito de propriedade, deverá subordinar-se às exigências fundamentais de ordenação expressas neste Plano:

VII. A promoção e o desenvolvimento de um sistema de transporte coletivo e o estímulo do uso do transporte individual através da bicicleta; se for de interesse municipal;

Art. 195 A Estruturação da Mobilidade Urbana será efetuada mediante:

V. Implantar sistema cicloviário, com bases de apoio aos ciclistas, e incentivar o uso da bicicleta;

Art. 358 O Plano Integrado de Transporte e Mobilidade será elaborado atendendo às seguintes diretrizes:

IV. Ampliar a rede de ciclovias existente, estendendo-a para toda a cidade;

X. Planejar estacionamentos para ciclomotores e bicicletas em áreas apropriadas e com adequado dimensionamento;

Fonte: Campos dos Goytacazes, 2020 (adaptado pelo autor).

Observa-se, portanto, que a bicicleta é abordada de forma superficial e genérica no plano. Não são apresentadas estratégias, políticas, programas e metas específicas

para o incentivo ao uso desse modo de transporte na cidade.

5.2.2 Lei de Uso e Ocupação do Solo

A Lei de Uso e Ocupação do Solo, aprovada em 2020, apresenta avanços e retrocessos em relação à sua versão anterior, de 2008. Após a revisão, foi incluída a exigência de vagas para bicicletas nas novas edificações da cidade, algo ainda não previsto na lei anterior. Para ilustrar, em condomínios residenciais unifamiliares é exigido 1 vaga por unidade; nos condomínios multifamiliares, exige-se 2 vagas por unidade além de 1 vaga para visitante a cada 5 unidades. Para as demais edificações com fins comerciais ou de serviços, são exigidos diferentes números de vagas para bicicletas, de acordo com a área construída da edificação ou o número de unidades de atendimento.

Por exemplo, exige-se 1 vaga a cada 50m² para lojas ou salas comerciais com mínimo de 6 vagas e 1 vaga a cada 25m² com mínimo de 10 vagas para supermercados.

No entanto, verifica-se que houve uma manutenção de todas as exigências de número mínimo de vagas para veículos automotivos em edificações residenciais, comerciais e de serviços. A medida vai na contramão da ação que diversas cidades ao redor do mundo estão tomando, qual seja eliminar a exigência de vagas para carros em novas construções (PARKING REFORM NETWORK, 2022). Além da manutenção da exigência, houve um retrocesso ao inserir a figura do “visitante” no quadro de exigências.

Passou-se a exigir 1 vaga para visitantes a cada 5 unidades em condomínios residenciais unifamiliares e 1 vaga para cada 10 unidades em condomínios multifamiliares.

5.2.3 Lei de Parcelamento do Solo

A Lei de Parcelamento do Solo, de 2008, exige a implantação de ciclovias ou ciclofaixas em novas vias arteriais e coletoras no município (Figura 10). Tanto em vias arteriais quanto coletoras, deve-se construir ciclovia no canteiro central com 6,00m de largura. No caso das vias arteriais, também é possível optar pelo modelo de ciclovia lateral com 2,50m de largura, contígua à calçada. No entanto, esse modelo de “ciclovia”

lateral raramente vem acompanhado de separação física no contexto local, devendo

portanto ser classificada como ciclofaixa, que não confere grande nível de segurança ao ciclista.

Figura 10 – Perfis viários previstos na Lei de Parcelamento do Solo

Fonte: Campos dos Goytacazes, 2008.

5.2.4 Plano de Mobilidade Urbana

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) foi aprovado por unanimidade no dia 11 de abril de 2022, na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes (PREFEITURA DE CAMPOS, 2022); portanto, um dia antes do prazo final estabelecido pelo Governo Federal. Para fins de diagnóstico do PMUS, foi aplicado um checklist proposto pela campanha Bicicleta no Planos, idealizada pelas organizações não governamentais Bike Anjo, Transporte Ativo e União de Ciclistas do Brasil.

O checklist (Apêndice I) é organizado nas seguintes categorias: (1) princípios, diretrizes e objetivos; (2) metas; (3) medidas e instrumentos; (4) governança; e (5) intersecção. Cada categoria contém itens correspondentes a tópicos que deveriam fazer parte de um plano de mobilidade que se propõe a priorizar a bicicleta na mobilidade urbana.

No caso do Plano de Mobilidade de Campos, percebe-se uma ausência absoluta de metas, medidas e instrumentos específicos para promover o uso da bicicleta. Não há menções, por exemplo, ao percentual de aumento de vias cicláveis construídas na cidade a curto, médio e longo prazo. A maioria das menções à bicicleta restringe-se a diretrizes e objetivos, o que revela o caráter genérico e abstrato do plano. Com efeito, o referido documento resume-se a mero programa de intenções que não vincula a atuação do poder público a qualquer ação na realidade, no que diz respeito ao fomento do uso da bicicleta.

Em relação à governança, é previsto o Conselho Municipal de Mobilidade Urbana mas não são postas métricas para monitoramento e detalhados mecanismos para gestão e atualização do plano. Percebe-se uma certa intersecção do PMUS com o Plano Diretor do município em alguns pontos, mas não existem menções no documento a instrumentos locais de planejamento tais como Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).

No documento CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ (páginas 61-65)

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