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“LEI COMPLEMENTAR Nº 758, DE 24 DE MARÇO DE

No documento 175rdj094 (páginas 121-129)

Tribunal de Justiça do Distrito Federal

“LEI COMPLEMENTAR Nº 758, DE 24 DE MARÇO DE

(Autoria do Projeto: Poder Executivo)

R. Dout. Jurisp., Brasília,(94): 55-616, set./dez. 2010 121

Jurisprudência

de Múltiplas Atividades Sul - SMAS, na Região Administrativa Plano Piloto - RA I, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL,

Faço saber que a Câmara Legislativa do Distrito Federal decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:

Art. 1º Fica desafetado o bem público de uso comum do povo correspondente a 86.233,47m2 (oitenta e seis mil, duzentos e trinta e três metros quadrados e quarenta e sete decímetros quadrados), situado ao longo da fachada lateral direita e, em parte, da fachada lateral esquerda do Lote 6/5 do Trecho 4 do Setor de Múltiplas Atividades Sul - SMAS, antigo Setor de Áreas Isoladas Sudoeste - SAI/SO, na Região Administrativa Plano Piloto - RA I, que passa à condição de bem dominial.

§ 1º O bem público de uso comum do povo desafetado de que trata este artigo será incorporado aos imóveis criados em decorrência do reparcelamento do Lote 6/5 do Trecho 4 do Setor de Múltiplas Atividades Sul - SMAS, a ser promovido pelo Poder Executivo. § 2º A desafetação prevista neste artigo será objeto de apre-

ciação em audiência pública, nos termos do art. 51, § 2º, da Lei

Orgânica do Distrito Federal.

Art. 2º Fica afetado à categoria de bem de uso comum do povo

o bem dominial de 45.762,67m2 (quarenta e cinco mil, setecentos

e sessenta e dois metros quadrados e sessenta e sete decímetros quadrados) correspondente à área total do Lote 6/2 do Trecho 4 do Setor de Múltiplas Atividades Sul - SMAS e parte do Lote 6/5 mencionado no art. 1º desta Lei Complementar.

Parágrafo único. O bem dominical afetado de que trata este artigo será destinado à implantação da Via Interbairros e sua faixa de domínio.

Art. 3º Os parâmetros básicos de uso e ocupação do solo aplicáveis ao novo Lote 6/5, decorrente do reparcelamento do lote primitivo de mesmo número e de que trata o art. 1º, § 1º, desta Lei Complementar, serão os seguintes:

I - usos permitidos:

a) uso principal obrigatório: comercial de bens e de serviços com atividades do tipo serviços de transporte terrestre, exclusivamente

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do tipo transporte rodoviário de passageiros, regular, urbano; esse uso deverá preceder ou ser concomitante à implantação dos usos complementares estabelecidos neste artigo;

b) uso complementar: comercial de bens e de serviços, exclusiva- mente com atividades do tipo:

1) comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésti- cos;

2) serviços de alojamento, excluídos o grupo motéis e as atividades de motel, apart-hotel, hotel-residência e flat service;

3) serviços de alojamento, excluídas as atividades pensões, pousadas, alojamentos turísticos, aluguel de imóveis por temporada, alojamen- tos coletivos não-turísticos do tipo casa de estudante, pensionato e exploração de vagões-leito;

4) serviços de alimentação;

5) serviços anexos e auxiliares do transporte; 6) serviços de agências de viagem;

7) serviços de correio;

8) intermediação financeira, exclusive seguros e previdência pri- vada;

9) seguros e previdência privada;

10) serviços auxiliares da intermediação financeira; 11) serviços imobiliários;

12) aluguel de automóveis;

13) serviços de informática e conexos;

14) serviços prestados principalmente às empresas; 15) serviços pessoais;

II - taxa máxima de ocupação: 35% (trinta e cinco por cento) da área do lote, sendo que toda e qualquer cobertura será computada na taxa máxima de ocupação;

III - taxa máxima de construção: 140% (cento e quarenta por cento);

IV - altura máxima da edificação: 12m (doze metros).

Art. 4º Os parâmetros básicos de uso e ocupação do solo apli- cáveis aos demais imóveis decorrentes do reparcelamento do Lote 6/5 de que trata o art. 1º, § 1º, desta Lei Complementar serão os seguintes:

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Jurisprudência

I - usos permitidos:

a) comercial de bens e de serviços do tipo:

1) comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésti- cos;

2) serviços de alojamento, excluídos o grupo motéis e as atividades de motel, apart-hotel, hotel-residência e flat service;

3) serviços de alojamento, excluídas as atividades pensões, pousadas, alojamentos turísticos, aluguel de imóveis por temporada, alojamen- tos coletivos não-turísticos do tipo casa de estudante, pensionato e exploração de vagões-leito;

4) serviços de alimentação; 5) serviços de agências de viagem; 6) serviços de correio;

7) intermediação financeira, exclusive seguros e previdência pri- vada;

8) seguros e previdência privada;

9) serviços auxiliares da intermediação financeira; 10) serviços imobiliários;

11) aluguel de automóveis;

12) serviços de informática e conexos;

13) serviços prestados principalmente às empresas; 14) serviços pessoais;

b) coletivo do tipo:

1) educação complementar, à exceção de educação especial; 2) saúde;

3) entidades associativas, à exceção de serviços de organizações religiosas;

4) entidades recreativas culturais e desportivas; 5) administração pública, defesa e seguridade social;

II - taxa máxima de ocupação: 40% (quarenta por cento) da área do lote, sendo que toda e qualquer cobertura será computada na taxa máxima de ocupação;

III - taxa máxima de construção: 160% (cento e sessenta por cento) da área do lote. (Inciso com a redação da Lei Complementar nº 771, de 2008.)1

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IV - altura máxima da edificação: 12m (doze metros).

Parágrafo único. Os usos definidos neste artigo estão de acordo com a legislação específica vigente para o Distrito Federal.

Art. 5º Os demais parâmetros urbanísticos de ocupação do solo aplicáveis aos imóveis de que tratam os arts. 3º e 4º desta Lei Complementar serão definidos pelo Poder Executivo.

Art. 6º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 7º Revogam-se as disposições em contrário.” (grifo nosso).

Admito, pois, o processamento da presente ação, eis que presentes todos os pressupostos de admissibilidade.

Quanto ao mérito, o requerente sustenta o pedido de declaração de inconstitucionalidade das normas com base na ausência de audiência prévia da população interessada e na inexistência comprovação de interesse público, necessários para a promoção de desafetação de áreas públicas, além do não

preenchimento dos demais requisitos estabelecidos pelo parágrafo único do artigo 56-ADT da Lei Orgânica.

Sobre a desafetação dos bens do Distrito Federal, a Lei Orgânica estabelece que:

“Art. 51. Os bens do Distrito Federal destinar-se-ão prioritariamente ao uso público, respeitadas as normas de proteção ao meio ambiente, ao patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e paisagístico, e garantido o interesse social.

§ 1º Os bens públicos tornar-se-ão indisponíveis ou disponíveis por meio de afetação ou desafetação, respectivamente, nos termos da lei.

§ 2º A desafetação, por lei específica, só será admitida em

caso de comprovado interesse público, após ampla audiência à população interessada.

§ 3º O Distrito Federal utilizará seus bens dominiais como ins- trumento para a realização de políticas de ocupação ordenada do território.” (grifei).

“Art. 56. Até a aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo, o Governador do Distrito Federal poderá enviar, precedido de

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Jurisprudência

participação popular, projeto de lei complementar específica

que estabeleça o uso e a ocupação de solo ainda não fixados para determinada área, com os respectivos índices urbanísticos. Parágrafo único. A alteração dos índices urbanísticos, bem como a alteração de uso e desafetação de área, até a aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo, poderão ser efetivadas por leis comple- mentares específicas de iniciativa do Governador, motivadas por situação de relevante interesse público e precedidas da participação popular e de estudos técnicos que avaliem o impacto da alteração, aprovados pelo órgão competente do Distrito Federal.” (grifei).

Da leitura dos dispositivos supracitados, verifica-se que, ante a inexistência de Lei de Uso e Ocupação do Solo, para que ocorra a desafetação de área pública, devem ser preenchidos os seguintes requisitos, cumulativamente:

- edição de lei complementar específica de iniciativa do Go- vernador;

- prévia participação popular; - relevante interesse público;

- prévio estudo técnico para avaliar o impacto da alteração, aprovado pelo órgão competente do Distrito Federal.

O primeiro quesito foi preenchido por ambas as leis. No entanto, o mesmo não ocorre quanto ao segundo pressuposto.

A “prévia participação popular” deve ocorrer mediante audiência pública, por meio da qual a autoridade competente abre espaço para que todas as pessoas que possam sofrer os reflexos de determinada decisão tenham oportunidade de se manifestar.

No que pertine à desafetação prevista na Lei Complementar nº 746, a audiência da população ocorreu no dia 04.12.2007, conforme comprova a Ata publicada no DODF de 11.12.2007 (fls. 114/115), enquanto a aludida Lei fora votada, em primeiro e segundo turnos na Câmara Legislativa do Distrito Federal, em 05.12.2007. A publicação no DODF foi feita em 19.12.2007.

Entretanto, o supracitado artigo 56, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Lei Orgânica prevê que a consulta à população deverá preceder à elaboração do projeto de lei.

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No mesmo sentido, confiram-se os seguintes trechos do “Procedimento para realização de Audiência Pública”, documento elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal e colacionado aos autos pelo próprio Governador, verbis:

“7- Após a publicação da Ata, deverá se aguardar 5 dias para a entrada de recurso pela população. (...)

8- Não havendo óbice ao proposto na Audiência Pública, deverá ser elaborado o Projeto de Lei pela Administração Regional responsável, ou pela Secretaria responsável pelo projeto (anexo IV).

9- O processo será instruído pela AR com os seguintes documentos, no mínimo:

- o Edital;

- cópias de todas as publicações do edital; - a Ata lavrada da Audiência;

- cópia da publicação da Ata e a lista de presença; - o Projeto de Lei, se for o caso.

10- Após instrução, o processo será encaminhado à Secretaria responsável para análise, o qual encaminhará à Câmara Legislativa do DF”. (fls. 103/104).

Desta feita, como a audiência pública foi realizada dois meses depois do envio do Projeto de Lei 37/2007 à Câmara Legislativa, fato ocorrido no dia 04.10.2007, resta evidente a violação aos preceitos fixados pela Lei Orgânica, para fins de desafetação de área pública.

Além disso, a própria norma atacada, em seu artigo 5º, inverteu a ordem do procedimento prescrito, pois autorizou a desafetação da área, condicionando-a aos resultados de futura audiência pública a ser realizada em, no máximo, 90 dias.2

Em relação à Lei Complementar 758, publicada no DODF dia 25.03.2008, a desobediência à sistemática adotada pela Lei Orgânica é ainda mais patente, pois a audiência da população foi realizada no dia 16.07.2008, mais de três meses, portanto, da publicação da referida norma (fl. 159).

Ora, mesmo que ninguém tenha se manifestado na audiência, conforme ficou consignado na Ata (fl. 159), a consulta prévia à população interessada

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Jurisprudência

constitui condição sine qua non de validade dos Projetos de Lei que versem sobre o uso e a ocupação de solo no Distrito Federal enviados à Câmara Legislativa.

Assim, como a legalidade da desafetação está condicionada ao preenchimento de todos os requisitos supracitados, o não atendimento a deles já é suficiente para a declaração de inconstitucionalidade das leis vergastadas, ante a violação aos preceitos estabelecidos nos artigos 19, caput, 51, caput e § 2º, e 56 (ADT), todos da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Esta Eg. Corte já se manifestou no mesmo sentido, conforme se pode verificar nas seguintes ementas de julgados:

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI DISTRITAL nº 1.258/96. disposição de área pública. desafetação. vício formal. administração do Distrito Federal e de seus bens. iniciativa legislativa. competência privativa do GOVERNADOR. LODF, art. 100, incs. IV, VI e XXI. AUSÊNCIA DE COM- PROVAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL E DE AUDIÊNCIA PRÉVIA. INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA MORA- LIDADE, LEGALIDADE E IMPESSOALIDADE. vedação à subvenção de igrejas ou cultos religiosos. LODF, arts. 18, i; 19; 51, §§1º, 2º E 3º.

I - Padece de vício formal insanável a norma de iniciativa do Poder Legislativo que versa sobre administração do Distrito Federal e de seus bens, inclusive abrangendo planejamento urbano, matéria essa cuja iniciativa de lei é afeta à competência privativa do Chefe do Poder Executivo, a teor do art. 100, incisos IV, VI e XXI, da Lei Orgânica do Distrito Federal.

II - Verifica-se ainda a ocorrência de inconstitucionalidade

material, consubstanciada na ausência de comprovação do interesse social na disponibilização da área em questão, e da realização de consulta prévia à população interessada.

III - A alteração da destinação original da área, realizada

sem qualquer análise acerca do impacto ambiental ou mesmo da dinâmica socioeconômica da região acaba por incentivar ocupação desordenada do território.

IV - A lei hostilizada acaba por vulnerar também o art. 18, I, da LODF, pois destina área pública à entidade religiosa.

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V - Ação acolhida para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 1.258/96, em sua integralidade, com efeitos erga omnes e ex

tunc.” (ADI 2005.00.2.001183-9, Rel. Des. Nívio Gonçalves,

Conselho Especial, julgado em 30.08.2005, DJU de 07.03.2006, p. 80) (grifei).

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 347, DE 4 DE JANEIRO DE 2001.

No documento 175rdj094 (páginas 121-129)