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Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza n°

No documento Políticas Públicas Ambientais (páginas 85-89)

Nesta aula você vai estudar sobre a punição aos praticantes de crime ambiental. Primeiramente, será definido o que é crime dentro da concepção jurídica, para que depois sejam conhecidas as normas definidoras dos crimes ambientais, principalmente a Lei nº 9.605/1998.

13.1 Crime

Figura 13.1: Crime

Fonte: http://vivizinharocha.blogspot.com/

Em sentido vulgar, crime é um ato que viola uma norma moral. No senti- do formal, crime é uma violação da lei penal incriminadora. No conceito material, crime é uma ação ou omissão que se proíbe e se procura evitar, ameaçando-a com uma pena, porque constitui ofensa a um bem jurídico individual ou coletivo.

Na doutrina penal brasileira, primeiro se adotou um conceito formal do deli- to, no qual o crime seria toda a conduta humana que infringisse a lei penal. Depois, passou-se a definir o crime como sendo o fato oriundo de uma con- duta humana que lesa ou põe em perigo um bem jurídico protegido pela lei. No conceito jurídico, o crime passou a ser definido como toda a ação ou omissão, típica, antijurídica e culpável.

Vejamos, então, os seus elementos:

a) Ação ou omissão: significa que o crime sempre é praticado através de uma ação (fazer algo) ou uma omissão (deixar de fazer algo);

b) Típica: significa que a ação ou a omissão praticadas pelo sujeito devem ser tipificadas, isto é, descritas na lei penal como delito. Assim, a conduta praticada deve se ajustar a descrição do crime criado e previsto em lei; c) Antijurídica: significa que a ação ou omissão, além de típicas, devem ser

antijurídicas, ou seja, contrárias ao direito.

13.1.1 Crime Ambiental

Figura 13.2: Crimes ambientais

Fonte: http://direitotereniak.blogspot.com.br/

A partir da análise do conceito de crime e seus elementos de existência aci- ma descritos, pode-se conceituar o crime ambiental como um fato típico e antijurídico que cause danos ao meio ambiente. Porém, é importante ressaltar que há entre o ramo do direito penal e o administrativo uma dife- rença na forma de atuação dos mesmos.

Primeiramente, a Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/1998 objetivava tratar as infrações como infrações administrativas, só depois passou a dar a cono- tação de crime que tem por finalidade a proteção dos bens jurídicos essen- ciais aos indivíduos e à sociedade, bem como tutelar os bens jurídicos mais importantes e necessários à sobrevivência da sociedade, conforme define Almeida, 2009.

Posto isto, vislumbra-se na Constituição Federal de 1988 no art. 225, § 3º da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) uma clara distinção entre reparar os danos causados ao meio ambiente e sancionar, administrativa e penalmente, condutas e atividades prejudiciais ao meio ambiente. Ainda sobre a relação

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Aula 13 - Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza n° 9.605/1998

dos ramos jurídicos e descrição da proteção dada, merece destaque: a legiti- midade para legislar para os dois ramos do Direito. De acordo com a CF/1988, é competência privativa da União legislar sobre Direito Penal (art. 22, I), e é competência concorrente da União, Estados e Distrito Federal legislar sobre responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, histórico, turístico e paisagístico (art. 24, VIII).

Assim, só a União pode definir crimes no Brasil através de leis federais. Já as normas administrativas de responsabilidade por dano ao meio ambiente podem ser editadas pela União, Estados e Distrito Federal. Neste caso, ine- xistindo lei federal sobre normas gerais de certo tema, os Estados exercerão competência legislativa plena (art. 24, § 3º), mas na superveniência de uma lei federal.

13.2 Lei nº 9.605/1998

A Lei nº 9.605/1998 dispõe sobre as sanções penais e administrativas deriva- das de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providên- cias, sendo composta de 82 artigos, com os seguintes capítulos: Disposições gerais; Da aplicação da pena; Da apreensão do produto e do instrumento de infração; Da ação e do processo penal; Dos crimes contra o meio ambiente; Da infração administrativa; Da cooperação internacional para a proteção ao meio ambiente; e das Disposições finais.

Historicamente, o projeto da atual Lei nº 9.605/1998 tinha, inicialmente, o objetivo de sistematizar as penalidades administrativas e unificar os valores das multas. Após debate no congresso nacional, optou-se por consolidar também legislação relativa à matéria penal (MACHADO, 2008).

Numa primeira perspectiva, a lei trata de providências que não trazem im- plicação de liberdade para o degradador (controle administrativo e civil). Numa outra dimensão, para aqueles ataques mais graves ao meio ambiente, convoca-se o Direito Penal, propiciando tipos e penas direcionados ao con- trole dos comportamentos deflagradores de desconformidades ecológicas (BENJAMIN, 2004).

Sabendo que multas, perdas e danos podem ser “repassados” aos consu- midores finais do produto ou serviços que estejam na origem da atividade degradadora, o legislador é levado ao sancionamento penal. Com isso per- cebe-se claramente que a responsabilidade penal, ou seja, a tipificação com previsão de sanção penal na preservação ambiental foi resultado, de uma pressão histórica do mundo dos fatos sobre o universo formal do Direito.

Há no art. 2° uma definição de quem são os sujeitos passivo e ativo do crime ambiental; o art. 3° apresenta a questão das pessoas jurídicas nos crimes ambientais; o art. 4° trata da desconsideração da pessoa jurídica nos crimes ambientais; o art. 6° ao 13 há uma exposição sobre a aplicação das penas na lei dos crimes ambientais; o art. 14 trata das circunstâncias que atenuam a pena; o art. 15, das circunstâncias que agravam a pena; os artigos 16 e 17 preveem a suspensão condicional da pena; nos artigos 18 a 20 encontramos as possibilidades de pena de multa; os artigos 21 a 24 tratam da responsa- bilidade das pessoas jurídicas que são criadas para ocultar o crime ambiental. Além disso, há outros artigos de grande relevância para a proteção e com- bate ao crime ambiental.

Resumo

Nesta aula você aprendeu a reconhecer o que é considerado crime no Brasil, principalmente o que é um crime ambiental. Além disso, vislumbrou que há uma legislação especifica sobre crimes ambientais desde 1998. Com isso, você se tornou capaz de identificar quando um agente pratica uma ação ou uma omissão criminosa ao meio ambiente.

Atividade de aprendizagem

1. Pesquise em seu município ou estado, se houve, desde 1998, alguma ação de responsabilização penal de alguma pessoa jurídica. Este exercício nos permite identificar o quanto esta lei está sendo posta em prática.

Para saber mais sobre os detalhes da Lei de Crimes Ambientais leia, na íntegra, o texto disponível em:

http://www.mma.gov.br/port/gab/ asin/lei.html

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Aula 14 - Protocolo de Kyoto

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