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3. A EVOLUÇÃO DA COLABORAÇÃO PREMIADA NO ORDENAMENTO JURÍDICO

3.1. A colaboração premiada nos diplomas legais correlatos

3.1.3. Lei de Crimes contra a Ordem Tributária (Lei n° 8.137/90)

A Lei n° 9.080/95, além de inserir o instituto da delação premiada na Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, conforme visto acima, também o fez na

73LIMA, Renato Brasileiro. Legislação Criminal Especial Comentada. 2ª edição. 2014. Ed.: Juspodivm, p.

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Lei de Crimes contra a Ordem Tributária, incluindo, no artigo 16 desta lei, o §único, que preconiza:

Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co-autoria, o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. 74 (grifo nosso)

Pode-se perceber que o art. 16, §único da Lei de Crimes contra a Ordem Tributária apresenta uma absoluta identidade textual com a regra da delação premiada concernente aos delitos contra o sistema financeiro nacional, de modo que todas as considerações feitas acima aplicam-se para o presente instituto.

Assim, apenas a título de ratificação, tem-se que os dados fornecidos pelo delator precisam ser claros, minuciosos e persuasivos para que, a partir deles, seja possível apurar o crime contra a ordem tributária.

Não obstante as profundas semelhanças, há ainda uma peculiaridade a ser observada acerca deste diploma: quando o crime previsto na Lei n° 8.137/90 estiver relacionado, diretamente, à prática de cartel, o agente que celebrar acordo de leniência75 com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), por intermédio da Superintendência-Geral, não pode ser denunciado criminalmente pelo Ministério Público76, conforme prevê o art. 87 da Lei n° 12.529/2011, in verbis:

Art. 87. Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos demais crimes diretamente relacionados à prática de cartel, tais como os tipificados

74 CURY, Rogério. Vade Mecum Penal Legislação Específica. Ed.: Rideel. 14ª edição. 2016

75 Trata-se de uma medida semelhante à delação premiada. Nas palavras de Hélio Rubens Brasil: “(...) o

acordo de leniência, previsto na Lei nº 12.529/11, consiste em um benefício concedido pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) com consequência idêntica à da de lação, qual seja, a

extinção da punibilidade penal ao agente que colaborar com as investigações e com o processo administrativo nos delitos contra a ordem econômica, entre eles o de cartel de empresas, e ainda nos

crimes de licitação e de corrupção, estes últimos introduzidos pela Lei nº 12.846/13 e cuja concessão é feita pela Controladoria Geral da União. Os requisitos para concessão são praticamente os mesmos da delação premiada, a saber, a ajuda na identificação dos demais envolvidos na infração e a obtenção de

informações e documentos que comprovem sua ocorrência. A diferença básica entre os institutos é que

o primeiro - delação premiada - é homologado pelo Poder Judiciário e tem participação do Ministério Público, enquanto o segundo - acordo de leniência - é celebrado por órgãos administrativos do poder executivo, o que pode gerar dúvidas quanto a possíveis interferências políticas em sua concessão. (grifo

nosso). BRASIL, Hélio Rubens. Delação Premiada e Acordo de Leniência. Disponível em: <

https://heliobrasil.jusbrasil.com.br/artigos/172445068/delacao-premiada-e-acordo-de-leniencia>. Acesso em: 19/05/2017

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na Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, e os tipificados no art. 288 do

Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, a celebração de acordo de leniência, nos termos desta Lei, determina a suspensão do curso do prazo prescricional e impede o oferecimento da denúncia com relação ao agente beneficiário da leniência.

Parágrafo único. Cumprido o acordo de leniência pelo agente, extingue-se automaticamente a punibilidade dos crimes a que se refere o caput deste artigo. 77 (grifo nosso)

Destarte, o implemento e a execução do acordo de leniência atuam como condição negativa de procedibilidade, impedindo o exercício do direito de ação e suspendendo o prazo prescricional durante esse período. Com efeito, uma vez cumprido o acordo, extingue-se a pretensão punitiva estatal.

Para tanto, porém, é fundamental que o delator tenha, cumulativamente, cessado seu envolvimento na infração sob investigação, a partir da data da propositura do acordo, confessado sua participação no ilícito e cooperado plena e permanentemente com as investigações e o processo administrativo correlato, comparecendo, sempre que solicitado, a todos os atos processuais até o encerramento, nos termos do §2° do art. 8678. É necessário, ainda, que a Superintendência-Geral do CADE, no momento de celebração do acordo, não possua provas suficientes para embasar, de formar sólida, a condenação do agente, consoante dispõe o inciso II do §1° do mesmo artigo79.

É de se verificar, portanto, que, os crimes contra a ordem econômica que estão diretamente ligados à formação de cartel permitem, quando da celebração e efetivo cumprimento do acordo de leniência, a oferta de um prêmio bem mais amplo do que o

77 CURY, Rogério. Vade Mecum Penal Legislação Específica. Ed.: Rideel. 14ª edição. 2016

78 Art. 86. O Cade, por intermédio da Superintendência-Geral, poderá celebrar acordo de leniência, com a

extinção da ação punitiva da administração pública ou a redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços) da penalidade aplicável, nos termos deste artigo, com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras de infração à ordem econômica, desde que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo e que dessa colaboração resulte: I - a identificação dos demais envolvidos na infração; e II - a obtenção de informações e documentos que comprovem a infração noticiada ou sob investigação. § 1o O acordo de que

trata o caput deste artigo somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos: I - a empresa seja a primeira a se qualificar com respeito à infração noticiada ou sob investigação; II - a empresa cesse completamente seu envolvimento na infração noticiada ou sob investigação a partir da data de propositura do acordo; III - a Superintendência-Geral não disponha de provas suficientes para assegurar a condenação da empresa ou pessoa física por ocasião da propositura do acordo; e IV - a empresa confesse sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as investigações e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos processuais, até seu encerramento. §2o Com relação às pessoas físicas, elas poderão celebrar acordos

de leniência desde que cumpridos os requisitos II, III e IV do § 1o deste artigo. (grifo nosso) 79 Idem.

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previsto na Lei n° 8.137/90, qual seja a extinção da punibilidade – e não apenas a redução de pena.