Mapa 13 Uso e cobertura da terra Sub-bacia Hidrográfica do rio Jacutinga
1 CONCEPÇÕES TEÓRICAS QUE NORTEIAM ESTE ESTUDO GEOGRÁFICO
1.4 Leis Ambientais Brasileiras: Um Recorte Conceitual
Observamos, geralmente, nas práticas humanas que organizam o espaço geográfico, a natureza vista como fonte ilimitada de recursos à disposição do homem, logo, os danos que observamos são resultantes da forma como ele compreende a si mesmo e a natureza. No entanto, de algumas décadas para cá cresce a preocupação pelas consequências determinadas pelas práticas humanas no ambiente, bem como pelo direito do homem ao ambiente.
Devido às preocupações ambientais segundo Gaspar (2005, p. 23) “constata-se que grande parte das Constituições, elaboradas a partir da década de 70, incluiu disposições relativas à tutela do ambiente”, e neste percurso é possível afirmar que o Brasil está incluído nesta lógica, visto que na Constituição Federal (1988) no seu artigo 225 embora estudos posteriores façam ressalvas quanto ao seu conteúdo, ressalta que
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988).
Diante deste artigo constitucional, podemos salientar que é garantido a qualquer pessoa o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e assim
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também impõe a todos nós o dever de defendê-lo, diante disso, cabe mencionar que devemos observar e respeitar as vulnerabilidades e potencialidades locais para que o ambiente não dê respostas negativas devidas o uso e ocupação das terras.
A partir da década de 1980 ocorreu no Brasil crescente preocupação com as questões relacionadas ao meio ambiente.
A constitucionalização do ambiente ocasionou um inequívoco dever de não degradar que no campo dos recursos naturais e do uso da terra levou a existência da explorabilidade limitada e condicionada, isto é, nem tudo que pertence a propriedade pode ser explorado e aquilo que pode ser explorado deve está de acordo com as condições expostas na lei e em licença ambiental (CANOTILHO; LEITE, 2010). Chama-nos atenção ao aspecto que devemos usar, mas não degradar, assim fazer uso com o mínimo de impacto ambiental.
Devemos repensar sobre nossas ações perante o ambiente, para que possamos ser beneficiados positivamente e garantir a existência das riquezas naturais para outras gerações. Devemos buscar em nossas ações e atitudes um ambiente equilibrado, mas para isso observarmos as especificidades locais e atender o que institui a legislação. Assim, tendo em vista o não atendimento da legislação que muitas vezes deixa sentidos dúbios e as particularidades do local no que tange o uso e a ocupação das terras, se percebe os graves problemas ambientais atuais.
Neste momento, não se pode deixar de fazer uma breve explanação sobre a legislação brasileira, no que se refere aos recursos hídricos, visto que neste quesito podemos encontrar aspectos relacionados a bacias hidrográficas. Abaixo se encontra o histórico da legislação sobre os recursos hídricos no Brasil de acordo com Rebouças (2006) (Figura 1):
41 Figura 1- Linha do tempo com histórico da legislação sobre os recursos hídricos no Brasil
(Continua)
Fonte: Rebouças (2006)
Figura 1 - Linha do tempo com histórico da legislação sobre os recursos hídricos no Brasil (Conclusão)
Fonte: Rebouças (2006)
O termo bacia hidrográfica nem sempre foi citado na legislação brasileira. Nota-se que no Brasil a legislação referente aos recursos hídricos, teve início em 1934 com o Código de Águas, no qual apenas fazia referência as questões relativas ao uso da água e não tecia comentários sobre demais usos. A
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partir da década de 1970, passou a ter preocupação relacionada com a utilização racional e integrada dos recursos hídricos e as bacias hidrográficas foram definidas como unidade de gerenciamento passando a ocupar lugar na legislação. A expansão do uso e ocupação das terras de bacia hidrográfica afeta áreas que são protegidas por leis, como a Área de Preservação Permanente (APP) o que torna relevante a atenção a este tipo de instrumento. A preocupação em relação "às áreas reconhecidas como importantes fontes de bens e serviços ambientais essenciais à sobrevivência do homem" (BORGES et al, 2011, p. 1202) levou ao surgimento no Brasil de legislação referente a APP e essa área deve ser intocável, ou seja, preservada, porém com exceção dos casos de utilidade pública, de interesse social e de atividades de baixo impacto ambiental. A APP foi criada com a finalidade de proteger o ambiente natural, isso significa que é uma área que não pode haver alteração de uso das terras e deve estar coberta com a vegetação original.
A APP foi criada pelo Código Florestal (BRASIL, 1965) já revogado pelo novo Código Florestal (BRASIL, 2012). Aqui no Brasil a ideia de proteger áreas que representam os ecossistemas naturais de um determinado ambiente vem desde 1934, ano em que foi instituído o primeiro Código Florestal, neste é possível vê os primórdios da APP, a qual é motivo de amplos estudos e debates nos níveis federais, estaduais e municipal. Na interpretação das APPs devem ser incluídos aspectos ambientais, econômicos, sociais e culturais esses aspectos são relevantes para a melhoria da qualidade de vida humana (BORGES at al, 2011).
No Código Florestal de 1965 as APPs eram chamadas “florestas de preservação permanente”, porém esse termo ocasionava duplo sentido na interpretação da norma jurídica, por alguns considerar preservação permanente apenas as formações florestais e as normas não eram cumpridas em locais onde não havia vegetação.
De acordo o novo Código Florestal (2012), são APPs, as faixas marginais de qualquer curso d'água natural; as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais; as áreas no entorno dos reservatórios d'água artificiais, na faixa definida na licença ambiental do empreendimento; as áreas no entorno das
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nascentes e dos olhos d'água; as encostas ou partes destas com declividade superior a 45°; as restingas; os manguezais; as áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação; e as veredas. Diante dessas determinações são várias as áreas que devem ser preservadas e devem- se observar as condições expostas neste Código e as condições estaduais sobre o ambiente para o uso e ocupação das terras em bacias hidrográficas justo que, uma vez não observados os dispostos neste Código os ocupantes ou/e usuários estarão infringindo leis ambientais, ficando sujeitos a penalidades.
O novo Código Florestal dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis nºs 6.938/81, 9.393/96 e 11.428/06; revoga as Lei nºs 4.771/, e 7.754/89, e a Medida Provisória nº 2.166- 67/01; e dá outras providências. O novo Código Florestal define no art. 3 que a Área de Preservação Permanente - APP é "área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas". Essa definição pode ser diante da análise das providências do Código Florestal anterior (Lei 4.771 de 1965) uma busca de vocabulário mais claro que evite entendimentos dúbios sobre a APP. Destacamos que o Novo Código Florestal geralmente dirige-se ao uso e são permitidas algumas explorações da vegetação desde que não descaracterize a cobertura vegetal e prejudique a função ambiental da área.
De acordo com a Resolução Conama nº 302/ 2002 (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2002) as APPs tem a função ambiental de "preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas". Dados que se complementam com a definição de APP segundo o Novo Código Florestal. No artigo 3 da Resolução Conama nº
302 no que se refere a bacia hidrográfica, a ampliação ou redução do limite das APPs deverá ser estabelecida considerando, no mínimo, critérios como: características ambientais da bacia hidrográfica; geologia, geomorfologia, hidrogeologia e fisiografia da bacia hidrográfica; representatividade ecológica da
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área no bioma presente dentro da bacia hidrográfica. Esta resolução também expõe que em alguns momentos o comitê de bacia hidrográfica deve ser ouvido.
É relevante o controle e a fiscalização do uso e cobertura das terras na bacia hidrográfica, especificamente em APP para coibir os efeitos danosos ocasionados pelo crescimento socioeconômico. Alterações e ocupações na APP podem comprometer elementos da bacia hidrográfica como a água; o solo; a vegetação; além de poder servir como ameaça à saúde humana e o manejo comprometer a produção e qualidade dos alimentos.
Nessa linha de proteção aos elementos naturais constatadas em leis brasileiras destaca-se a Área de Proteção Ambiental que segundo a Lei 9.985, de 18 de julho de 2000 é em geral uma grande área onde seus atributos são relevantes para a qualidade de vida e bem-estar humano, sendo permitido certo grau de ocupação humana, porém tem como objetivos primordiais proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e garantir a sustentabilidade do uso dos recursos naturais (BRASIL, 2000).
A apropriação e a transformação da natureza pelas ações ou atividade humanas ocasionarão os mais diversos problemas ambientais e, quanto maior a exploração desenfreada da natureza, maior será a degradação ambiental.
O desafio social da atualidade é a implementação de propostas de gestão ambiental que resultem na melhoria e manutenção da qualidade e quantidade dos recursos ambientais e, para isso adota a bacia hidrográfica como unidade de planejamento. Nesse contexto, as geotecnologias entram como ferramentas fundamentais para auxiliar os estudos voltados ao ambiente, pois com elas podem ser feitas análises variadas.
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