2 METROPOLIZAÇÃO, EXPANSÃO URBANA, MOBILIDADE URBANA, MEIOS
2.4 LEIS E POLÍTICAS QUE REGEM A MOBILIDADE URBANA
As Leis no Brasil estipulam diretrizes aos Municípios em termos de implantação de políticas com o objetivo de melhorias quanto aos meios de deslocamento em viagens diárias casa/trabalho, priorizando redução de consumo de espaço e de tempo, uso de energia, emissão de poluentes, acidentes e congestionamentos.
2.4.1 Política Nacional de Mobilidade Urbana – LEI 12587/2012
É um instrumento da política de desenvolvimento urbano que trata a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no território do Município. Abaixo são relatados os principais temas relacionados à mobilidade quanto ao direito da cidade, em termos
de cultura de transporte, integração urbana e tempo versus deslocamento, que serão abordados quanto às principias definições e diretrizes, já que esta Lei é a mais abrangente em território nacional em termos de mobilidade urbana.
Dentre as diversas diretrizes definidas por ela, destacam-se a integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de planejamento e gestão do uso do solo; a prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; a integração entre os modos e serviços de transporte urbano; a mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade; e a priorização de projetos de transporte público coletivo estruturadores do território e indutores do desenvolvimento urbano integrado.
Na seção I, quanto às definições, o Art. 4° estabelece através do item II que mobilidade urbana é uma condição em que se realizam deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano. Para tanto, alguns princípios mais pertinentes para esta dissertação são traçados como fundamentos conforme prevê o Art. 5 desta Lei:
I - acessibilidade universal: todas as pessoas, independente das suas condições físicas e mentais, devem ter acesso ao espaço da cidade e a todos os serviços que ela oferece;
II - desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimensões socioeconômicas e ambientais;
III - equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo:
todos devem ter acesso ao sistema de transporte coletivo e quando pertinente, requerer descontos tarifários e até gratuidades;
IV - eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano: dimensionar a frota; as linhas, a frequência das viagens, priorizando atender adequadamente todos os usuários;
V - gestão democrática e controle social do planejamento e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urbana: comunicação entre os órgãos públicos que têm relação com a mobilidade urbana e os usuários do sistema viário e dos meios de transporte;
VI - segurança nos deslocamentos das pessoas;
VII - justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços;
VIII - equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros;
IX - eficiência, eficácia e efetividade na circulação urbana.
Quanto aos meios de deslocamento no Município, o Art. 6°, nos itens II, III, IV, V e VI, esclarecem através de diretrizes quanto à prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado, além da integração entre os modos e serviços de transporte urbano, a mitigação dos custos ambientais e socioeconômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade, incentivo ao desenvolvimento científico-tecnológico e ao uso de energias renováveis e menos poluentes.
O Capítulo IV desta Lei trata das atribuições da União, as quais estabelecem inúmeras competências que devem ser geridas pela governança nos Municípios. O Art. 16°, através do item IV, trata de uma atribuição em especial, que é fomentar a implantação de projetos de transporte público coletivo de grande e média capacidade nas aglomerações urbanas e nas regiões metropolitanas.
Em seu artigo 23°, a citada Lei faculta aos entes federativos a possibilidade de utilização entre outros instrumentos de gestão do sistema de transporte e da mobilidade urbana, da restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporária, de veículos motorizados em locais e horários pré-determinados, bem como da aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade. A promulgação da Lei foi considerada um avanço do ponto de vista institucional como marco regulatório para a formulação e execução de políticas públicas no setor.
Por fim, se estabelece através do Art. 24°, que o Plano de Mobilidade é um instrumento de efetivação da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) que deverá contemplar os princípios, objetivos e as diretrizes desta Lei, bem como alguns itens mais relevantes como: os serviços de transporte coletivo, a circulação viária, a infraestrutura de mobilidade e a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e não motorizados. Portanto, cabe ao órgão público responsável definir as medidas a serem tomadas para garantir as condições adequadas. O plano de mobilidade urbana deverá ser integrado ao plano diretor municipal, existente ou em elaboração para municípios de no mínimo 20.000 habitantes, no prazo máximo de três anos de vigência desta Lei. As cidades que não cumprirem o prazo ou as diretrizes corretas da PNMU ficarão impossibilitadas de receber mais verbas federais destinadas à mobilidade urbana.
Além da PNMU, A Política Nacional de Trânsito (PNT) promulgada em 2004, como marco referencial, considera um conjunto de fatores históricos, culturais, sociais e ambientais, os quais caracterizam a realidade brasileira e que define diretrizes quanto a eficácia de gestão no trânsito.
A partir do cenário assim constituído, a Política em questão integra objetivos que traduzem valores, princípios, aspirações e anseios da sociedade, em busca do exercício pleno da cidadania e da conquista da dignidade humana e da qualidade de vida plena.
A PNT, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, que incumbe o Sistema Nacional de Trânsito e o Conselho Nacional de Trânsito em estabelecer suas diretrizes, deve harmonizar com as políticas estabelecidas por outros Conselhos Nacionais, em especial com o Conselho das Cidades, órgão colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade civil e que tem por objetivo o desenvolvimento urbano e regional, a política fundiária e de habitação, o saneamento ambiental, o trânsito e o transporte e mobilidade urbana.
Dentre os temas abordados como diretrizes na PNT, a mobilidade urbana está inserida através do item 2.1.3, onde declara:
Esta citação evidencia a importância da liberdade de ir e vir e como se dá o deslocamento no espaço urbano. Os deslocamentos são necessários, porém a forma de como são realizados é que merecem atenção, priorizando os meios de