Capital realizado em parcelas
LEITURA COMPLEMENTAR Aumento e diminuição do Capital
O Capital da empresa pode ser aumentado ou diminuído a qualquer tempo.
Os aumentos são comuns e podem decorrer de novas subscrições feitas pelo titular (empresa individual) ou pelos sócios (empresa societária), ou por incorporações de reservas, assunto que você estudará no Capítulo 13 deste livro.
No caso de novas subscrições, ou seja, quando o titular da empresa individual, por exemplo, decide aumentar o Capital, investindo mais recursos próprios na empresa, a contabilização é semelhante à da constituição do Capital, que você acabou de estudar: debitam-se as contas representativas dos elementos entregues pelo titular (dinheiro, móveis etc.) e credita-se a conta Capital. Caso haja subscrição do aumento para realização futura, no momento da subscrição será debitada a conta que representa o Direito da empresa: titular conta Capital a Realizar.
As diminuições do Capital são raras, porém podem ocorrer.
Nas empresas individuais, por exemplo, quando o titular decide reduzir o valor do Capital, a contabilização do Fato é feita debitando-se a conta Capital e creditando-se a conta Caixa ou outra representativa do elemento que lhe for entregue.
Nas sociedades, as reduções do Capital, quando ocorrem, normalmente resultam de retirada de sócios membros da entidade.
Finalmente, convém ressaltar que tanto os aumentos quanto as diminuições do Capital devem ser devidamente registrados na Junta Comercial do Estado, e quando se tratar de empresa civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de títulos e Documentos.
1. Paulo de Oliveira inicia suas atividades para explorar o comércio de calçados com o Capital realizado, em dinheiro, no valor de $ 10.000, registrado na Junta Comercial do Estado sob no 722.481, em sessão de 10/01/x3.
2. Alberto da Silva inicia suas atividades para explorar o ramo de prestação de serviços de conserto de eletrodomésticos em geral, na rua do Mercado, no 300, nesta cidade, conforme inscrição municipal no 731, com Capital de $ 15.000, integralizado em dinheiro.
3. Paulo de Oliveira aumenta hoje seu Capital, em dinheiro, no valor de $ 40.000, conforme registro de alteração de Capital efetuado na Junta Comercial do Estado sob no 842.790, em sessão de 22/05/x3.
4. Paulo de Oliveira reduz hoje seu Capital, retirando da empresa a importância de $ 5.000, em dinheiro, conforme registro de alteração de Capital na Junta Comercial do Estado sob no 971.222, em sessão de 25/09/x3.
5. Letícia constitui uma empresa individual para explorar o comércio de roupas femininas em geral, situada na rua Aurora, no 721, nesta cidade, conforme registro na Junta Comercial sob no 4.464, em sessão de 12/04/x3. O Capital é de $ 20.000, sendo integralizados $ 5.000 no dia da constituição e o restante após 150 dias.
Efetuar contabilização da constituição do Capital e da realização parcial, em dinheiro, ocorrida na data da constituição, e a realização do restante, ocorrida 150 dias após, também em dinheiro. 6. Nelson constitui uma empresa individual para explorar o comércio de perfumaria, situada na rua dos Operários, nesta cidade, conforme registro na Junta Comercial do Estado, sob no 1.969, em sessão de 8/05/x3. Seu Capital é de $ 40.000, a ser integralizado da seguinte maneira:
a) no dia da constituição — em dinheiro: $ 10.000; diversos móveis avaliados em $ 5.000; um automóvel, conforme certificado de propriedade no 93.939, no valor de $ 15.000.
b) o restante será integralizado em dinheiro, 50 dias após.
Efetuar a contabilização da constituição e da realização na data da constituição, bem como a realização ocorrida 50 dias após.
5.6.2 Despesas de Constituição
Na fase de constituição da empresa, uma série de gastos são necessários visando a sua organização.
Esses gastos são realizados pelo Titular (empresa individual) ou pelos sócios (empresa societária) e representam não só Despesas como também aquisições de Estoques e Bens de uso, e são indispensáveis tanto para que a empresa adquira personalidade jurídica quanto para estruturá-la adequadamente, preparando-a para o início das suas atividades operacionais.
Nesta Seção, trataremos somente dos gastos que representam Despesas, pois as aquisições de Estoques e de Bens de uso devem ser contabilizadas normalmente em contas que representam Bens materiais, conforme já estudamos.
Dessa forma, podemos separar as Despesas da fase de constituição das empresas em dois grupos:
Despesas de Legalização e Despesas Pré-operacionais, embora ambas possam ser contabilizadas
em uma só conta e ocorram antes mesmo de a empresa iniciar suas atividades operacionais.
As Despesas de Legalização compreendem aquelas necessárias para que a empresa adquira personalidade jurídica e possa operar. São normalmente gastos de pequena monta envolvendo o pagamento de taxas para registro da empresa nos órgãos públicos competentes; aquisição de formulários, livros contábeis e fiscais; confecção de talonários de Documentos Fiscais e de outros documentos, requeridos conforme o porte ou o ramo de atividade a ser explorado pela empresa. As Despesas de Legalização abrangem também pagamento de honorários a contadores, advogados e despachantes.
Quando a empresa estiver devidamente constituída e legalizada perante os órgãos públicos, há um período, denominado período pré-operacional, durante o qual o Titular ou os sócios irão estruturar a empresa, preparando-a para entrar em atividade.
O período pré-operacional varia conforme o ramo de atividade e o porte da empresa. Nas empresas comerciais, abrange desde a fase da constituição do Capital até o momento em que a empresa abre as portas para iniciar suas vendas de mercadorias aos clientes. Nesse intervalo de tempo, muitos gastos são efetuados com a compra de Mercadorias, Móveis e Utensílios, e com o pagamento de inúmeras despesas, tais como: reformas do imóvel para melhor adequá-lo às necessidades do negócio (pagamentos a construtores, engenheiros, pedreiros, carpinteiros, marceneiros, pintores, encanadores, decoradores e referentes a compra de materiais necessários à realização dessas reformas); gastos com propaganda e publicidade, pois a nova empresa precisa se tornar conhecida no mercado; pagamentos de despesas com lanches e refeições, transporte etc. Enfim, todos os gastos que ocorrem no período pré-operacional, e que se referem a despesas, devem ser considerados como Despesas de Constituição (Despesas Pré-operacionais).
Convém salientar novamente que, nessa fase de constituição da empresa, os gastos relacionados com a aquisição de Bens de uso (Móveis e Utensílios, Veículos, Computadores etc.) ou de Bens de troca, como é o caso das Mercadorias para revenda, não se enquadram como Despesas de Constituição, devendo ser registrados em contas apropriadas.
Antes do advento da Medida Provisória no 449 de 3 de dezembro de 2008, que complementou as alterações promovidas na Lei das sociedades por ações pela Lei no 11.638 de 28/12/2007, esses gastos eram tratados como bens imateriais, sendo contabilizados em conta integrante do grupo Ativo Diferido. Tendo em vista a extinção desse grupo pela Medida Provisória citada, no processo de internacionalização da contabilidade brasileira, a partir de 1o de janeiro de 2009 o tratamento desses gastos mudou. Agora, todos os gastos que o proprietário ou os sócios realizam no período pré- operacional, visando a constituição da empresa, e que correspondam a despesas ou gastos de organização, devem ser contabilizados como despesas, exceto aqueles que possam ser incorporados aos bens de uso, como é o caso dos gastos com treinamento do pessoal que irá colocar máquinas e equipamentos em funcionamento, os quais devem ser incorporados ao custo das respectivas máquinas e equipamentos.
Exemplo de contabilização:
Suponhamos que os gastos realizados por determinada empresa visando a sua organização sejam os constantes da seguinte relação:
RELAÇÃO DOS GASTOS COM A ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA “X”, REALIZADOS