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Lembre: cada dia é um presente de Deus e menos um dia para descobrir o que lhe move, o que o acorda todos os dias

O QUE FAZER DA MINHA VIDA? 10

10. Lembre: cada dia é um presente de Deus e menos um dia para descobrir o que lhe move, o que o acorda todos os dias

e o faz continuar a viver (cf. Eclesiastes 12,1-8).

Um exemplo ‘Corrente’

Simith Corrente é um jovem trabalhador, viciado em livros e em auto- formação. Segundo soube, grande parte da sua ren-da disponível é destinaren-da a livros e a formações, sem dúviren-das, um investimento de longo prazo com uma incrível propabili-dade de retorno. Conhecemo-nos em 2011, há cerca de 10 dez anos, quando ainda éramos calouros da Faculdade de Econo-mia da Universidade Agostinho Neto. 4 anos depois, em 2015,

morrerermos serão as outras pessoas quem cuidarão de nós!

30 O site https://arnaldosoba.com/ dentre outros, dispõe de um curso sobre Projecto Pessoal de Vida (“PPV”), sobre como descobrir o seu propósito, o seu Ikigai, o seu Insight, para dar uma nova guinada na vida.

Arnaldo Soba | 74 Visão Juvenil | 75 cada um seguiu o seu percurso profissional, não tão distinto,

aliás, desde lá para cá, continuámos no mesmo sector de acti-vidade, trocámos experiência, criámos conteúdos para 3 pági-nas de redes sociais voltadas à nossa área do saber e, com isso, aprendemos muito um com o outro.

Em 2020, bem antes do lançamento da minha anterior obra “Tornei-me licenciado: e agora?”, eu havia publicado no meu story do WhatsApp um vídeo com uma mensagem incri-velmente emocionante. Trata-se do extracto do discurso de formatura do Curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas, feito pelo neo-Médico Lucas Ximenes, da Turma de alegria e de luto. Ao finalizar, Ximenes deixou ficar para to-dos, um dos vários ensinamentos do Papa Francisco (que ficou conhecido por sua simplicidade) que diz:

“Os rios não bebem sua própria água, As árvores não comem seus próprios frutos, O Sol não brilha para si mesmo e,

As flores não espalham sua fragância para si.

Viver para os outros é uma regra da natureza.

A vida é boa quando você está feliz,

Mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa!”

Quando Simith viu essa mensagem, reviu-se imediatamen-te na mensagem e pediu que eu a enviasse. Sem perguntar quais razões, apenas atendi ao seu pedido. Semanas seguintes deparámo-nos com outro vídeo surpreendentemente interes-sante.

Num vídeo amador, Simith é flagrado, numa manhã de Do-mingo, a abrir a bagageira do seu Hyindai Elantra a oferecer

embrulhos de sandes e sumos a crianças em situações de vul-nerabilidade. De acordo com pessoas próximas a si, esse gesto é replicado em Domingos ou noutros dias, quando a sua des-fiadora agenda permite. O que me surpreende em tudo isso é que, até hoje, nunca tinha visto Simith publicar uma só foto sobre esse seu generoso e memorável gesto. Como ele mes-mo diz quando lhe é questionado sobre isso, “Em muitas situa-ções, ninguém precisa de saber o bem que fazemos”, fazendo juz à exortação de Jesus em Mateus 6,3-4 quando diz “v.3. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direi-ta. v.4. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.”. Mais tarde também soube das razões da sua paixão pelo mundo das ideias e pelos livros. Há anos, ele vem desenvolvendo uma Biblioteca Comunitária no seu bairro, Prenda, com o objectivo de democratizar o acesso ao livro e o fomento à letiura. Assim como Simith, nos últimos tempos vamos testemunhando várias iniciativas levadas cabo por vários jovens um pouco por todo o mundo. Portanto, “se tiver oportunidade, torne grande os pequenos”!

Olhando para a experiência, cheguei também a conhecer uma menina angolana, católica, chamada Leila, poliglota, por conta do seus pais que eram diplomatas. Infelizmente, aos seus 15 anos, sua família experimentou a dor do luto quando sua filha foi vítima de leucemia (câncer do sangue). Apesar da sua fisionomia aparentemente frágil, Leila continua a ter um grande legado, deixando traços marcantes na vida de quem com ela se cruzou ao longo do seu breve parêntesis existencial.

Sua jornada era tão interessante que, depois da sua morte, foi alvo de destaque num periódico internacional num artigou que ficou conhecido como “The Leila Legacy”.

Segunda-feira: visitava uma casa de meninos em situação

Arnaldo Soba | 76 Visão Juvenil | 77 de vulnerabilidade e transmitia o seu amor por eles. Como seu

génio poliglota, nesse dia de semana, Leila ensinava línguas estrangeiras como o Inglês, Francês e Espanhol.

Terceira-feira: contava histórias para idosos de um lar da terceira idade, na hora da cesta.

Quarta-feira: ia aos ensaios com o seu grupo de teatro.

Quando não tivessem ensaios, à tarde, ensinava alguns tru-ques de decoração às meninas do seu bairro.

Quinta-feira: com apoio de alguns colegas e amigos, de-pois da Escola, criava espaços de debate na sua comunidade, com o objectivo de sensibilizar os seus contemporâneos, jo-vens e até pais, sobre as várias implicações da dessacralização do sexo e de uma vida sexual activa (precoce) em adolescentes e jovens.

Sexta-feira: indo de casa em casa recolhia roupas, calçados e alimentos para os meninos que visitava às segundas-feiras.

Sábado: ia à catequese. Sempre que possível e com a per-missão dos pais, convidava as crianças que não tivessem aces-so à pastoral catequética.

Domingo: ia à Missa e à reunião de seu grupo. À noite, pre-parava a semana seguinte e antes de domir fazia leitura orante da bíblia (lectio divina) sobre o Evangelho do dia.

Hoje, o exemplo de Leila é partilhado em várias conferên-cias de adoles- centes e de jovens para mostrar como a vida, apesar de breve e desafiadora, pode ser um verdadeiro encan-to, uma vida de acção e doação.

Para encerrar esse capítulo, compartilhamos, a seguir, uma mensagem da poetisa e contista brasileira, Cora Coralina, a vi-são sobre a vida:

“Não sei se a vida é curta ou longa para nós. Mas, sei que nada

do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia e amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida, é o que faz com que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, ver-dadeira e pura enquanto durar.”

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APÊNDICE

MANIFESTO JOVEM CONTRA A PRESSÃO SOCIAL PREDATÓRIA

Os 20 e poucos anos estão a matar-nos, tornar-nos ansiosos e depressivos. Essa ideia de ter ou ser “sucesso” entre os 20 e os 30 anos de idade é esgotante!

Terminas o ensino médio, dizem-te que não tens faculdade.

Consegues um diploma de faculdade, criticam-te por não teres um emprego. Consegues um emprego, criticam-te por “ganhares mal”.

Passas a “ganhar [relativamente] bem, criticam-te por não

“vestires nada”.

Constróis uma familia, criticam-te por não teres casa própria...

Assim sendo, os 20 e poucos anos continuará a fazer muitas ví-timas...

Mal começas a entender o sentido da vida, agora passam a cobrar-te casamento, filho, idioma e carro; mas ninguém te diz o quanto isto custa e em que medida eles estariam dispostos a apoiar-te nestes desafios.

O tempo vai passando e, quando abres as redes sociais, parece que a vida de todo mundo está melhor que a tua.

De repente, a ansiedade e a depressão começam a tomar conta de ti. Nos teus pensamentos vais-te martelando, a dizer que tens pouco tempo, que estás aquém do nível de vida de “todo mundo” e que tens de correr...

Arnaldo Soba | 80 Visão Juvenil | 81 E, então, começa a febre neurótica de te comparares com os

ou-tros e, inevitavelmente, vai se disseminado a inveja... no teu inte-rior.

Os 20 e poucos anos não são tão bons assim (como pensávamos quando mais novos). Infelizmente, ninguém quer (e ninguém vai) saber da tua saúde mental.

As pessoas não se importarão se estás infeliz, ansioso ou depres-sivo. O que lhes importava era saber “se tu és alguém” para, assim, puder ponderar se és digno ou não de merecer o respeito deles.

Enquanto, apesar de todas as adversidades, vamos nos supe-rando cada dia e lutando por dias melhores para nós mesmos, nos-sa família e, por extensão, para o país; o nosso “Eu” vai esmorecen-do por ser/ter/fazer “tanta coisa” e, ainda assim, “ninguém dar a mínima por isso”.31

31 Texto original de Luiz Gui Prado (ligeiramente adaptado).

POR FAVOR, FIQUE SOLTEIRA!

“Fique solteira até que você conheça um ‘cara’ que não faça jo-guinhos. Fique solteira até que encontre um ‘cara’ que seja ‘Homem de Palavra’, que lhe honre e lhe respeite, que valoriza o que você faz por ele... Que valorize o tempo que você gasta se arrumando para encontrar-lhe. Fique solteira, mas não fique com um ‘cara’ que você tenha que cobrar amor ou atenção.

Fique solteira até encontrar alguém que ame a Deus sobre todas as coisas. Um ‘cara’ apaixonado pelo Evangelho, apaixonado por Jesus. Se ele não amar a Deus fique solteira, mas, pelo amor de Deus, não fique com um ‘tarado’ que lhe ignora, que só lhe procura quando precisa de cama e sexo. Que lhe coloca para baixo e lhe faz se sentir inferior a ele.

Repito: fique solteira até conhecer um ‘cara’ honesto que queira dividir o futuro com você. Ao contrário, não perca seu tempo com

‘caras’ assim. Além de perder tempo, você perde a oportunidade de conhecer um ‘Homem Incomum’”.32

32 Texto original de Lázaro Rethiel, "O Melhor de Mim" (ligeiramente

adap-Arnaldo Soba | 82 Visão Juvenil | 83 POR FAVOR, FIQUE SOLTEIRO!

“Fique solteiro até que você conheça uma ‘girl’, que não faça jo-guinhos. Fique solteiro até que encontre uma ‘girl’ que seja uma

‘Mulher Incomum’, que lhe respeite, lhe compreenda, que valorize o sacrifício diário que você faz por ela; que valorize o tempo que você gasta ‘trabalhando duro’ para ajudá-la em todas as suas dimen-sões. Fique solteiro, mas não fique com uma ‘girl’qualquer, que você tenha que mendigar amor, respeito ou atenção.

Fique solteiro até encontrar alguém que ‘ame a Deus sobre to-das as coisas’, uma ‘girl’ apaixonada por assuntos espirituais, pela vida, pelo Evangelho e apaixonada por Cristo Jesus... ‘se [ela] não se respeita’, ‘não tem amor próprio’ e não amar a Deus continue solteiro. Mas, pelo amor de Deus, não fique com uma ‘tarada e inte-resseira’, que lhe ignora, que só liga-lhe ou procura quando precisa (do seu dinheiro) ou está aflita... que lhe coloca para baixo e lhe faz sentir-se inferior a ela... sobretudo, académica ou profissionalmen-te.

Repito: fique solteiro até conhecer uma ‘girl’ séria, de valor, uma

‘girl’ desinteressada, fiel, que queira dividir o futuro com você. Do contrário não perca seu tempo com ‘miúdas desprovidas de valor e educação’. Além de perder seu tempo e dinheiro, você perde a opor-tunidade de conhecer uma mulher que merece todo o seu amor — a mulher dos seus sonhos!”33

33 Spin-off do texto original de Lázaro Rethiel, "O Melhor de Mim" (ligeira-mente adaptado).

A HISTÓRIA DA MULHER34

Conta uma lenda que no princípio do mundo quando Deus deci-diu criar a Mulher, viu que havia esgotado todos os materiais sóli-dos no homem e não tinha mais o que dispor:

Diante deste dilema e depois de uma profunda reflexão, fez o seguinte: Pegou a forma arredondada da lua e

As suaves curvas das ondas,

O trémulo movimento das folhas e A forma esbelta da palmeira, A nuance delicada das flores e O amoroso olhar da pomba, A alegria dos raios do sol e As gotas do choro das nuvens, A inconstância do vento e a fidelidade do cão,

A timidez da tartaruga e a vaidade do pavão,

A suavidade da pena do cisne e a dureza do diamante, A doçura da manga e a crueldade do tigre,

O ardor do fogo e a frieza da neve,

A paciência do caracol e a persistência do pica-pau,

Misturou ingredientes tão diferentes, formou a mulher e deu ao homem…

Depois de uma semana veio o homem e disse a Deus:

“Senhor, a criatura que me deu faz-me desgostoso, quer toda a minha atenção. Nunca me deixa sozinho, fala demais, chora sem motivo e se diverte em me fazer sofrer. Por isso, vim devolvê-la por-que NÃO POSSO VIVER COM ELA!”

3⁴ Suplemento do capítulo 4 — "Os desafios de ser uma jovem mulher".

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“Está bem” – disse Deus e levou a Mulher.

Se passou outra semana, o homem voltou e disse:

“Senhor, me encontro muito sozinho desde que eu devolvi a cria-tura que fizeste para ser minha companheira”.

“Ela cantava para mim e brincava ao meu lado, me olhava com ternura e o seu olhar era uma carícia, ria e o seu sorriso me conta-giava – era uma música bonita de se ouvir. Deixava-me inebriado a suavidade do seu tacto.”

“Por favor, Deus, eu lhe imploro devolva-ma porque NÃO POS-SO VIVER SEM ELA!”