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6 OS ARRANJOS INSTITUCIONAIS E OS GRANDES PROJETOS URBANOS PARA A RMR:

6.4 REFLETINDO SOBRE AS OBRAS DE MOBILIDADE URBANA PARA A RMR

6.4.1 BRT Leste-Oeste

Com base em um dos pontos de análise, coletou-se a Figura 44 na página da empresa estatal Grande Recife158, uma das responsáveis pela obra do BRT; a figura mostra a atual

situação do BRT Leste-Oeste para as cidades de Recife e Camaragibe. Nela são verificados os pontos negativos identificados no trabalho empírico desenvolvido no mês de janeiro/2017. Na figura abaixo, observa-se sete estações não construídas, ou seja, colocadas como “previstas” e duas estações de integração ainda não desenvolvidas (em obras). A análise de campo identifica, principalmente, nas obras da Avenida Conde da Boa Vista e da Avenida Benfica contradições nas informações que serão debatidas nesta seção.

FIGURA 44 - BRT LESTE-OESTE

Fonte: Grande Recife (2017). http://www.grandeRecife.pe.gov.br/web/grande-Recife.

158 Segundo o sítio da instituição, após a extinção da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU/Recife), foi criado, formalmente, no dia 08 de setembro de 2008, o Grande Recife Consórcio de Transporte, que é a primeira experiência de consórcio no setor de transporte de passageiros em todo o país. A criação do Grande Recife só foi possível graças à Lei Federal nº 11.107, de abril de 2005, que dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios constituírem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum.

Para a análise do Corredor BRT Leste-Oeste será considerada também a Avenida Caxangá, visto que ela também faz parte do Corredor. As primeiras críticas negativas a esse BRT são referentes à não finalização das estações, pois na Avenida Conde da Boa Vista são seis obras inacabadas (três para ida e três para volta), já iniciadas, porém não finalizadas, conforme pode ser verificado na Figura 45, que está logo abaixo.

FIGURA 45 - PARADA INACABADA NA AVENIDA CONDE DA BOA VISTA

Fonte: Autor (2017).

Essa realidade mostrada na figura acima é a mesma para as seis paradas da Avenida Conde da Boa Vista, que fica próximo ao Centro do Recife. Essa é a principal contradição em relação à informação da empresa estatal Grande Recife, pois ela sinaliza uma estação em funcionamento que não foi verificada como tal no trabalho de campo, e há um quantitativo maior de paradas do que o indicado pela empresa - ao invés de serem quatro, há um total de seis paradas, três para cada sentido.

A funcionalidade do BRT nessa área é limitada, visto que não há paradas, logo, os passageiros que quiserem parar só o farão na Avenida Guararapes, destacando que é de, aproximadamente, 3 km a distância entre as estações, conforme analisado no Google Maps. Essa situação também pode ser verificada na Avenida Benfica (Figura 46), próximo ao Supermercado Extra, que possui uma estação nessa mesma condição, divergindo da informação do Grande Recife que informa estar funcionando perfeitamente. Sobre a funcionalidade do BRT nessa área, são verificados transtornos para os passageiros que querem desembarcar no local, mas, por a estação não estar funcionando, eles só podem fazer esse desembarque na Praça do Derby; a distância percorrida é de, aproximadamente, 2 km (via Google Maps).

FIGURA 46 - PARADA INACABADA NA AVENIDA BENFICA

Fonte: Autor (2017).

Na Avenida Caxangá é onde se encontram os piores pontos negativos dessa obra. Além de não finalizarem todas as estações, pois há uma no viaduto, há duas estações de integração de ônibus que ainda não foram finalizadas. Isso gera um caos na mobilidade urbana, visto que uma faixa é a exclusiva para o BRT e as outras duas faixas são para os ônibus tradicionais e outros veículos (carro, moto, bicicleta, caminhão, etc.). O resultado é uma grande ineficiência no trânsito da Avenida Caxangá; o que era para melhorar o trânsito terminou gerando maiores transtornos para os transeuntes daquela região. As duas estações de integração inacabadas constam nas Figuras 47 e 48, a seguir.

FIGURA 47 - ESTAÇÃO (1) INTEGRADA DE ÔNIBUS NA CAXANGÁ

FIGURA 48 - ESTAÇÃO (2) INTEGRADA DE ÔNIBUS NA CAXANGÁ

Fonte: Autor (2017).

Segundo o projeto, essas estações seriam uma forma de desafogar a Avenida Caxangá, pois os ônibus tradicionais iriam para vias paralelas, melhorando a distribuição dos veículos na região. Infelizmente, não se consolidou esse projeto porque as duas estações estão inoperantes, e, se um dia forem ativadas, será necessária uma reforma estrutural, gerando maiores gastos para uma estrutura que nunca foi usada. Atualmente, ela está sendo moradia para mendigos, usuários de drogas, etc. Outro ponto negativo é o viaduto da Caxangá, construído como obra para Copa, onde deveria ter uma estação do BRT, pois há uma distância de aproximadamente, 1 km. É importante ressaltar que essa obra foi muito criticada, pois o viaduto interfere em uma parcela pífia de toda a avenida. A Figura 49 indica onde seria essa estação (na parte superior).

FIGURA 49 - PARADA INACABADA NA AVENIDA BENFICA

Haveria um elevador para levar os passageiros a essa estação e também para eles fazerem o desembarque, gerando ainda maiores gastos para a obra e para o contínuo da gestão, ou seja, produzindo um custo fixo mais elevado por conta dessa estrutura construída.

Por fim, e já analisando a última parte do corredor, que fica na cidade de Camaragibe, vê-se que não há quatro estações, o que gera grandes dificuldades para os passageiros, visto que dependendo da rota do passageiro, ele poderá desembarcar e ir para uma parada normal, dos ônibus tradicionais, ou só desembarcar na estação de integração de Camaragibe. Ou seja, isso gera no dia-a-dia um transtorno para os passageiros que seguem esse tipo de lógica. Outro grande problema é que a principal via, Avenida Belmínio Correia, não possui espaço para este tipo de estrutura BRT, ficando da mesma forma que a Avenida Caxangá. Em resumo, um aglomerado de veículos nas duas ou, no máximo, três faixas que as avenidas possuem, gerando assim diversos problemas na mobilidade urbana, visto que se colocou uma estrutura de BRT em uma via que não está separada, onde há uma faixa exclusiva, porém, na hora do caos urbano, isso, normalmente, não é respeitado.