Dentro dos eixos do SINAES, procurou-se analisar neste estudo as atividades de ensino, pesquisa e extensão promovidas pelo Instituto Multidisciplinar de Nova Iguaçu, dentro do período considerado.
Indicadores estatísticos foram utilizados como parâmetros de comparação e de acordo com a necessidade na análise dos resultados.
Para levantar os dados referentes ao ensino, de uma forma que atendessem consistentemente aos objetivos desta área, ou seja, de atividades realizadas que representem significado social para a baixada fluminense, três aspectos foram escolhidos: o perfil do discente; o estágio (delimitado ao público alvo do levantamento de campo); e os programas institucionais produzidos no Instituto Multidisciplinar e seus alcances.
Sobre o perfil do discente, foram obtidos os seguintes dados: nome, sexo e cidade onde reside. O sistema acadêmico da UFRRJ possui estas informações e possibilitou ao pesquisador coletar estes dados.
Sobre os estágios supervisionados, o pesquisador consultou as pastas dos discentes da pesquisa que estão arquivadas no Núcleo de Apoio à Graduação do Campus Nova Iguaçu (NAGRAD-NI). Este setor arquiva o histórico de estágios obrigatórios e não obrigatórios realizados pelos discentes do Campus.
Então foi possível coletar as informações sobre os locais (empresa/escola e a cidade) onde os discentes (objeto do levantamento de campo) realizaram seus estágios. Foram encontradas pastas de setenta e dois (72) discentes. Os dezoito (18) restantes se enquadram em duas possibilidades: não realizaram estágios ou realizaram estágios sem registrar na UFRRJ.
Os programas institucionais da UFRRJ relativos ao ensino, que trabalharam mais especificamente com a formação de professores no período da pesquisa, foram: Programa
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Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), Programa de Educação Tutorial (PET) e Programa de Consolidação das Licenciaturas (PRODOCENCIA).
Além do alcance da comunidade externa que estes programas proporcionaram, eles também são fontes documentais que possibilitaram obter informações sobre atividades realizadas que complementaram a formação docente nos cursos de licenciatura estudados.
Os três programas institucionais possuem páginas na internet que retratam suas atividades realizadas. Então estas páginas foram às fontes de consulta para este trabalho.
Para levantar os dados referentes à pesquisa e extensão, o pesquisador acessou as Atas digitais do Conselho Departamental, nome dado ao colegiado máximo do Instituto Multidisciplinar à época. Cópias digitais destas Atas, localizadas na secretaria deste instituto, foram disponibilizadas pela Direção do Instituto para esta pesquisa.
Entre 2006 e 2009, as atividades de pesquisa e extensão deveriam obter aprovação deste colegiado, como um dos requisitos para se tornarem oficiais diante da universidade.
Então, após leitura de todas as Atas, foi possível identificar as atividades de pesquisa e extensão aprovadas por este colegiado durante este período. Como limitação, não podemos afirmar que foram identificados todos os projetos, pois duas outras possibilidades são consideradas: algum projeto de pesquisa e/ou extensão pode não ter sido apreciado por este colegiado e o cadastro da secretaria pode apresentar ausência de alguma Ata ou informação.
Nos arquivos físicos da Direção do Instituto Multidisciplinar, este pesquisador obteve informações importantes para agregar no registro histórico de implementação deste Campus relatado neste trabalho, como: Avaliação dos cursos e do Instituto Multidisciplinar, lista de presença da primeira aula inaugural, livro de ponto dos docentes, livro de ponto dos técnicos administrativos e a Proposta UFRRJ-IM na chamada pública MCT/FINEP/Ação Transversal – 05-2006.
Outra fonte documental de importância foram os processos administrativos sobre a implementação do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ. E ao pesquisar na busca de processos, através de um link disponibilizado no site da UFRRJ, encontramos os processos: 23083.004855/2005-55, referente a implementação da unidade da UFRRJ em Nova Iguaçu; e 23083,007201/2005-83, referente ao Termo de Contrato nº 28/2005 que trata de Cooperação Técnica entre a UFRRJ e a FAPUR.
Estes processos administrativos confirmaram a hipótese do pesquisador logo que desarquivados, com autorização da Pró-Reitoria de Graduação, pois acrescentaram informações sobre o projeto de implementação do campus e detalhes do convênio estabelecido entre UFRRJ e sua fundação FAPUR, que fizeram a gestão dos recursos investidos.
Todas estas fontes documentais permitiram ao pesquisador obter dados em quantidade e qualidade suficiente para evitar a perda de tempo e o constrangimento que caracterizam muitas das pesquisas em que os dados são obtidos diretamente das pessoas.
Para o segundo momento do levantamento de campo desta pesquisa, que relaciona referenciais teóricos a aspectos operacionais, a interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados é essencial. Pois este trabalho interacional, de acordo com Minayo (2008), possibilita ao pesquisado revelar através da fala as suas condições de vida, a expressão dos sistemas de valores e crenças e, ao mesmo tempo, ter a magia de transmitir o que pensa o grupo dentro das mesmas condições históricas, socioeconômicas e culturais que o interlocutor.
Por outro lado, também é importante entender que no campo, os sujeitos/objetos da investigação “fazem parte de uma relação de intersubjetividade, [...] daí resultando num produto compreensivo que não é a realidade concreta”. (Id., 2008, p. 63)
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Dentro deste entendimento não se pode pensar num trabalho de campo neutro, pois,
A forma de realizá-lo revela as preocupações científicas dos pesquisadores que selecionam tanto os fatos a serem observados, coletados e compreendidos como o modo como vai recolhê-los. Esse cuidado é necessário porque o campo da pesquisa social não é transparente e tanto o pesquisador como os seus interlocutores e observados interferem no conhecimento da realidade. Essa interferência faz parte da própria natureza da pesquisa social que nunca é neutra. (MINAYO, 2008, p. 63)
Mesmo assim, o levantamento de campo, pouco indicado para estruturas sociais complexas, é muito útil para o estudo de opiniões e atitudes, porque trabalha com gente e suas realizações.
Considerando a população deste levantamento social composta por 80 pessoas, o questionário foi escolhido como uma ferramenta mais adequada para obter as informações desejadas. De acordo com Gil (2008), a utilização do questionário apresenta vantagens e limitações:
Vantagens:
a) possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que estejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o questionário pode ser enviado pelo correio; b) implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o treinamento dos pesquisadores;
c) garante o anonimato das respostas;
d) permite que as pessoas o respondam no momento em que julgarem mais conveniente;
e) não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado. (GIL, 2008, p. 122)
Limitações:
a) exclui as pessoas que não sabem ler e escrever, o que, em certas circunstancias, conduz a graves deformações nos resultados da investigação;
b) impede o auxílio ao informante quando este não entende corretamente as instruções ou perguntas;
c) impede o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido, o que pode ser importante na avaliação da qualidade das respostas;
d) não oferece a garantia de que a maioria das pessoas devolva-no devidamente preenchido, o que pode implicar a significativa diminuição da representatividade da amostra;
e) envolve, geralmente, número relativamente pequeno de perguntas, porque é sabido que questionários muito extensos apresentam alta probabilidade de não serem respondidos;
f) proporciona resultados bastante críticos em relação à objetividade, pois os itens podem ter significado diferente para cada sujeito pesquisado. (GIL, 2008, p. 122)
Como a construção do questionário exige uma série de cuidados na sua elaboração, a fim de obter a máxima eficácia na verificação dos seus objetivos, este pesquisador e sua orientadora pensaram nas questões a serem perguntadas considerando os propósitos e objetivos da pesquisa.
O questionário foi inicialmente submetido a um pré-teste, e posteriormente encaminhado por e-mail a duas professoras/pesquisadoras da UFRRJ, Dra. Márcia Denise Pletsch e Dra. Anelise Monteiro do Nascimento. Ambas fizeram algumas indicações de ajustes (prontamente corrigidos pelo pesquisador) e aprovaram o questionário.
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Então, considerando que o levantamento social aborda seres humanos, este pesquisador submeteu ao Comitê de Ética na Pesquisa da UFRRJ (COMEP), através do processo 23267.001584/2015-08, o projeto de pesquisa, o questionário, o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e o consentimento da participação da pessoa como sujeito. Os documentos foram aprovados integralmente em 23/03/2016, com o protocolo de identificação nº 699/2015.
O projeto também se encontrava em conformidade com as Normas da Resolução nº 466/2012, que regulamenta os procedimentos de pesquisa envolvendo seres humanos.
Foi então, que enfim este pesquisador abordou a população do levantamento social composta por discentes ingressantes nos quatro primeiros anos de funcionamento do Instituto Multidisciplinar, que ainda estavam cursando sua graduação.
Através do sistema acadêmico da UFRRJ foram obtidos os seguintes dados desta população: nome, curso, matrícula, sexo e e-mail.
Com estas informações, o pesquisador utilizou um software online chamado surveymonkey que permitiu enviar o questionário por e-mail ao público da pesquisa. Esta ferramenta possibilitou uma boa apresentação do material composto por uma página de introdução, com a função de explicar a importância da participação, ressaltar o anonimato e o Termo de Consentimento Livre Esclarecido; após a introdução, seguia o questionário.
O objetivo inicial consistia em obter completa participação da população em questão, porém muitas pessoas deixam de responder a determinadas questões ou passam a respondê-las de maneira inapropriada. Por isso, cabe ao pesquisador utilizar algumas estratégias com vistas à prevenção de deformações, porque:
Nem todas as pessoas estão motivadas para fornecer as respostas solicitadas. Algumas podem até mesmo se sentir ameaçadas ao serem indagadas acerca de determinados assuntos. Por outro lado, há questões que por sua natureza ou forma são capazes de criar constrangimentos nos respondentes. O vocabulário utilizado também pode conduzir a interpretações inadequadas. Há palavras que por serem estereotipadas ou apresentarem conotação negativa tendem a ser evitadas ou rejeitadas. (GIL, 2008, p. 128)
Diante disso, com o objetivo de prevenir deformações, foram adotadas as seguintes estratégias para aplicação deste questionário: enfatizar o anonimato, incrementar o nível de confiança no pesquisador e enfatizar a importância das respostas para a pesquisa.
Outra limitação insurgida durante o período estabelecido para os respondentes preencherem o questionário, foi que nem todos os discentes da população responderam. Por esta razão, na maioria dos levantamentos é muito frequente se trabalhar com amostras, sem a necessidade de abordagem de todos os integrantes do público em estudo, pois,
Antes seleciona-se, mediante procedimentos estatísticos, uma amostra significativa de todo o universo, que é tomada como objeto de investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida mediante cálculos estatísticos. (GIL, 2008, p. 55)
Dentro dos procedimentos definidos pela Teoria da Amostragem em pesquisa social, Gil (2008, p. 91) destaca dois grandes grupos nos quais são classificados diversos tipos de amostragem: probabilísticos, que são rigorosamente científicos; e não probabilísticos, que não apresentam fundamentação matemática ou estatística, dependendo unicamente de critérios do pesquisador.
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Em função das características de coleta de dados já relatadas, a aplicação do questionário ocorreu sem a definição do tipo de amostragem que seria utilizado. Pois duas possibilidades estavam postas: caso todos os integrantes da população respondessem o questionário ocorreria um censo, ou caso parte da população respondesse o questionário ocorreria uma amostragem por acessibilidade ou conveniência.
O envio do questionário por e-mail ao público-alvo resultou em 22 respondentes. Além do envio por e-mail, este pesquisador também coletou outras respostas através da aplicação do questionário impresso, à medida que os foi encontrando pelos corredores do Instituto Multidisciplinar e em sala de aula, tendo em vista que ainda estão cursando disciplinas no IM.
No total foram obtidos 39 respondentes das 80 pessoas da população pesquisada (48,75%), 15 respondentes do curso de História, 15 respondentes do curso de Matemática e 9 respondentes do curso de Pedagogia. Então, o tipo de amostragem por acessibilidade ou conveniência demonstrou-se o mais indicado, apesar de ser não probabilística.
A superioridade da amostragem probabilística é incontestável. Porém, existem situações em que o uso da amostragem não probabilística deve ser considerado, pois é capaz de trazer resultados razoáveis, como rapidez e menor custo, quando bem conduzida.
A amostragem por acessibilidade ou conveniência é definida da seguinte forma:
Constitui o menos rigoroso de todos os tipos de amostragem. Por isso mesmo é destituída de qualquer rigor estatístico. O pesquisador seleciona os elementos a que tem acesso, admitindo que estes possam, de alguma forma, representar o universo. Aplica-se este tipo de amostragem em estudos exploratórios ou qualitativos, onde não é requerido elevado nível de precisão. (GIL, 2008, p. 94)
A utilização de uma amostragem não probabilística neste levantamento de campo se justifica por este apresentar características que dispensam a utilização de amostragem probabilística, dentre as indicadas por Mattar (1996, p. 157), como: a obtenção de uma amostra de dados que reflitam precisamente a população não é o propósito principal da pesquisa; se não há intenção de generalizar os dados obtidos na amostra, então não haverá preocupações quanto à amostra ser mais ou menos representativa da população; e às limitações de tempo, recursos financeiros, materiais e pessoas, necessários para a realização de uma pesquisa com amostragem probabilística.