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2 ESTRUTURA METODOLÓGICA DO ESTUDO

2.1 ÁREA DE ESTUDO

2.1.2 Segunda Fase

2.1.2.2 Levantamento de dados e simulador contábil

A última etapa da segunda fase tem como objetivo subsidiar a simulação contábil de apuração da cota-parte de ICMS (índice de participação do município) dos 143 municípios

13 Foram entrevistados especialistas das seguintes áreas: ciências sociais, jurídica, ciências econômicas/contábeis

paraenses relativa ao exercício de 2010. Os dados levantados nessa etapa são relativos aos resultados das entrevistas com os especialistas citados anteriormente e aos critérios relacionados à distribuição atual de ICMS no Pará.

O Simulador contábil gerou seis simulações diferentes (Figura 1).

Figura 1 - Fases que subsidiaram o simulador contábil. Fonte: Elaboração Própria.

Para possibilitar a confecção do simulador contábil foram levantados e utilizados dados secundários e oficiais. Assim, o banco de dados se constitui de informações retiradas das publicações “Zoneamento Econômico e Ecológico” e “Indicadores de Qualidade Ambiental dos Municípios Paraenses”, ambas do IDESP. Considerou-se também o Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma vez que os resultados do Censo 2010 ainda não tinham sido publicados até a época do desenvolvimento do simulador contábil.

Os dados relativos ao desmatamento e às queimadas foram obtidos a partir das informações contidas no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nas páginas do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES) e Queimadas.

Utilizou-se também de dados relativos ao manual da cota-parte dos municípios, bem como da cota-parte de ICMS relativo ao exercício financeiro de 2010, disponibilizado por SEFA (2010).

Após o levantamento dos dados, estes foram sistematizados no simulador contábil. Dessa forma, este pode ser definido como instrumento capaz de simular as variações de cotas- parte de ICMS para os municípios paraenses, a partir da implementação do ICMS Ecológico. O simulador foi construído no software Microsoft Excel 2007.

Como dito anteriormente, foram propostas seis simulações por motivos que serão explicados a seguir.

A primeira simulação foi baseada em Tupiassu (2003). Este estudo foi selecionado

por ser o primeiro do Pará a tratar do tema ICMS Ecológico. Propunha que fosse feita uma reformulação na lei estadual de distribuição do ICMS aos municípios. Os critérios sugeridos foram quatro:

 Meio ambiente natural: 8,75%, com base na relação percentual entre o total da área do município e a área das UC e espaços territoriais especialmente protegidos nele existentes, de domínio público e de domínio privado;

 Educação: 3,75%, com base na relação entre o número de crianças matriculadas no ensino fundamental e o número total de crianças de idade escolar nele domiciliadas e 2,5% de acordo com o inverso da taxa de evasão escolar do município;

 Saneamento básico: 5%, com base no percentual da população atendida pelo sistema de tratamento ou disposição final de lixo e de esgoto sanitário;

 Saúde pública: 2,5%, com base no percentual de leitos disponíveis em relação à população municipal e 2,5% de acordo com o universo de coeficiente de mortalidade infantil do município;

Essa simulação não pôde ser concluída, pois se optou por considerar apenas dados secundários e oficiais e não foram encontrados dados como os descritos por Tupiassu (2003) relativos ao critério educação, bem como dados atualizados sobre saneamento básico.

Devido à impossibilidade de realização da primeira simulação, foi realizada uma segunda, de acordo com a porcentagem estabelecida por Tupiassu (2003) para o critério meio ambiente natural, ou seja, 8,75%. Foram mantidos os critérios adotados atualmente pelo Pará, reduzindo, contudo, o critério partes iguais de 15% para 6,25%. Para essa simulação, conservou-se a metodologia de Rondônia, estado da região amazônica onde é feita uma relação entre a extensão da AP existente no município extensão da AP estadual.

Identificou-se que muitos municípios paraenses possuem extensões territoriais pequenas, mas com grande percentual de AP. Portanto, o modelo de Rondônia, que considera a relação da área protegida do município pelo total de áreas protegidas do estado, não gerou resultados positivos homogêneos para todos os municípios paraenses que possuem AP. Optou-se por desenvolver uma terceira simulação, na qual foi modificada somente a metodologia para o cálculo do critério meio ambiente natural, que passou a considerar a

relação entre o percentual da extensão da AP na extensão territorial do município pela área de AP do estado.

Os especialistas entrevistados apontaram como critérios primordiais para a implantação do ICMS Ecológico no Pará: existência de UC e TI, queimadas e desmatamento. Saliente-se que os especialistas reconheceram a dificuldade de adoção de fatores qualitativos para cálculo das cotas-parte de ICMS. Assim, optou-se por realizar uma quarta simulação, com variáveis puramente quantitativas. Os percentuais e metodologias da lei estadual de ICMS vigente no Pará foram mantidos, com exceção do critério partes iguais, que foi reduzido de 15% para 3%. Foram acrescentados os critérios áreas protegidas (5%), desmatamento (3,75%) e queimadas (3,25%).

Na segunda, terceira e quarta simulação, observou-se que municípios com AP em seus territórios apresentaram perdas de ICMS. Assim, com o objetivo de obter ganhos para todos os municípios que possuem AP em seus territórios, foi feita uma quinta simulação. Para esta foram mantidos os critérios da quarta simulação, alterando-se apenas os percentuais dos critérios AP (3%), desmatamento (3,75%), queimadas (3,25) e partes iguais (5%).

Com base no contato e material enviado pelo pesquisador Wilson Loureiro, recebido por e-mail, foi desenvolvida a sexta simulação, baseada no último projeto de lei proposto para implantação do ICMS Ecológico no Estado do Pará.