4 O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA ASSISTÊNCIA
4.2 Levantamento da demanda dos Programas
A Política de Assuntos Estudantis prevê um aumento de 10% ao ano, no orçamento do campus. Como se refere na Política:
Capítulo VIII - Art. 19 – A dotação orçamentária para ampliação do atendimento dos programas, projetos e ações sociais, relativas à Política de Assuntos Estudantis, não poderá ser inferior a 10% ao ano, e deverá ter como meta a universalização do atendimento, desde que mantida a evolução da receita, ficando o ano de 2004 como ano- base de referência para o cálculo desta evolução (CEFET/MG, 2004).
O capítulo referido à Política não torna claro se o aumento do orçamento pode ser interpretado como um aumento do orçamento anual, bem como o aumento do valor do beneficio do aluno. Por se tratar de uma unidade recentemente implementada e por isso em expansão, o CEFET/MG Campus Nepomuceno, passa por alterações consideráveis no que diz respeito ao número de alunos, aumento esse muito maior que dez por cento a cada ano. Assim, a CPENEP faz, anualmente, levantamentos acerca da situação dos alunos contemplados e não contemplados nos programas, visando avaliar a eficácia do atendimento dos mesmos, no que tange à quantidade e qualidade, valor e alcance do atendimento. O objetivo é levantar a realidade do campus com relação às demandas e suas justificativas no sentido de argumentar em proposições de expansão nas previsões orçamentárias. Nesses levantamentos são considerados os gastos dos alunos com alimentação, transporte, moradia, dentre outros. É analisada a efetividade e alcance das Bolsas, dentre outros fatores.
Procura-se atender o mesmo perfil social do aluno em todos os campi (corte do índice socioeconômico proposto na metodologia) já que o orçamento da assistência estudantil é um orçamento unificado. Cada campus faz seu levantamento orçamentário, mas cada um deles possui suas especificidades.
A tarefa de pleitear a garantia deste atendimento tem sido uma problemática enfrentada pelo assistente social, já que fica a cargo principalmente da assistência estudantil a busca por meios que comprovem as necessidades do
campus. Para expor como é feito o trabalho de levantamento de demanda, o fragmento de diário abaixo:
DIARIO DE CAMPO - Levantamento de demanda da alimentação no campus, proposta de mudança da diretoria - bolsa alimentação ou Ticket?
A diretoria Geral do CEFET/MG realiza reunião junto aos assistentes sociais para propor uma mudança no que se refere à bolsa alimentação dos campi que não possuem restaurante. Segundo a diretoria estariam recebendo demandas acerca da problemática enfrentada pelos alunos à respeito da alimentação. Os campi que não possuem o restaurante têm hoje como medida paliativa as bolsas alimentação, que custeiam parte dos gastos com uma refeição diária dos estudantes de baixa renda.
A partir disto foram levantados os prós e contras desta mudança buscando conhecer a necessidade dos alunos, a possibilidade de oferta de serviços de alimentação nos restaurantes da cidade, elaborando relatório. A proposta seria, ao invés de distribuir o recurso via depósito em conta (como é feito hoje por meio da bolsa alimentação), a de distribuir o ticket alimentação que teria validade para ser trocado por uma refeição em restaurante credenciado por edital. O CEFET/MG faria o pagamento da refeição para o restaurante. Realizamos assembléia com os alunos do integrado e noturno, para votação da proposta de ticket alimentação da diretoria do CEFET/MG. O objetivo foi colher a opinião dos alunos com relação da escolha dos paliativas. A maioria dos alunos votaram pela universalização da bolsa alimentação. O relatório foi encaminhado à diretoria do CEFET/MG, para decisão. Percebi que a votação pela modalidade de bolsa seria para dar mais autonomia aos alunos quanto a escolha da sua alimentação, mas por haver uma demanda não visível pela modalidade de bolsa permanência, já que muitos alunos aptos não recebem a permanência, mas somente a alimentação (que atende um maior numero de alunos), ou seja, acabam por utilizar a bolsa alimentação como “meia bolsa”. As duas propostas têm suas vantagens e desvantagens, mas as duas são medidas paliativas, o ideal é programa na modalidade restaurante. A construção contemplou também como os alunos vinham utilizando o recurso da bolsa alimentação.
Neste caso, foi encaminhado para a Secretaria de Política Estudantil, Diretoria da Unidade e Diretoria Geral, relatório em que constava o diagnóstico da realidade da cidade no que diz respeito à oferta de restaurantes na cidade, a utilização dos alunos desses restaurantes, a análise da qualidade da alimentação dos alunos, bem como análises qualitativas levantadas dos prós e contras de implementação das duas propostas: universalização da bolsa ou ticket alimentação. Foi argumentado que qualquer uma das medidas seria paliativa, sendo que o ideal seria a construção do restaurante para a oferta de qualidade da alimentação.
É preciso argumentar nas proposições orçamentárias, a necessidade da ampliação proporcional dos recursos em relação ao aumento do número de alunos, além de apresentar as demandas específicas do campus. Tal necessidade se faz da não garantia, manutenção e ampliação proporcional dos recursos anuais. Dessa forma, a não ampliação proporcional dos recursos em relação ao número de alunos prejudica o atendimento no ano seguinte dos alunos já contemplados, ou seja, aumentando o número de alunos e não aumentando o número de bolsas, a situação de concorrência torna-se mais grave na medida em que um aluno contemplado pode perder a sua bolsa nos anos seguintes se outro aluno comprovar ter perfil mais prioritário.
Enfim, passam por este diário, questões sobre respeito dos limites de trabalho do assistente social. O assistente social também se encontra enredado na lógica do “se fazer notar” na medida em que precisa argumentar fortemente a manutenção dos recursos. Os assistentes sociais recebem e lidam com as demandas referentes às necessidades materiais de manutenção dos alunos na escola todos os dias, e no caso retratado como exemplo dos programas de alimentação entendem que somente a instalação do restaurante nos moldes que a Política de Assistência Estudantil prevê (cujas características principais são de: refeição balanceada e universalizada) seria o ideal para a solução desta
problemática. Entretanto, até que esse se consolide como prevê a Política (a instalação dos restaurantes em todos os campi gradativamente com a expansão). O restaurante será construído em longo prazo no campus, até lá se busca fomentar espaços de tensão que culminem na melhoria do atendimento da alimentação dos estudantes. Esses espaços constituem-se de lutas políticas em busca de diminuir as contradições entre o ideal e o real e podem ocorrer junto a professores, alunos, demais profissionais, junto à diretoria e a órgãos gestores da Política Nacional.