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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO: DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA

5.4 USO E OCUPAÇÃO DA ÁREA DE DRENAGEM DA BACIA DO

5.4.1 Levantamento do uso da terra e cobertura do solo

A confecção do mapa de uso da terra e cobertura do solo (Apêndice A) através da interpretação de imagens aéreas objetivou visualizar a distribuição

espacial das formas de uso atuais. Os valores encontrados para os diferentes usos da terra na bacia hidrográfica do Rio Catú estão resumidos na Tabela 11.

Tabela 11 – Áreas e classes do uso da terra na área da Bacia hidrográfica do Rio Catú (Aquiraz/Horizonte-CE).

Classes Área em Km2 Área em %

Vegetação arbórea-arbustiva densa 53,52 32,82

Vegetação arbórea-arbustiva esparsa 43,08 26,42

Vegetação herbácea 17,02 10,44

Agricultura 17,85 10,95

Áreas urbanizadas, povoados e edificações 10,79 6,62

Agroindustrias 1,35 0,83

Indústrias 0,62 0,38

Solo exposto 1,43 0,88

Área de extração mineral 0,39 0,24

Lagoas e reservatórios 6,89 4,23

Campo de dunas móveis e faixa praial 10,11 6,20

Total da área de estudo 163,05 100,0

Fonte: Fotointerpretação de imagem aérea da área estudada.

A classe “vegetação arbórea-arbustiva densa” corresponde à vegetação mais densa da área, incluindo toda a vegetação primária e/ou secundária reconstituída ocupando 32,82% da área estudada. A “vegetação arbórea-arbustiva esparsa” corresponde à vegetação menos densa da área ocupa 26,42% da área.

A “vegetação herbácea” corresponde aos terrenos com gramíneas e outros tipos de vegetação de pequeno porte que ocupam principalmente as áreas de várzea, planícies e margem fluviais. Fazem ainda parte dessa classe os terrenos que muitas vezes representam áreas de pousio ou áreas anteriormente utilizadas para cultivo abandonadas que hoje encontram-se colonizadas por gramíneas. Essa classe ocupa 10,44% da área estudada.

A classe “agricultura” composto por culturas temporárias e permanentes representam pouco mais de 10% da área de estudo abrangendo cerca de 17,85 km2. Apesar não ser elevado tal percentual, a grande preocupação que se faz sentir em relação a essa classe é em relação à sua disposição próximo aos cursos fluviais (como ocorre próximo ao leito do rio principal). Destaca-se ainda que grande parte desse percentual é representado pela monocultura da cana-de-açúcar que abrange cerca de 46% das formas de cultivo da área (8,22km2). O restante dos cultivos está

representado pela agricultura de subsistência e cultivos permanentes (frutíferas em geral) realizadas em pequenas propriedades (sítios).

A classe “áreas urbanizadas, povoados e edificações” refere-se aos terrenos ocupados com edificações urbanas e/ou rurais para fins de moradia (primeira ou segundas residências). Essa classe apresenta cerca de 10,79 km2 da área da bacia, sendo vista como bastante significativa ao passo que já corresponde a 6,62% da área estudada. Na área do alto tais edificações são geralmente de residências na área urbana do município de Horizonte.

Entre o alto e baixo curso as edificações são em sua maioria sítios, fazendas e povoados (com destaque para Justiniano de Serpa, Patacas, Tapera). Já na área do baixo curso, verifica-se a efetiva presença das “segundas residências” (representadas pelos sítios e casas de veraneio). Com o advento dos investimentos público privado nesse setor tem ocorrido um aumento demográfico bastante significativo para o distrito-sede de Aquiraz e para o distrito de Prainha. Isso resultará conseqüentemente no desenvolvimento dos povoados próximos, sendo necessário se ordenar as formas de ocupação ocorrentes resultantes desse processo.

As “agro-indústrias” referem-se principalmente às granjas dispostas por toda a área de estudo. Também fazem parte dessa classe as indústrias de rações geralmente associadas às granjas. Essa classe ocupa 0,83% da área estudada estando distribuídas nos três setores da bacia do Rio Catú.

A classe “indústria” representa as estruturas industriais (de confecção, de bebidas, de produtos alimentícios e automobilística) em funcionamento não estando necessariamente associadas à produção rural da área. Essas indústrias correspondem a 0,38% da área da bacia.

As agroindústrias e indústrias não têm grande representatividade espacial em termos de área. No entanto isso não representa participação diminuta quando se trata de impactos ambientais. Mesmo distribuídas de forma pontualizada geralmente causam alterações freqüentes por meio dos resíduos gerados nos processos produtivos afetando bem mais do que apenas a área em que ocupam.

A classe “solo exposto” representa áreas onde as atividades humanas anteriormente executadas (seja pela agricultura ou outra atividade interveniente) causaram o desgaste dos horizontes superiores (horizonte O a A) impedindo, até o momento, o desenvolvimento de processo pedogenético suficiente para a

recolonização por vegetação de qualquer porte. O solo exposto corresponde a 0,88% da área chegando a pouco mais de 1,43 km2. Esse baixo valor para o solo exposto é fator favorável para a proteção total dos solos da bacia.

Fez-se distinção ainda para a classe “extração mineral” que mesmo representando uma exposição do solo, procurou-se mensurar a dimensão espacial dessa atividade extrativa. A atividade extrativa mineral (extração de areia) ocorre em uma área de aproximadamente 0,39km2 correspondendo a 0,24% da bacia sendo bastante verificadas na estrutura da Formação Barreiras. Entretanto, não foram mensuradas as possíveis extrações nas áreas das lagoas (onde muitas vezes no mapeamento se confunde com a porção hídrica ou sua margem fluvial) e nos leitos fluviais.

As áreas ocupadas pelas lagoas e reservatórios perfazem um total de 4,23% da área estudada. Já o campo de dunas móveis e faixa praial (não edificados) representam 6,20% da área de estudo. Essas áreas representam importantes fontes de abastecimento, reserva hídrica para as gerações atuais e futuras.

5.4.2 Análise do grau de proteção da cobertura vegetal atual

Com a classificação feita no mapa de uso do solo e nos índices de adaptados de Beltrame (1994) foram mensurados os índices de proteção fornecida pelas áreas cobertas pela vegetação atual (Tabela 12), logo ficaram de fora dessa análise as áreas já desprovidas de vegetação, edificadas, lagoas e reservatórios tendo em vista que não representam proteção ao solo.

Tabela 12 - Tipos de cobertura vegetal da Bacia Hidrográfica do Rio Catú e o respectivo índice de proteção fornecida ao solo, de acordo com a área

ocupada pelas mesmas. Tipo de cobertura vegetal

Coluna 1 Área (km2) Coluna 2 Índice de Proteção Coluna 3 Superfície reduzida Coluna 4 Índice de proteção total da área

Vegetação arbórea-arbustiva densa 53,52 1,0 53,52 Vegetação arbórea-arbustiva esparsa 43,08 0,8 34,46

Vegetação herbácea 17,02 0,5 8,51

Agricultura 17,85 0,4 7,14

TOTAL 131,47 - 103,63 0,78

O valor 0,78 obtido corresponde ao índice de proteção total da bacia estudada, que conforme a classificação proposta enquadra-se como área dotada de

proteção de média a alta (Tabela 13). Este fato se deve a existência de grandes

áreas compostas por vegetação (densa e esparsa) que protegem o solo.

Tabela 13 – Índice e grau de proteção total da

área fornecida pela vegetação atual da Bacia Hidrográfica do Rio Catú. Índice de proteção total

(escalonamento dos índices) Grau de proteção

1 Proteção Máxima

0,8 - 0,99 Proteção Alta

0,6 – 0,79 De média a alta proteção

0,4 – 0,59 Proteção Moderada

0,2 – 0,39 De moderada a baixa Proteção

0,0 – 0,19 Proteção Baixa

0,0 Nenhuma Proteção

Fonte: Adaptado de BELTRAME (1994)

Entretanto, os valores de vegetação herbácea (geralmente resultante associada à retirada da vegetação original) e presença efetiva da agricultura denotam a necessidade de se propor um plano de manejo para a área.

Nesse sentido, a criação de uma Área de Preservação Ambiental para a região poderia restringir o uso desordenado, visto que mesmo a bacia hidrográfica do Catú apresentando proteção de média a alta, deve haver o controle das formas de uso e ocupação ocorrentes na área com a finalidade de manter a proteção adequada à manutenção da diversidade local.

Deve ser dito ainda que a parte vegetada, ora analisada, corresponde somente a 80,63% da área da bacia, o que já indica a magnitude das alterações ocorridas nos últimos anos.