A evolução das tecnologias de sensoriamento remoto, geoprocessamento e sistemas de informações geográficas, principalmente a partir da década de 70, contribuiu para o aumento do uso de imagens orbitais como auxílio em pesquisas visando o uso racional dos recursos naturais e o seu planejamento, bem como se expandiu para diversas áreas do conhecimento como a cartografia, a geografia e a engenharia.
O homem em busca de riqueza tem utilizado a terra de forma intensiva e irracional, o que tem ocasionado inúmeros distúrbios locais, regionais e até globais. As alterações causadas pelo uso da terra de forma intensiva e inadequada são visíveis na maioria dos países, principalmente se levarmos em consideração a excessiva diminuição das áreas florestais que vêem sendo ocupadas para o desenvolvimento das mais diversas atividades econômicas.
O mapeamento dos diferentes usos da terra é muito importante, pois, com o crescimento da população, há a necessidade de expansão das áreas agrícolas para produção de alimentos e sabe-se que os recursos naturais são finitos e que seu uso intensivo e em lugares inadequados causam vários impactos ao espaço físico e tem conseqüências desastrosas como erosões, inundações, assoreamento dos rios (eleva seus leitos, diminui a capacidade de armazenamento de água e o potencial energético das barragens).
Na concepção de Venturieri e Santos (1998), o monitoramento da paisagem de uma dada região é fator primordial no planejamento racional de utilização da terra, face a velocidade de ocupação do espaço físico e ao pouco conhecimento dos recursos naturais nela existentes e consideram que os produtos do sensoriamento remoto orbital são importantes na aquisição de informações primárias e nos inventários e gerenciamento da paisagem.
A expressão uso da terra pode aqui ser definida como a forma cultural com que o espaço está sendo utilizado pelo homem. Novo (1998) reforça este conceito dizendo que o termo uso da terra refere-se a utilização cultural da terra e que o termo “cobertura da terra” se refere ao seu revestimento. A diferença entre os dois termos seria que no segundo embora a sua cobertura seja a mesma, por exemplo, florestas, pode ter diferentes usos como exploração de madeira e reservas biológicas.
Assim, o levantamento do uso da terra é mencionado como subsídio básico para o planejamento e identificação de diferentes paisagens geográficas e segundo Rocha (1978), consiste em mapear e avaliar quantitativamente os recursos naturais para facilitar a identificação de elementos que são convencionados a uma simbologia adequada.
Novo (1998) comenta ainda que os alvos naturais estão sujeitos a modificações constantes. A cobertura vegetal apresenta-se na natureza em diversas formas como florestas, campos, culturas e que esta diversidade faz com que possuam diferenças em sua estrutura das copas e estado fenológico e que estas diferenças é que permitem discriminar os diferentes tipos de cobertura vegetal através dos produtos de sensoriamento remoto e técnicas de geoprocessamento. Considera ainda que o sensoriamento remoto tem função de classificação e de fornecimento de quadro de referência para organização e hierarquização das informações.
Comentando as alterações causadas na água através dos diferentes tipos de uso da terra Pereira Filho (2000), relata que os diferentes tipos cobertura vegetal da terra inundada e de sua área de captação proporcionam diferentes graus de eutrofização dos lagos, alterando significativamente as
características limnológicas da água o que vem a acarretar modificações na flora e na fauna tanto terrestre como aquática, destacando que os peixes são os que sofrem os maiores impactos, devido à alteração do seu ambiente.
Dentro desta perspectiva, para Werlang (1990), o uso das imagens LANDSAT, para o mapeamento dos recursos naturais tem sido utilizado em larga escala, pois permitem a coleta de dados em diferentes regiões do espectro eletrom agnético que juntamente com técnicas de geoprocessamento permitem fazer avaliações das condições de cobertura da terra, que podem ser utilizadas para verificação das condições em que esta se encontra. Considera o monitoramento do uso da terra como o principal indicador dos processos de transformações regionais que ocorrem em determinada área através das mudanças das suas características de usos ao longo dos anos.
Com o desenvolvimento de técnicas de processamento digital, a extração de informações dos produtos de sensoriamento remoto, principalmente as imagens orbitais multiespectrais, exploram os aspectos tonais (ou de cores), texturais, geométricos e contextuais das imagens. A classificação via computador é baseada em determinados parâmetros estatísticos, ou seja, a discriminação dos alvos são feitas sem a subjetividade da análise visual. As técnicas de classificação digital procuram extrair um máximo de informações temáticas das imagens num tempo computacional mínimo (Venturieri e Santos, 1998).
Complementando este pensamento, Richards (1993) e Mazza (1998) apud Raffaelli (2002) dizem que o processamento digital de imagens de sensoriamento remoto está ligado ao reconhecimento de feições e padrões registrados na imagem, através do uso de programas computacionais e de uma série de técnicas de manipulação numérica de dados contidos em imagens digitais.
Tendo em vista a facilidade de extração de informações das imagens através de processamento digital, Novo (1998) entende que a aplicação dessas técnicas aumenta a capacidade do analista extrair informações sobre alvos da superfície, a partir de dados de sensoriamento remoto, todavia ressalta que
estas técnicas devem ser utilizadas de forma consciente, ou seja, o usuário do sistema deve ter contato com o tipo de manipulação que vai submeter seus dados para poder interpretar os resultados de forma correta.
Algumas combinações de imagens coloridas de bandas do LANDSAT são recomendadas para aquisição de diferentes informações. A combinação das bandas 3, 4 e 5 mostram mais claramente os limites entre o solo e a água, com vegetação mais discriminada, aparecendo em tonalidades de verde-rosa. Portanto, de um modo geral, a combinação destas bandas é utilizada na classificação do uso da terra (Rocha, 2000).
2.8 Levantamento de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas de