4 OBSERVAÇÕES DA INTERFACE PLATAFORMA-TREM – IPT
4.2 LEVANTAMENTO E OBSERVAÇÃO DE DADOS ESTÁTICOS E
Partindo-se dos dados de viagens coletados (Anexo A), descritos no capítulo anterior, foi elencada uma viagem de um trem selecionado com grande carregamento de passageiros. De modo a caracterizar uma situação extrema do horário de pico vespertino, foram feitas aferições, através de observação de imagens gravadas de CFTV, na passagem por cada uma das estações estudadas.
Para isso, foi realizado o levantamento e a observação dos dados estáticos e dados dinâmicos, das portas críticas de cada estação estudada. Os dados estáticos são aqueles relativos às distâncias de caminhada e material rodante, localização das portas e sua largura útil, e os dados dinâmicos quantificam o tempo e quantidade de passageiros no embarque e desembarque, bem como a densidade (DAAMEN, 2004). A densidade foi avaliada usando os níveis de aglomeração do trem na porta crítica, antes da chegada em cada plataforma estudada, proposto por Kelley et al. (2016), com níveis expressos em baixo, médio e alto, conforme demonstrado nos diagramas a seguir.
Quando o trem para na plataforma 1 C da estação Recife, já conta com alguns passageiros sentados, que embarcaram na plataforma central, onde é realizado normalmente o
desembarque. A densidade dentro do trem próximo à porta crítica é baixa, contando com poucas pessoas ocupando os assentos, conforme Figura 20.
Figura 20 - Nível de aglomeração do trem na porta crítica em REC.
Fonte: A Autora, 2018.
A densidade de ocupação da plataforma REC em cada um dos trechos é alto, conforme representado na Figura 21 e apresenta maior ocupação dos trechos finais da plataforma, próximos aos acessos pelas escadas fixas e escada rolante.
Figura 21 - Nível de aglomeração da plataforma em REC.
Fonte: A Autora, 2018.
Quando o trem para na plataforma 1C, em Joana Bezerra, o carro do trem, próximo à porta crítica encontra-se com densidade alta, todos os assentos ocupados e bastante pessoas viajando em pé, porém ainda é possível se deslocar para acomodação, conforme Figura 22.
Figura 22 - Nível de aglomeração do trem em JOA.
Fonte: A Autora, 2018.
Via férrea
Escada rolante Escada
O nível de aglomeração de plataforma em Joana Bezerra está representado na Figura 23 e conta com densidade alta, destacando-se as proximidades da entrada da rampa de acesso, trecho que coincide com o local onde se localiza a porta crítica.
Figura 23 - Nível de aglomeração da plataforma em JOA.
Fonte: A Autora, 2018.
No momento de parada em Afogados, o nível de aglomeração dentro do trem, perto da porta crítica é alto (Figura 24), onde os passageiros têm dificuldade de se deslocar em direção à porta para desembarcar ou embarcar e se acomodar no trem. Os trechos de plataforma encontram-se com densidade alta, com destaque no trecho próximo à porta crítica, conforme Figura 25.
Figura 24 - Nível de aglomeração do trem em AFO.
Fonte: A Autora, 2018.
Figura 25 - Nível de aglomeração da plataforma em AFO.
Fonte: A Autora, 2018.
Ao parar na estação Barro, o trecho do trem, próximo à porta crítica encontra-se com densidade alta, onde os passageiros têm dificuldade de se deslocar em direção à porta para desembarcar ou entrar e se acomodar no trem, conforme Figura 26.
Figura 26 - Nível de aglomeração do trem em BAR.
Fonte: A Autora, 2018.
O nível de aglomeração de plataforma na estação Barro está detalhada na Figura 27 a seguir, onde se nota densidade alta de usuários na plataforma, próximo ao acesso e à porta crítica e trecho final da plataforma e densidade média nos demais trechos. O que se observa em BAR é que passageiros embarcados saem do trem para a plataforma de modo a permitir que outros desembarquem.
Figura 27 - Nível de aglomeração da plataforma em BAR.
Fonte: A Autora, 2018.
A partir das observações realizadas e da atribuição das densidades, conforme metodologia proposta por Kelley et al. (2016), foi constatada a grande densidade de passageiros estocados nas plataformas, divididas em quatro partes e foi possível entender como se dá a ocupação do carro do trem pelos passageiros embarcados. Estes índices encontrados estão resumidos na Tabela 9, onde a numeração do trecho de plataforma considera a divisão em quatro partes em frente a cada carro do trem, de 1 a 4.
Via férrea
Tabela 9 - Quadro resumo das densidades.
Estações Densidade trem (porta crítica)
Densidade plataforma Trecho 4 3 2 1 REC 1 5 5 5 4 JOA 4 4 4 5 5 AFO 5 4 4 5 4 BAR 5 4 5 3 3 Fonte: A Autora, 2018. Legenda: 0 e 1: baixa; 2 e 3: média; 4 e 5: alta
Inicialmente, foram identificados traços do comportamento dos usuários na espera e circulação nas plataformas, a densidade nos trens e plataformas, fluxo de passageiros e contagens do processo de embarque e desembarque, tal como número de passageiros envolvidos por cada porta de cada um dos carros, tempo de embarque e desembarque, possíveis conflitos, reabertura de portas, passageiros com mobilidade reduzida ou carregando grandes volumes de bagagem, quando possível.
Em REC, o trem chegou às 17:52:06 e partiu às 17:53:03, permanecendo na estação por 57 segundos. A porta crítica do trem ficou aberta durante 47 segundos para permitir o embarque de passageiros, com tempo de embarque de 32 segundos, desde a abertura das portas até a entrada do último passageiro a entrar pela porta do trem. Foi contabilizado o embarque de 43 passageiros na porta crítica, e carregamento aferido de 529 passageiros na partida.
Notemos que, como a estação REC é uma estação terminal e encontra-se no centro da cidade, grande polo gerador de viagens, ela tem uma demanda muito grande de embarques no pico vespertino. Outra questão a se ressaltar, é que, como os trens que operam intercalam o destino pelos dois ramais existentes (Jaboatão e Camaragibe) a plataforma não fica vazia após os embarques no trem. De acordo com as observações no local, como o trecho de plataforma próximo ao carro onde fica a porta crítica é muito denso e os passageiros que vão esperar o próximo trem ficam parados na borda da plataforma, a sensação de quem chega é de que as portas estão obstruídas e há muita gente para embarcar ou o usuário não quer ter o desgaste de cruzar uma grande massa de pessoas a fim de embarcar no trem. Por outro lado, esse fato induz a distribuição dos passageiros ao longo da plataforma.
Na estação JOA, o trem permaneceu parado na plataforma durante 73 segundos. Teve movimentação estimada de 326 passageiros, sendo somente embarques. Na porta crítica, embarcaram 43 passageiros, durante 47 segundos.
Na porta crítica da estação AFO, movimentaram-se estimadamente 43 passageiros, entre 15 embarques e 9 desembarques, durante 59 segundos de tempo de embarque e desembarque, nos 84 segundos em que o trem ficou parado na plataforma. O trem teve uma movimentação estimada de 43 passageiros.
Já em BAR, o trem permaneceu na estação por 69 segundos. Foi contabilizada movimentação de 67 passageiros, entre embarques e maior parte de desembarques. Na porta crítica, foram aferidos 18 embarques, 30 desembarques, durante 43 segundos.
Na Tabela 10, são sintetizados os dados estáticos e dinâmicos encontrados em cada estação estudada e referente às portas críticas.
Tabela 10 - Síntese de aspectos estáticos e dinâmicos nas portas críticas.
Item Dados levantados Unid. REC JOA AFO BAR
1 Comprimento x largura útil
plataforma m 95,25 x 2,65 95,40 x 2,80 95,25 x 2,60 95,40 x 2,80
2 Largura rampas e escadas
acesso m 2,60 2,60 2,50 2,60
3 Tempo de parada s 57 73 90 76
4 Tempo com portas abertas s 47 55 71 53
5 Total passageiros a bordo
chegada Pass.. 529 855 898 831
6 Nº embarques (porta crítica) Pass. 43 35 15 18
7 Nº desembarques (porta crítica) pass. - - 9 30
8 Tempo de embarque e
desembarque s 47 43 59 43
Fonte: A Autora, 2018.