1.5 Análise dos dados
2.2.1 O profissional independente
2.2.1.4 Levantamentos (surveys; sobre o profissional independente nos Estados Unidos, França, Inglaterra e Brasil.
2.2.1.4.1 Levantamentos com agente e consultor da informação
Dodd (1976) (Estados Unidos), por meio de entrevistas envolvendo os agentes ca informação da época, procurou encontrar respostas para as seguintes questões: como operavam seus negócios, como começaram, como resolviam os problemas de conflito de interesses (tempo parcial) e como viam a rivalidade com os bibliotecários das bibliotecas públicas.
Maranjian & Boss (1980) (Estados Unidos) fizeram um levantamento junto aos profissionais independentes (agente da informação, consultor da informação), englobando as bibliotecas que prestavam o mesmo tipo de serviço. Os autores enviaram questionários para profissionais, listados em dois diretórios e um periódico, e completaram o levantamento com algumas entrevistas. Como resultado, escreveram um livro onde contam o histórico dos profissionais, mostram o perfil das maiores firmas e dão destaque à história da primeira firma norte-americana, a Find/SVP.
Sellen & Vaugh (1985) (Estados Unidos) aplicaram questionário para avaliar o mercado de trabalho para o bibliotecário. A amostra foi composta de bibliotecários e não bibliotecários que atuam no mercado da indústria da informação. Os temas abordados, no questionário, são os seguintes: quem são os não bibliotecários, se esse segmento está em fase de crescimento, se recebem melhores salários, quais os índices de satisfação e quais as oportunidades existentes.
- Maia (1986) (Brasil) identificou profissionais envolvidos com serviços de informação não convencionais e levantou as áreas de atuação. Foram entrevistados nove profissionais. Como conclusão, a autora comenta a falta de preparo acadêmico dos profissionais para enfrentar o mercado de serviços alternativos e assinala que motivação e postura criativa são importantes para a atuação da nova carreira.
- Pinheiro et al. (1987) (Brasil) fizeram uma pesquisa, utilizando a técnica de entrevista, com autônomos do Distrito Federal. Foram entrevistados 23 profissionais, destes, dez eram consultores. O estudo foi norteado pelo pressuposto de que "as mudanças sociais, económicas e tecnológicas fizeram sobressair a informação como
elemento essencial ao desenvolvimento, valorização esta que leva à possibilidade de comercialização da informação." Como resultado, as autoras identificam um mercado potencial para o bibliotecário. Apontaram as seguintes tarefas desempenhadas pelo bibliotecário autônomo: elaboração de índices; bibliografias; cursos; catálogos e tesauros; organização de bibliotecas particulares, escolares, acadêmicas e de órgãos públicos (catalogação, classificação e planejamento do lay out); organização de materiais não convencionais (recorte de jornais); organização de eventos como seminários e feiras; normalização de publicações (catalogação na fonte) e apoio à pesquisa de jornalistas, estudantes e cientistas. O consultor da informação tem trabalhado em diagnósticos, avaliação, pareceres técnicos e projetos. As autoras constataram que a área de atuação dos autônomos não se tem limitado apenas às bibliotecas. Os outros locais citados são gráficas, editoras, empresas particulares, congregações religiosas, jornais, televisões, sindicatos, associações, cartórios, agência de propaganda, organismos internacionais e outros.
- Warner (1987) (Estados Unidos e Canadá) enviou 157 questionários, envolvendo os seguintes segmentos: alunos do seu curso sobre empresário da informação, professores de seis escolas de Biblioteconomia dos Estados Unidos e Canadá e 150 questionários para autônomos. Como resultado da pesquisa, a autora publicou livro que procura responder às questões levantadas, a saber: características do empresário da informação, tarefas, plano de negócios, como obter financiamento, vendas, marketing e gerência de negócios. No seu livro, refletindo os resultados da pesquisa, há preocupação com a gerência de negócios, que é detectada como falha na preparação dos bibliotecários para atuar nesse segmento.
- Pugsley & Lennon (1990) fizeram levantamento em diretórios de agente da informação para estabelecer o tamanho do segmento dos agente da informação nos Estados Unidos. Os autores encontraram os seguintes dados: em 1977 havia 81 profissionais atuando e, em 1989, encontraram 523 profissionais. Quanto à localização, os autores identificaram os seguintes estados39 norte-americanos com maior
concentração de profissionais: Califórnia (74), New York (62), Texas (44), Pensylvania (37), Illinois (31) e Maryland (27).
39 Pugsley & Lennon (1990) fizeram seu estudo baseando-se na relação profissional versus população. A
Califórnia é o estado com maior população nos ESTADOS UNIDOS e com maior concentração de infomation
- Henderson (1990) pesquisou o ponto de vista dos clientes da Accouniing Library and Information Group, um grupo formado por gerentes de informação de 20 firmas de contabilidade. A autora procurou saber sobre como e por que usar o serviço de um agente da informação, como escolher um profissional, o retrato ideal de um agente da informação e os benefícios dos serviços prestados. Como conclusão de seu levantamento, a autora sugere os seguintes procedimentos para o profissional: manter a rapidez e qualidade da informação, procurar antecipar-se às necessidades; manter um relacionamento direto com os clientes nas negociações sobre o serviço e na entrega da resposta, por exemplo: ter fax, estar sempre disponível, respeitar prazos e ter acesso a" rede internacional. Para os clientes, ela aponta as seguintes vantagens: amplia recursos informacionais (acesso a outras coleções, flexibilidade de assuntos) e de pessoal (evita treinamento de pessoal para acessar base de dados não consultada constantemente).
- Van Halm (1993) (Estados Unidos) fez levantamento, por meio da literatura (artigos e diretórios), mostrando a distribuição geográfica, associações, jornais e revistas específicas sobre o assunto; serviços oferecidos; tamanho das firmas e técnicas de marketing empregadas. O autor conclui que há uma concentração de profissionais na área metropolitana, localizados no Estado da Califórnia, na cidade de Nova York e New Jersey. A maioria dos negócios é de uma só pessoa. Os serviços executados são pesquisas em linha, manual, localização e entrega de documentos, editoração, treinamento e indexação. As técnicas de marketing mais empregadas são: contatos pessoais, mala direta, publicidade, relações públicas e palestras.
- Green (1993) (Estados Unidos) fez uma pesquisa com os profissionais independentes, associados da AIIP (Associação de Profissionais Independentes da Informação). Recebeu um retorno de 190 questionários e obteve os seguintes resultados: 56% têm menos de seis anos de experiência; 56% são firmas de uma pessoa, destas firmas, 83% tem menos de quatro empregados e 70% atuam em tempo integral. As habilidades mais importantes foram as seguintes: habilidade interpessoal, saber estimar preços, saber formular estratégia de pesquisa em linha, comunicar-se e operar computadores.
- Wolf-Terroine (1993) (França) fez levantamento por meio de diretórios, procurando identificar o número de profissionais, tamanho das firmas, formação dos profissionais, mercado e preços. A autora identificou inicialmente 185 entradas, porém verificou que o
número encontrado trazia uma mistura de bibliotecas, instituições de pesquisa e firmas de agente da informação e estimou um total de 20 firmas independentes, localizadas em Paris, firmas pequenas que têm, em média, 2 a 5 pessoas. Os proprietários, em geral, são formados em Administração de Empresa, Engenharia ou Ciência Social e têm, como colaborador, alguém da área de Biblioteconomia. A minoria é formada em Biblioteconomia. Quanto ao mercado, a autora afirma que a concorrência é muito grande, pois muitos vendem informações, tais como: câmara do comércio, universidades, institutos de pesquisa e agências públicas. Outro problema do mercado francês, identificado pela autora, é a falta de reconhecimento do valor estratégico da informação e, com isso, os preços praticados são abaixo do custo real. Para solucionar alguns problemas, a autora finalizou seu trabalho ressaltando a necessidade da união desses profissionais por meio de associação. Ela cita o trabalho que deve ser desenvolvido pela AF2I (L' Association Fraçaise des Intermediaires en Information), criada pelos profissionais independentes franceses para promover açães políticas e econômicas, estabelecer regras de cooperação ou competição, realizar estudos sobre o agente da informação e realizar esforços para ampliar o relacionamento e cooperação internacional.
Foi visto, pelos relatos apresentados, que alguns aspectos já foram considerados quanto ao estudo dessa carreira alternativa. São eles: a origem, o crescimento, a terminologia, as tarefas executadas, as habilidades necessárias, os motivos e os problemas ainda não solucionados. Os consultores da informação apresentam uma trajetória diferente dos agentes da informação por exemplo: quanto à origem, atividades exercidas, experiência necessária e motivos, como será mostrado a seguir.