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3. M ATERIAL E MÉTODOS

3.2 Levantamentos Florístico e Fitossociológico

No remanescente florestal vizinho à formação vegetal que, como mencionado anteriormente, sofreu corte raso de vegetação, foi realizada a caracterização da vegetação em julho de 2012, para determinar qual a sua contribuição para a regeneração natural da área degradada, objeto deste estudo.

A análise da composição do estrato arbóreo da vegetação estudada foi feita utilizando-se o método de parcelas contíguas (Figura 8), de acordo com Mueller-Dombois & Ellenberg (1974), em área de 50x50m, subdividida em parcelas de 10x10m delimitadas com estacas de madeira e linha de nylon (Carrasco 2003).

Figura 7: Detalhe do sub bosque do remanescente florestal com

predomínio de Quesnelia arvensis e algumas epífitas na vegetação arbustiva.

Foram inventariados, em cada parcela, todos os indivíduos lenhosos vivos, com perímetro de altura do peito (1,30m do solo) igual ou superior a 9cm, das quais foram coletados dados biométricos. Os indivíduos com ramificações inferiores a 1,30m tiveram seus perímetros dos ramos anotados individualmente (Figura 9).

Figura 9: Coleta de dados biométricos da vegetação do

remanescente adjacente de Floresta baixa de restinga onde foi realizado o estudo fitossociológico.

Figura 8: Croqui da disposição das parcelas no remanescente

adjacente de Floresta baixa de restinga onde foi realizado o estudo fitossociológico.

A identificação taxonômica das amostras botânicas foi realizada por comparação à literatura especializada e consulta a pesquisadores.

Foram calculados os parâmetros fitossociológicos convencionais (densidade, frequência, dominância e valor de cobertura) juntamente com o índice de diversidade de Shannon (H') e Equabilidade (J’) com o auxílio do software Fitopac 2.1 (Shepherd 2010) Para comparar a floresta de restinga de Ilha Comprida com outras áreas do litoral paulista foi utilizado o Índice de Similaridade de Sørensen (Is) segundo Dice (1945).

Is = 2a x 100 / (2a+ b + c) Onde: a = espécies em comum entre as áreas 1 e 2 b = espécies exclusivas da área 1(degradada)

c = espécies exclusivas da área 2 (não degradada) A verificação do esforço amostral deste estudo foi realizada construindo-se a curva de incremento de espécies, comumente denominada como “Curva do Coletor”.

As 25 parcelas da fitossociologia foram também reagrupadas formando cinco parcelas, compondo um gradiente em relação à distância da área degradada (Figura 10). Calculou-se em cada parcela as densidades relativas de cada espécie e, à partir deste resultado, elas foram ranqueadas para verificar a contribuição delas para a dispersão dos diásporos amostrados na chuva e no banco de sementes em relação à sua abundância e proximidade com a área degradada.

3.3 Chuva de sementes

Dez coletores com 1m x 1m x 0,15m (Figura 11A), confeccionados com fundo composto por tela de sombreamento (malha 50%), dispostos a 30cm de altura do solo, foram numerados e distribuídos aleatoriamente no interior da área degradada em fevereiro de 2012 (Figura 11B). Sobre cada coletor foi colocada tela plástica de malha 2’’ (Figura 11C) para evitar o consumo dos diásporos (Silva et al., 2009).

A coleta do material depositado ocorreu mensalmente entre abril de 2012 e março de 2013. Contudo, para efeito de correlação com os dados obtidos no banco de sementes (coletados sazonalmente), os dados da chuva de sementes foram agrupados por trimestre.

O material amostrado foi acondicionado em sacos de papel kraft e levado para o laboratório do Núcleo de Pesquisa em Sementes (NPS), onde foi triado manualmente, com o auxílio de estereomicroscópio, separando-se os frutos e sementes de outros materiais eventualmente encontrados (Figura 11D).

Figura 10: Croqui da disposição das parcelas em função da distância da área

degradada para o interior do remanescente adjacente de Floresta baixa de restinga onde foi realizado o estudo fitossociológico.

As amostras de diásporos foram secas à sombra e em temperatura ambiente e, posteriormente, colocadas em sacos plásticos (Figura 11E). Estes foram etiquetados de acordo com o número do coletor, mês de coleta, quantidade de sementes e, quando possível, também foram anotadas quantidade de sementes por fruto, coloração do mesmo e realizado o registro fotográfico do diásporo.

Os frutos e sementes foram separados em morfotipos e quantificados por coletor. Para identificação, foi consultada literatura especializada, a coleção de frutos/sementes (diasporoteca) do NPS, bem como o auxílio de pesquisadores dos Núcleos de Pesquisa em Sementes e Curadoria do Herbário de São Paulo. Quando não identificadas, as mesmas foram classificadas em morfotipos.

Figura 11: Etapas da avaliação da chuva de sementes; coletores - A, B e

C, triagem - D, armazenamento - E e registro fotográfico – F, realizada na área degradada para cultivo agrícola em Ilha Comprida, SP.

A

B

C

D

3.4 Banco de sementes

A amostragem do banco de sementes foi realizada na área degradada por corte raso de vegetação, próxima aos coletores da chuva de sementes. As coletas dos materiais ocorreram em março, junho, setembro e dezembro de 2012, ao final de cada uma das quatro estações, de forma a quantificar o acúmulo sazonal de diásporos.

Com o auxílio de gabarito de madeira com 0,5 x 0,5m (Figura 12A), foram coletadas 10 amostras de 0,25m² de solo em cada estação de forma aleatória na área. Com isso, totalizaram-se 40 amostras e 10m² de solo coletados (Figura 12B).

Retirou-se com uma pá, 5cm de solo e desprezou-se a serapilheira. O material de cada amostra foi embalado em sacos plásticos, numerado e levado para a Unidade de Pesquisa e Tecnologia de Sementes (UPTS) do NPS para triagem, que ocorreu manualmente com o auxílio de peneira e lupa (Figura 13A e B). Os diásporos encontrados nesta triagem (Figura 13C), foram separados em morfotipos, onde as sementes foram quantificadas por amostra e por estação.

A

B

Figura 12: Coleta das amostras do banco de sementes em Ilha

O restante do solo foi posto em bandejas plásticas (Figura 14), visando à identificação dos diásporos por meio das plântulas emergidas a partir deles (Farnsworth et al. 2012; Price et al. 2010). Adotou-se também uma bandeja com areia esterilizada como controle, para evitar que possíveis espécies invasoras que viessem a contaminar as amostras fossem contabilizadas (Scherer & Jarenkow 2006). Todas as bandejas foram acomodadas em casa de vegetação na UPTS, com irrigação automática três vezes ao dia.

A avaliação das sementes que germinaram, juntamente com o rodízio das bandejas no interior da casa de vegetação, foram feitos a cada 15 dias, ao longo de 5 meses para cada estação amostrada.

A

B

C

Figura 13: Etapas da triagem das amostras do banco de sementes; primeira

triagem com auxílio de peneira – A, segunda etapa, triagem manual com auxílio de lupa manual – B, e diásporos encontrados na triagem – C.

As plântulas que emergiam nas bandejas foram registradas separadamente por amostra e estação, fotografadas, removidas e identificadas até o menor taxon possível. Quando a identificação não era possível, a muda era replantada em tubetes contendo substrato comercial (Figura 15) e mantida na casa de vegetação até sua floração ou retirada e herborizada.

Figura 15: Plântulas não identificadas nas bandejas do banco de

sementes, transferidas para tubetes para desenvolvimento e posterior identificação.

Figura 14: Amostras do banco de sementes colocadas para germinar

na casa de vegetação da Unidade de Pesquisa e Tecnologia de Sementes após triagem manual.

Tanto os diásporos encontrados na chuva de sementes, como no banco de sementes, depois de identificados, foram caracterizados de acordo com o grupo ecológico, o porte dos indivíduos e a síndrome de dispersão, bem como comparados entre si e com a composição do remanescente próximo onde foi realizado o estudo fitossociológico.

Também foram calculadas as densidades mensais e anuais dos diásporos de cada espécie (Grombone-Guaratini & Rodrigues 2002; Longhi et al. 2005; Penhalber & Mantovani 1997). Para análise de similaridade entre as amostras do estudo fitossociológico, chuva e do banco de sementes foi realizada a construção do dendrograma com base no método UPGMA ("unweighted pair-group method with arithmetic averages") com o programa PAST v2.08 (Hammer 2011), utilizando os indicadores de Similaridade de Jaccard e Bray-Curtis.

Para a chuva de sementes, a limitação de sementes (LS) foi calculada à partir das fórmulas apresentadas em Muller- Landau et al. (2002). Já a limitação de fonte (LF), pelo método estocástico de Clark et al. (1998), que assume que as sementes não estão sob influência do limite de dispersão (LD), cuja deposição é uniforme (ao acaso) e independente, e que os coletores têm, hipoteticamente, a mesma probabilidade de receber sementes. Com a proporção de coletores que receberam sementes e a de coletores que as receberiam caso a deposição no ambiente fosse uniforme, calculou-se a limitação decorrente da dispersão de sementes (Silva et al. 2009).

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