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Liberdade de informação em geral e jornalística

2 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

2.2 A liberdade de expressão

2.2.3 Liberdade de informação em geral e jornalística

A informação é a parte da liberdade de expressão mais utilizada, ou seja, a que mais causa impactos para o povo. Ao contrário de uma manifestação, por exemplo, que é do povo para o governo, ou para o povo mesmo. A informação geral e, principalmente, jornalística, é dada de algumas pessoas para o povo ou governo, e é muito mais abrangente porque essas pessoas têm muito mais “poder”, abrangendo assim uma maior parte do povo e formando opinião das pessoas, o que é a parte mais perigosa.

Caldas (1997, p. 67) conceitua a liberdade de informação:

A atividade de imprensa (rectius dos meios de informação), traduzida na divulgação de informações, abrange um espectro enorme. Engloba a divulgação de informações técnicas, científicas, políticas, econômicas, sociais, artísticas etc. Pode-se dizer que não há campo de atividade humana que não interesse diretamente à imprensa. Enfim, tudo que à pessoa interessa, interessa à imprensa. A cobertura jornalística está em todos os lugares, todo o tempo, de dia e de noite. Em suma, há informações para todos os gostos e necessidades.

Também pode haver a ocultação de informação, prejudicando a sociedade, fazendo-a ficar sem saber o que está acontecendo. E isso acontece, seja por parcerias por parte da imprensa com governos, ou ajudas pessoais.

Guareschi e Biz (2007, p. 76) trazem o pensamento de Santos, que assim expressa:

Quem tem poder para difundir notícias, tem poder para manter segredos e difundir silêncios. Tem poder para decidir se o seu interesse é mais bem servido por notícias ou por silêncio. Podemos concluir, pois, que uma parte do que de importância ocorre no mundo, ocorre em segredo e em silêncio, fora do alcance dos cidadãos.

E não existe lei que possa mudar esse panorama, pois qualquer pessoa ou meio de comunicação tem o direito de ocultar informações por vontade própria.

Diferentemente de um órgão público que não pode ocultar informações do povo, pois como o nome já diz, é algo público, para o povo e do povo, portanto, é um direito da sociedade ter qualquer informação referente a órgãos públicos, e é exatamente sobre isso que trata a Lei n. 12.527/2011. Essa lei veio depois de muita demora, mas felizmente foi aprovada e é muito importante.

Fazendo uma breve pesquisa histórica, percebe-se que antigamente a liberdade de imprensa e de informação era quase nula, e o governo controlava tudo.

Caldas (1997, p. 64) traz o depoimento de Ferreira Filho a este respeito:

Durante séculos, todas as publicações dependeram de autorização governamental, ciente os poderosos do tempo da força da palavra escrita, o meio de comunicação de massa ao tempo existente. Essa autorização só era dada após a censura da obra, que, conforme o tempo, se fazia com rigor maior ou menor.

Mas com a evolução ao longo do tempo, e a inserção da democracia, o direito de liberdade de informação e imprensa foi assegurado.

E para dar um equilíbrio entre a liberdade de expressão positiva, que é informar o povo sobre o que realmente esta acontecendo, principalmente em face do governo, e a informação negativa, que é aquela falsa, com segundas intenções, formadora de opinião, totalmente parcial, são necessárias leis sobre o assunto. Especialmente no Brasil existe a Lei da Imprensa (Lei nº 5.250/67), que foi mantida, mas sofreu algumas modificações com a promulgação da CF/88. Ela foi, inclusive, objeto de ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) junto ao Supremo Tribunal Federal.

Laner (2012) analisa a Lei de Imprensa em artigo publicado em site eletrônico:

A lei de imprensa diz: desde o Império que atividade da imprensa já era regulada, através da Carta de Lei de 2 de outubro de1823. Na República duas leis foram elaboradas, a primeira foi a Lei nº 2.183 de 12 de novembro de 1953. Esta foi derrogada pela Lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, elaborada e posta em prática no período autoritário da Ditadura Militar, mas sua vigência persiste até hoje. No entanto, desde 1991 tramita no Congresso Nacional projeto da nova lei de imprensa de autoria do senador Josaphat Marinho, que traz grandes modificações nesta pasta. Com o advento da Constituição Federal de 1998, várias modificações sofreu a Lei 5.250/67. A principal delas foi quanto à legitimação das liberdades de expressão, informação e de imprensa, que se encontra no Título VII, Capítulo V, Da Comunicação Social, artigos 220 a 224 da CF/88. Este capítulo inscreveu normas de comunicação coletiva, extinguiu a censura, inseriu o direito de resposta, o dever de informar e o direito de ser informado.

Infelizmente, no Brasil e nos demais países democráticos, nem sempre a lei que trata sobre esse assunto é seguida. Falando especificamente do Brasil, ainda existem casos em que o governo censura alguns jornais por seu próprio interesse, prejudicando a sociedade e fazendo-a ficar à mercê do que realmente está acontecendo. Enquanto isso, ocorrem os roubos, principalmente do dinheiro público.

Laner (2012) prossegue afirmando que:

O Brasil, neste particular, ainda não entrou num patamar ideal de convalidação da atividade social da imprensa com a democratização não apenas dos veículos, mas de toda a conjuntura formadora da sociedade brasileira. O principal motivo desse impasse deve ser os interesses particulares em detrimento aos públicos, que atuam nesta área de legislação. Cada etapa da História do Brasil surge determinado interesse, geralmente autoritário, para cercear a liberdade de imprensa, impedindo-a de cumprir a sua função social.

É por isso que a liberdade de informação é muito importante, porque somente por seu intermédio pode-se reivindicar algo, fazer manifestações, exigir direitos, entre inúmeras outras coisas. Do contrário, a sociedade ficará alienada, vulnerável e sempre prejudicada.

Por outro lado, a Lei de Imprensa precisava ser melhorada em vários aspectos, principalmente no que diz respeito a censura do poder público por interesses pessoais, que apesar de estar contemplada pela lei, nem sempre é cumprida e acaba ficando impune. Observa-se, que a ADPF, nº 130 analisada no STF, no ano de 2009, ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi considerada incompatível com a CF/88, não podendo permanecer no ordenamento jurídico.

Neste sentido, observa-se a Ementa do julgamento da supracitado ADPF 130, por maioria em 30.04.2009:

A plena liberdade de imprensa é um patrimônio imaterial que corresponde ao mais elegante atestado de evolução político – cultural de todo um povo. Pelo seu reconhecido condão de vitalizar por muitos modos a Constituição, tirando a mais vezes do papel, a Imprensa passa a manter com a democracia a mais estranha da relação de mútuo dependência ou retroalimentação. Assim, visualizada como verdadeira irmã siamesa da democracia, a imprensa passa a desfrutar de uma liberdade de pensamento, de informação e de expressão dos indivíduos em si mesmos considerados. [...] ( ADPF 130, Rel. Min. Carlos Brito. J. 30.04.2009, Plenário, DJE de 06.11.2009)

Configura-se, assim, que após a decisão por maioria do STF, a Lei de Imprensa não pode ser mais aplicada.

A este respeito complementa Laner (2012):

Em uma análise conclusiva da origem e da evolução histórica da legislação brasileira de imprensa, não se lê, nos principais autores da área, nenhum comentário favorável à elaboração e aplicação de Lei de Imprensa. Neste sentido pontual é a definição dada pelo mestre Carvalho Filho: “A Lei de Imprensa é ao mesmo tempo severa contra o jornalismo e ineficiente para proteger a honra e a intimidade das pessoas”.

Interessante referir que a Lei de Imprensa, editada em um período da história brasileira na qual a censura fazia parte do cotidiano político, não mais pode permanecer impedindo a livre manifestação do pensamento e da imprensa, pois ela visa hoje à proteção dos direitos fundamentais, e isso foi contemplado na decisão do STF, quando do julgamento da ADPF 130.

Lima (2010, p. 80) também critica a Lei de Imprensa no Brasil:

Um dos pontos que chama a atenção no relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) sobre o estado atual da liberdade de imprensa no Brasil, divulgado no Paraguai em 17 de março de 2009, é que de dez fatos apontados como “afetando” a liberdade de imprensa entre nós, quatro são decisões judiciais tomadas dentro dos parâmetros legais em vigor no país.

Faz-se necessário, portanto, uma revisão da Lei de Imprensa no Brasil para que a mesma não deixe lacunas e a liberdade de informação seja coibida, ou que uma nova lei seja editada, contemplando os direitos fundamentais. O mesmo acontece em outros países democráticos que precisam ter suas leis revistas. Também se faz muito importante a aplicação

dessas leis e a fiscalização das mesmas, pois de nada adianta ter leis e direitos assegurados se eles não forem cumpridos e assegurados.

Por isso, como já mencionado, este é um assunto delicado e muito importante, e que exige equilíbrio para não deixar ninguém prejudicado, seja por falta de informação ou por informação prejudicial, acabando assim com a impunidade que ainda acontece em alguns casos.

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